22/09/2014

Nenhum comentário

Thalles Roberto, o seu capanga espiritual e os 7 mergulhos proféticos de Naamã #Fail

Por Antognoni Misael

Uma das canções do Thalles Roberto mais interessantes que eu acho é a de título “Dias de Sucesso”. Nesta canção, o autor diz algumas frases confessionais como “eu não posso esquecer quem eu sou” e “a glória que eu recebo eu te dou”. Só que, lamentavelmente, o Thalles tem se perdido por não saber definitivamente quem é, no que está crendo e no que anda fazendo por aí. Terminantemente, os tais “dias de sucesso” do querido cantor tem o levado para um caminho, talvez sem volta.

Em maio de 2012, relembremos, Thalles foi ungido pastor por ninguém menos do que sumo ungido (#SQN) Apóstolo (#FAIL) Estevam Hernandes. Naquele episódio escrevi sobre o despreparo de alguns cantores do gospel: “Infelizmente, em muitos casos, após se tornarem astros, ricos, famosos, muitos buscam ou a insubmissão de líderes e se auto promovem a pastor, ou tomados por uma má orientação decidem, sem preparo teológico algum, serem além de cantores, pregadores de púlpito sem qualquer chamado.”

Bem, o que isto tem a ver? Tem a ver por que não consigo entender como o Thalles em pouco mais de dois anos e quatro meses, cuja agenda fora lotada de shows, conseguiu preparo suficiente para se tornar um pastor, daquele que maneja bem a palavra e dedica-se ao seu rebanho; e segundo, porque as más companhias corrompem os bons costumes (1 Co 15.33), a saber que, nesse caso, iniciar ao lado do apóstolo “renascido do dólar”, foi uma péssima opção.

Vamos aos fatos (e talvez você faça alguma conexão com o discipulado “padrão gospel” que o Thalles recebera nestes dois anos e meio (quase) de ministério (gospel) e o campo minado por onde ele tem andado.

Bem, os que estão acompanhando a seção de heresias da Renascer devem ter visto estes banners abaixo da campanha “12 bençãos para o mês de setembro” – um verdadeiro festival de adultério espiritual.


Ainda na página da Renascer, encontramos o Thalles Roberto ao lado do Ap. Estevam, capitaneando “o louvor” às margens do Rio Jordão, num típico batismo “místico-turístico”, que tem efervescido o comercio de viagens a terra santa em denominações, em sua maioria, neopentecostais. Nesta mesma viagem a Israel, ao que os fatos indicam, Thalles postou uma foto próximo ao local que ocorrera a multiplicação de peixes e, com uma “autoridade profética”, possivelmente motivada de suas relações “discipulares” oriundas do meio em que convive, profetizou multiplicação sobre a vida de seus fãs e seguidores.

Em outra foto, que me preocupou mais ainda, o Thalles juntamente com sua esposa e com a cantora Damares se mostram no Rio Jordão realizando, segundo ele mesmo postou, os “sete mergulhos proféticos de Naamã”.

“Junto com minha esposa e a Damares mergulhando no Rio Jordão , onde o nosso Senhor Jesus foi Batizado! Nesse momento estávamos fazendo os sete mergulhos proféticos de NAAMÃ!”

Cruzes!? Como assim?

Súditos leitores, não dá pra entender o significado deste mergulho de modo algum, pela simples razão de que em Cristo somos livres das amarras dos do pecado, da escravidão da Lei, e de qualquer rito místico velho-testamentário. Em Cristo, as experiências vividas pelos antigos profetas não nos cabem, a saber, que a Graça de Deus nos rege e nos preenche de significados, pois em Cristo temos uma nova vida, agora pautada no mistério revelado e na selagem do Espírito Santo em nós. Pra quê isso então?!

