16/04/2014

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DUAS BANANADAS: UMA CÔMICA HISTÓRIA DE UMA TRÁGICA REALIDADE

Por Judiclay Silva Santos




Um amigo meu, à época seminarista no Rio de Janeiro, passou por uma experiência que, embora engraçada, revela uma triste realidade no cenário evangélico brasileiro. Com o propósito de evitar constrangimentos desnecessários, os nomes das pessoas envolvidas e da igreja em questão serão ocultados, mas, posso lhes garantir, tendo a Deus como testemunha, que os fatos são reais e verdadeiros. 

João (nome fictício que atribuirei ao meu amigo) era conhecido por ser um excelente pregador. Era também um bom estudante, cursando o terceiro ano da graduação em teologia em um dos mais antigos e renomados seminários do Brasil. Recebia muitos convites para pregar e, à medida do possível, atendia de bom grado. Convidado para pregar uma série de conferências em uma igreja, seguiu para o destino acompanhado de sua esposa em um carro particular. A igreja estava lotada para celebração do seu 25o aniversário. Durante cinco dias (de quarta-feira a domingo) João esforçou-se para pregar com excelência, buscando a edificação da igreja. Nas semanas anteriores ele havia se preparado com muita dedicação. Orou intensamente a fim de que Deus usasse a sua vida como um instrumento. No domingo à noite, último dia da festa, igreja lotada, como dizem os irmãos pentecostais, ninguém sabia “se o céu desceu ou se a igreja subiu”, mas todos reconheceram que foi uma noite especial. Depois da mensagem, o povo cantou de pé: Tu és fiel Senhor! - belíssimo hino da tradição cristã. O pastor e o seminarista à porta recebiam os cumprimentos dos membros da igreja, que não escondiam a satisfação dos seus corações. No dia seguinte, prontos para regressar ao Rio de Janeiro, o seminarista estava inquieto. Até aquele momento não havia recebido nenhum recurso para custear as despesas de sua viagem (considerando ida e volta,  foram mais de 700 km de distância). E a oferta de gratidão? Até aquele momento, nada! Chegou a hora de ir embora. O seminarista e a esposa entram no carro, após se despedirem do pastor e sua família. Enquanto o carro andava os primeiros metros, o seminarista olhava o pastor acenar pelo retrovisor... Ufa!, suspirou o entristecido pregador que imaginou ser aquele um sinal de reparação ou correção de um lapso compreensível. Ledo engano. O pastor se aproximou e disse: 

- Quase esqueci. Estava no meu bolso. Levem para vocês comerem na viagem. 

Estendendo a mão, ofereceu-lhes duas bananadas. Sim, caro leitor. Duas bananadas dessas que são vendidas nos semáforos da vida por alguns centavos. Incrédulo e estupefato, o pregador seguiu viagem sem saber se ria (pois a cena foi hilária) ou se chorava (pela sensação de ter sido golpeado), embora tenha pensado em fazer outra coisa. 

Essa história nos encoraja a pensar sobre o complexo mundo de fazer e aceitar convites para pregar. Trata-se de uma excelente oportunidade para pensar sobre os deveres de ambos, do pregador convidado e da igreja que convida. 

I. RESPONSABILIDADES DO PREGADOR CONVIDADO. 

1)  Fazer tudo o que for possível para honrar o convite. 

Somente Deus não está sujeito às contingências do tempo e às circunstâncias da vida. Imprevistos acontecem. O pregador pode, na semana do compromisso, ou mesmo no dia, enfrentar uma situação que seja impossível honrar o convite. Mas nada justifica a irresponsabilidade de assumir um compromisso e não honrá-lo. Caro pregador, se você firmou um compromisso, só está dispensado do mesmo se for por um motivo muito sério para o qual não haja outra solução a não ser desmarcar. Portanto, pense duas vezes antes de assumir um compromisso. Um homem sem palavra é um homem suspeito. Honrar um convite é uma nobre atitude. 

2) Preparar-se com excelência para edificar a igreja. 

