9 Neopentecostalismo: Uma fábrica de bebês chorões


Por Carlos Novaes

As igrejas hoje estão mais repletas de carentes do que de crentes.

Estou querendo dizer que, nesses dias de renascimento do cristianismo medieval e de recrudescimento das superstições evangélicas, há aqueles que se aproximam de Deus muito mais como crianças em busca de satisfação para seus caprichosos desejos infantis do que como pessoas de fé interessadas em amadurecer espiritualmente para melhor conhecer a vontade do Senhor e aplicá-la de maneira eficaz no viver diário.

Revelando uma colossal imaturidade, a multidão de carentes só se importa em testemunhar prodígios maravilhosos e milagres fantásticos, em conquistar prosperidade financeira ao estilo do capitalismo mais ganancioso e materialista, em obter curas imediatas tão somente para os males físicos enquanto os males do caráter permanecem intocáveis, em entorpecer-se com cânticos repetitivos de forte apelo emocional que mais se assemelham a mantras hipnóticos, em presenciar espetáculos deprimentes de supostos possessos sendo humilhados diante da congregação e da audiência televisiva, em ouvir animadores de auditório travestidos de pregadores com declarações fervorosas, e coisas do tipo.

Essa gente sobrecarregada de carências, frustrações, complexos e neuroses torna-se ainda mais neurótica, complexada, frustrada e carente quando cai nas garras de manipuladores eloquentes que bem sabem como explorar seus sentimentos e emoções, impondo rédeas sufocantes e conduzindo o rebanho manhoso aos pastos ressecados e às tranquilas margens do pântano.

São, na verdade, bebês chorões. São crianças birrentas com excesso de vontades e melindres. Nada que o amadurecimento da fé não resolva. Mas preferem continuar na infância espiritual, com chupetas e mamadeiras, fraldas e babadores, chocalhos e ursinhos de pelúcia. Em vez de autênticos pastores, querem babás. Em vez de comida sólida, querem leite e papinha. Em vez de aprender a andar, querem continuar engatinhando.

Isso é uma combinação explosiva: de um lado, liderados cheios de carência; de outro, líderes vazios de caráter.

Só podia dar no que se vê por aí: uma perfeita acomodação sado-masoquista entre igrejas que exploram e crentes explorados, ou entre pastores que manipulam e ovelhas manipuladas.
Num estudo sobre o neopentecostalismo, o sociólogo da religião Antônio Gouvêa Mendonça estabelece cinco marcas principais dessas comunidades de crescimento fenomenal entre evangélicos. Transcrevo-as:

1. Características empresariais de prestação de serviços ou de oferta de bens de religião mediante recompensa pecuniária, com modernos sistemas de administração e ‘marketing’ ;

2. Distanciamento da Bíblia, usada esporadicamente sem nenhum rigor hermenêutico ou exegético;

3. Inexistência de comunidade (seus frequentadores são clientes e a relação entre a empresa e o cliente é na base do do ut des);

4. Como não há comunidade de adoração e louvor, o culto tem características de ajuntamento de interessados na obtenção imediata dos favores sagrados;

5. Intenso ambiente de magia.

A rigor, não são igrejas identificadas com os ideais do reino de Deus. São creches que refletem o ideal de Peter Pan, onde ninguém cresce. Permanecem todos como meninos. Os meninos perdidos da Terra do Nunca.


***
Carlos Novaes é pastor da Igreja Batista de Barão da Taquara, em Jacarepaguá - Rio de Janeiro (RJ). Divulgação: Púlpito Cristão. (artigo enviado por e-mail). Título Original: Mais carentes do que crentes

12 Nem o inferno conseguiu reunir tanta gente "boa" assim


Por Jonas Elias de Oliveira


Tudo havia sido preparado: O salão oval, os microfones individuais, telões para vídeo-conferência, luxo e ostentação. Abertas as portas, parecia um grande estouro de boiada! Correria desenfreada, empurra-empurra, todos ávidos pelos primeiros e mais destacados lugares.