As duas rápidas ponderações que faço diante deste ato nonsense é que:

1) Thalles, sua esposa, e Damares não estavam leprosos, por isso - nem de perto - dá pra encontrar significado para repetição de tal mergulho; “Então Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, e lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será curada e ficarás purificado.” [2 Reis 5:10]

A purificação de Naamã não era uma purificação espiritual ou uma espécie de revestimento para que este resistisse às tentações da carne ou as ciladas malignas (se é que não foi este o sentido que o Thalles tentou ressignificar), pois note: “Então desceu, e mergulhou no Jordão sete vezes, conforme a palavra do homem de Deus; e a sua carne tornou-se como a carne de um menino, e ficou purificado” (2 Reis 5:14) 

Tentar fazer alguma conexão entre a cura da lepra de Naamã com algum ato profético é simplesmente, loucura!

2) Thalles, sua esposa, e a Damares precisam entender que este evento planejado soberanamente por Deus não tinha como foco a cura ou a purificação física ou espiritual, mas sim a própria salvação de Naamã: “Então voltou ao homem de Deus, ele e toda a sua comitiva, e chegando, pôs-se diante dele, e disse: Eis que agora sei que em toda a terra não há Deus senão em Israel” [2 Reis 5:15(a)]

Notemos que na confissão veemente de Naamã ao aceitar a fé israelita, ele estava não só reconhecendo o poder do Deus Israel, mas tendo um encontro com o único Deus. O cerne deste evento, repito, era a Glória de Deus perante a quebra do orgulho e altivez de Naamã e a sua posterior salvação. Portanto, não existe respaldo e/ou garantia bíblica alguma que faça com que Deus, ao observar alguns homens repetindo bizarros mergulhos no Rio Jordão em menção a Naamã, recebam alguma porção dobrada, unção específica, revestimento, ou qualquer autoridade similar a que Naamã detinha frente a sua posição social, ou espiritual.

Oremos por estes irmãos que ao invés de olharem para Cruz enfiam suas faces em baixo da água. E se você leitor, é fã do Thalles, humildemente lhe aconselho: ore por ele, e mais... analise suas canções cuidadosamente e observe o que ele tem dito, feito e com quem ele tem andado. Vigie para que o Evangelho não venha se tornar uma caricatura de idolatria e anátema - tudo isso encharcado por uma perigosa admiração musical, empolgação religiosa ou puro modismo.

Que o Senhor tenha misericórdia.

***

Antognoni Misael, via Arte de Chocar.

Leia mais

21/09/2014

Nenhum comentário

Por que alguns adolescentes e jovens mesmo tendo pais cristãos não querem mais ir a igreja?


Volta e meia e ouço alguns pais reclamando que seus filhos não querem mais ir a igreja. Lamentavelmente são incontáveis o número daqueles que choram pelo fato de seus filhos não desejarem mais cultar ao Senhor no ajuntamento dos santos. Ora, eu não quero ser simplista, mesmo porque, bem sei que existem inúmeros fatores externos e internos que colaboram para que um jovem não queira ir a igreja, todavia, acredito que um dos motivos preponderantes esteja relacionado ao fato dos pais negligenciarem o culto ao Senhor. 

Quantos não são aqueles que faltam cultos para assistirem uma partida de futebol na televisão? Ou quantos não preferem ficar em casa devido ao cansaço ou a chuva que cai sobre sua cidade? Pois é. os motivos são os mais variados não é mesmo? Se não bastasse isso, existem alguns pais que justificam a sua ansência ao culto cristão pelos seguintes motivos:
  1. É muito difícil levar um bebê para a igreja!
  2. Meu bebê não se acostuma ficar no berçário e chora muito!
  3. Você não imagina o quão complicado é arrumar uma crianca para sair de casa.
  4. Coitadinha da criança, brincou o dia inteiro, não vou acordá-la para ir a igreja.
  5. Meu filho faz muito barulho e não consigo controlá-lo, atrapalhando, assim, o culto!
  6. Não consigo segurar meu filho comigo sentado na igreja e por isso prefiro não ir!
  7. Tirar meu filho pré-adolescente da cama no domingo de manhã é algo impossível!
  8. Meu filho não gosta de ir à igreja e não tenho como obrigá-lo!
  9. Coitadinho, ir a igreja todo domingo é massante, afinal de contas ele é uma criança e precisa se divertir.
Caro leitor, eu também sei que o fato de levar os seus filhos dominicalmente aos culto não serve como garantia de  que permancerão no Senhor, entretanto, o fato de demonstrarmos com nossas atitudes que amamos a Deus e que devido isso nos reunimos com outros cristãos para adorá-lo, ensinará as nossas crianças que na escala de valores Deus vem em primeiro lugar. Em contrapartida, quando damos escusas para não irmos a igreja, contribuimos para que os nossos filhos entendam que cultuar ao Senhor não é tão importante assim. As Escrituras nos ensinam que devemos ficar alegres por irmos a Casa do Senhor. (Salmos 122:01) Nos ensina também que devemos instruir a criança no caminho que deve andar e quando for velho não se desviará dele. ( Provérbios 22:06)

