22/11/2014

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As "loucuras" dos pregadores que pensam "fora da caixa"


Tempos difíceis os nossos, em que pregadores que "pensam fora da caixa" apresentam falsas boas-novas, isto é, um tipo de evangelho que os pecadores querem ouvir, e não o Evangelho, o qual os pecadores precisam ouvir, mesmo que não o apreciem. Não é por acaso que a Palavra de Deus alerta: "virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências" (2 Tm 4.3).

Há algum tempo, um pregador "radical" que gosta de fazer "loucuras gospel" cheirou uma Bíblia como se estivesse usando cocaína. E agora tem outro pregador "radical" — aquele que cita passagens bíblicas de modo "free style", empregando palavrões e expressões chulas — dizendo que a Igreja, a Noiva do Cordeiro, é uma vagabunda.

O leitor quer um verdadeiro exemplo de pregador que fala a verdade com contundência e agrada a Deus? Olhe para a pregação e a conduta de Estêvão (At 6-7). Ele foi apedrejado não por ter tido uma conduta "radical" ou ter usado palavras humanas "impactantes" (cf. 1 Co 2.1-5), e sim por ter dito a verdade das Escrituras com autoridade.

Há pregadores e escritores evangélicos que se orgulham de pregar e escrever "fora da caixa". Eles apresentam um outro evangelho — muito diferente do que Jesus e os seus apóstolos pregaram — e ainda acham que são perseguidos por causa disso... Ora, Deus se agrada mesmo é dos pregadores e escritores que, assim como Paulo, pregam e escrevem sem sair da maravilhosa caixa chamada Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus (1 Co 11.23).

Ciro Sanches Zibordi

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21/11/2014

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PRELETORES COM DESTAQUE NACIONAL ESTARÃO NA 17ª CONSCIÊNCIA CRISTÃ


O 17º Encontro para a Consciência Cristã, que acontecerá de 12 a 17 de fevereiro de 2015 em Campina Grande (PB), já está com toda a sua programação definida. Serão ao todo mais de cem palestras e dez plenárias, destinadas a todas as faixas etárias e trabalhando diversos temas. Elas serão ministradas por alguns dos expoentes da fé cristã no Brasil, com base no tema geral do evento, “Fazei Tudo para a Glória de Deus”. 

Alguns desses preletores virão ao evento pela primeira vez. É o caso de Paulo Junior, pastor titular e fundador da Igreja Aliança do Calvário, em Franca, São Paulo. É conhecido por suas pregações cristocêntricas e por enfatizar as doutrinas da graça. Além de ministrar em várias igrejas pelo país, Paulo também realiza um ministério virtual. Muitas de suas pregações estão disponíveis no seu site, o www.defesadoevangelho.com.br. O nome de Paulo Júnior se soma ao de muitos que, pela sua visão de resgate do genuíno Evangelho de Cristo, vem contribuir para a edificação do Corpo de Cristo. 

O casal Orebe e Simone Quaresma também é estreante na Consciência Cristã. Orebe é pastor da Igreja Presbiteriana de Ponta D’Areia, em Niterói, Rio de Janeiro. Formado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte, exerce o pastorado há 15 anos. Graduado em letras clássicas pela UFRJ, fez sua especialização e mestrado em Língua e Literatura Latina. Já Simone, esposa de Orebe há 25 anos, é colaboradora do portal Mulheres Piedosas, conhecido por defender os padrões bíblicos para a feminilidade. Simone ainda trabalha com aconselhamento e estudos bíblicos com as mulheres da Congregação. 

Além deles, nomes bem conhecidos do encontro retornarão. É o caso de Hernandes Dias Lopes, que pregará na noite de abertura do evento pelo décimo segundo ano consecutivo. O Reverendo Hernandes é diretor executivo do projeto Luz para o Caminho – LPC, com sede em Campinas – SP; apresenta o programa Verdade e Vida na emissora de Televisão Rede TV; é bacharel em Teologia e tem doutorado em Ministério no Reformed Theological Seminary, em Jackson, Mississippi, nos Estados Unidos. 

Autor de mais de 100 obras, ele busca através de seu ministério, levar a igreja a se tornar mais autêntica, piedosa, fiel a Deus e comprometida com as verdades da sua palavra. Entre os livros de Hernandes, destacam-se: Avivamento Urgente; Como Passar Pelo Vale Das Provas; Como Transformar o sofrimento em triunfo; A Pedagogia do Milagre de Jesus, etc. Disponíveis em: hernandesdiaslopes.com.br. 

Outro preletor conhecido do evento é Renato Vargens, Pastor e conferencista, que já pregou o evangelho em países da América Latina, África e Europa, além de plantador de Igrejas e escritor, com quase 20 livros publicados em língua portuguesa e 1 em língua espanhola. É também colunista e articulista de revistas, jornais e diversos sites protestantes, editor do site www.renatovargens.com.bre pastor presidente da Igreja Cristã da Aliança em Niterói. 

O 17º Encontro para a Consciência Cristã terá também a participação de outros preletores nacionais e internacionais, a exemplo de Josh McDowell e Justin Peters. O evento contará ainda com a participação especial do Grupo Logos, que ministrará durante as plenárias noturnas do encontro a partir do sábado, dia 14/02. Toda a programação da 17ª Consciência Cristã já está disponível no site oficial do evento.

A inscrição no evento é gratuita, e pode ser feita no site: www.conscienciacrista.org.br 

Matéria originalmente publicada no Gospel Prime ( Aqui


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19/11/2014

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Ensaios sobre a Igreja na pós-modernidade: definições

Por Jonas Ayres

Pós-modernidade. Eis um termo que significa muito, que possui muitas definições e literatura numa amplitude cada vez mais surpreendente. Muitos filósofos, sociólogos e estudiosos da área utilizam o termo pós-moderno, outros preferem o uso do termo hipermoderno. Justamente por estarmos vivendo neste tempo, tão carente de absolutos, não é de se estranhar a dificuldade de utilização do mesmo termo bem como o estado de desespero que muitas vezes toma conta das pessoas pela simples menção da expressão “pós-moderno”.

Pós-modernismo é tanto uma noção histórica e cronológica quanto uma idéia filosófica. Analisando sob a ótica histórica, pós-modernismo se refere à modernidade, devido este tempo preceder o outro bem como a rejeição do pós-modernismo por alguns conceitos modernos. Sob o aspecto cronológico, muitos definem que o pós-modernismo é o retrato de uma era que já começou, e sob alguns aspectos já substituiu a modernidade. Por fim, na concepção filosófica e psicológica trata-se de um tempo de grande “relativismo cultural sobre coisas tais como realidade, verdade, razão, valor, significado lingüístico, o eu e outras idéias” (MORELAND & CRAIG, 2005, p.186).

Para a igreja, o pós-modernismo representa um desafio. Um bom desafio conforme as palavras de Ferreira e Myatt (2007, p.4):

Para muitos, a situação pós-moderna é uma ocasião de desespero. Mas é exatamente nos momentos históricos que se mostram mais difíceis que a fé cristã se levanta, trazendo nova esperança. E, nestes momentos, a tarefa teológica se torna crítica para proclamar e defender a fé, e para nortear o povo de Deus na travessia dos campos de batalha que permanecem à frente. Nosso desafio é fazer uma teologia que coloque toda a riqueza da fé evangélica histórica desde a igreja antiga até a atual, em contato com os problemas de um mundo pós-moderno e globalizado, trazendo luz, vida e esperança para um povo cuja existência carece do significado que somente se encontra no Senhor.

