18/04/2014

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Graça e santificação


Por Zilton Alencar

A salvação é pela GRAÇA. Somente pela graça, e nunca por obras humanas. E não há nada que o homem faça que venha a ser uma "adição" à obra redentora de Cristo.

Mas... Como podemos conciliar tal afirmativa com a orientação aos hebreus que “sem a santificação ninguém verá o Senhor” (Hb 12:14)? O texto parece sugerir que é necessário haver obras humanas, chamando tais obras de santificação. Será assim mesmo?

Faço questão de repetir: a salvação é pela GRAÇA. Somente pela graça, e nunca por obras humanas. E não há nada que o homem faça que venha a ser uma "adição" à obra redentora de Cristo.

Entretanto, a santificação é o resultado da ação do Espírito Santo sobre nossas vidas, tratando-a para que vivamos de conformidade com o que Cristo viveu (1 Jo 2:6). Entenda: é o resultado da ação do ESPÍRITO SANTO, e não simplesmente a nossa ação. É o Espírito de Deus que nos convence do pecado, e nos conduz a buscar o que é santo. Sem a ação do Espírito, eu JAMAIS me inclinaria a qualquer processo de santificação!

É IMPOSSÍVEL alguém que se achega a Cristo não ter um processo de santificação em sua vida, operado pelo Espírito. Assim, entendo que o princípio ensinado aos hebreus é que os salvos se submeterão à santificação operada pelo Espírito Santo. Os que não se submetem, está claro: não verão o Senhor pois não são dEle e nem se submetem à santificação operada por Ele.

Outro erro comum sobre o assunto é associar SANTIFICAÇÃO com PERFEIÇÃO. E não são, de jeito algum, a mesma coisa. Embora o alvo seja a perfeição, certamente jamais atingiremos tal status diante de Deus enquanto estivermos neste tabernáculo terrestre (a carne). Paulo, escrevendo aos romanos, demonstra muito bem que esta perfeição é inatingível quando desabafa, relatando suas constantes lutas contra a sua carne (Rm 7:15ss). Ao término de sua exposição, ele desabafa: "Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?" (Rm 7:24), e dá graças a Deus por Jesus Cristo, o único que o justifica e o torna apto a entrar no Reino, apesar de seus pecados carnais.

Pelo que eu conheço da minha carne, me imagino aos 99 anos de idade, em uma cama de hospital, sendo tratado por uma enfermeira. Suponho que se esta mulher for bonita, meus olhos velhos ainda darão uma olhada para as formas de seu corpo! Sim... Infelizmente, é a inclinação maligna que minha carne levará até o último suspiro. Assim, nem na hora de minha morte poderei afirmar que atingi a perfeição, mas sim que passei toda a minha vida me submetendo ao processo de santificação que o Senhor operou em minha carne.

Eis porque o ladrão da cruz, mesmo sem tempo para santificação, entrou no céu. Pelos méritos de Cristo. Pela obra da cruz. Pela GRAÇA. Suponho que o ladrão pregado na cruz, sofrendo dores terríveis, tenha gritado algumas palavras de baixo calão no afã de minimizar a dor... Mas sua entrada no céu não estava condicionada aos seus atos, e sim aos méritos de Cristo e à Sua promessa!

Eis porque homens e mulheres quase mortos, em um leito de UTI, ou em estado terminal, após ouvirem o Evangelho e o entenderem, e se submeterem a Cristo, entrarão no céu. Pelos méritos de Cristo. Pela obra da cruz. Pela GRAÇA.

Não há preço a ser pago por nossa salvação. Cristo não pagou 99% do preço, e nos deixou 1% para pagarmos em vida. Falando sobre a redenção da alma do homem, o salmista nos diz que "a redenção da sua alma é caríssima e seus recursos se esgotariam antes" (Sl 49:8). Cristo, exemplificando o alto valor desta redenção, fixou na parábola dos dois devedores um preço tão alto que nem mesmo em uma vida ininterrupta de trabalhos e economias um homem poderia amealhar tal montante (Mt 18:23ss).

Entreguemo-nos à graça de Deus!! Submetamo-nos à santificação que Ele nos impõe e conduz. Mas JAMAIS percamos a visão de uma coisa: a salvação é pela GRAÇA DE DEUS.

