23/04/2014

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"Deus fez esposas para Caim e Abel": Pr. Lucinho crê assim, e você?

Pelas redes sociais alguns internautas indagaram se Deus teria feito estas duas mulheres já em pecado ou se após criá-las elas comeram do fruto proibido. É tensa esta teoria do Pr. Lucinho! 

Pensemos e comentemos. Olhemos para a imagem de Lutero, por trás do Lucinho, quiçá, a inspiração nos achegue e as respostas também.

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Antognoni Misael, no Púlpito Cristão.

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22/04/2014

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O grande "pecado" pregado hoje é a falta de estima por si mesmo!

Por Josemar Bessa

A essência do pecado é “Brincar de Deus” – viver não para Deus, mas para si mesmo, vendo Deus como parte do todo no qual estamos no centro e para qual mesmo Deus se inclina. O mundo está mergulhado em auto-absorção.

Que imagem é essa senão a do diabo, já que seu pecado, orgulho auto-exaltado, foi o pecado dele muita antes de existirmos? Qual é o espírito do culto de nosso geração? Em torno do que ele está? O grande pecado pregado hoje, espelhando nosso mundo, não é a falha de em tudo honrar a Deus e lhe ser grato em todas as circunstâncias da vida, mas a falta de estima por si mesmo.

A geração que “cultua” a Deus em nossos dias ( cultua a si mesma) achando que a ideia de auto-humilhação (Lc 9.23, 1Pe 5.6) é um mal supremo, prefere então não se ofender com a atitude oposta, o que podemos chamar de Deus-humilhação, ou seja, o rebaixamento de Deus em favor do ego e estima humana. É de novo e de novo cair da tentação do Éden de “ser como Deus”(Gn 3.5). Um culto que repudia a auto-humilhação e nossa indignidade, expressa a mente descrita por Paulo em Romanos 8.7: “o pendor da carne é inimizade contra Deus” – é o retrato da mente do homem não regenerado. Esse pendor manifesta o profundo descontentamento do coração humano com o governo de Deus, ressentimento contra suas reivindicações e hostilidade para com a Sua Palavra. De tal forma isso se tornou comum que é só a Palavra ser proclamada que logo vozes se levantam: “mas isso é muito duro...” – Por causa disso o grito de libertação de nossos dias – ecoando o mundo, não é mais, “miserável homem que sou... quem me livrará...” – mas: “Que homem digno eu sou, quem me ajudará a ver melhor a minha dignidade?”

E onde entram as águas de Kheled-zâram nisso tudo? Na obra de Tolkien, O Senhor dos Anéis, já perto do fim da primeira parte – A Sociedade do Anel – depois que a companhia atravessa as perigosas minas de Moria, com muito custo chegam do outro lado, tendo “perdido” Gandalf na atravessia, o grupo está arrasado. Há um grande lamento, Gandalf é o líder... como ficarão sem ele? Há grande sofrimento e incredulidade, ele era o mais poderoso entre eles.

No meio desse grande lamento por Gandalf e ainda temendo por suas vidas, Gimli ( o representante dos anões na sociedade ), insiste para que Frodo ( o portador do Anel ) e o inseparável amigo, Sam, se juntem a ele enquanto olha as águas de Kheled-zâram.

A principal maravilha do Lago-espelho é que ele reflete apenas as montanhas e as estrelas: “Das sombras dos próprios corpos inclinados não se via nada” – Ele tira, em seu reflexo, a pessoa do centro, ela não se vê, ela pode ver tudo sem ter ela no centro, sem ter ela como perspectiva central da cena. Ela então pode ver coisas que jamais poderia ver com ela no centro. Coisas fundamentais que parecem periféricas quando vistas ao redor apenas. Coisas maiores que nossas alegrias, triunfos ou tragédias aqui. Coisas que sobreviverão quando nenhum de nós estiver mais neste planeta. ( Ver coisas que durarão para sempre, como diz Paulo).

Não é essa nossa grande necessidade? As “águas de Kheled-zâram”, o lago espelho que nos tira totalmente da perspectiva central nas alegrias, triunfos e tragédias, e nos faz enxergar coisas eternas?

Sem a libertação da grande característica do pecado que os Reformadores chamaram de homo incurvatus in si, estamos presos em nossos egos, em auto-absorção, e todo culto, e todo nosso cristianismo não passa de farsa, pois ainda estamos brincando de deus.