Ora, veja bem, o texto diz que a criança deve ser ensinada no CAMINHO, isto é, pais não somente ensinam o que fazer, mas fazem juntos. Portanto, se você deseja que os seus filhos cresçam, e andem nos caminhos do Senhor, dê o exemplo mostrando aos seus filhos que não existe nada mais importante do que servir ao Senhor.

Pense nisso, até porque, depois não adianta chorar pelo leite derramado.

Renato Vargens

Leia mais

Nenhum comentário

Criacionismo, Evolucionismo e Evolucionismo Teísta: Algumas Considerações sobre suas Cosmovisões, suas Implicações e seus Perigos

Por Felipe Medeiros
Introdução
Uma pesquisa feita no ano de 2010, pelo instituto Datafolha e publicado na Folha de São Paulo, indica que uma quantidade expressiva de brasileiros acredita na evolução e, ao mesmo tempo, creem na existência de Deus. A pesquisa diz que 59% dos entrevistados acreditam que o ser humano é resultado de uma evolução guiada por Deus e outros 8% não acreditam na interferência divina. Por mais incrível que isto pareça a qualquer cristão um pouco mais atento às escrituras, essa ideia não é nova, até o Papa João Paulo II proclamou em uma entrevista ao jornal Chicago Tribune que “a evolução é mais do que uma hipótese”. No meio evangélico, um dos defensores do evolucionismo teísta foi John Stott (1921-2011). Existem alguns relatos que certos judeus não faziam leitura literal da criação na Torá.
Assim, não é estranho que essa ideia tenha chegado aos arraiais evangélicos de nosso país, mesmo que a noção de que Deus criou o universo tenha sido ensinada desde criança, fazendo parte do conjunto de ensinamentos mais básicos da fé cristã. Assim como a queda e o pecado original e o sacrifício de Cristo, a literalidade da criação descrita em Genesis capítulo 1. Por tanto, a cosmovisão cristã assume, em seus pressupostos, que crer na evolução é um verdadeiro ‘tiro no pé’ e no que se refere ao debate das origens, tudo é uma questão de qual cosmovisão nós temos.
Este artigo consiste em explicar de maneira simples e sucinta cada maneira de pensar e expor argumentos seus argumentos no que tange a fé cristã.
 O que é criacionismo
O criacionismo é a crença em que o universo foi criado, por uma mente inteligente, de maneira pronta, funcionai e em perfeito acabamento. O criacionismo contudo pode ainda ter vertentes de cunho científico, onde são expostas evidências cientificas que apontam para a criação,  de cunho religioso, onde uma religião explica a origem da vida a partir de alguma cosmogonia, de cunho bíblico, onde a cosmovisão está baseada na Bíblia, tornando-a seu padrão final.
Este ultimo, faz a leitura da ciência de acordo com os óculos da cosmovisão cristã, crendo que um Deus todo poderoso (Mt 19.26), onisciente (Cl 2.3) e triuno (Is 45.5; Jo 8.18) criou o universo em seis dias comuns (Ex 20.11), somente a milhares (e não bilhões) de anos atrás, terminando sua obra no sétimo dia (Gn 2.2).
O que é evolucionismo
De acordo com o site Wikipédia, “evolução, no ramo da biologia, é a mudança das características hereditárias de uma população de uma geração para outra. Este processo faz com que as populações de organismos mudem e se diversifiquem ao longo do tempo”. Na prática, os evolucionistas tem suas raízes no naturalismo (a natureza é tudo o que existe de fato) e no empirismo (tudo o que se conhece é adquirido pela observação). Tais aspectos fazem um resumo da cosmovisão evolucionista, que ainda crê na bilionária idade do universo, que se originou nobig bang e teve seu desenvolvimento no esfriamento de toda a energia liberada nesse evento, formando galáxias e repletas de estrelas, sendo que essas ultimas deram origem a alguns dos planetas. O sistema solar que vivemos teria uma idade de 4,5 bilhões de anos, ou seja, nesse mesmo contexto na nossa Terra recém formada, certos elementos químicos inorgânicos deram origem, por meio de processos naturais, ao primeiro ser orgânico com capacidade de se reproduzir, as sucessivas reproduções com alguns erros de ‘cópia’, produziram variação. Algumas das variações que foram benéficas a vida desses seres foram passadas as gerações futura, constituindo em nossa época, a grande variedade na natureza. Nesse processo, não há a necessidade se que evocar Deus (ou um deus) na explicação da origem da vida.