SOLA GRATIA!!


***

Zilton Alencar é músico cristão, "herege" de mão cheia e editor do Blog EsquiZilton.

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Irmã que usa batom será noiva do capeta



Por Ruy Cavalcante

A provocação feita no título deste artigo traz à tona um problema antigo na igreja evangélica, que é a tentativa de se construir cristãos genuínos fundamentados em ordenanças humanas. Leia este artigo como uma espécie de continuação do anterior, de autoria de Maurício Zágari, sob o título "Usos e costumes, tradições e a Cruz de Cristo".

Portanto, continuando neste tema, vejamos o que dizem as Sagradas Escrituras:

Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que é que vocês, então, como se ainda pertencessem a ele, se submetem a regras: "Não manuseie!" "Não prove!" "Não toque! "? Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos. Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne. (Cl 2:20-23)

A tentativa de se alcançar a purificação do cristão a partir de regras estabelecidas por homens é antiga, remonta ao início da igreja. Afinal de contas, sempre foi mais fácil simplesmente proibir do que ensinar, pois este último exige dedicação, esforço e zelo.

A maioria de nós, cristãos evangélicos, já se deparou com algumas proibições sem qualquer vínculo com o Evangelho onde, em sua maioria, são uma tentativa sincera de nos afastar do pecado. Digo maioria, pois tenho consciência de que há casos em que a tentativa na verdade é de dominar a vida das pessoas, mas não entrarei nesse mérito.

Entretanto sinceridade não garante justiça, essa se alcança com a verdade, e a verdade está descrita na Palavra de Deus.

Quando não ensinamos com afinco a Palavra de Deus, a única que verdadeiramente liberta (Sl 119:9), só nos resta criar inúmeras regras para tentar impedir que o povo peque. Dai no lugar de ensinar a guardar a Palavra de Deus, proibimos as mais variadas práticas. Proibimos o namoro, proibimos a amizade de crentes com descrentes, proibimos que se use calça jeans, proibimos a televisão, o batom ou até mesmo que se leiam livros não cristãos.

Mas sinto informar que, conforme foi dito por Paulo aos Colossenses, essas regras não tem poder algum contra o pecado. Só quem pode converter o coração do ser humano é Deus, e Ele escolheu fazer isso através da pregação do Evangelho.

Quando Jesus nos mandou fazer discípulos ele foi taxativo ao afirmar que deveríamos ensina-los a guardar tudo o que Ele havia dito, em momento algum ele descreveu alguma lista de regras e leis a serem cumpridas por aqueles a quem anunciaríamos o Evangelho, pois obviamente Ele sabia que essa função, a de determinar o que deveria e o que não deveria ser praticado por nós, cabia ao Espírito Santo, conforme afirma:

E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo.” (Jo 16:8)

Como sabemos, o Espírito Santo faz habitação na vida daqueles que creram em Jesus, que foram alcançados pelo Evangelho de Cristo. A estes, conforme profetizado por Jeremias, as leis de Deus estariam escritas em seus corações, no seu interior, não havendo necessidade que se ensine o que se deve e o que não se deve fazer (Jr 31:33-34). Esse papel cabe ao Espírito Santo, e Ele o cumpre na vida dos regenerados, sem exceção.

Usemos a prática sexual como exemplo. Sexo fora do casamento é pecado? A resposta é sim, e duvido que qualquer cristão discorde dessa afirmação.

Porém, se abster de transar fora do casamento não é algo que se ensine proibindo o namoro (por exemplo), e sim ensinando o Evangelho. Sem Evangelho não há coração puro, e sem coração puro até a castidade é impureza. É justamente essa a ideia defendida por Tito, quando afirma:

Tudo é puro para os que são puros, mas para os corrompidos e incrédulos nada é puro; antes tanto a sua mente como a sua consciência estão contaminadas.” (Tt 1:15)


A pureza no coração humano é obra do Espírito Santo de Deus e ele a executará até o fim (Fp 1:6). Não há nada que possamos fazer para nossa própria purificação. Qualquer tentativa humana de se lavar pode ter aparência sincera e de sabedoria, mas será ineficaz.