Hoje, o primeiro grande mandamento de nossa geração, o primeiro mandamento que tem moldado nosso cultos é “amarás a ti mesmo” – explicamos todos os problemas com base na baixa auto-estima. Não gostamos de nada na Palavra de Deus que julguemos que provocará isso. Décadas de sermões, livros... inculcando isso na mente de uma geração fez um estrago enorme. Temos de fato o culto do Eu. O culto para o mundo, o culto relevante, o culto para o jovem, o culto para os casamentos, o culto... O foco é o homem e não Deus, e sequer nos envergonhamos mais de tão grande distorção. Não há oposição quase nenhuma a tão grande afronta a Deus. Não cultuamos Deus, cultuamos nossa auto-estima.

A atitude corrente é a de autodeificação, dela só poderia brotar atos de autodeterminação contra Deus, Sua Palavra... tendo que o que é eterno e imutável, se “moldar” ao que é mortal, finito e mutável. Já não conseguimos olhar mais nada sem ver nossa face no centro da perspectiva. Era exatamente isso que as águas de “Kheled-zâram”, o lago espelho, fazia, tirava o homem da perspectiva.

Sem esse “milagre” de Kheled-zâram, o homem não pode sequer esbarrar nas doutrinas fundamentais sobre ele, pois, por não estarem indo na direção do culto a auto-estima, serão descartadas como absurdas, não porque a Bíblia não as ensina, mas porque ofende a sensibilidade do ego adorado. Por exemplo, todo homem além do trabalho regenerador de Deus é totalmente depravado, ou seja, ele não é capaz de nenhum ato ou pensamento sagrado, santo, aceitável... diante de Deus. Paulo diz que “tudo que não é por fé é pecado” (Romanos 14.23) – Portanto, tudo que um homem irregenerado faz é pecado, mesmo que ele dê todos os seus bens para alimentar o pobre ou o seu corpo para ser queimado (1 Coríntios 13.3) – O motivo verdadeiro para qualquer ato só pode ser definido devidamente com referência a honra de Deus, sua santidade, sujeição a Ele, sua honra... qualquer coisa feita sem essa referência e que não confia tão somente em sua misericórdia e em nada de bom no homem, não são boas, portanto: "Não há ninguém que faça o bem nem um sequer" -Romanos 3:12. É óbvio que isso é uma pedra de tropeço intransponível para o coração irregenerado.

Vida cristã é uma vida que consiste em seguir a Jesus, e segui-lo está no estremo oposto ao culto da auto-estima: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me!” – Hoje vivemos numa geração que quer seguir a Cristo com muito do mundo e de si mesmo e muito pouco de Cristo em suas vidas, porque culto a auto-estima e cruz são antagônicos.

Ele diz que primeiro negue-se e só depois siga-me.

Primeiro – Renuncie a si mesmo.
Segundo – Tome a sua cruz.
Terceiro – Siga-me.

Essa é a ordem das coisas. Mas o Ego está no caminho juntamente com o mundo e suas milhares de atrações. O culto a auto-estima e o “para mim o viver é Cristo... e não mais vivo eu mais Cristo vive em mim”, são incompatíveis. O que Paulo está dizendo é que “para mim o viver é obedecer a Cristo, é servir a Cristo, é honrar a Cristo...” – é isso que significa. Tomar a cruz significa obediência, consagração, rendição... uma vida colocada à disposição de Deus para Sua glória – significa morrer para o Ego. “Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte” – Filipenses 1.20 – Fomos mandados para o mundo para viver com a cruz estampada em nós, não há outra forma para que de fato a vida de Cristo seja mostrada em nós:“Trazendo sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo” – 2 Coríntios 4.10.

Tudo isso é fábula sem as “águas de Kheled-zâram”, ou seja, sermos levados a uma visão da vida em que não estamos mais no centro, podendo ver então tudo que é eterno, tudo que em nossos triunfos e tragédias aqui, glorifiquem a Deus: “Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.” 2 Coríntios 4:18 – Ele não põe ele mesmo no centro da perspectiva, mas o plano eterno de Deus – ao não estar centrado em si, tudo que era eterno tomava um lugar que não podia ser visto antes. Era o que as águas de Kheled-zâram faziam.

Nós não desanimamos porque os nossos olhos estão fixos no que é invisível e eterno.