Que fique claro que existem vários outros detalhes não citados e várias correntes de pensamentos dentro do evolucionismo, este resumo é um esboço do que a maioria dos evolucionistas creem.
 O que é evolucionismo teísta
Ainda segundo o Wikipédia, evolucionismo teísta, ou evolução teísta  é uma ideia filosófica, surgida a partir de criacionistas que buscam conciliar a ideia de Deus e a teoria da evolução. Creem que a vida surgiu tal qual o evolucionismo neodarwinista descreve, que o universo foi formado tal qual a teoria do big bang afirma, contudo todo esse processo foi guiado por Deus. Digamos, seria um terreno neutro, mas constituem um grupo que não é bem aceito por nenhum dos dois lados do debate das origens.
 As cosmovisões
Como nos exemplos citados acima, não é difícil que cientistas com a mesma formação, diante de uma mesma evidência cientifica, cheguem a conclusões diferentes sobre o significado dessa evidência. Isto se deve ao fato da cosmovisão que cada um deles tem. Cosmovisão é como as lentes de um óculos e assim como quem usa lentes amarelas, verá o mundo amarelado, quem usa as lentes do evolucionismo verá de acordo como tal, assim como os que aderem à cosmovisão cristã, verão o mundo de uma perspectiva. Como bem sabemos, o mundo não é de fato como um todo amarelo, assim como também não há evolução por toda parte – A cosmovisão afeta nossa forma de ver o mundo. A correção da visão de mundo irá nos mostrar que crer na evolução, na criação ou no evolucionismo teísta não depende da natureza das evidências encontradas, mas como as interpretamos, de forma que o debate das origens é em parte resolvido no âmbito da visão de mundo adotada.
Uma cosmovisão correta nos previne do erro de enxergar a questão da criação com conclusões equivocadas tal qual uma pessoa de óculos coloridos enxerga cores distintas das cores reais. Assim, pode-se concluir que qualquer leitura de mundo feita por nós seres humanos ocorre não pela natureza do evento em questão, mas pela cosmovisão arraigada ao ser humano que fez a leitura. Criacionistas possuem pressupostos filosóficos em seus pensamentos, mas evolucionistas também, assim o pensamento de ambos não é puramente científico, é influenciado por sua cosmovisão.
 O evolucionismo e seu fracasso
                Como é conhecido de muitos, o evolucionismo tem seus perigos à fé cristã pelo fato de que muitas vezes tem iludido os jovens estudantes ou calouros universitários a ideia fatalista de que o mundo foi criado ao acaso, assim como todas as coisas tem ocorrido ao longo da história. Vejamos alguns exemplos onde o evolucionismo peca, tornando-o cientificamente pouco provável:
  • O pensamento naturalista vem historicamente tentando provar que a vida surgiu ao acaso, uma das primeiras ideias chamada geração espontânea foi derrubada por Louis Pasteur, mostrando que nenhum organismo orgânico surgiu sem ter um tipo de “pai” (ou mãe, como queiram).
  • Os experimentos do dr. Stanley Miller e dr. Sidney Fox, que projetaram um aparelho de pyrex contendo metano, amônia, e vapor d’água, mas sem oxigênio. Por essa mistura eles passaram descargas elétricas para simular choques de relâmpagos na tentativa de recriar a vida tal qual sugera a biologia. Os resultado foram inconclusivos por vários aspectos.