Quando uma igreja convida um pregador, sua expectativa é de que ela seja edificada. A pregação é o principal meio de graça. Uma boa mensagem tem o poder de abençoar vidas. Para tanto, entre outras coisas, o pregador precisa se preparar para o desafio. Isso demanda tempo de estudo e oração. No entanto, é triste constatar que alguns pregadores aceitam um convite para o qual não se preparam. Já testemunhei cenas vergonhosas. Existe coisa mais constrangedora que ouvir um homem perceptivelmente despreparado? Senhores, pregação é um assunto sério e exige total dedicação. 

II. RESPONSABILIDADES DA IGREJA QUE CONVIDA. 

1) Oferecer todas as condições necessárias para que o pregador desenvolva a missão que recebeu. 

a) Uma boa viagem. Quando a distância é curta, é possível ir de carro, ônibus ou outro meio de transporte que assegure chegar no horário. Muitas vezes, dependendo da distância, a passagem aérea é fundamental. Na atual conjuntura, em que as passagens aéreas estão com preços acessíveis, sendo as viagens bem mais seguras e rápidas,  espera-se que a igreja providencie as passagens. Soube de uma igreja que ficou irritada com um pregador pelo simples fato deste não se dispor a viajar de Porto Alegre à Goiânia de ônibus. Não havendo condição, melhor seria convidar alguém da própria cidade ou de uma região mais próxima. Tendo a oportunidade de assegurar uma boa viagem, segura e eficiente, deve-se evitar deslocamentos de grandes distâncias com seus riscos e desgastes desnecessários. 

b) Uma boa hospedagem. Se o pregador vem de longe, ainda que seja para pregar apenas um dia, ele precisa de uma adequada hospedagem. Onde ficar? O ideal é que fique em um lugar que ofereça privacidade, segurança e descanso. A casa do pastor da igreja que convida ou mesmo a casa de um membro, não é o mais adequado. Um amigo meu, veterano pastor com mais de 65 anos, passou pela experiência (ainda jovem, pois hoje em dia não entra mais nessas furadas) de ir com sua família para pregar na igreja de um colega que lhe ofereceu a própria residência como lugar de hospedagem. Na hora do almoço, o pastor anfitrião disse ao colega: “Depois da oração podem atacar, pois os meus filhos são terríveis. Às vezes não sobra nem para mim.” Como se não bastasse, o pastor deitou-se sem camisa na sala da sua casa, com aquela barriga protuberante, roncando com toda força enquanto o pastor convidado com sua mulher e filhos sentados no sofá pensavam: “O que nós estamos fazendo aqui?! Ridículo!” Pois bem, o ideal é providenciar um hotel decente. Não precisa ser um 5 estrelas nem tampouco um muquifo de beira de estrada. Basta que seja um lugar que ofereça privacidade e segurança. Pode ser em uma residência, desde que essas necessidades sejam supridas. 

2) Dar uma oferta como expressão de gratidão ao pregador. 

Toda genuína oferta é de caráter voluntário. Oferta não é dívida, mas presente. Oferta é livre e não compulsória. Se isto é verdade, como pode ser um dever da igreja dar uma oferta? Não seria uma contradição? Bem, trata-se de um princípio bíblico abençoar aqueles por meio dos quais Deus nos abençoa. Embora não seja um dever legal, é um dever moral. Trata-se de uma questão de consciência. É justo oferecer ao pregador convidado uma oferta de gratidão por seu trabalho. Fazer isso é reconhecer o esforço, o tempo investido nos estudos, entre outras coisas. Não se cobra pela pregação do evangelho. Não estamos falando de cachê.  No entanto, livros, cursos, preparo, custam tempo e dinheiro. Honrar o pregador é reconhecer o valor do ministério da pregação. Não advogo que em toda e qualquer circunstância seja necessário ou possível oferecer uma oferta em dinheiro. Às vezes, um simples livro oferecido como singela expressão de gratidão é o suficiente para encorajar o pregador, que se sentirá honrado. O princípio básico é a gratidão. Não importa se a igreja é grande ou pequena, mas se é generosa e conscienciosa. Em uma cultura marcada pelo egoísmo, é necessário que aprendamos a ser gratos. 