Para os estudiosos da área, fica o desafio de definir o que significa este tempo. Esperandio (2007, p.41) lança uma opinião sobre este tempo que confere com o pensar de muitos:

Vê-se, pois, que as teorizações sobre pós-modernidade/pós-modernismo vão se construindo simultaneamente ao próprio aparecimento dessa nova configuração do social, que os teóricos têm dificuldade em definir: seria então uma nova forma de ser, de pensar e viver, mas ainda dentro da modernidade, ou poderia esse novo modo de existência (com implicações visíveis nos mais variados campos do saber) ser categorizado como um outro período histórico, o pós-moderno?

Por ser uma época em processo de definição, existe certa controvérsia no meio acadêmico quanto ao emprego correto de “rótulo” que melhor determine este tempo. Um filósofo muito influente que afirma que o pós-modernismo já “passou” é Gilles Lipovetsky. Na verdade, Lipovetsky defende que o pós-modernismo sequer existiu; este filósofo francês defende que:

O neologismo pós-moderno tinha um mérito: salientar uma mudança de direção, uma reorganização em profundidade do modo de funcionamento social e cultural das sociedades democráticas avançadas. Rápida expansão do consumo e da comunicação de massa; enfraquecimento das normas autoritárias e disciplinares; surto de individualização; consagração do hedonismo e do psicologismo; perda da fé no futuro revolucionário; descontentamento com as paixões políticas e as militâncias – era mesmo preciso dar um nome à enorme transformação que se desenrolava no palco das sociedades abastadas, livres do peso das grandes utopias futuristas da primeira modernidade. (LIPOVETSKY, 2004, p.52).

Dando a explicação do porque do uso do termo “pós”, ele afirma que que o que vivemos é na verdade o tempo do “hiper”:

A cultura hipermoderna se caracteriza pelo enfraquecimento do poder regulador das instituições coletivas e pela autonomização correlativa dos atores sociais em face das imposições de grupo, sejam da família, sejam da religião, sejam dos partidos políticos, sejam das culturas de classe. (…). Testemunho disso é a maré montante de sintomas psicossomáticos, de distúrbios compulsivos, de depressões, de ansiedades, de tentativas de suicídio, para nem falar do crescente sentimento de insuficiência e autodepreciação. (…). À desregulação institucional generalizada correspondem as perturbações do estado de ânimo, a crescente desorganização das personalidades, a multiplicação de distúrbios psicológicos e de discursos queixosos. (LIPOVETSKY, 2004, p.83-84).

Doutra forma, renomados filósofos cristãos como Norman L. Geisler, William Lane Craig, J.P. Moreland e Peter Kreeft defendem que o que vigora ainda é o pós-modernismo.

Partindo deste pressuposto, é preciso estabelecer meios de comunicar e praticar o cristianismo neste horizonte, e para que a proclamação do Evangelho seja eficaz é preciso conhecer esta cosmovisão, não fugir dela, mas de modo algum criar alianças e contextualizações. Morley (2005, p.200) disse:

Quanto mais compreendermos as idéias das pessoas, melhor poderemos comunicar a verdade das Escrituras e do Evangelho para elas. Por isso é que estudamos sobre cultos e religiões, e daí a grande importância de que os missionários estejam muito bem preparados entenderem as culturas nas quais vivem. Mas poucos cristãos do ocidente se esforçam o suficiente para compreender a cultura onde eles mesmos vivem!

Outro fato importante a se destacar é que não existe consonância quanto ao inicio da era pós-moderna; o que existe é o consenso que alguns nomes influenciaram muito a forma de pensar do homem, que mudou sua atitude severamente moldando assim a sociedade atual. Existem fatores e nomes que acenderam o “estopim” do pós-modernismo.

Após o fracasso da crença numa “perfeição humana” e na sua eventual bondade, vendo o século XX ser manchado de sangue, mancha esta das duas grandes guerras mundiais, uma guerra fria, estados governados por regimes cruéis, ditadores e totalitaristas, inúmeras guerras civis, o vergonhoso Holocausto efetuado pelos nazistas (como uma flecha no coração modernista europeu), tensões na frança sob o regime do presidente Charles de Gaulle em 1968 (onde os jovens bradaram nas ruas o termo “é proibido proibir”) e profundas mudanças no regime marxista, mudanças no pensamento quanto a perfeição do modernismo foram minando tal época.

Nomes como Michel Foucalt, Jacques Derrida, Richard Rorty e Jean-François Lyotard passaram a por em xeque a concepção modernista.

Foucault rejeitava a idéia que o conhecimento é algo intrinsecamente neutro. Para ele a ciência e conhecimento são instrumentos de opressão usados pelos que os possuem cuja finalidade é obter poder e domínio sobre as massas. Em síntese, no pensamento de Foucault, toda afirmação de conhecimento é na verdade um ato de poder.

Derrida apregoa que os dicionários, por exemplo, dão a falsa impressão que as palavras possuem definições e significados absolutos, inalteráveis. Para ele o significado das coisas/palavras está ligado às experiências pessoais de cada indivíduo, e como tais experiências mudam de forma constante, os significados também mudam. Agindo assim, Derrira continuou a “desconstruir” conceitos tradicionais firmados no pensamento humano. De certa forma, a conseqüência macro do seu pensamento em nossos dias é o relativismo, ou seja, tudo é relativizado por cada ser e a verdade e o absoluto não passam de meros conceitos individuais. Sobre Derrida, Geisler diz (2002, p. 248):

É considerado um “filósofo” francês contemporâneo, apesar de alguns questionarem se ele é um verdadeiro filósofo. É pai de um movimento conhecido como “desconstrutivismo”, ainda que pessoalmente ele rejeite o significado popular do termo. O movimento também é chamado “pós-modernismo”, apesar de Derrida também não usar o termo para descrever sua visão.

Rorty por sua vez, com seu pensamento neo-pragmático afirma que a idéia da verdade é apenas um mito. Em seu modo de pensar a “verdade” é aquilo que sobrevive às objeções dentro do contexto cultural ao que é apresentado, assim, o que é verdade continua sendo relativizado, não pelo individuo, mas pelo ambiente sócio-cultural. Para Rorty, devemos abandonar a busca pela verdade e nos contentarmos simplesmente com a interpretação.

Por fim, Lyotard apregoa um pensamento em favor da diversidade e de considerações meramente pragmáticas.

Tal ambiente cria uma aparente sensação de que tudo está mais belo e livre e que o homem pós-moderno é de fato o mais realizado de todos os tempos. Poucos são francos em admitir seu verdadeiro sentimento de vazio e confusão. Nas palavras de Miranda (2006, p.264):

[as pessoas] sentem-se diariamente rodeadas pelo diferente, pelo desconhecido, pelo estranho. Ninguém está completamente à vontade na sociedade pós-moderna. Estamos todos contaminados por uma epidemia silenciosa de insegurança e de angústia. A oferta generosa e abundante de “definições da realidade”, à semelhança de um shopping bem sortido, garante ao individuo maior espaço para sua liberdade, mas, simultaneamente, descarrega sobre ele o difícil ônus de construir sua própria identidade sem lhe oferecer referências sólidas, objetivos comprovados, ideais aceitos pela sociedade que, outrora, lhes garantia honorabilidade e, sobretudo, credibilidade.