Podíamos ver tantos exemplos na vida de Paulo, mas encerremos com um apenas. Paulo podia ver as correntes que o prendiam aos soldados romanos dia e noite. Mas seus olhos não estavam sobre elas e eles. Cada corrente foi forjada por Cristo e seria usada para Cristo. Se o ego estivesse no centro da perspectiva, isso seria impensável, mas Paulo pensava: “como posso usar essa cela de prisão e essas correntes para a glória de Cristo? Como honrar aqui, nesta situação o Senhor do Céu!”

Ele nunca fez das coisas deste mundo o alvo do seu olhar, ele podia ver longe, ele não se via no centro da perspectiva. Se ele fosse adepto do culto da auto-estima de nossa geração, teria ficado oprimido ali, paralisado por sua própria mortalidade, obcecado pelos triunfos aparentes dos inimigos, ou desestabilizado pelo pequeno apoio das igrejas. Mas ao não se ver no centro da perspectiva, ele pode fixar os olhos sobre o que era invisível.

Como dissemos antes, a principal maravilha do Lago-espelho, Kheled-zâram - era que refletia tudo, a obra das mãos de Deus, sem mostrar a face de quem estava olhando: “Das sombras dos próprios corpos inclinados não se via nada!” – Naquele momento de tragédia e dor, onde parecia que tudo iria perecer, não havia lugar melhor para Frodo e Sam olhar, e foi isso que Gimli os incentivou fazer.

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21/04/2014

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"Sangue de Jesus cobrirá o Brasil!": Mais um ato patético na Lagoinha

Por Antognoni Misael

A Lagoinha não se cansa de tentar ganhar o Brasil para Cristo. Há anos eles pagam micos e mais micos, lavam a bandeira com azeite, rugem como leões, vestem-se de soldados, ungem os mares com óleo, aplicam golpes de Muay thai nos tripés dos exus, e por aí vai... É como se Deus não estivesse no controle de nada, e que dependesse de seu povo para anular as ações de satanás.

Ao convidar os fiéis para o 15º Congresso de Adoração Ana Paula Valadão disse: "Temos promessas de Deus para o país e precisamos adorar, orar, clamar e trabalhar para que vejamos a transformação do Brasil em nossos dias".

O que me assusta é ver tanto anacronismo nisso tudo. Ao lermos sobre o verdadeiros avivamentos notamos que todos eles ocorreram de dentro para fora. Portanto, antes de qualquer ato patético é mister que se pense em Reforma e Avivamento. A Reforma nos propõe um retorno ao ensino da Bíblia e o avivamento nos indica uma relação apropriada com o Espírito Santo. Isto significa dizer que, os grandes momentos da História da igreja vieram quando estas duas qualidades entraram simultaneamente em ação fazendo com que os irmãos experimentassem a doutrina pura e a igreja conhecesse o poder do Espírito Santo.

Falar de avivamento e reforma é falar do padrão ideal que Deus quer de nós: Jesus Cristo. Portanto, não temos dúvida de que a igreja brasileira precisa urgentemente despertar neste sentido, a saber que estamos numa nação tida como a 6ª economia do mundo, mas com a maior população carcerária do planeta; o 8º na maior desigualdade social onde o negro é a imensa maioria do pobre, sem falar do altíssimo grau de corrupção enraizado em nossa estrutura política o que faz de nossa saúde, segurança e educação um vexame sem fim.

O lamentável nisso tudo é que o nosso inchaço religioso parece não mudar em nada esta realidade. Daí o que mais me espanta na Lagoinha é achar que estas representações tem algum valor diante da absurda realidade da nossa nação. Lembremos do batismo e da ceia. São sacramentos que por si só não tem valor algum no sentido de que, sem o arrependimento e sem a confissão, se tornarão mera simbologia vã. É mais ou menos isso que ocorre nos ritos da Lagoinha. Muito teatro e pouca validade!!

Assista: Aí vem a 'profetiza' da "Lagoa" e com um longo tecido vermelho tenta cobrir o Brasil com o sangue de Jesus.

Aí a 'profetiza' rasga os conselhos de Paulo e solta as mais variadas línguas esquisitas sem o menor sentido.

Então a 'profetiza' diz que o Senhor estará fazendo algo em virtude de seus rituais afirmando que no "momento certo" os fiéis devem levantar a bandeira, pois no exato momento o Brasil será levantado.