Sobre isto opinam dois importantes cientistas:
O admirável cientista Dr. Wilder-Smith, com três doutorados e muito bem informado sobre biologia moderna e bioquímica, dando opinião sobre a formação do DNA a a partir de processos naturais:
“Como um cientista, eu estou convencido de que a pura química de uma célula não é suficiente para explicar o funcionamento de uma célula, embora o funcionamento seja químico. As operações químicas das células são controladas por informações que não residem nos átomos e moléculas da célula.
Há um autor que transcende o material e a matéria de que esses filamentos são feitos. O autor primeiramente concebeu a informação necessária para fazer uma célula, então a escreveu e depois a fixou em um mecanismo que a lesse e pusesse em prática – assim as células constroem-se sozinhas a partir da informação…”
O famoso pesquisador Sir Fred Hoyle afirmou que supor que a primeira célula tenha se originado pelo acaso é como acreditar que:
“um tornado varrendo um ferro-velho possa montar um Boeing 747 a partir dos materiais presentes ali.”
E ainda: 
“A noção de que… o programa operando em uma célula viva possa ter surgido pelo acaso em uma sopa primordial aqui na Terra é evidentemente uma falta de senso do maior grau.”
                Estes são apenas alguns dos vários argumentos com os quais podemos pelo menos começar a entender que algumas evidências mostram o evolucionismo como um fracasso, tanto dentro de sua própria cosmovisão naturalista-empirista, quando, obviamente de uma perspectiva bíblica.
 O perigo do evolucionismo teísta
A ideia da intervenção de Deus no processo da evolução surgiu no meio criacionista, Contudo a visão que se oferece como mais perigosa, é justamente aquela que tenta conciliar dois pensamentos que não fazem parte de uma mesma cosmovisão: o evolucionismo teísta. Ela constitui, como dito acima, uma tentativa de ser neutro e conciliar a cosmovisão bíblica cristã a cosmovisão naturalista-empirista.
Em uma análise mais acurada, vemos que uma abordagem como esta que tenta unificar duas cosmovisões distintas não pode funcionar, pois é por definição mais falha que cada uma das linhas de pensamento separadas, e logicamente não é bíblica. Nenhum texto na Bíblia de maneira alguma dá base para se defender isto. É Logicamente capcioso e fundamentalmente falho, pois cada uma das cosmovisões envolvidas nessa conciliação admite ser o modo correto de interpretar as evidências que a natureza oferece, fornecendo assim uma interpretação diferente das cosmovisões criacionista e evolucionista.
Desse modo, se uma interpretação neutra não é verdadeira, por que alguém deveria confiar nela? E como uma cosmovisão falha pode conduzir para uma cosmovisão correta? Se a interpretação neutra for verdadeira, então as cosmovisões que a compõem são por consequência lógica, erradas! Se observarmos isso de maneira calma, nenhumas das três seriam corretas dessa forma.
O perigo dessa visão é que ela conduz a um distanciamento da verdade ainda mais profundo, pois é uma forma alternativa de causar o mesmo efeito de cegueira do evolucionismo. Ela não somente reúne adeptos da religião ou cientistas, ela alista para si uma tropa de cosmovisão ainda mais confusa e difícil de se lidar, pois além dos pressupostos de filosofia naturalista, tem uma carga de teologia feita a partir de interpretações alegóricas da Bíblia.
A conclusão é obvia: Não há como conciliar o evolucionismo com a crença em Deus. Essa visão é tola do ponto de vista criacionista, é inaceitável do ponto de vista evolucionista e acima de tudo, é antibíblica.
***
Felipe Medeiros é Físico e colunista do UMPdaQuarta