Repito, sem a pureza genuína executada por Deus em nós, até mesmo a abstinência radical de tudo o que possua aparência maléfica será considerada impureza, pois a contaminação vem de dentro, não de fora do ser humano (Mc 7:20).

Portanto, cabe a cada um de nós ensinarmos nossos irmãos tudo aquilo que a Palavra de Deus ensina, a começar do Evangelho, das Boas Novas da Salvação em Cristo. Este é o caminho para que o pecado seja odiado por eles, esta é a porta que Deus escolheu para operar transformação em nossos corações, nos tornando puros e santos.

Não negligencie isso por coisas inúteis, cumpra seu papel de evangelista e deixe que o Espírito Santo cumpra o dEle, pois Ele jamais falhará. Deus abençoe a todos.

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16/04/2014

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Usos e costumes, tradições e a cruz de Cristo






Por Maurício Zágari

A cruz é o centro da nossa fé. Tudo o que tem a ver com a crença cristã se baseia na subida do Cordeiro à cruz, para se oferecer como sacrifício pelo perdão dos pecados. Sem o madeiro, não há cristianismo. Assim, podemos dizer que esse objeto é o mais importante da nossa religião. Mas… onde está a cruz? Por que ela não foi preservada? Que fim levou? Bem, eu acredito que sei onde está a cruz de Cristo.

O tempo de decomposição da madeira varia muito. Em uma floresta úmida, um galho de árvore caído ao chão leva cerca se seis meses para desaparecer. Madeira pintada, por sua vez, demora 13 anos. Se houver cupins por perto e nenhum produto químico que a preserve, a decomposição é acelerada. Imersa em água, por vezes ela dura mais (como antigos navios naufragados). Mas raríssimas vezes vai durar séculos – e, ainda assim, se constantemente tratada.

A cruz de Cristo, da mesma maneira que as cruzes em geral daquela época, ficava exposta à influência do clima. Chuva, vento, cupins, fluidos corporais e o constante contato com carne morta cheia de bactérias que causam decomposição. Ela certamente não foi usada somente por Jesus, mas, provavelmente, foi reaproveitada em dezenas, talvez centenas, de crucificações. Isso significa muito uso, muita exposição, degradação, decomposição facilitada por uma enorme gama de fatores ambientais.

Então, em minha opinião, ela apodreceu. Se fragmentou. Foi decomposta. Virou comida de cupins e outros seres que agem no apodrecimento de matéria orgânica. E suas moléculas estão espalhadas por aí. Talvez o café que você tomou está manhã tenha átomos de carbono que estiveram na cruz de Cristo dois mil anos atrás. Talvez aquele filé do almoço. Ou mesmo a camisa de algodão que está vestindo.

Que tragédia! A cruz que nos deu acesso ao céu possivelmente apodreceu! Bem, na verdade… não é uma tragédia tão grande assim. Atrevo-me a dizer que nem tragédia é. Porque aquela cruz, embora tenha desempenhado um papel superior ao de qualquer outro objeto na face da terra para a salvação da humanidade de seus pecados, não carrega em si nenhum valor espiritual. Ela foi importante para o ato da morte do Cordeiro, mas, depois disso, não servia para mais nada. Assim que Jesus expirou, a utilidade espiritual dela acabou. Estava consumado. Que apodreça em paz.

Na Idade Média, houve uma febre na Europa de pessoas ganhando dinheiro por vender a ricos ignorantes o que seriam “lascas da cruz de Cristo” (foto). Tudo falsificação, mas a falta de entendimento do papel de cada coisa no plano de salvação levou muita gente a valorizar o que não possuía valor algum. Pagavam fortunas para adquirir de espertalhões pedaços de um objeto que não tinha mais importância – isso se fossem de fato da cruz, mas não eram. Em vez de olhar para Jesus, esses cristãos sinceros, mas ignorantes, fixavam-se num acessório.