Um querido professor do seminário me contou uma experiência ocorrida com ele na década de 70. Após um fim de semana pregando em uma igreja no Paraná, pegou o seu carro com destino ao Rio de Janeiro. O colega que o convidou não custeou as despesas, nem lhe ofereceu uma oferta de gratidão. Mas o presenteou com um cacho de bananas. Ao recebê-lo, o professor perguntou a sua mulher: “Querida, nosso carro é movido à banana?” 

Senhores, chega de bananas e bananadas. Por favor, tenham bom senso antes de convidar alguém para pregar. 

"Portanto, dai a cada um o que deveis: ... a quem honra, honra.” - Rm 13.7 

Judiclay Santos, é pastor da Igreja Batista Betel em Mesquita, Rio de Janeiro

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15/04/2014

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Será o eclipse lunar um prenúncio verdadeiro da volta de Cristo?


O vídeo a seguir refere-se ao eclipse lunar ocorrido na última madrugada.





Como já era de se imaginar, o assunto do dia, inclusive um dos mais comentados no Twitter, foi a denominada “lua sangrenta”. Isso era esperado dada a grande quantidade de cristãos que tem anunciado este evento como um cumprimento da profecia de Joel. Gostaria então de deixar algumas considerações. Vejamos o que disse o profeta:

Mostrarei maravilhas no céu e na terra, sangue, fogo e nuvens de fumaça. O sol se tornará em trevas, e a lua em sangue; antes que venha o grande e terrível dia do Senhor. E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo, pois, conforme prometeu o Senhor, no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento para os sobreviventes, para aqueles a quem o Senhor chamar. (Joel 2:30-32 – grifo meu – ver também At 2:20; Ap 6:12)

Não pretendo me aprofundar teologicamente nesta profecia, portanto vamos direto aos pontos.

Em primeiro lugar, a profecia de Joel claramente se refere a um evento bem mais espetacular, sem contar o fato de os “profetas” modernos e demais evangélicos mais admirados ignorarem completamente o que acontecerá com o sol. Como falei, não entrarei pela seara escatológica nem buscarei respostas a respeito da literalidade ou não da profecia, mas é fato que nada ocorreu com o sol, e esse eclipse lunar não é tão parecido assim com uma lua transformada em sangue, ora bolas. Além disso o eclipse não pode ser visto na maioria dos lugares, como então Jesus nos mandaria observar os sinais, se eles sequer poderiam ser vistos por todos nós?

Em segundo lugar, eventos como esse são comuns, mais do que podemos imaginar. De acordo com os cientistas, a tétrade (maneira como é conhecida uma sequencia de 4 eclipses lunares) “é um fenômeno perfeitamente explicado e previsível: só neste século serão oito, sendo a que se inicia no dia 15 a segunda delas” (Fonte: Revista Veja online, do dia 14-04-14).

Em terceiro lugar, como tem sido anunciado por muitos “profetas”, esta atual tétrade ocorrerá em datas que coincidem com algumas festas judaicas, o que confirmaria ser este um genuíno sinal da volta de Cristo. Entretanto, como acredito ser do conhecimento da maioria daqueles que acompanham o Púlpito Cristão, o calendário judaico é baseado nas fases da lua (para ser mais exato ele é lunissolar), sendo, portanto comum que suas festas aconteçam em períodos de lua cheia, justamente o período em que estes eclipses ocorrerão.

Posto isso, apesar de desejar apaixonadamente a volta de nosso Senhor Jesus Cristo, não vejo como a sequencia de 4 eclipses lunares, iniciadas na madrugada deste dia 15 de abril de 2014, possa ser um genuíno sinal de sua volta. Na verdade, todas as vezes que fenômenos fora do comum acontecem (guerras, terremotos, novos papas, meteoros, etc.), “pipocam” inúmeras profecias, seminários, alertas e discursos apaixonados de pessoas que avocam um conhecimento espiritual privilegiado a respeito da segunda vinda de Cristo, porém sempre se esquecem do principal. Com a palavra o Mestre Jesus:

Portanto, vigiem, porque vocês não sabem em que dia virá o seu Senhor. Mas entendam isto: se o dono da casa soubesse a que hora da noite o ladrão viria, ele ficaria de guarda e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. Assim, também vocês precisam estar preparados, porque o Filho do homem virá numa hora em que vocês menos esperam. "Quem é, pois, o servo fiel e sensato, a quem seu senhor encarrega dos de sua casa para lhes dar alimento no tempo devido? Feliz o servo a quem seu senhor encontrar fazendo assim quando voltar. Garanto-lhes que ele o encarregará de todos os seus bens. Mas suponham que esse servo seja mau e diga a si mesmo: ‘Meu senhor se demora’, e então comece a bater em seus conservos e a comer e a beber com os beberrões. O senhor daquele servo virá num dia em que ele não o espera e numa hora que não sabe. Ele o punirá severamente e lhe dará lugar com os hipócritas, onde haverá choro e ranger de dentes”. (Mateus 24:42-51)

Vou resumir o que ele disse: Mais importante do que perceber os sinais, é que cada um esteja preparado, vivendo em santidade, caminhando com Cristo, servindo a Deus. É assim que devemos ser encontrados quando Ele retornar para buscar sua noiva imaculada.

Portanto, mesmo que a lua seja de sangue, que o sinal seja da besta ou dos bestas, andemos cada um de nós como Cristo andou, dessa forma podemos gritar sem medo: Maranata! Ora vem Senhor Jesus!


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Levantei a mão no culto, tô salvo!


Por Ruy Cavalcante

Gostaria de tecer alguns breves comentários buscando esclarecer um grave engano praticado pela maioria de nós, cristãos evangélicos. Eu mesmo já pratiquei o engodo que questionarei a seguir e espero conseguir ser claro o suficiente. 

O assunto é o ponto inicial da conversão, o que muitos chamam de “aceitar Jesus”, o que por si só é um tremendo engano, pois a verdade é que recebemos (e não aceitamos) Cristo gratuitamente quando alcançados pela Graça de Deus, mas este é um assunto para outro artigo.

Vejamos o que Paulo diz:

Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. (Rm 10:9 - ARA)

Muitos interpretam este texto como se Paulo estivesse ensinando que a conversão do ser humano (e sua consequente salvação) se dá através de um simples processo de declaração afirmativa de que Jesus é Senhor, acreditando em sua ressurreição. Ou seja, ensinam que basta que repitamos uma oração que declare isso, ou mesmo que levantemos as mãos afirmativamente quando nos é indagado se recebemos Jesus como Senhor e salvador de nossas vidas.

Bom, é fato que Paulo diz isso, entretanto é preciso entender que a bíblia é um livro coeso, que se completa a partir de todos os seus ensinamentos, numa única e suficiente verdade. Essa questão traz consigo várias implicações, das quais destaco uma: uma verdade doutrinária não pode ser extraída de um único versículo isolado.

Dessa forma, o entendimento desse único versículo, de forma isolada do restante dos ensinamentos relacionados ao mesmo tema, é exatamente que, para ser salvo, basta que eu afirme que creio em Jesus e o reconheço como Senhor.

Acontece que esta afirmação de Paulo se refere a um segundo momento do processo de conversão, não ao ponto inicial. Ele está se referindo a atitude natural de quem passou pela primeira etapa da conversão (a qual explicarei a seguir) para enfim confessar o que pra ele se torna uma verdade suprema e inegável: Jesus é o Senhor da minha vida, eu creio em sua obra!

Antes de falar sobre este ponto inicial da conversão do indivíduo (falo de coisas internas), lembre-se que tudo começa com a pregação do evangelho genuíno de Jesus Cristo (externa). É a partir desse Evangelho que tudo se torna possível, e para isso é preciso que ele seja pregado e compreendido pelo ser humano.