O presbítero Contexto Bíblico, fora de seu "habitat" costumeiro, isolado num canto, pode constatar a presença de alguns dos mais ilustres representantes do neo-carismatismo, neo-ortodoxismo e outros neo-desavergonhismos atuantes: O bispo Valdir Azedo, bispo Rodomiro, bispo Ausente Fernandes e sua mulher, Insônia Femandes, o missionário R.R. Tavares, o missionário Levi Miranda, o sempre carismático Diótrefes Primazia, Iscariotes Honesto, Caim da Paz, Geazi Humilde, Ananias Safirando, e o secularissimo irmão Demas: "Tutti buena gente". Uns quarenta, ao todo.

"TRANQUEM AS PORTAS", berrou a mil decibéis, o bispo Rodomiro, concitando os presentes para o início da reunião dos REVOLTADOS. "Um instante", bradou o Missionário Levi Miranda: "Quem te colocou por cabeça sobre nós? Quem te nomeou presidente desse conciliábulo?" Ouviu-se um estrepitoso som da claque: "Apoiado! Apoiado!". Enérgico, replicou o Bispo Rodomiro com toda a sua mansidão e longanimidade: "CALE A BOCA!". "Entendo, com toda humildade, ser o único competente para presidir esta Confraria". ""Como, se somos da mesma patente?" Exclamou o bispo Valdir Azedo. Rodomiro não ficou atrás: "Siguinte: o salão é meu, as cadeira é minha, os som 'são' meu, afinal de contas, TÔ PAGANO". O bispo Valdir Azedo arrazoou consigo mesmo: "Estou careca de saber que democracia não funciona". "Declaro aberta a sessão deste sacrossanto Conciliábulo".

A guisa de prolegômenos e saneador, continuou o Bispo Rodomiro em suas digressões, quando novamente fora interrompido pelo presbítero Contexto Bíblico: "Não deveríamos orar primeiro?" "NÃO, pura perda de tempo, Time is money", exclamou o humilde bispo, proprietário de uma modesta casinha de 8 milhões de dólares em Beverly Hills. Diante de tão apropriado aparte, todos concordaram em considerar como meros adiáforos quaisquer oração ou exortação.

"Muito bem", continuou o bispo Rodomiro. "Por que estamos tão revoltados com nossas denominações? Deixem-me ler como meditação uma palavra bíblica: Quem não vem pelo amor, vem pela dor! (Zedequias 1:71), ou coisa parecida".

Foi caos! - Todos falavam e berravam a um só tempo. Loucura! Babel! Ninguém entendia ninguém! "Silêncio! Silêncio!"

A custo, conseguiu retomar a palavra o bispo Rodomiro: "Como nem todos podem exprimir o motivo de suas revoltas, nomeio dois irmãos para representar os demais. Foi por motivo DOUTRINÁRIO?" Indagou Rodomiro. "Não bispo, foi pura divisão de NUMERÁRIO", disse o missionário Levi Miranda, secundado pelo missionário R.R. Tavares. "Outra opinião?" "Fo Foi de dd dd", tentou esclarecer o irmão recentemente curado de gagueira no Maior Templo do Mundo. Ao final, entendeu-se claramente a questão do cisma: "dd é divisão de dividendo", concluiu o ex-gago com ares de vitória! E todos gritaram "amém, amém!". E o missionário Levi Miranda tentou remediar: "Alguns, mesmo curado, tem dificuldade de falar, não se podemos critiquiza-los-eles".

Foram vários os incidentes quando do saneador. Um dos mais graves foi a disputa de lugares e posição de destaque entre os membros da confraria. "Pequenos" emergentes querendo ser grandes, enquanto que "grandes" estáveis colocavam obstáculos à sua participação, tratando-os de "Nanicos inoportunos". Rodomiro, o bispo, agiu com prontidão: "Aqui não haverá qualquer discriminação. Não tem pretos nem brancos, ricos ou pobres, ninguém é melhor que ninguém. A partir de agora todos somos verdes. AMÉM? Vamos retomar a reunião". Os "verdes claros" (os que detêm mais tempo na mídia) "sentam na frente, os verdes escuros lá atrás".