O ser humano não mudou. Continuamos, em nossos dias, dando valor ao que já teve sua função no passado mas hoje não tem mais. Nos agarramos a relíquias que cumpriram seu papel em algum momento de nossa fé e não percebemos que podemos deixá-las apodrecer sem que isso influencie em nada nossa relação com Cristo. Mantemos usos e costumes de uma era passada que absolutamente não têm mais nenhuma razão de ser e os consideramos o centro de nossa devoção.

Todos conhecemos a história do uso de instrumentos musicais nas igrejas. Quando chegaram as guitarras, os contrabaixos elétricos e as baterias, logo foram associados a musicas pagãs e, consequentemente, demonizados. Só o órgão era visto como um santo instrumento. Os cristãos de então estavam tão agarrados a suas tradições que não conseguiam enxergar que a cruz tinha apodrecido e perdera a importância. Outro exemplo é a chegada do retroprojetor. Quando o hinário começou a ser substituído por esse equipamento – um recurso para que as pessoas pudessem ter as mãos livres e levantá-las durante o louvor – houve gritaria. Como pode não usarmos mais os sacrossantos hinários?! Houve indignação. Hoje ninguém mais pensa nisso.

Os louvores, aliás, foram e ainda são alvo de intenso debate. A ponto de termos inventado uma separação entre “hinos” e “corinhos” que não faz nenhum sentido. Ambos são música cristã, mas os cânticos mais antigos acabaram sendo diferenciados para agradar os irmãos que não gostavam dos estilos musicais contemporâneos. Mas não há diferença na essência desses dois grupos de músicas: sua finalidade enquanto louvor é precisamente a mesma. Até porque aquilo que hoje chamamos de “hinos” foi considerado música contemporânea na época de sua composição. Daqui a 50 anos, tudo o que cantamos hoje serão velhas canções, dignas de serem entoadas por um coração sincero e contrito diante de Deus. Se a música for boa e bíblica, sobreviverá ao teste do tempo e permanecerá; se não, deixará de ser entoada. E só consegue enxergar isso com discernimento quem entende que o que importa é quem esteve na cruz e não a cruz em si.

Quando vou ao culto, leio a Bíblia em formato eletrônico, no meu iPhone. A mensagem é exatamente a mesma de qualquer outra Bíblia. As verdades sagradas estão todas ali. Mas já ouvi muitas vezes críticas a isso, como se só bíblias de papel fossem dignas de ser usadas na igreja. Nem vou entrar pela discussão acerca de usos e costumes mais frequentes, pois tudo o que tinha de ser dito a esse respeito já foi. Infelizmente, muitos irmãos extremamente bem-intencionados e que amam a Jesus de toda sua alma dão muita importância à madeira e com isso deixam de olhar para aquele que nela esteve pregada. Não devemos condenar ou discriminar quem abraça uso e costumes como se fossem questões centrais na fé, mas precisamos instrui-los. Mostrar que tais práticas não levam ninguém para o céu: a graça de Cristo leva. E que discriminar e oprimir filhos de Deus por causa delas é como dizer a Jesus: “Dá licença, Senhor, saia da frente, pois está atrapalhando a visão da cruz”. Olhe sempre para o crucificado, que é eterno. Não para o que vai se decompor.

Recentemente, uma irmã deixou um comentário no APENAS, profundamente agoniada. Ela escreveu: “Sr.MaurícioSou casada há 20 anos. meu esposo é maravilhoso, porém me obriga a pertencer a uma Igreja em que não acredito muito em suas doutrinas, diz que só aquela Igreja é a certa e que salva, que devo usar apenas saia e ter o cabelo nos pés. Faz acepção de pessoas, já não estou indo mais na Igreja, porém meu esposo tem me tratado muito mal e diz que tem vergonha de mim por eu usar calça. Ele não conversa mais comigo é como se eu não existisse dentro de casa, virei um “objeto” lá dentro. Por favor me ajude.“. Fiquei triste. Vi nesse e em tantos casos semelhantes a graça de Cristo ser substituída por algo que não terá nenhuma influência sobre a vida eterna.