Por mais que a análise do pensamento desses pensadores tenha sido superficial, é possível identificar que os conceitos relativistas e pluralistas que permeiam o pensamento do homem pós-moderno têm como fonte tais filosofias. Relativismo, pluralismo e a rejeição da verdade são marcas deste tempo, as quais McGrath refuta (2007, p.168):

Contudo, a lenta saída da modernidade, ainda que inexorável, não significa que o evangelicalismo precise assumir a ordem pós-moderna. Com efeito, o evangelicalismo provê um ponto de observação fundamental de onde criticar aspectos da visão de mundo pós-moderna, não menos sua aparente reação exagerada à ênfase do Iluminismo na verdade. A verdade permanece um assunto de importância apaixonante para o evangelicalismo, mesmo que exista uma pressão cultural bastante forte na sociedade ocidental para conformar com sua ótica prevalecente de “meu ponto de vista é tão bom quanto o seu”.

Mas afinal, o que significa para a humanidade o passar da era moderna para a pós-moderna. Conforme Lipovetsky (2007, p.23) disse:

A pós-modernidade representa um momento histórico preciso em que todos os freios institucionais que se opunham à emancipação individual se esboaram e desapareceram, dando lugar à manifestação dos desejos subjetivos da realização individual, do amor-próprio. As grandes estruturas socializantes perdem a autoridade, as grandes ideologias já não estão mais em expansão, os projetos históricos não mobilizam mais, o âmbito social não é mais que o prolongamento do privado – instala-se a era do vazio, mas “sem tragédia e sem apocalipse”.

Eis o cenário armado para a introdução de linhas teológico-filosóficas no cristianismo histórico que são verdadeiros cavalos-de-tróia. Na ansiedade por ter um cristianismo mais amigável ao pensamento pós-moderno, o movimento da Igreja Emergente adentrou o cristianismo hodierno como tal cavalo-de-tróia.

OUTROS TEXTOS DA SÉRIE

1. Ensaios sobre a Igreja na pós-modernidade: introdução

2. Ensaios sobre a Igreja na pós-modernidade: definições



BIBLIOGRAFIA

ESPERANDIO, Mary Rute Gomes. Para entender pós-modernidade. São Leopoldo: Sinodal, 2007.

FERREIRA, Franklin & MYATT, Alan. Teologia sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Edições Vida Nova, 2007.

MORELAND, J.P. & CRAIG, William Lane. Filosofia e cosmovisão cristã. São Paulo: Edições Vida Nova, 2005.

LIPOVETSKY, Gilles. Tempos hipermodernos. São Paulo: Editora Barcarolla, 2004.

MORLEY, Brian K. in MACARTHUR, John. Pense biblicamente: recuperando a visão cristã de mundo. São Paulo: Hagnos, 2005.

GEISLER, Norman. Enciclopédia de apologética: respostas aos críticos da fé cristã. São Paulo: Editora Vida, 2002.

MIRANDA, Mário de França. A igreja numa sociedade fragmentada. São Paulo: Edições Loyola, 2006.

MCGRATH, Alister. Paixão pela verdade: a coerência intelectual do evangelicalismo. São Paulo: Shedd Edições, 2007.

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Texto do nosso querido pastor Jonas Ayres no Púlpito Cristão, via NAPEC

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Thalles Roberto diz que Valdemiro é uma fonte de milagres, pega o carnêzinho da Mundial e decepciona mais uma vez

Por Antognoni Misael

Recentemente o cantor Thalles Roberto infelizmente deu mais uma demonstração de que não tem compromisso nenhum com o Evangelho de Cristo, e sim com consigo mesmo.

Abaixo, você verá um vídeo em que o cantor gospel concede entrevista a um programa da Igreja Mundial do Poder de Deus, diretamente da Cidade Mundial dos sonhos de Deus onde fala um pouco sobre sua mudança de vida, sobre o Apóstolo Valdemiro e sobre as campanhas de milagres da IMPD.

Particularmente já havia fortes indícios de que o Thalleco não tinha muita coisa na caixola. Culpa de quem eu não sei. Mas, se falta alguma na vida desse rapaz, ou é uma genuína conversão ao EVANGELHO ou um bom discipulado.

Todos nós sabemos que o Valdemiro é um dos maiores pilantras da fé desta nação. Pois é, para o Thalles, não. No vídeo abaixo, a partir do segundo minuto, quando ele tinha a oportunidade de fazer diferença ele sai melando tudo. 

“Eu sou fanzasso como pessoa” - disse Thalles em relação ao Apóstolo Valdemiro.

“Reconheço o Ministério dele como um ministério de Deus” - disse Thalles em relação ao Apóstolo Valdemiro.

“Eu reconheço o ministério dele como uma fonte de milagre” - disse Thalles em relação ao Apóstolo Valdemiro.

“E eu to levando meu carnezinho porque (...)pra fazer uma moralzinha ... porque eu sei como que Deus usa a vida dele, eu vejo, eu sinto” - disse Thalles em relação ao Apóstolo Valdemiro.

Depois ele pega os “carnêzinhos” e diz: eu “tenho certeza que isso aqui é milagre na minha vida”!

Bem, diante do exposto...basta né?! Já deu o que tinha de dar.

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Arte de Chocar.

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18/11/2014

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Perseverando no Caminho: uma advertência em relação aos falsos mestres

Por João Rodrigo Weronka


Sempre existiram falsos mestres. Sempre. O Novo Testamento está repleto de advertências sobre o assunto. As advertências – bíblicas e históricas – são tantas que preocupa como os cristãos de nossos dias ainda conseguem ser tão tolerantes com aquilo que a Bíblia condena. Seja por ignorância ou na conivência com o erro, os falsos mestres e seus falsos ensinos encontram morada na mente e coração de muitos nesta geração.

Mas e então? Como encarar e como se posicionar diante da necessidade de ser firme em tempos de frouxidão? Como tratar a Verdade numa era em que temos vários conceitos e várias ‘verdades’ diluídas na sopa do pluralismo pós-moderno? Acredito que nossa apologética e pregação devam ser humildes e gentis, mas sem perder a firmeza doutrinária que a Bíblia manda e que a história da igreja preservou e onde perseverou. Vejamos a advertência:

"Assim como, no passado, surgiram falsos profetas entre o povo, da mesma forma, haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao cúmulo de negarem o Soberano que os resgatou, atraindo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão seus falsos ensinos e práticas libertinas, e por causa dessas pessoas, haverá difamação contra o Caminho da Verdade. Movidos por sórdida ganância, tais mestres os explorarão com suas lendas e artimanhas. Todavia, sua condenação desde há muito tempo paira sobre eles, e a sua destruição já está em processo." 2Pe 2.1-3 – (Bíblia King James Atualizada – KJA)

Muito bem, a advertência é clara, no contexto o apóstolo Pedro fala que os falsos mestres viriam e o cumprimento profético mostra que eles vieram e estão por aí, queira você admitir ou não. Para melhor esclarecimento do contexto bíblico, leia também Judas 4-18.

Em sua primeira carta (leia 1 Pedro), Pedro trabalha no sentido de encorajamento espiritual, ensino doutrinário fundamental e muitos conselhos para o dia-a-dia do cristão. Ele tratou na primeira carta sobre orientações pastorais para que a igreja naquele momento pudesse enfrentar a perseguição que afligia os irmãos da igreja primitiva.