***
Fonte: Jornal O Fundamentalista, divulgação: Púlpito Cristão

Nota: A imagem é meramente ilustrativa [ou não]

5 Jesus e os milagrentos modernos


Diogo Henrique de Sá

Como as coisas mudaram, desde que Jesus andou entre nós a 2 milênios atrás, antes o curandeirismo [1] era coisa de mágico e eram praticados em nome dos deuses, hoje qualquer charlatão faz “milagres” em nome de Jesus, e muitos de nós, cristãos [2], batemos palmas em êxtase.

Não foi só isso que mudou, Jesus operou e opera milagres legítimos [3], porém quero me deter somente no período que nosso Senhor esteve aqui, como homem, empoeirando seus pés. Durante seu ministério terreno Jesus fez grandes sinais, no entanto evitou ao máximo uma publicidade desnecessária com relação aos milagres por Ele ministrados. Jesus não queria que sua imagem ficasse associada à de um milagreiro qualquer, na verdade se observarmos direito o Novo Testamento, veremos que Jesus só fazia o que fazia, porque se movia intimamente de compaixão para com as pessoas a sua volta, ou seja, os milagres realizados por Jesus eram reflexos do seu amor por nós. Jesus nunca cobrou nada por esses milagres, nem mesmo queria mais atenção ou fama pela realização dos mesmos. A intenção de Jesus era sempre disseminar a Mensagem do Reino, pois “com seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos, e levará as iniqüidades deles” (Is 53.11)

Hoje, quanta mudança! Os milagreiros da última hora fazem de tudo por cinco minutos de fama. Com a maior “cara lavada” colocam suas fotos em banners, em folhetos, em cartazes, dentro dos templos enfim em toda parte. O incrível é que fazem tudo oposto do que Cristo fazia. Jesus operava milagres mas não queria ficar famoso, antes sua intenção era espalhar as boas notícias de salvação e no processo glorificar a Deus, hoje, veja o disparate, estes curandeiros querem ser conhecidos pelos seus supostos milagres, não pregam o Evangelho verdadeiro e glorificam a si mesmos.

Percebeu a mudança? Brusca né? Mas por que isso ocorre com tanta freqüência nos dias de hoje?

Bom, antes de respondermos a essa questão precisamos lembrar que essa prática não é nova não, é que hoje é feita em grande escala e em nome de Jesus, mas já temos relatos disso ocorrendo no Novo Testamento. Lucas afirma em Atos 8.9-24 que um certo mágico chamado Simão, quando viu a virtude do Espírito Santo na vida dos apóstolos, quis comprá-la a todo custo.

Mas... Voltando a questão... O problema, na verdade, é que o desejo pela popularidade é, por mais estranho que pareça (pois não consigo rastrear o porquê disso), inerente ao próprio homem. Existe uma gana no inconsciente humano que o faz desejar ser melhor que os outros, e a fama cria a ilusão de que isso é possível. Desde os tempos mais remotos o ser humano almeja o prestígio. Moisés nos conta no livro do Gênesis que um certo homem chamado Ninrode [4], quando edificou a torre que depois se chamou Babel, disse: “Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome...”. Perceba que o desejo era “fazer um nome”, ou seja “seremos famosos”. A questão desse desejo pela notoriedade é tão complexa que Nietszche vai falar um pouco dela quando trata da questão do “super homem”.

Agora, voltando ao Gênesis, lembre que o primeiro pecado praticado pelo homem foi desobedecer pelo simples prazer de desobedecer, pois se lermos atentamente o capítulo 3 deste livro vemos que o diálogo entre Eva e a serpente nos revela algumas pistas sobre isso:

  • A conversa parece se passar em frente à árvore do fruto proibido;
  • Eva já sabia também onde ficava a árvore, ela diz que: “Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais” (Gen.3.3). Sei que não parece haver nada demais nesta afirmação, mas se observarmos bem, Deus não havia dito que a árvore estava no meio do jardim [5],
  • O Fruto também, segundo Eva, era de agradável visão – era bonito – por isso a Igreja Católica chegou a adotar como dogma que o fruto era a maça. Eva queria comer o fruto até pelo fato de ser proibido (é aquela história que a fruta da árvore do vizinho sempre é mais gostosa).
  • Mas nada falou mais alto do que o desejo de ser deus, a cartada final da serpente foi: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.” (Gen. 3.5). O pecado aí foi o mesmo que Satanás cometeu: Querer ser Deus.
Pronto, chegamos ao “X” da questão, esta inversão de valores está ocorrendo porque estamos deixando extravasar um desejo incontrolável de usurparmos a glória que é de Deus; um desejo incontrolável de tentar tomar o seu lugar, sobretudo, nos corações dos outros homens; um desejo, disfarçado, mas incontrolável de dizer: “Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” (Is.14.14).