Vejamos o que Jesus diz:

E lhes disse: Está escrito que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia, e que em seu nome seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém”. (Lc 24:46-47 - NVI)

Ora, Jesus não trata o processo de conversão como uma simples declaração de fé. Antes ele afirma que seu evangelho deve ser pregado para que seja gerado arrependimento. Não é possível se arrepender de algo que sequer sabemos que temos culpa, logo a pregação do evangelho envolve o esclarecimento de nossa própria calamidade, nossa completa depravação, nosso estado de rebeldia diante de Deus, de forma que seja gerado um arrependimento genuíno, e um desejo de ser aceito por Deus através de seu perdão.

Tiago se aprofunda um pouco nisso, afirmando que:

Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração. Entristeçam-se, lamentem e chorem. Troquem o riso por lamento e a alegria por tristeza. Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará”. (Tg 4:8-10 - NVI)

Claramente Tiago afirma que o arrependimento verdadeiro causa tristeza. O homem quando reconhece sua calamidade diante de Deus se entristece, abandona o sorriso e este só retorna quando recebe o perdão de Deus através da obra redentora de Cristo. Porém não é o que vemos hoje em dia. 

A todo instante centenas de pessoas, especialmente jovens, repetem uma oração sem sequer saber o que ela significa, levantam as mãos no culto após um apelo do pregador, sem entender, sem que se reconheçam como impuros, sem nenhum resquício de tristeza. Em geral realizam tal procedimento após pregações que exaltam suas vidas, que lhes prometem incontáveis bênçãos, de forma que a única coisa que se vê é muita alegria e nenhum choro, nenhum quebrantamento, como se fosse possível receber essa obra salvífica sem que nos reconheçamos como autênticos pecadores imperdoáveis, perdidos e miseráveis!

Veja outra afirmação, desta vez do apóstolo Paulo:

Agora, porém, me alegro, não porque vocês foram entristecidos, mas porque a tristeza os levou ao arrependimento. Pois vocês se entristeceram como Deus desejava, e de forma alguma foram prejudicados por nossa causa. A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte. (2Co 7:9-10 - NVI)

Mais uma vez é feita a relação entre o arrependimento genuíno, que nos conduz a salvação conquistada na cruz, com a tristeza, o quebrantamento, a destruição de nossos sentimentos altivos. Essa tristeza, que vem de Deus, do esclarecimento que Sua Graça redentora nos dá, é que produz o verdadeiro arrependimento!

Só então podemos, sem nenhum engano, sem resquícios de falsidade ou fingimento, declarar que: Jesus Cristo é o Senhor, eu creio nEle, Ele me salva! Aleluia!

Ou seja, este segundo momento declarado por Paulo aos romanos, só é verdadeiro após o ponto inicial que é o arrependimento genuíno gerado pela compreensão do Evangelho poderoso de Jesus Cristo.

Não se engane irmão, nem deixe que outros permaneçam enganados, a verdadeira conversão se inicia na compreensão do Evangelho, o que gera arrependimento genuíno. É preciso entender a cruz, é preciso arrependimento, não há acasos, ou é assim, ou é falso.

Porque lhes dou testemunho de que têm zelo por Deus, mas não com entendimento”. (Rm 10:2 - ARA)

Deus abençoe a todos.

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14/04/2014

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Deus é amor, portanto não pode odiar. Será?


Por Paul Washer

Deus odeia? Esse ódio é, de alguma forma, voltado contra os homens? A maioria das pessoas nunca ouviu um sermão sobre esse assunto ou sequer já ouviu tal ideia. A questão por si só é suficiente para causar uma controvérsia e colocar os levemente religiosos em guarda. Mesmo sugerir a possibilidade de tal coisa contradiz muito do que os pregadores evangélicos ensinam hoje. Contudo, nas Escrituras, o ódio de Deus é tão real quanto seu amor. De acordo com as Escrituras, há coisas que um Deus santo e justo odeia, aborrece, detesta e até mesmo abomina. Além disso, tal ódio é muitas vezes voltado contra os homens caídos.