Já nesta segunda carta, também conhecida por “Epístola da Verdade”, Pedro trabalha sobre o problema dos falsos mestres e suas heresias e a necessidade de alerta e combate ao erro. A sabedoria e conhecimento de Deus tratada nesta carta nos leva a reflexão sobre a necessidade de termos uma práxis cristã sadia entrelaçada a uma teologia profundamente bíblica e ortodoxa. Diante deste cenário perigoso, o porto seguro é o conhecimento de Deus. Estar firme no conhecimento da Verdade é o que faz toda a diferença, como diz Hodge:

Os crentes são filhos da luz. Do povo diz-se que perece por falta de conhecimento. Nada é mais característico da Bíblia do que a importância que ela dá ao conhecimento da verdade. Diz-se que somos gerados por intermédio da verdade; que somos santificados pela verdade; e dos ministros e mestres afirma-se que todo o seu dever é manter a palavra da vida. É por essa crença dos protestantes no essencial do conhecimento para a fé que eles insistiam tão energicamente na circulação das Escrituras e na instrução do povo. [1]

Voltando ao foco da análise bíblica de 2Pe 2.1-3, percebe-se que a sagacidade dos falsos mestres e seu falso e destruidor ensino está caracterizado por diversos pontos expostos.

V. 1 – Assim como no passado os falsos profetas (AT) estavam presentes no meio do povo de Deus, a igreja também presenciaria (e presencia) a existência dos falsos ensinos. São traiçoeiros, pois agem de forma dissimulada, lobos com vestes de cordeiro que introduzem heresias destruidoras, assolando a si mesmos e trazendo a ruína espiritual a todos os que os seguem. O cúmulo deste processo é que ao agir dissimuladamente tais falsários negam o Soberano (neste texto aplicado a Jesus Cristo, assim como em Judas 4). Nas palavras de Lloyd-Jones:

As forças do mal mobilizadas contra nós nunca são tão perigosas como quando nos falam como falsos profetas, ou falsos mestres. As forças do mal têm uma quase interminável variedade de maneiras de lidar conosco; mas, de acordo com o Novo Testamento, elas nunca são tão sutis e perigosas como quando aparecem entre nós como profetas, falsos profetas, que se nos apresentam como fiéis e capazes de guiar-nos e de mostrar-nos o caminho do livramento e do escape. [2]

V. 2 – Oferta e procura religiosa. Eis o âmbito deste versículo, pois na mesma medida que os falsos mestres ampliam o alcance das suas heresias, a massa de incautos os segue e recebem tais ensinos como verdade absoluta, mesmo que tais ensinos entrem em choque com as Escrituras. Falando em massa humana, Lloyd-Jones comenta sobre “volumes” de pessoas como algo que “não se pode avaliar verdade espiritual pelos róis; contagem de cabeças não é um método bíblico de verificar se um ensino é certo ou errado”[3]. Por outro lado vemos alguns que encaram a graça como um artifício para mergulhar no pecado, confundindo liberdade com libertinagem e transformando a graça salvadora de Cristo numa “graça barata”. Caminho perigoso e espinhoso este, que além de flagelar o causador, escandaliza o Caminho (“Caminho”, nome antigo da fé cristã, veja Atos 9.2);

V. 3 – Hereges de seitas gerais e falsos mestres de grupos pseudocristãos tem em comum a sórdida ganância, o impulso por explorar seguidores e a ânsia por dinheiro sobre dinheiro. Se a tribuna, púlpito ou altar do local onde você busca a Deus oferece e dedica mais tempo a falar sobre dinheiro e as eventuais bençãos meramente terrenas e materiais, se o líder/pastor deste local procura mais enfatizar este aspecto que a proclamação do Evangelho e o ensino de uma vida voltada para glória de Deus, cuide-se! Você pode estar sendo tragado por heresias destruidoras, conduzido por uma pessoa gananciosa, exploradora, herege e que por maior que seja sua aparência de piedade tão somente nega a Cristo.

O motivo da heresia é a ‘avareza’ – o ganho financeiro (2.3). Basta apenas analisar as palavras e a fé contidas nas teologias de várias seitas nos dias de hoje, para se entender a relevância e a urgência das advertências de Pedro. Os falsos mestres ganham os cristãos com histórias engenhosas (1.16), um padrão diretamente oposto à verdade que Pedro e os demais apóstolos testemunharam. [4]

E ainda em resumo:

Os falsos profetas são perigosos por três razões: (1) o seu método é traiçoeiro e conduz a meios vergonhosos, levando a fé a ser difamada, (2) o seu ensino é uma completa negação da verdade e (3) o seu destino é causar destruição tanto a si mesmos quanto aos seus seguidores. [5]

O campo de batalha: a vida, a família, o dia-a-dia

À medida que se aproxima o tempo do fim, cresce a apostasia. As advertências são severas quanto a isso. Como dito a pouco, seria possível citar muitos e muitos textos bíblicos sobre o assunto, mas vamos chamar atenção para esta pequena cadeia de versículos:

Jesus nos advertiu sobre o assunto de modo bem claro:

"Então Jesus lhes revelou: Cuidado, que ninguém vos seduza. Pois muitos são os que virão em meu nome, proclamando: Eu sou o Cristo!, e desencaminharão muitas pessoas… Então, numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos."  Mt 24.4,5,11 – KJA

Paulo alertou sobre o tema:

"O Espírito Santo afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns se desviarão da fé e darão ouvidos a espíritos enganadores e à doutrina de demônios, sob a influência da hipocrisia de pessoas mentirosas, que têm a consciência cauterizada. São líderes que proíbem o casamento e ordenam a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e estão bem firmados na verdade." 1Tm 4.1-3 – KJA

João trata sobre movimentos que pervertem a Verdade:

"Entretanto, muitos enganadores têm saído pelo mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Esse é o modo de ser do mentiroso e do anticristo. Acautelai-vos, para não destruirdes a obra que realizamos com zelo, mas para que, pelo contrário, sejais recompensados regiamente. Todo aquele que não permanece no ensino de Cristo, mas acredita estar indo além dele, não tem Deus; porquanto, quem permanece na sã doutrina tem o Pai e também o Filho." 2Jo 7-9 – KJA

Judas nos “convoca” para a defesa da Verdade:

"Amados, enquanto me preparava com grande expectativa para vos escrever acerca da salvação que compartilhamos, senti que era necessário, antes de tudo, encorajar-vos a batalhar, dedicadamente, pela fé confiada aos santos de uma vez por todas. Porquanto, certos indivíduos, cuja condenação já estava sentenciada há muito tempo, infiltraram-se em vossa congregação com toda espécie de falsidades. Essas pessoas são ímpias e adulteraram a graça de nosso Deus em libertinagem e negam Jesus Cristo, nosso único Soberano e Senhor. A punição eterna dos ímpios." Jd 3-4 – KJA

É preciso admitir que o modo como a recente apologética foi promovida teve suas falhas. Talvez a pior de todas tenha sido apontar o erro e quase nunca apontar o caminho. Gritar e esbravejar sem apontar para Luz pouco ou nada ajuda quem está em trevas.