Por isso, ao invés de procurarem, como aconselha a Palavra de Deus, glorificarem a Jesus em seus membros, e procurarem o anonimato já que tudo vem dele, estes procuraram usar o nome de Jesus somente para dar estrutura para sua fama, usando-se do nome Cristo, sem ter nenhum compromisso com Ele, para se auto promover. Enquanto o Capitão da nossa Fé nunca procurou os holofotes, nós pedimos para, se possível, acender mais.

Os milagres eram realizados por Jesus por compaixão, hoje são operados por dinheiro e Status. Quanta mudança. Quanta mudança. Mas qual exemplo é o verdadeiro? O de Jesus ou o dos Milagreiros modernos? Acho que não precisa responder.

Sabe, pra ser sincero, essa atitude prepotente de se auto glorificar, de colocar sua foto em vários lugares me enoja, isso porque eu reconheço a imensa e maravilhosa Graça de Cristo sobre a minha vida, eu, um miserável pecador, fui alcançado pelo seu imensurável Favor. Como posso passar um dia sem que eu seja agradecido e exalte o nome Dele? Ele precisa ser exaltado por tudo o que Ele é para mim. Faço isso por gratidão, sem que consiga realmente adorá-lo em toda a sua magnitude, mas prossigo a adorá-lo como posso. Reconheço que Deus não precisa de nada que eu tenho, ele disse: “meu são todos os carneiros nestas montanhas...”[6] , “se eu tivesse fome te pediria algo de comer, e se tivesse sede te pedira algo para beber”[7] e ainda: “Nem todo o Líbano basta para o fogo, nem os seus animais bastam para holocaustos.”(Is. 40.16). Apesar disso, apesar de saber que não tenho como acrescentar glória aquele que é Todo Glorioso, prossigo a exaltá-lo, mesmo sendo vil, como sou, prossigo deixando ele crescer e lutando para que eu diminua sempre.

Reconheço que o Orgulho é terrível, ele nos corroe, se aproxima de nós sem que percebamos, e parecendo ser algo tão inofensivo, rapidamente nos domina. Já caí neste engodo e reconheço sou orgulhoso, então, como um alcoólatra que nunca está curado mas consegue se controlar, eu me achego até a Cruz por que lá eu vejo estampado em Jesus todas as minhas vergonhas, aos pés da Cruz vejo os meus pecados e como fui um inútil para pagar até mesmo a minha dívida, e como sou salvo pelos méritos de outro, e não pelos meus, e então através da leitura da Palavra de Deus (sobretudo do Novo Testamento, que hoje em dia anda tanto desprezado) sou grato e todo o meu orgulho se vai, pois a Nova Aliança me propõe Abandonar tudo o que eu acredito ser (o Bom, o Imprescindível), para reconhecer que Jesus e deve ser Exaltado pois Ele é o Tudo em Todos.

Estes homens e mulheres “famosos” que estão dentro das instituições eclesiásticas, mas querem Fama e reconhecimento, devem voltar-se para algo que eles tem desprezado, que é a Santa Palavra de Deus, o quanto antes, pois se não o que lhes aguarda é uma eternidade afastada irremediavelmente do Salvador.

A Jesus Cristo Seja a Glória. Para Sempre


***
Eviado por Diogo H. de Sá, via e-mail. Divulgação: Púlpito Cristão


Nota:

1. É lógico que esse curandeirismo nada tem a ver com os verdadeiros milagres operados por Deus através dos Profetas e Apóstolos, nem dos operados por Jesus Cristo.