Que fique claro que respeito profundamente os hábitos e a cultura de cada denominação, jamais vou me levantar para criticar, a troco de nada, algo que é importante para um determinado grupo e que não configura heresia, mas fico profundamente tocado quando lascas da cruz se tornam instrumento para oprimir, deprimir e impor um jugo desnecessário a irmãos e irmãs em Cristo. Todo e qualquer uso e costume que substitui a graça salvadora de Jesus pela prática de um hábito cultural olha para a cruz e não para o crucificado. E machuca pessoas, o que fere o primeiro e maior mandamento.

Tenho um carinho enorme por irmãos de todas as denominações. Todas. Respeito profundamente os membros de qualquer igreja que professe o verdadeiro Cristo. Batistas, presbiterianos, metodistas, assembleianos, Deus é amor… se quem está ali é sincero diante do Altíssimo e tem Jesus como Senhor e Salvador, é meu irmão. Não discrimino ninguém. Não ouso dizer que sou “mais cristão do que fulano e beltrano” só porque são adeptos de usos e costumes diferentes dos meus, só porque cantam hinos ou corinhos, só porque são verdes ou azuis. O que é heresia é heresia e devemos combater, mas o que não é não remove ninguém da família de fé. Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus” (Sl 51.17). Se Deus não despreza, como poderia eu? Não me atrevo a ter tamanha arrogância.

Eu não sou melhor do que o irmão do reteté. Eu não sou melhor do que quem proíbe bater palmas ou só canta hinos medievais no culto. Tenho um desejo profundo de que todos alcancem a maturidade espiritual, que abandonem práticas sem sentido e fixem o olhar tão somente no Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Mas, enquanto isso não ocorre, abraçarei todos os que são filhos do meu Pai. Não farei (como já fiz no passado) piadinhas maldosas com quem é diferente de mim em detalhes de sua vida devocional. Não oprimirei quem presta adoração sincera a Deus enquanto adota usos e costumes sem sentido. Não tenho esse direito. Você tem?

Infelizmente, por falta de instrução bíblica correta, muitos se agarram a práticas e usos que não fazem sentido e a tradições decompostas. Naquilo que está ao meu alcance, farei o que puder para levar a eles conhecimento da sã doutrina, que os afaste dessas puerilidades espirituais. Mas, enquanto isso, vou abraçar e estender meu amor fraternal a todos os que fazem tais coisas de coração puro e em adoração sincera ao verdadeiro e único Salvador do mundo. Pois, se eu discriminasse um cristão bom e fiel por qualquer questão relacionada a usos e costumes, não estaria olhando para a cruz e muito menos para o crucificado, estaria cuspindo e esmurrando aquele que mandou amar, até mesmo, meus inimigos – quanto mais meus irmãos.
A cruz apodreceu. Mas o amor que devemos ter por todos precisa permanecer incorruptível – pois Jesus ressuscitou, seu corpo está vivo e seu coração pulsa eternamente por cada filho de Deus, sem exceção.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,

Maurício

***

Maurício Zágari é teólogo, jornalista e escritor premiado, membro da Igreja Cristã Nova Vida, em Copacabana, RJ e editor do excelente Blog Apenas.

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DUAS BANANADAS: UMA CÔMICA HISTÓRIA DE UMA TRÁGICA REALIDADE

Por Judiclay Silva Santos




Um amigo meu, à época seminarista no Rio de Janeiro, passou por uma experiência que, embora engraçada, revela uma triste realidade no cenário evangélico brasileiro. Com o propósito de evitar constrangimentos desnecessários, os nomes das pessoas envolvidas e da igreja em questão serão ocultados, mas, posso lhes garantir, tendo a Deus como testemunha, que os fatos são reais e verdadeiros. 