Nestes dias, onde pouco se lê e quase nada se medita nas Escrituras, não é de se estranhar que tantos cristãos tomem o texto da Bíblia a seu bel-prazer criando bizarrices icônicas! Por fim, acabam blindando a mente contra a teologia e contra a apologética, ignoram o contexto social e de decadência moral, não enxergam as mudanças no cenário cultural. Esta venda é cômoda ao passo que se sentem satisfeitos com suas vidas, com a prosperidade material (ou a busca desenfreada por tal), com a satisfação do ego, com as cócegas nos ouvidos (2Tm 4.3).

A firmeza em relação aos valores que Deus espera de seu povo é que faz toda a diferença. Olhando assim, ou estamos anunciando e proclamando o Evangelho de Cristo e sendo a sua igreja que o glorifica e adora, ou somos o contingente que está sendo levando “prá lá e prá cá” pelos ventos de doutrina (Ef 4.14).

A Graça é o caminho a ser sempre apontado e relembrado. Firmeza doutrinária, exposição bíblica, proclamar o Evangelho de Jesus e lembrar que o caminho do amor de Deus está escancarado, um caminho que Ele mesmo nos prepara a trilhar. Se apegue a Palavra. Se apegue a doutrina sadia. Confie em Deus e siga adiante, longe da sedução e engano destes falsos mestres.

Concluindo, pense no seguinte: os membros de sua casa, as pessoas a quem você ama: Cônjuge, filhos, netos, parentes. Estas pessoas precisam receber altas doses de esclarecimento bíblico e doutrinário. Deus conduzirá seu povo em caminho seguro, sua igreja não sucumbirá diante do inferno e seus falsos mestres, mas cabe a nós, embaixadores, proclamar, ensinar, viver para glória de Deus e defender a fé. E isso, como já foi dito, não é novidade, é a “velha verdade” ensinada pela Palavra de Deus.

Soli Deo gloria!

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Notas:
[1] HODGE, Charles. Teologia Sistemática. Hagnos. São Paulo, SP: 2001. p.1090-1091
[2] LLOYD-JONES, D.Martyn. 2 Pedro: Sermões Expositivos. PES. São Paulo, SP: 2009. p. 164-165
[3] LLOYD-JONES, D.Martyn. 2 Pedro: Sermões Expositivos. p. 168
[4] ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal do NT, vol 2. CPAD. Rio de Janeiro, RJ: 2009. p. 936
[5] CARSON, D.A. (org). Comentário Bíblico Vida Nova. Vida Nova. São Paulo, SP: 2009. p. 2086

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Do blog NAPEC, via Bereianos

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17/11/2014

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Série : Replantando hoje a igreja de amanhã - Parte 1

                                                                                              Por Alessandro Miranda Brito [1]
Quando comentei pela primeira vez, o interesse em realizar uma pesquisa sobre o ciclo de vida das igrejas e consequentemente analisar os motivos que levam algumas delas à morte, fui logo advertido por um amigo: “Jesus mesmo afirmou a seu discípulo Pedro em Mateus 16.18 que a igreja jamais seria vencida, nem mesmo pela morte, traduzida por inferno”. Fui então aconselhado a esquecer essa “herética” ideia de que uma igreja pode morrer. A questão é que mesmo a Bíblia, nas palavras de Jesus, afirmando que a igreja não morreria, não muda a situação das presentes estatísticas. Podemos, por exemplo, constatar de forma clara que o declínio e a morte de muitas igrejas tem aumentado nos últimos anos em várias partes do mundo.[2] 

Dentro deste contexto, se faz necessário  uma analise mais detalhada sobre este aparente paradoxo. Para iniciar, precisamos analisar as palavras de Jesus no texto de Mateus 16.18, a fim de entender este suposto contra senso respondendo as seguintes perguntas: quais foram as interpretações deste texto ao logo da História? O que quer dizer as quatro palavras “ἐκκλησίαν”, “πύλαι”, “ ᾅδου” e “κατισχύσουσιν”?

Etimologia

A primeira palavra a ser analisada é o termo grego πύλαι. Ele deriva-se da palavra πύλη que significa: “portão ou porta” e ocorre 10 vezes no Novo Testamento, com quatro dessas ocorrências em Mateus (7.13, 7.14 e 16.18).[3] Como as cidades eram cercadas por muralhas as portas ou portões serviam para bloquear a entrada ou dar acesso a cidade, porém tinham outras duas utilidades centrais naquela época.  Em suas proximidades  eram realizados negócios e deliberações de assuntos públicos, como a pronunciação das sentenças de morte.[4] 

Já a segunda palavra ᾅδου (hades), que deriva de ᾅδηs, era originalmente o nome de um deus da mitologia grega, aquele que presidia a “mansão dos mortos”, “reino dos mortos” ou “mundo inferior”. Ela aparece 10 vezes no NT, com duas ocorrências em Mateus (11.23 e 16.18).[5] A palavra hades é comumente associada na Bíblia com a morte.[6] 

Quando as palavras πύλαι e ᾅδου estão juntas, formam a expressão “portas do inferno”, uma expressão semítica comum para o limiar do reino da morte. Encontramos várias passagens onde a palavra hades faz tal referência como no livro de Apocalipse 1.18, 6.08, 20.13 e 20.14. O homem rico, por exemplo, estava no hades (Lucas 16:23), Lázaro (no seio de Abraão) também. Cristo, outro exemplo, esteve no hades (Atos 2.27, Atos 2.31) o que revela que a morte seria naturalmente seguida por hades.[7]

A terceira palavra “κατισχυω”,  quer dizer: “ganhar uma vitória sobre” ou “derrotar”. Ela ocorre três vezes no NT (Mateus 16.18, Lucas 21.36 e 23.23). Quando acompanhada do advérbio de negação “oὐ” significa: “não derrotará”.[8]

A quarta palavra, ἐκκλησία, aparece mais de 100 vezes no NT para se referir à igreja (assembléia). Ela possui o sentido de “um grupo de crentes numa congregação local”, ou seja, uma comunidade cristã inserida no tempo e espaço. Poucas vezes refere-se à Igreja como “reunião universal dos remidos de todos os tempos”.[9] No Novo Testamento, existe essa distinção.[10] Para entender a diferença, podemos dizer aqui que a igreja local é formada de crentes professos em Jesus Cristo que se reúnem regularmente em um determinado local, portanto, uma igreja visível. Já a Igreja universal é composta por crentes em Jesus Cristo espalhados por todo o mundo e de todos os tempos: passado, presente e futuro, uma Igreja invisível.[11]

Teologia 

O contexto desta passagem nos diz que Jesus, em conversa com seu discípulo Pedro, faz a primeira menção da palavra Igreja no Novo Testamento. Algo indestrutível que seria estabelecido num futuro próximo. Os estudioso da Bíblia debatem sobre o real significado da frase: “e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. 

De acordo com a nossa análise etimológica, a ideia inicial, quanto a expressão de Jesus, é de uma promessa feita a eterna Igreja, que diferente de tudo que existe neste mundo, jamais poderia ser destruída por nenhum “mal”. Mas quais são as interpretações desta passagem? Estava Jesus tratando da igreja local ou da Igreja universal? A igreja não seria destruída pelo poder físico, sobrenatural ou pela morte?