Muitos objetam o ensino sobre o ódio de Deus com a falsa suposição de que Deus é amor e, portanto, não pode odiar. Ao passo que o amor de Deus é uma realidade que vai além da compreensão, é importante ver que o amor de Deus é a própria razão para seu ódio. Nós não deveríamos dizer que Deus é amor e, por isso, ele não pode odiar; mas que Deus é amor e, por isso, ele deve odiar. Se uma pessoa realmente ama a vida, reconhece sua santidade e valoriza todas as crianças como um presente de Deus, então ela deve odiar o aborto. É impossível amar pura e apaixonadamente as crianças e ainda assim ser neutro para com aquilo que as destrói no ventre. Da mesma forma, se Deus ama com a maior intensidade o que é reto e bom, então ele deve com igual intensidade odiar tudo o que é perverso e mau.

As Escrituras nos ensinam que Deus não apenas odeia o pecado, mas também que ele volta seu ódio contra aqueles que o praticam. Todos aprenderam o clichê popular: “Deus ama o pecador e odeia o pecado”, mas tal ensino é uma negação das Escrituras, que claramente declaram o contrário. O salmista, sob inspiração do Espírito Santo, escreveu que Deus não apenas odeia a iniquidade, mas que ele também odeia “todos os que praticam a iniquidade”[1].

Devemos entender que é impossível separar o pecado do pecador. Deus não pune o pecado, mas pune aquele que o comete. O pecado não é condenado ao inferno, mas o homem que o pratica. Por essa razão, o salmista declarou: “Os arrogantes não permanecerão à tua vista; odeias a todos os que praticam a iniquidade”[2]. E também: “O SENHOR está no seu santo templo; nos céus tem o SENHOR seu trono; os seus olhos estão atentos, as suas pálpebras sondam os filhos dos homens. O SENHOR põe à prova ao justo e ao ímpio; mas, ao que ama a violência, a sua alma o abomina. Fará chover sobre os perversos brasas de fogo e enxofre, e vento abrasador será a parte do seu cálice. Porque o SENHOR é justo, ele ama a justiça”[3].

É importante entender que os textos acima não estão sozinhos na Escritura, mas estão acompanhados de outras passagens que fortalecem a realidade de tal resposta por parte de um Deus santo. No livro de Levítico, o Senhor advertiu ao povo de Israel que não seguisse os costumes das nações que ele lançaria de diante dele, e depois adicionou: “Porque fizeram todas estas coisas; por isso, me aborreci deles”[4]. Novamente, no livro de Deuteronômio, ele advertiu seu povo de que os canaanitas seriam lançados de diante deles porque eram “uma abominação ao SENHOR”, e qualquer um que participasse dos mesmos atos injustos seria igualmente uma “abominação” para ele[5]. No livro dos Salmos, Deus descreveu sua disposição para com os israelitas incrédulos que recusavam entrar na Terra Prometida, dizendo: “Durante quarenta anos, estive desgostado com essa geração”[6]. Finalmente, no livro de Tito, Paulo descreve aqueles que fizeram confissões vazias ou superficiais de fé em Deus como “abomináveis” diante dele, e João, na Ilha de Patmos, descreve o lago de fogo como morada daqueles que são “abomináveis”[7].

O ódio divino explicado

O que significa quando as Escrituras declaram que Deus odeia pecadores? Primeiro, o Dicionário Webster define ódio como um sentimento de extrema inimizade para com alguém, considerar alguém com ativa hostilidade, ou ter uma forte aversão para com uma pessoa; detestar, repugnar, aborrecer ou abominar. Embora essas palavras sejam fortes, a Escritura usa a maioria, senão todas elas, para descrever o relacionamento de Deus com o pecado e com o pecador. Em segundo lugar, devemos entender que o ódio de Deus existe em perfeita harmonia com seus atributos. Diferentemente do homem, o ódio de Deus é santo, justo, e é um resultado de seu amor. Em terceiro lugar, devemos entender que o ódio de Deus não é uma negação do seu amor. O Salmo 5:5 não é uma negação de João 3:16 ou Mateus 5:44-45. Embora a ira de Deus repouse sobre o pecador, embora ele seja irado contra o perverso todos os dias, e embora ele odeie todo aquele que pratica a iniquidade, seu amor é de tal natureza que ele é capaz de amar aqueles que são o próprio objeto de seu ódio e trabalhar pela salvação deles[8]. Em quarto lugar, embora Deus seja longânimo para com os objetos de seu ódio e lhes ofereça a salvação, chegará um tempo em que ele retirará tal oferta e a reconciliação não será mais possível[9]. (WASHER, Paul. O poder do Evangelho e sua mensagem. Fiel Editora. 2013, p. 157-159)