João (nome fictício que atribuirei ao meu amigo) era conhecido por ser um excelente pregador. Era também um bom estudante, cursando o terceiro ano da graduação em teologia em um dos mais antigos e renomados seminários do Brasil. Recebia muitos convites para pregar e, à medida do possível, atendia de bom grado. Convidado para pregar uma série de conferências em uma igreja, seguiu para o destino acompanhado de sua esposa em um carro particular. A igreja estava lotada para celebração do seu 25o aniversário. Durante cinco dias (de quarta-feira a domingo) João esforçou-se para pregar com excelência, buscando a edificação da igreja. Nas semanas anteriores ele havia se preparado com muita dedicação. Orou intensamente a fim de que Deus usasse a sua vida como um instrumento. No domingo à noite, último dia da festa, igreja lotada, como dizem os irmãos pentecostais, ninguém sabia “se o céu desceu ou se a igreja subiu”, mas todos reconheceram que foi uma noite especial. Depois da mensagem, o povo cantou de pé: Tu és fiel Senhor! - belíssimo hino da tradição cristã. O pastor e o seminarista à porta recebiam os cumprimentos dos membros da igreja, que não escondiam a satisfação dos seus corações. No dia seguinte, prontos para regressar ao Rio de Janeiro, o seminarista estava inquieto. Até aquele momento não havia recebido nenhum recurso para custear as despesas de sua viagem (considerando ida e volta,  foram mais de 700 km de distância). E a oferta de gratidão? Até aquele momento, nada! Chegou a hora de ir embora. O seminarista e a esposa entram no carro, após se despedirem do pastor e sua família. Enquanto o carro andava os primeiros metros, o seminarista olhava o pastor acenar pelo retrovisor... Ufa!, suspirou o entristecido pregador que imaginou ser aquele um sinal de reparação ou correção de um lapso compreensível. Ledo engano. O pastor se aproximou e disse: 

- Quase esqueci. Estava no meu bolso. Levem para vocês comerem na viagem. 

Estendendo a mão, ofereceu-lhes duas bananadas. Sim, caro leitor. Duas bananadas dessas que são vendidas nos semáforos da vida por alguns centavos. Incrédulo e estupefato, o pregador seguiu viagem sem saber se ria (pois a cena foi hilária) ou se chorava (pela sensação de ter sido golpeado), embora tenha pensado em fazer outra coisa. 

Essa história nos encoraja a pensar sobre o complexo mundo de fazer e aceitar convites para pregar. Trata-se de uma excelente oportunidade para pensar sobre os deveres de ambos, do pregador convidado e da igreja que convida. 

I. RESPONSABILIDADES DO PREGADOR CONVIDADO. 

1)  Fazer tudo o que for possível para honrar o convite. 

Somente Deus não está sujeito às contingências do tempo e às circunstâncias da vida. Imprevistos acontecem. O pregador pode, na semana do compromisso, ou mesmo no dia, enfrentar uma situação que seja impossível honrar o convite. Mas nada justifica a irresponsabilidade de assumir um compromisso e não honrá-lo. Caro pregador, se você firmou um compromisso, só está dispensado do mesmo se for por um motivo muito sério para o qual não haja outra solução a não ser desmarcar. Portanto, pense duas vezes antes de assumir um compromisso. Um homem sem palavra é um homem suspeito. Honrar um convite é uma nobre atitude. 

2) Preparar-se com excelência para edificar a igreja. 

Quando uma igreja convida um pregador, sua expectativa é de que ela seja edificada. A pregação é o principal meio de graça. Uma boa mensagem tem o poder de abençoar vidas. Para tanto, entre outras coisas, o pregador precisa se preparar para o desafio. Isso demanda tempo de estudo e oração. No entanto, é triste constatar que alguns pregadores aceitam um convite para o qual não se preparam. Já testemunhei cenas vergonhosas. Existe coisa mais constrangedora que ouvir um homem perceptivelmente despreparado? Senhores, pregação é um assunto sério e exige total dedicação. 

II. RESPONSABILIDADES DA IGREJA QUE CONVIDA. 

1) Oferecer todas as condições necessárias para que o pregador desenvolva a missão que recebeu. 

a) Uma boa viagem. Quando a distância é curta, é possível ir de carro, ônibus ou outro meio de transporte que assegure chegar no horário. Muitas vezes, dependendo da distância, a passagem aérea é fundamental. Na atual conjuntura, em que as passagens aéreas estão com preços acessíveis, sendo as viagens bem mais seguras e rápidas,  espera-se que a igreja providencie as passagens. Soube de uma igreja que ficou irritada com um pregador pelo simples fato deste não se dispor a viajar de Porto Alegre à Goiânia de ônibus. Não havendo condição, melhor seria convidar alguém da própria cidade ou de uma região mais próxima. Tendo a oportunidade de assegurar uma boa viagem, segura e eficiente, deve-se evitar deslocamentos de grandes distâncias com seus riscos e desgastes desnecessários. 