O poder de Satanás e seus demônios

Uma das posições entende “os portões de Hades” como sendo Satanás e seus demônios atacando a igreja, porém nunca saindo vitoriosos sobre ela (2 Coríntios 4.4, Efésios 6.10-17 e Romanos 16.20). Assim, a palavra “portões” significa poder ou autoridade,  e a palavra “hades” quer dizer Satanás e seus principados.[12] Hendriksen expressa isso dizendo:

Quando Hades é interpretado como uma indicação de “inferno” a garantia dada aqui pelo Senhor pode ser facilmente compreendida. Portas do inferno por metonímia representa Satanás e suas legiões como se fosse invadindo de fora para dentro as portas do inferno, a fim de atacar e destruir a igreja. O que temos aqui é uma promessa muitas vezes repetida da vitória da igreja de Cristo sobre as forças do mal.[13]

O poder do estado e instituições

Um segunda posição compreende que as instituições que dirigem as áreas civil, jurídicas e religiosas da sociedade não possuem o poder de derrotar a igreja (Atos 5.22-32; 12.6-18). Nesta visão a palavra “portas” são retratados como “lugares onde a justiça é realizada” e a palavra “hades” é personificada como “um edifício ou instituição”.[14] Um bom exemplo disso é o exposto por Ellicott:

A promessa declarou que todos os poderes do Hades, todas as forças de destruição que o ataque e, a longo prazo dominar outras sociedades, deve atacar, mas não dominar, a eclésia de que Cristo era o fundador. Ele estava prestes a anunciar, com uma claridade desconhecida antes, a Sua chegada morte como um malfeitor, e ainda assim foi nesse momento que Ele proclamou a perpetuidade e o triunfo da sociedade que, no entanto, pode-se dizer, existia apenas nos germes de uma concepção meia realizado.[15]

O poder do Hades

Para outros teólogos, a palavra “portas” é retratada como “barreiras ou portas da prisão” e a palavra “hades” retratada como “o lugar por onde o morto sai”. A “sepultura” ou “reino dos mortos” não sendo capaz de segurar os redimidos (os chamados salvos) de irem para o céu (Apocalipse 1.18, Atos 2.23-24, Romanos 8.2, Hebreus 2.9-15).

Ridderbos, um importante teólogo do Novo Testamento, trabalhou na Free University de Amsterdam e escreveu o seguinte sobre o assunto:

A imagem que é evocada é de uma fortaleza ou prisão, portões inexpugnáveis​​, onde a morte é o rei, e os mortos são mantidos em cativeiro. Uma vez que alguém tenha entrado por estas portas, não possui terreno humano para resgatá-lo. A igreja de Cristo, no entanto, não será “superada” por este poder da morte. Jesus fala aqui como alguém que era mais forte do que a morte e que faria com que a sua igreja participasse de Sua vitória sobre ele. Ele tem as chaves da morte e do Hades (Apocalipse 1.18).[16]

John MacArthur, um teólogo mais proeminente, em seu comentário sobre o livro de Mateus escreveu o seguinte:

As portas do inferno muitas vezes tem sido interpretado como representando as forças de Satanás atacando a igreja de Jesus Cristo. Mas portas não são instrumentos de guerra. Seu objetivo não é conquistar, mas proteger aqueles por trás delas de serem conquistada, ou, no caso de uma prisão, para mantê-los de escapar  do Hades, o que corresponde ao hebraico “sheol”, refere-se à morada dos mortos, nunca ao inferno, como às vezes é encontrado na versão King James. Quando os termos portões e Hades estão devidamente compreendidos, torna-se claro que Jesus estava declarando que a morte não tem poder para segurar o povo redimido de Deus cativo. Suas portas não são fortes o suficiente para dominar e manter presa a igreja de Deus, cujo Senhor venceu o pecado e a morte (Rm 8.2; At 2.24).[17]  
         
David Seccombe a fim de nos auxiliar a entender esta passagem, disse o seguinte sobre a declaração de Jesus:

Jesus declara aqui a sua intenção de construir uma comunidade eterna. Os portões de Hades (Sheol) não tem nada a ver com o inferno (Geena). A referência é à morte, visualizada como um reino invencível através de portas onde todos os seres vivos tem de passar e nunca mais voltar. Jesus afirma que o túmulo nunca vai engolir sua comunidade.[18]

Stanley D. Toussaint professor emérito sênior da exposição da Bíblia no Dallas Theological Seminary possui posição semelhante:

É geralmente admitido que a expressão “portas do inferno” para o judeu designava morte. Portanto, o Senhor está simplesmente afirmando o fato de que a igreja como fundada sobre a verdade da pessoa e obra de Cristo não seria mantida no cativeiro pela morte.[19]    
      
Roy B. Zuck, foi professor de Exposição Bíblia no Dallas Theological Seminary disse em seu comentário que:

Os judeus entendiam portões de Hades como se referindo à morte física. Jesus estava dizendo, portanto, aos seus discípulos que Sua morte não impediria sua obra de construção da igreja. Ele falou de sua morte iminente (Mateus 16:21). Ele, portanto, estava antecipando sua morte e a Sua vitória sobre a morte pela ressurreição.[20]

Donald Arthur Carson, doutor da universidade de Cambridge e um dos mais importantes biblistas e teólogo da atualidade possui posição bem semelhante como as expostas anteriormente:

Portas do Hades ou expressões muito semelhantes são encontrados na literatura canônica (Jó 17.16, 38.17; Salmos 9.13; 107.18; Isaias 38.10)…e parecem se referir a morte e ao morrer.[21]

As três posições aqui apresentadas dizem respeito a uma proteção contra ataques físicos por parte das instituições, ataques espirituais por parte de Satanás, e ao “reino dos mortos”, que não é capaz de reter a ida dos redimidos para o céu. Pois bem, independente das diversas interpretações, todas concordam em um ponto: A Igreja invisível (Universal) não foi destruída por nenhuma das três possibilidades citadas. Por outro lado, igrejas locais, inseridas no tempo e espaço, não receberam essa promessa.[22] Isso deixa claro que não existe contradição entre a promessa de Jesus a sua Igreja invisível (Universal) e a morte das igrejas locais.

Poucos são os estudos sobre o declínio e morte da igreja, porém precisamos conhecer a história destas igrejas extintas se queremos conhecer os motivos que levam uma igreja a declinar e até morrer. O processo, geralmente, está ligado ao exercício do poder. Aquele que tem maior autoridade persegue a comunidade de cristãos que, não podendo subsistir na ilegalidade, se desagrega como observaremos a seguir. 