2. Na verdade estes usurpam pra si um título que não lhes cabe.

3. Na verdade, com relação a milagres, precisamos entender que, aquilo que consideramos ser um prodígio extraordinário, pra Deus não é nada demais.

4. Genesis 10.8-10.

5. Genesis 2.17. “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”

6. Parafraseando o Salmo 50.10-13.

7. Ibidem.

35 Violência: Padre é atacado por seis pastores que o deixam quase morto!




***
Postou Leonardo Gonçalves, no Púlpito Cristão

34 Marcos Pereira: o pastor dos Bandidos, é o título da matéria na IstoÉ


Por Wilson Aquino

O púlpito da igreja Assembleia de Deus dos Últimos Dias (Adud) era o centro das atenções. Diante de 800 pessoas humildes, o líder e fundador da congregação, o pastor Marcos Pereira, esconjurava o demônio, como faz todo sacerdote evangélico, em uma quarta-feira de janeiro. Em determinado momento, o religioso deu uma pausa e conclamou, ao microfone: “Peço aos criminosos convertidos que estão aqui para vir ao palco fazer uma foto para a revista ISTOÉ”. De repente, como em uma romaria, homens começaram a se levantar de todos os lados da igreja e a andar em direção ao pastor. Na tropa de mais de 50, alguns chamavam a atenção por serem ainda adolescentes. Todos são ex-assassinos, traficantes, drogados ou ladrões transformados, hoje, em pessoas com aparência inofensiva e sempre dispostas a falar de Cristo.

O ex-pagodeiro Waguinho na fazenda onde os bandidos são recuperados

A Igreja está localizada na Baixada Fluminense, território do Rio de Janeiro marcado pela violência. O pastor encerrou a pregação puxando uma música gospel cuja letra se conecta diretamente com aqueles homens: “Eu, que era ovelha perdida, hoje tenho nova vida, caminhando com Jesus.” Pelas contas de Marcos Pereira, 53 anos, ele e seus missionários – entre os quais o ex- pagodeiro Wagner Dias Bastos, o Waguinho, exvocalista do grupo “Os Morenos” e hoje braço direito do pastor – já recuperaram mais de cinco mil bandidos e viciados nos últimos 20 anos. Alguns eram famosos e temidos chefões do tráfico, como José Amarildo da Costa, o Maílson do Dendê, que, junto com o irmão Milton Romildo Souza da Costa, o Miltinho do Dendê, chefiou o crime organizado na Ilha do Governador, nos anos 90. “O Rio de Janeiro não está pior graças a mim”, exagera o pastor, no seu estilo sensacional e sensacionalista. Mas é fato que é o único a entrar com seus obreiros em lugares tão perigosos que a própria polícia só incursiona após um planejamento prévio. Em contato com os bandidos, Pereira consegue, muitas vezes, convencê-los a trocar o fuzil pela “Bíblia”.

Mas seus métodos são polêmicos. O pastor filma a conversão de criminosos em bocas de fumo e também o resgate dos sentenciados à morte pelo tráfico, normalmente após bárbaras torturas e à beira da execução. Em seguida, vende os DVDs com essas imagens. Diz que, assim, sustenta a Igreja. “Ninguém me ajuda”, reclama Pereira, que estima em R$ 200 mil mensais as despesas com o tratamento dos regenerados. Segundo ele, o mais importante é ter salvado em torno de 700 condenados à morte pelos traficantes. Seu estilo midiático de trabalhar acaba despertando mais suspeitas do que admiração. Alguns dizem que ele ajuda a lavar dinheiro do tráfico, outros o acusam de fazer marketing de sua missão. Ele nega. Há anos, é alvo de investigação das polícias Estadual e Federal, mas nada foi provado. “É tudo safadeza. A polícia me persegue”, reage. Em meio a tantas suspeitas, ele responde a apenas duas ações por crimes ambientais por destruir parte da vegetação da reserva biológica de Tinguá, Nova Iguaçu, onde fica a fazenda Vida Renovada, usada para recuperar os bandidos arrependidos.