Leia mais

18/09/2014

Nenhum comentário

Adolescente é espancada na escola


Por Marina Cohen

RIO - “Quero ver quem vai te querer, quero ver você ser bonita agora”. Com essas palavras, uma menina de 16 anos deu início a uma série de agressões físicas a Júlia Apocalipse, de 13 anos, dentro da Escola Estadual Hélio Del Cístia, em Sorocaba (SP), na semana passada. 
Assim como ela, outras duas adolescentes foram recentemente atacadas nos arredores de escolas, em São Paulo e Santa Catarina, em atos que, segundo testemunhas, foram motivados pela “inveja” da beleza das vítimas. 
Em comum ainda aos casos, a exposição nas redes sociais — “palco” de discussões prévias entre as envolvidas e da publicação de vídeos dos espancamentos —, no que especialistas classificam como um novo tipo de espetacularização da humilhação. Júlia perdeu dois dentes e ficou com hematomas no rosto depois do episódio, no último dia 9. O inchaço na boca ainda a incomoda, e ela tem dificuldade para comer. Por conta do trauma, não quer voltar para a escola. Aluna do sétimo ano, corre o risco de ser reprovada por faltas. 
— Não me sinto segura para voltar. Tenho recebido nas redes sociais mensagens de colegas que acham que eu mereci a agressão. Sei que nada mudou lá dentro e que, se alguém se aproximar de novo, não vou ter socorro — afirma. Ela conta que, dias antes do embate, recebeu uma ameaça no celular pelo aplicativo WhatsApp. 
A agressora, que só a conhecia por redes sociais, avisara que a atacaria na saída da escola. — Ela já chegou falando que eu era muito metida e que não gostava de mim. Pediu para eu ajoelhar e pedir desculpas. Eu me recusei. Foi aí que veio o primeiro soco — lembra Júlia, que correu para a escola, onde a agressão continuou.
 — Apanhei mais na escola do que na rua. Lá dentro, nenhum inspetor interferiu. Só recebi ajuda quando já estava desmaiada. A menina atribui à “inveja” dos selfies que posta no Facebook a ira da agressora: — Tirar fotos era meu passatempo, mas agora tenho vergonha do meu rosto e medo de despertar raiva nas pessoas. 
A garota que a espancou alega que defendia uma amiga chamada de “macaca” pela adolescente. Júlia nega. 