Confira a Introdução
www.pulpitocristao.com/2014/11/serie-replantando-hoje-igreja-de-amanha.html#.VGz6sGeLM58

Notas

[1] Bacharel em Teologia e Plantador de igrejas da Co-Mission church plant network.
[2] Segundo Arn (1988, P.16), mais de 80% das igrejas americanas estabelecidas estão estagnadas ou em declínio e que todo ano cerca de 3.500 a quatro mil igrejas morrem nos Estados Unidos a cada ano. No Reino Unido a situação é ainda mais crítica já que de acordo com Timmis e Chester (2011, P. 12)  em 1851, cerca de 1 em cada 4 pessoas no Reino Unido frequentava uma igreja. Agora, o número passou para 1 em cada 10 e que se o declínio continuar cairá para 4,1% em 2020. Isto representa 1 em cada 25 pessoas. Na Austrália a frequência à igreja era de 8% em 2001 um declínio assustador se comparado com os 35% que existiam em 1966 diz Bellamy e Castle. Ver em, BERLLAY, J.; CASTLE, K. Church Attendance Estimates (National Church Life Survey, Occasional Paper 3, 2004), p.11; WIN Arn, The Pastor’s Manual for Effective Ministry. Monrovia, CA, Church Growth, 1988, p.16
[3] BAGSTER, S. The Analytical Greek Lexicon. London: Samuel Bagster and Sons Ltd., 1967, p. 357
[4] DAVIS John, Davis Dictionary of the Bible Broadman & Holman Publishers, 1972, p. 482
[5] Hades foi uma das mais ancestrais e importantes divindades da mitologia grega, mas não um dos doze olímpicos, que dominava o mundo inferior, soberano do reino dos mortos ou simplesmente o submundo, correspondente ao romano Plutão, o rico, pois era dono das riquezas do subsolo. Filho dos Titãs Cronos e de Réia, os romanos Saturno e Cibele, que detinham o controle do mundo, e portanto, também irmão de Zeus e de Posêidon ou Posídon. Quando o pai foi destronado e vencidos os titãs, os três irmãos partilharam entre si o império do universo. Zeus ficou com o céu, a terra e o domínio e cuidado das deusas irmãs, Posêidon herdou o reino dos mares e ele tornou-se o deus das profundezas, dos subterrâneos e das riquezas. O nome Hades era usado para designar tanto o deus como os seus domínios, um submundo dividido em regiões. (http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/MGHades0.html)
[6] BAGSTER, S. The Analytical Greek LexiconLondon: Samuel Bagster and Sons Ltd., 1967, p. 6-7
[7] Davis diz que: “Tanto Hades utilizada no NT, quanto Sheol utilizada no AT denotam o lugar dos mortos. Não existe evidência quanto ao verdadeiro sentido, pode afirmar-se porem, que durante alguns séculos, os hebreus partilharam a idéia semítica a respeito de Sheol. Era uma concepção vaga e indefinida, e, portanto, abria caminho para a imaginação, que inventava pormenores fantásticos para descrever o Sheol. É preciso muito cuidado para não confundir os frutos da imaginação com a fé”. Ver em, DAVIS John, Davis Dictionary of the Bible. (Nashville, TN: Broadman & Holman Publishers, 1972),  p. 258
[8] BAGSTER, Samuel. The Analytical Greek LexiconLondon: Samuel Bagster and Sons Ltd., 1967, p. 225
[9] Segundo a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira, capítulo VIII, número 5, o termo “Igreja universal” refere-se a reunião universal dos remidos de todos os tempos. Sua unidade é de natureza espiritual e se expressa pelo amor fraternal, pela harmonia e cooperação voluntária na realização dos propósitos comuns do reino de Deus. De acordo também com a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira, capítulo VIII, número 1-2, o termo “igreja local” ou “congregação local” refere-se a um grupo de pessoas regeneradas e batizadas após profissão de fé. Tais congregações são constituidas por livre vontade dessas pessoas com a finalidade de prestarem culto a Deus, observarem as ordenanças de Jesus, meditarem nos ensinamentos da Bíblia para a edificação mútua e para a propagação do evangelho.” Ver em SILVA, Roberto do Amaral. Princípios e doutrinas batistas: Os marcos de nossa fé (Rio de Janeiro: Juerp, 2007),  p.244-245.
[10] BROWNING, W. R. F. Oxford Dictionary of the Bible (Oxford University Press, 1997), p. 68-69
[11] De acordo com Wayne Grundem: “a Igreja invisível é a igreja como Deus a vê. Tanto Martinho Lutero como João Calvino estavam ansiosos por afirmar esse aspecto invisível da igreja, opondo-se ao ensino católico romano de que a igreja era a organização visível que vinha desde os apóstolos… Por outro lado, a verdadeira igreja de Cristo certamente tinha também um aspecto visível. Podemos usar a seguinte definição: A igreja visível é a igreja como os cristãos a veem na terra… Podemos concluir que o grupo do povo de Deus considerado desde o nível de grupo local até o universal pode corretamente ser chamado ‘a igreja’.” GRUNDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo. EVN, 1999. Berkhof diz que: “Distinção entre igreja visível e invisível. Quer dizer que, de um lado, a igreja de Deus é visível, e, de outro, é invisível. Dizem que Lutero foi o primeiro a fazer esta distinção, mas os outros Reformadores a reconheceram e também a aplicaram à igreja… Mas tanto ele (Lutero) como Calvino acentuam o fato de que, quando falam de uma igreja visível e invisível, não se referem a duas igrejas diferentes, mas a dois aspectos da única igreja de Jesus Cristo… Naturalmente, a igreja invisível assume uma forma visível. Justamente como a alma humana se adapta a um corpo e se expressa por meio do corpo, assim a igreja invisível, que consiste, não de almas, mas de seres humanos que têm alma e corpo, assume necessariamente forma visível numa organização externa, por meio da qual se expressa. Ver em, BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Campinas. LPC, 1990.
[12] Gill deixa um bom exemplo desta posição: “…Os Infernais principados e potestades, com toda a sua astúcia e força, nunca será capaz de extirpar o Seu evangelho, para destruir o seu interesse, para destruir a sua igreja em geral…”. Ver, de GILL, John. Gill’s Commentary, Vol 6. (Grand Rapids: Baker Book House, 1980), p. 151. Outro bom exemplo foi destacado por Vicente: “A expressão  ‘as portas do Hades’ é um orientalismo para o tribunal, o trono, o poder e a dignidade do reino infernal. Hades é contemplada como uma poderosa cidade, com enormes portais. Alguns expositores também introduzem a ideia dos conselhos dos poderes satânico…O reino ou cidade de Hades confronta e ataca a igreja que de Cristo constrói sobre a rocha”. Ver em, VINCENT, Marvin R. Word Studies in the New Testament. Vol 1. (Grand Rapids: Eerdmans, 1997), p 96
[13] HENDRIKSEN, H. The Gospel Of Matthew. Grand Rapids: Baker, 1982, p 649.
[14] Como Bruce observa: “A ekklesia será forte e duradoura, apenas enquanto a fé no Pai e no Cristo, o Filho, e o Espírito do Pai e do Filho, no reinado dele. Quando o espírito de Cristo se tornar fraco a Igreja será fraca, e nem credos, nem os governos, nem chaves, nem dignidades eclesiásticas serão de grande ajuda para ela”. BRUCE, Alexander Balmain. Ver em, The Synoptic Gospels. The Expositor’s Greek Testament. Vol. 1. (Grand Rapids: William B. Eerdmans, 1980), p. 225
[15] ELLICOTT, Charles. Ellicott’s Commentary on the Whole Bible. Vol. 6. Grand Rapids: Zondervan, 1981, p. 99-100.
[16] RIDDERBOS, H. N. The Bible Student’s CommentaryMatthew. Grand Rapids: Zondervan, 1987, p. 304.
[17] MACARTHUR, John. The MacArthur New Testament CommentaryMatthew  Chicago: Moody, 1988, p. 32-33
[18] SECCOMBE, D. The King of God’s Kingdom. A Solution to the Puzzle of Jesus. Muizenberg: Paternoster Press, 2002, p.464
[19] TAUSSAINT, S. D. Behold the King. A Study of Matthew. Portland: Multnomah Press, 1980, p 203
[20] WALVOORD, J. F.; ZUCK Roy B. The Bible Knowledge Commentary: An Exposition of the Scriptures. vol. 2. Wheaton, IL: Victor Books, 1983, p. 58-59
[21] CARSON, D. A.; GAEBELEIN, F. E. The Expositor’s Bible commentary: Matthew, Mark, Luke. Expositor’s Bible commentary, Vol.8. Grand Rapids: Zondervan,1984, p. 370
[22] A igreja local sofre as mesmas ações que sofrem os organismos vivos e sofreram com as ações do tempo e do ciclo de vida. Hernandes Dias Lopes diz que: “A igreja é um organismo vivo. Ela cresce naturalmente. Se não cresce é porque está doente e, se está doente, precisa ser revitalizada. Uma igreja pode adoecer e até morrer”. Sendo a igreja local um grupo de pessoas, localizada no tempo e no espaço, possui características semelhantes as dos organismos vivos que sofrem com as ações do tempo. Claro que isso não é aplicado à igreja universal, pois esta viverá eternamente. Porem a igreja local, assim como um organismo vivo, passa por diversas fases vitais durante a sua existência: nasce, cresce, amadurece, se reproduz, envelhece e morre. Ver em, Lopes, H. D. & Casimiro D. A., Revitalizando a igreja: Na busca por uma igreja viva, santa e operosa. (São Paulo. Hagnos, 2012), p. 11