Ela não se contenta e afirma que todos os locais que foram abertos para a Copa do Mundo, e que seriam alvo de prostituição e pecado, serão paralisados 'agora'! (Ela não conseguiu evitar a roubalheira dos gastos, mas demonstra ter poder pra congelar as potestades (???)

Por fim, a profetiza declara: "Nós recebemos o novo Brasil".

Cadê o novo Brasil? Ele cabe dentro da Lagoa?

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Antognoni Misael. Cansado desse teatro chato.

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NA JUSTIÇA PELOS DIREITOS HUMANOS DOS CHIPANZÉS

Por Wesley Moreira

O que acontece quando se mistura na mesma panela socialismo, ecologismo e ateísmo ou no mesmo quarto Nietzsche, Marx e Darwin? "Macacos me mordam!" Um grupo de ativistas ecológicos ateístas, influenciados pela teoria da evolução e o socialismo, entrou na justiça americana exigindo que as cortes reconheça os "Direitos Humanos dos Chipanzés"

Ativistas do grupo conhecido como o Nonhuman Rights Project abriram processos e ações legais em nome dos chimpanzés alegando que eles tem o direito de viver livres da opressão e da pobreza. Estamos vivendo os dias do advento do socialismo-antropomorfista, nova teoria socialista que transfere e aplica os direitos e privilégios inerentes aos seres humanos a qualquer animal através da personificação do mesmo.

O grupo ateista argumenta a partir de estudos de vários primatólogos que os chimpanzés demonstram habilidades cognitivas complexas, e devem ser reconhecidos como pessoas colectivas*. (*São organizações constituídas por uma colectividade de pessoas dirigidos à realização de interesses comuns ou colectivos, às quais a ordem jurídica atribui a Personalidade Jurídica.)

Apesar de que nenhum dos processos serem bem sucedidos, até um juiz se recusou comparecer em uma das audiências, o grupo está preparado para lutar na suprema corte.

O líder do movimento, Steven Wise, que não reconhece a diferença entre um chimpanzé e uma criança, se sentiu encorajado com os resultados. "Estes foram os resultados que esperávamos. Todos os animais não-humanos perderam seus direitos legais há séculos. Isso não vai mudar facilmente. O que eu não esperava, no entanto, foram as fortes palavras de encorajamento e apoio por parte dos juízes e seu reconhecimento da força dos nossos argumentos. Então, agora estamos em uma boa posição para levar nossa Apelação à Suprema Corte de Nova York." disse. 

Tratar os animais com bondade é de base bíblica, Provérbios 12:10. A RSPCA o grupo com maior historia na luta contra a crueldade aos animais foi estabelecido numa base explicitamente cristã, seus fundadores e membros são predominantemente conservadores e evangélicos cristãos, incluindo William Wilberforce, que também lutou contra escravidão. Mas daí a considerar animais como seres quase-humanos é rebaixar os seres humanos ao nível de apenas animais, como Steven Wise espera conseguir.

Wise argumenta que se homens e chipanzés vem de um ancestral comum portanto devem possuir os mesmo direitos que os homens. Esse foi o argumento usado nos processos abertos, usando sempre argumentos baseados na teoria da evolução.

É continua a doutrinação sobre a evolução em nossa cultura e tem influenciado os juízes a ponto de no mínimo apoiarem moralmente o argumento socialista-antropomorfista. O juiz da Corte de Fulton County, Joseph Sise ficou claramente impressionado com os argumentos de Wise.

Enquanto a sociedade continua a convencer-se de que somos apenas animais evoluídos, e que os seres humanos não são feitos exclusivamente à imagem de Deus podemos esperar ataques aos seres humanos vindo de duas direções. Uma busca elevar os animais a possuírem os direitos dos humanos. O outro, na forma de aborto e da eutanásia busca denegrir o valor da vida humana.

Curiosamente a teoria de Wise não aplica os deveres dos homens aos animais.

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Wesley Moreira é pastor, tradutor e blogueiro. Atualmente reside nos EUA, onde exerce seu ministério e escreve em blog pessoal

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20/04/2014

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Providência Divina



Por Ruy Cavalcante

Não é novidade a minha antipatia, e de todos do Púlpito Cristão, contra os movimentos neopentecostais, pois são óbvios os vários pontos preocupantes em suas doutrinas e liturgias. Há muito ainda o que falar sobre esse assunto, porém neste momento gostaria de tratar, mesmo que em forma de esboço, a questão da providência e manifestação divina dentro e fora desses movimentos.