b) Uma boa hospedagem. Se o pregador vem de longe, ainda que seja para pregar apenas um dia, ele precisa de uma adequada hospedagem. Onde ficar? O ideal é que fique em um lugar que ofereça privacidade, segurança e descanso. A casa do pastor da igreja que convida ou mesmo a casa de um membro, não é o mais adequado. Um amigo meu, veterano pastor com mais de 65 anos, passou pela experiência (ainda jovem, pois hoje em dia não entra mais nessas furadas) de ir com sua família para pregar na igreja de um colega que lhe ofereceu a própria residência como lugar de hospedagem. Na hora do almoço, o pastor anfitrião disse ao colega: “Depois da oração podem atacar, pois os meus filhos são terríveis. Às vezes não sobra nem para mim.” Como se não bastasse, o pastor deitou-se sem camisa na sala da sua casa, com aquela barriga protuberante, roncando com toda força enquanto o pastor convidado com sua mulher e filhos sentados no sofá pensavam: “O que nós estamos fazendo aqui?! Ridículo!” Pois bem, o ideal é providenciar um hotel decente. Não precisa ser um 5 estrelas nem tampouco um muquifo de beira de estrada. Basta que seja um lugar que ofereça privacidade e segurança. Pode ser em uma residência, desde que essas necessidades sejam supridas. 

2) Dar uma oferta como expressão de gratidão ao pregador. 

Toda genuína oferta é de caráter voluntário. Oferta não é dívida, mas presente. Oferta é livre e não compulsória. Se isto é verdade, como pode ser um dever da igreja dar uma oferta? Não seria uma contradição? Bem, trata-se de um princípio bíblico abençoar aqueles por meio dos quais Deus nos abençoa. Embora não seja um dever legal, é um dever moral. Trata-se de uma questão de consciência. É justo oferecer ao pregador convidado uma oferta de gratidão por seu trabalho. Fazer isso é reconhecer o esforço, o tempo investido nos estudos, entre outras coisas. Não se cobra pela pregação do evangelho. Não estamos falando de cachê.  No entanto, livros, cursos, preparo, custam tempo e dinheiro. Honrar o pregador é reconhecer o valor do ministério da pregação. Não advogo que em toda e qualquer circunstância seja necessário ou possível oferecer uma oferta em dinheiro. Às vezes, um simples livro oferecido como singela expressão de gratidão é o suficiente para encorajar o pregador, que se sentirá honrado. O princípio básico é a gratidão. Não importa se a igreja é grande ou pequena, mas se é generosa e conscienciosa. Em uma cultura marcada pelo egoísmo, é necessário que aprendamos a ser gratos. 

Um querido professor do seminário me contou uma experiência ocorrida com ele na década de 70. Após um fim de semana pregando em uma igreja no Paraná, pegou o seu carro com destino ao Rio de Janeiro. O colega que o convidou não custeou as despesas, nem lhe ofereceu uma oferta de gratidão. Mas o presenteou com um cacho de bananas. Ao recebê-lo, o professor perguntou a sua mulher: “Querida, nosso carro é movido à banana?” 

Senhores, chega de bananas e bananadas. Por favor, tenham bom senso antes de convidar alguém para pregar. 

"Portanto, dai a cada um o que deveis: ... a quem honra, honra.” - Rm 13.7 

Judiclay Santos, é pastor da Igreja Batista Betel em Mesquita, Rio de Janeiro

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15/04/2014

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Será o eclipse lunar um prenúncio verdadeiro da volta de Cristo?


O vídeo a seguir refere-se ao eclipse lunar ocorrido na última madrugada.