Num caso parecido em Florianópolis, além de dar socos e chutes em uma estudante de 13 anos, duas jovens cortaram o cabelo dela em frente à Escola Estadual Padre Anchieta, no bairro de Agronômica, no fim do mês passado. 
O vídeo da agressão circulou pelas redes sociais. Enquanto uma adolescente segurava o cabelo da vítima, outra fazia os cortes. É possível ouvir as agressoras xingando a vítima de “vagabunda”. O pai da menina, Alcerir Weirich, pediu que o nome da filha não fosse publicado. 
Ele diz que o ataque foi por ciúmes: — Dizem que o namorado da menina que bateu nela arrasta asa para a minha filha. Foi uma vingança mesmo. Ela tem um cabelo lindo, e elas queriam deixá-la feia e colocar na internet para todo mundo ver. 
As agressoras não estudam na mesma escola da vítima e a emboscaram no portão de saída. Com hematomas no rosto, ela só voltou a estudar 20 dias depois. 
— Preciso levá-la e buscá-la todos os dias. Ela ficou traumatizada — lamenta o pai, que aguarda uma audiência marcada para novembro para que o caso seja resolvido judicialmente. Já a agressão a Ágatha Luana Roque, em abril, deixou sequelas neurológicas. A menina de 16 anos sofreu traumatismo craniano e, segundo sua mãe, “pisca sem parar, por conta da pancada forte”. 
Ela também teve os cabelos cortados. O espancamento, a cargo de duas outras garotas, ocorreu dentro da sala de aula na Escola Estadual Castelo Branco, no bairro Vila Cláudia, em Limeira (SP). Depois de quase um mês em casa para se recuperar das lesões, ela voltou às aulas, desta vez em outra escola, onde ainda sofre com o bullying dos colegas. 
— Muita gente fica rindo — relata a mãe, Edineia Demarco, para quem a agressão foi motivada pela beleza da menina. 
— Falaram que Ágatha andava de nariz empinado, mas isso é inveja. Por que mais teriam arranhado todo o rosto dela e cortado o cabelo? 
A socióloga Miriam Abramovay, que coordenou o projeto “Violência e convivência nas escolas brasileiras”, diz que as agressões físicas partem de uma necessidade de afirmação de poder e precisam ser discutidas no ambiente escolar, algo que hoje é falho. Já o papel das redes sociais torna o controle dessas agressões mais difícil. Numa busca rápida, encontram-se inúmeros registros de brigas entre garotas em escolas de diversas regiões do país. 
Os vídeos de espancamento são um fenômeno criado pela sociedade do espetáculo. Para o jovem, não basta mais agredir, é preciso exibir para o mundo inteiro. É a humilhação globalizada — observa Miriam. 
A insegurança típica do adolescente — sobre o próprio corpo e as relações sociais — ainda é um fator que intensifica a reação do indivíduo à inveja e pode levar o jovem a ter uma resposta agressiva à pressão para corresponder ao ideal de beleza. É o que diz a coordenadora do curso de Especialização em Psicologia Clínica com Crianças da PUC-Rio, Silvia Zornig: — Isso, é claro, se o adolescente não tiver as ferramentas para elaborar esse sentimento de inveja, como, por exemplo, conversar com colegas, professores ou a família. 
É importante abrir um canal para que a questão seja discutida sem julgamentos dentro da escola, com a intermediação de professores.

***

Notícia do site O Globo

Leia mais

17/09/2014

Nenhum comentário

Absalão e as Antigas Estratégias da Política Moderna

Por Ericon Fábio

Nestes dias que antecedem o pleito para escolha popular dos magistrados em nosso País, são nitidamente observáveis as estratégias de campanha dos candidatos, que se utilizam de diversos meios para conquistar a confiança do povo e lograr êxito nas eleições que se aproximam. Geralmente os candidatos agem de maneira leviana e sem qualquer tipo de pudor e ética. A história Bíblica nos mostra que tais práticas não são recentes. Bem antes mesmo que os cientistas políticos identificassem estas artimanhas eleitoreiras, a Palavra de Deus já revelava os intentos perversos dos homens em busca do “trono”, como ocorreu com Absalão, um dos filhos do rei Davi.

As Escrituras relatam a conspirata por parte de Absalão para com seu pai, afim de usurpar a coroa real e se tornar o líder daquela nação (2 Samuel 15.1-12). Observemos seus artifícios:

Atrair a simpatia do povo: Ciente de que Davi gozava de grande empatia e prestígio por parte dos israelitas, Absalão procurou se aproximar da população. Sua primeira medida foi ir para o corpo a corpo com o povo para furtar o coração do povo. Sua presença diária à porta da Cidade para receber cada um daqueles que buscavam ao rei Davi. Com aparente cordialidade, sutilmente ele foi atraindo a simpatia de seus conterrâneos, e entre abraços e beijos, foi conquistando a lealdade dos homens de Israel. Fato semelhante a este acontece em épocas de campanha eleitoral. É comum nos esbarrarmos em candidatos que estão a cada esquina, cumprimentando e acenando atenciosamente gratuitamente, impulsionados pela busca exacerbada por votos.