Pessoalmente entendo como característica destacada desse movimento o misticismo e conseqüentemente a ênfase à sobrenaturalidade da revelação e da providência de Deus. Desconfio que seus líderes sequer conhecem a forma como os reformistas trataram esse assunto.

Com o retorno às escrituras (Sola Scriptura) conquistado pelo cristianismo histórico através dos reformadores, este e outros temas teológicos voltaram a fincar suas bases na Palavra de Deus, subjugando as experiências pessoais para fins de interpretação bíblica. A partir deste novo (e velho) contexto, a doutrina da providencia de Deus voltou a considerar que a ação divina na vida das pessoas é manifesta primariamente na forma “natural”, deixando como regime de exceção as manifestações sobrenaturais desta interação de Deus com o ser humano.

Em outras palavras, a providência de Deus acontece todos os dias, sem a necessidade de manifestações extraordinárias ou, como afirma o Pastor Augustus Nicodemus em seu artigo sobre Batalha Espiritual, “acontece através de pessoas e circunstâncias da vida para atingir seus propósitos”. Isso vale até mesmo para a questão da conversão. A maioria das pessoas são alcançadas pelo evangelho de Cristo através de uma pregação, de um amigo, de uma leitura bíblica ou mesmo do testemunho de alguém. Eu mesmo fui alcançado a partir de conversas com amigos.

Infelizmente esta é mais uma das deturpações do evangelho criadas, principalmente, pelo movimento neopentecostal. No mundo particular neopentecostal, que as vezes chamo de "Gospelândia", a providência e toda atuação divina encontra-se subordinada às coisas sobrenaturais, ao inexplicável. Espiritual é o homem ou a mulher que recebe constantes revelações, que lança “palavras proféticas”, que é alcançado pelo evangelho de forma extraordinária, a exemplo da conversão de Paulo. Note que a conversão de Paulo é explicitamente uma exceção às demais descritas no livro de Atos dos apóstolos. O próprio Pedro foi usado por Deus de forma natural para a conversão de milhares, a partir de uma simples (mas viva) pregação.

Não tento com isso negar a atuação sobrenatural ou extraordinária de Deus, pois ela é real. Mas sim afirmo que as manifestações sobrenaturais não são nem de longe a principal maneira como Deus se relaciona com seu povo, pois afirmar isso é considerar os milhares de cristãos que não viveram experiências afins como inferiores espiritualmente aos demais que, por propósito divino, experimentaram coisas inexplicáveis.

A coisa chegou a tal nível que hoje em dia ninguém (ou quase ninguém) te considera um homem de Deus por seus frutos. Pouco importa se você tem andando em fidelidade a sua esposa, se tem sido honesto e justo, se tem socorrido o necessitado, amado e perdoado, anunciado o Cristo da bíblia e caminhado nos passos de Jesus, você só será considerado homem de Deus, ungido do Senhor, se falar em línguas, experimentar unções extravagantes, for adepto de gritarias e coisas afins, mesmo que esteja na terceira esposa, em virtude de ter traído as duas anteriores, se é que você me entende.

Outro problema deste delírio gospel é o poder que ele possui de converter pessoas simples em comerciantes de milagres. As pessoas abandonam Cristo para buscar seus prodígios, deixam o amor em segundo plano para valorizar somente as coisas sobrenaturais, enfim, deixam o verdadeiro em simples evangelho de Jesus para viver o misticismo evangelical que trata a salvação como a abertura de um contrato em nós e o céu.

Não quero me alongar demais. Esse assunto me entristece, aliás tudo o que envolve o neopentecostalismo me deixa triste a apreensivo. Temos urgentemente de encontrar um sentido verdadeiro para nossas pregações, um sentido para nossos cultos, um sentido para nossos ministérios. 

Se a manifestação de Cristo em nós não estiver refletida primeiramente em nossa conduta diária, em nossa convivência com o próximo ou em nosso papel como agentes sociais creio eu que é vã nossa pregação e pura vaidade nossa vida cristã, por mais profecias que eu seja capaz de proferir ou curas que eu possa realizar.


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Ruy Cavalcante, no Púlpito Cristão. 

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