[1] Salmos 5:5b
[2] Salmos 5:5
[3] Salmos 11:4-7
[4] Levítico 20:23
[5] Deuteronômio 18:12; 25:16
[6] Salmos 95:10
[7] Tito 1:16; Apocalipse 21:8
[8] João 3:36; Salmos 7:11; 5:5
[9] Romanos 10:21

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SOU PENTECOSTAL, MAS NÃO SOU...

Por Samuel Torralbo

Muita especulação, exagero, e equívocos que existe em torno do movimento pentecostal, infelizmente se deve a própria deturpação que alguns pseudos pentecostais promovem através de uma experiência religiosa desconexa daquela encontrada no Evangelho de Cristo Jesus.

O movimento pentecostal genuíno tem sua origem no próprio movimento de Deus na história da Igreja – “E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados.

E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.” (Atos 2:1-4)

É impossível negar a ação de Deus através do movimento pentecostal, onde Cristo Jesus é glorificado através da adoração, do serviço, dos dons e das conversões de almas as boas novas de Salvação.

Porém, durante o processo histórico muitos abusos foram cometidos por pessoas que preferiram suas próprias percepções espirituais a se submeterem a autoridade do Evangelho de Cristo Jesus.

É apavorante ligar o rádio ou a televisão e encontrar pessoas deturpando o verdadeiro significado do pentecostes, com suas mandingas, heresias, indulgencias, e mentiras, chamando para si (quando afirmam serem pentecostais) um legado que não conhecem e jamais experimentaram de fato.

É verdade que o movimento pentecostal em sua grande maioria labutou contra o intelectualismo gerando inúmeros prejuízos para alguns cristãos que, por exemplo, desejavam estudar, mas eram ridicularizados ou tachados como desviados e frios na fé, também é verdade que o estudo e o desenvolvimento teológico no meio pentecostal encontrou como ainda encontra resistência de boa parte daqueles que não entenderam a importância do crescimento na graça como também no conhecimento.

Porém, sabemos que em todo movimento que envolve o gênero humano sempre haverá erros como acertos. É obvio que nada justifica o erro, mas se os nossos pais pentecostais erraram nos exageros impostos com a finalidade de não errarem, parece que atualmente alguns pentecostais estão errando por serem extremamente liberais, demonstrando nenhum limite, seja na doutrina, na moral ou nos costumes, fazendo da liberdade que tanto desejaram um caminho de libertinagem e engano.

De modo que, é estarrecedor e preocupante quando olhamos para a origem bíblica como histórica do movimento pentecostal e notarmos cada vez mais a diminuição da verdadeira essência nos dias atuais. O que percebemos infelizmente é o crescimento de uma mistura entre pentecostalismo com outras demandas do homem pós-moderno que insiste em ser saciado e bajulado nos seus próprios devaneios egoístas.

Contudo, Deus continua sendo o Senhor da Igreja e da História, é Cristo Jesus quem cuida e defende a sua Igreja, porém acredito ser extremamente importante o posicionamento consciente de todos pentecostais que lutam nessa hora para não serem engolidos pelos modismos que nos cercam, de modo que sou pentecostal, mas não sou manipulável nas minhas emoções, sou pentecostal, mas não sou ignorante, sou pentecostal, mas não sou massa de manobra religiosa, sou pentecostal, mas não sou marionete nas mãos de pregadores inescrupulosos, sou pentecostal, mas não sou produto de um mercado de barganha espiritual, sou pentecostal, mas não sou alienado, sou pentecostal, mas desde cedo descobri na caminhada cristã que um dos mandamentos é "crescei na graça e no conhecimento”.

***

Samuel Torralbo pastor, escritor e colaborador do Púlpito Cristão.

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