Instigar o povo contra o rei: Não demorou muito para que Absalão começasse a provocar na população de Israel um sentimento de indignação em relação ao Rei Davi. O filho usurpador acusava o monarca de dá pouca atenção as demandas trazidas pelos moradores da região. “Então, Absalão lhe dizia: Olha, a tua causa é boa e reta, porém não tens quem te ouça da parte do rei.”. Sua presença diária com o povo, somada as críticas ao atual governo, ao mesmo passo que causava ira, provocava instintivamente o desejo de mudança dentre o povo. Levar o povo a uma reflexão é totalmente legítimo, mas se valer de acusações levianas e infundadas é uma manobra repugnante. O rei Davi, não foi conhecido por ingerência, mas foi um brilhante governante para Israel.

Fazer promessas de melhoria: Mas Absalão não apenas apresentava as falhas do governo de seu pai, mas apresentava-se como o solucionador de tais problemas. As promessas também faziam parte da estratégia para obter o trono real. "Quem me dera ser designado juiz desta terra! Todos os que tivessem uma causa ou uma questão legal viriam a mim, e eu lhe faria justiça", este era o discurso de Absalão, como aquele que seria capaz de resolver as falhas do reinado de Davi. O governo vigente era injusto, mas ele era justo, a administração atual era ausente, mas ele estaria sempre presente assistindo o povo em suas necessidades. Um discurso de esperança.  E a cada quatro anos aparecem messias por todos os lados, se apresentando como real solução para os problemas sociais e econômicos da nação, como Absalão.

Conquistar seguidores: Não demorou muito para que o filho do rei conquistasse um número cada vez crescente de seguidores. A escolta composta de cinquenta homens (v.15) em quatro anos quadruplicou. A conspiração ganhou força, e cresceu o número dos que seguiam Absalão.Ao retornar de Hebrom (2 Sm 15.10), onde se proclamou rei, para dá suacartada final, já eram duzentos homens. Seus aliados sequer suspeitavam que estavam sendo usados por Absalão para tomar o poder de Davi. Os israelitas foram ingenuamente enganados e participavam ativamente do plano de Absalão. Uma massa alienada a serviço de um político inescrupuloso, este era o cenário de Israel. Uma adesão em massa pode ser letal para qualquer sociedade, quando seus militantes lutam em prol de objetivos particulares de seus comandados em detrimento de melhorias para toda sociedade.

Apesar de toda investida, ao final de sua empreitada, Absalão não logrou êxito. Foi morto no campo de batalha, no “bosque de Efraim”, antes de alcançar o posto tão almejado. Deus preservou o reinado de Davi, para cumprir a aliança que havia estabelecido com seu servo (2 Sm 7.16). Apontando assim para o messias prometido que viria de sua descendência (Ap 5.5), cujo trono, é para todo sempre.

As similaridades das atitudes de Absalão com a dos políticos atuais em busca do poder, principalmente neste período eleitoral, são bastante claras. É certo que a monarquia é totalmente distinta do regime democrático, mas traçando uma paralelo comportamental, só muda o sistema de governa, pois os homens continuam se valendo das mesmas práticas pecaminosas. Independente de formas de governo a luta pelo poder, incorre sempre pelos mesmos córregos mal cheirosos da politicagem. Por trás da disputa legítima pelo magistrado, existem interesses mesquinhos de homens que querem o poder pelo poder. Para estes, os meios justificam os fins. Eles estão dispostos a caluniar, perseguir, usar e furtar o coração do povo. É preciso ter cuidado com os muitos “Absalões” que estão à procura de nosso voto.

Que o Senhor nos dê discernimento em nossas escolhas, para que possamos votar de maneira sábia.

***

Ericon Fábio é missionário presbiteriano e colunista do UMPdaQuarta

Leia mais