Como já era de se imaginar, o assunto do dia, inclusive um dos mais comentados no Twitter, foi a denominada “lua sangrenta”. Isso era esperado dada a grande quantidade de cristãos que tem anunciado este evento como um cumprimento da profecia de Joel. Gostaria então de deixar algumas considerações. Vejamos o que disse o profeta:

Mostrarei maravilhas no céu e na terra, sangue, fogo e nuvens de fumaça. O sol se tornará em trevas, e a lua em sangue; antes que venha o grande e terrível dia do Senhor. E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo, pois, conforme prometeu o Senhor, no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento para os sobreviventes, para aqueles a quem o Senhor chamar. (Joel 2:30-32 – grifo meu – ver também At 2:20; Ap 6:12)

Não pretendo me aprofundar teologicamente nesta profecia, portanto vamos direto aos pontos.

Em primeiro lugar, a profecia de Joel claramente se refere a um evento bem mais espetacular, sem contar o fato de os “profetas” modernos e demais evangélicos mais admirados ignorarem completamente o que acontecerá com o sol. Como falei, não entrarei pela seara escatológica nem buscarei respostas a respeito da literalidade ou não da profecia, mas é fato que nada ocorreu com o sol, e esse eclipse lunar não é tão parecido assim com uma lua transformada em sangue, ora bolas. Além disso o eclipse não pode ser visto na maioria dos lugares, como então Jesus nos mandaria observar os sinais, se eles sequer poderiam ser vistos por todos nós?

Em segundo lugar, eventos como esse são comuns, mais do que podemos imaginar. De acordo com os cientistas, a tétrade (maneira como é conhecida uma sequencia de 4 eclipses lunares) “é um fenômeno perfeitamente explicado e previsível: só neste século serão oito, sendo a que se inicia no dia 15 a segunda delas” (Fonte: Revista Veja online, do dia 14-04-14).

Em terceiro lugar, como tem sido anunciado por muitos “profetas”, esta atual tétrade ocorrerá em datas que coincidem com algumas festas judaicas, o que confirmaria ser este um genuíno sinal da volta de Cristo. Entretanto, como acredito ser do conhecimento da maioria daqueles que acompanham o Púlpito Cristão, o calendário judaico é baseado nas fases da lua (para ser mais exato ele é lunissolar), sendo, portanto comum que suas festas aconteçam em períodos de lua cheia, justamente o período em que estes eclipses ocorrerão.

Posto isso, apesar de desejar apaixonadamente a volta de nosso Senhor Jesus Cristo, não vejo como a sequencia de 4 eclipses lunares, iniciadas na madrugada deste dia 15 de abril de 2014, possa ser um genuíno sinal de sua volta. Na verdade, todas as vezes que fenômenos fora do comum acontecem (guerras, terremotos, novos papas, meteoros, etc.), “pipocam” inúmeras profecias, seminários, alertas e discursos apaixonados de pessoas que avocam um conhecimento espiritual privilegiado a respeito da segunda vinda de Cristo, porém sempre se esquecem do principal. Com a palavra o Mestre Jesus:

Portanto, vigiem, porque vocês não sabem em que dia virá o seu Senhor. Mas entendam isto: se o dono da casa soubesse a que hora da noite o ladrão viria, ele ficaria de guarda e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. Assim, também vocês precisam estar preparados, porque o Filho do homem virá numa hora em que vocês menos esperam. "Quem é, pois, o servo fiel e sensato, a quem seu senhor encarrega dos de sua casa para lhes dar alimento no tempo devido? Feliz o servo a quem seu senhor encontrar fazendo assim quando voltar. Garanto-lhes que ele o encarregará de todos os seus bens. Mas suponham que esse servo seja mau e diga a si mesmo: ‘Meu senhor se demora’, e então comece a bater em seus conservos e a comer e a beber com os beberrões. O senhor daquele servo virá num dia em que ele não o espera e numa hora que não sabe. Ele o punirá severamente e lhe dará lugar com os hipócritas, onde haverá choro e ranger de dentes”. (Mateus 24:42-51)

Vou resumir o que ele disse: Mais importante do que perceber os sinais, é que cada um esteja preparado, vivendo em santidade, caminhando com Cristo, servindo a Deus. É assim que devemos ser encontrados quando Ele retornar para buscar sua noiva imaculada.

Portanto, mesmo que a lua seja de sangue, que o sinal seja da besta ou dos bestas, andemos cada um de nós como Cristo andou, dessa forma podemos gritar sem medo: Maranata! Ora vem Senhor Jesus!


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