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16/11/2014

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O templo sagrado e o areópago pagão da minha cidade

Por Antognoni Misael

Toda cidade tem uma espécie de areópago. Algumas têm vários, outras não. Mas toda cidade tem. O areópago era uma parte da Acrópole em Atenas que servia para reunião de conselheiros, educadores, cientistas, políticos, poetas e pensadores, de uma forma geral.
Sobre o mesmo chão está o Muro/ E o Lado de lá, que você esqueceu” [1] 
Ontem eu vi um areópago no meio da praça da minha cidade, tudo bem que não houve discurso político nem algum poeta grego foi mencionado, mas houve discurso poético, sincrético, existencialista e tantos outros. De certo aquele areópago era principalmente musical - pois a música também discursa – e o palco era livre, democrático, e pronto pra que algum súdito subisse ali e fizesse a sua arte.
Evento - Café com Poeira (Guarabira-PB)

Por um instante tive um vislumbre. Felicidade, frustração, não sei bem. “Viajei”... e tal “viajem” me trouxe a memória alguns fatos: 1) que o número de evangélicos tem crescido, ou inchado; 2) a cada esquina uma garagem estreia mais um púlpito (quase sempre um palco para ‘stand up’ para todas as demandas, mais de loucuras que lisuras); 3) quanto mais eles crescem, se espalham, se dividem por distanciarem-se abissalmente da Palavra; 4) sendo assim, o movimento evangélico fragmenta a cruz, e cada pedaço vai pra um lado. Triste né? Destarte, é bom que se perceba que tal fenômeno não abarca absolutamente todas igrejas - claro!

Aqui onde moro, e falando ainda de “igrejas”, eu começaria pelas mais ridículas, tipo: IURD, Mundial, Show da Fé. Essas marqueteiras estão alojadas aqui pra cumprir seu papel mercadológico de franquia. Elas disputam praticamente o mesmo público. Mas além delas há dezenas tipicamente evangélicas, mas nem todas genuinamente cristãs.

Contudo, voltando ao vislumbre, este me fez pensar em dois aspectos: a estandardização das “sagradas igrejas” e o desprezo pelo “areópago pagão”.
“Me apontaram as cercas e os muros /Eu quis o caminho, Roguei pela vida” [2]
Olha só, certa vez ouvi de um artista cristão que igreja é como o estrume (o popular cocô de gado) o qual precisa ser espalhado pra dar vida a terra, pois uma vez amontoado num só local, fede. Apesar de ser um exemplo, quase esdrúxulo, tem sua verdade. Igreja que vive pra dentro tende a feder. Logo, se igreja deve ser reunião de discípulos, discípulos são como seu mestre, e o mestre não vivia dentro do “templo”, o mestre vivia no mundo. Portanto, igreja é feita pra servir na rua, na praça, nas escolas, hospitais, enfim, igreja é feita, também, pra subir em areópago e discursar.

O mundo - cuja Bíblia nos ordena não amar - é um sistema de princípios e valores; e não a criação, lugares e gente.

A triste realidade é que muitos líderes não entendem isso. Igreja, para tais, é propriedade sua. É franquia em constante disputa no “mercado de deus”, é campo murado dentro da cidade, é cerca, é “santo lugar” que ninguém pode se sentir livre e como se estivesse em casa.

Portanto, assim não é surpresa que esses sistemas eclesiásticos sendo projetados para dentro de si mesmos, ou, quando direcionados para fora – seja como num culto de rua com amplificadores às alturas, entrega de folhetos descontextualizados no meio da praça, ou por alguma “marcha pra jesus” - , contudo, sendo estes feitos para dentro, ou adaptavelmente para fora, o que ocorre é que ambos  os sistemas caem no comodismo de fabricar os seus próprios areópagos dentro de si mesmos. Já imaginou, uma igreja com o areópago (simbolicamente) no lugar do púlpito? (isso, para que ninguém se “contamine” ao ir discursar lá na praça, na universidade, no teatro, ou em qualquer outro lugar)

Relembremos do evento narrado em Atos 17, onde Paulo sobe ao areópago e discursa para os gregos. Ali, com naturalidade apóstolo apresentou o pensamento cristão de uma forma que os atenienses puderam facilmente entender. Ou seja, ele apresentou o cristianismo no nível dos atenienses fazendo uma ponte apologética com o altar ao Deus desconhecido: “(…) esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio”.
“E vou subvertendo o mundo / Amando a esperança que salta os muros” [3]
É interessante notar nesta passagem que Paulo não chegou a ter êxitos no mesmo instante quanto a conversão dos seus ouvintes, no entanto esta sem dúvida alguma foi uma das maiores apresentações cristãs da história. Talvez, muitos achem desperdício subir nos areópagos e com singeleza se “misturarem” com os súditos e discursarem sobre o “Deus desconhecido”, de repente esta não é a forma estatisticamente eficaz para os métodos de enchimento de igreja... Entretanto, é muito importante considerar que ao ir ao areópago não vamos convencer ninguém a aceitar a Verdade – esta parte não pertence a nós. Assim sendo, ser sal e luz não significa utilizar métodos para alcance de não-cristãos; ser sal e luz é “ser”, “ir”, “ficar”, “andar”, “demonstrar”, “dizer”...é um estilo de vida!

Um dos exemplos que devemos tirar em Atos 17 é o amor cujo Paulo imprime em seu discurso. É preciso que aprendamos com a apologética paulina neste sentido. Além disso é preciso entender o Senhorio de Cristo em todas as áreas da vida! O Cristo Todo para Vida Toda em todos os seus aspectos!

O areópago de minha (ou sua) cidade está pronto, seu público está no local, alguém vai subir lá e discursar, muitos irão subir e discursar... e os cristãos? Onde estão? – Já sei! Do outro lado do muro! Bem longe do areópago da minha (ou sua) cidade.

***

[1], [2] e [3], trechos da canção Sobre o Mesmo Chão - Palavrantiga.

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