A doutrina de sua Igreja é arcaica. Talvez por isso, o cantor Marcelo Pires Vieira, o Belo, tenha desistido de se converter, apesar de ter sido presença certa em todos os cultos comandados por Pereira quando ele visitava a cadeia onde o artista cumpria pena por associação com o tráfico de drogas, em 2008. De fato, as regras são extremamente rigorosas. O pastor proíbe a leitura de jornais e revistas, assim como recomenda aos fiéis que não assistam à tevê, não usem as cores vermelha e preta, não tenham plantas e nem criem animais, nem sequer mantenham bichos de pelúcia em casa.

Segundo ele, o demônio se esconde em todas essas coisas. Tomar Coca-Cola também é proibido, pelo fato de a fórmula do refrigerante não ser conhecida. As mulheres só podem usar roupas que não marquem o corpo e, os homens, calças e camisas de manga comprida. Banhos de mar ou piscina e a prática de esportes só podem ocorrer com as pessoas vestidas. Talvez por isso tenha dificuldade de engordar o rebanho. Adud tem apenas 1,5 mil fiéis em cinco cidades. Pereira ganhou notoriedade em 2004 quando, a pedido do então governador Anthony Garotinho, negociou a rendição de detentos amotinados na Casa de Custódia de Benfica, que ameaçavam matar os reféns. “Essa intimidade com traficantes levanta dúvidas, em quem não o conhece, sobre o comprometimento dele com os bandidos”, analisa o cientista social Luiz Eduardo Soares, ex-secretário nacional de Segurança. Apesar de não concordar com a metodologia do pastor, Soares reconhece a importância e seriedade do trabalho. O pastor Marcos é uma das poucas pessoas que transitam em todas as favelas cariocas, independentemente da facção criminosa que a controla. O que é um fenômeno e tanto, pois a realidade do Rio ensina que quem frequenta área dominada por uma quadrilha não pode ingressar na favela da facção rival, nem para visitar parentes, sem correr o risco de morte. “Pensava que ele ia à favela ver as coisas e depois caguetar para os inimigos”, conta Alexandre Vieira Pacheco, 33 anos, que não gostava do pastor quando era segurança das bocas de fumo da Favela de Acari.

Pacheco foi convertido há cinco anos. Para militantes da ONG Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, Pereira poderia, graças a seu trânsito livre em favelas, ter ações mais humanitárias, como denunciar as condições subumanas em que vivem os presos ou as arbitrariedades praticadas pela polícia. “Para nós, que temos como foco principal a questão dos direitos humanos, o trabalho do pastor Marcos Pereira não soma nada”, afirma o engenheiro Maurício Campos, 47 anos, militante da Rede. “A melhor forma de recuperar um preso é se esforçar para que a Lei de Execuções Penais seja cumprida”, diz. Representantes da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa também reclamam dos métodos do pastor, explicando que quando Pereira prega que não foi o homem que roubou, traficou ou matou, mas põe a culpa no Exu ou no Zé Pilintra (entidades espirituais), os bandidos convertidos tornam- se uma ameaça. “Todo traficante evangélico quer fechar os terreiros na comunidade que domina”, revela uma vítima de preconceito religioso num morro do Rio, que pede para não ser identificada por medo de represália. Entretanto, o padre Elias Wolff, assessor da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), vê com bons olhos o trabalho do pastor “desde que por trás dessas ações não haja interesses que não sejam a defesa e a promoção da vida.”


***
Fonte: IstoÉ

10 A Intimidade e o Sinal Amarelo (2)



Por Avelar Jr

Há no meio evangélico um movimento de pretensa “intimidade” que por vezes me deixa de cabelo em pé por sua irreverência, imaturidade e insensibilidade na adoração e comunhão. Comportamentos excêntricos, distorções de expressões e ensinos bíblicos que levam a práticas libertinas, músicas com conotações sexuais tratando Deus como esposo nosso e nós como sua noiva...

Mas o que há de mal nisso? Simples, por exemplo: Deus nos trata (indivíduos) como filhos, amigos e servos, jamais como cônjuge. Jesus não nos trata como suas “esposas”, “noivas”, “amantes”, e isso é de longe suficiente para entendermos a forma como Deus nos ama, pois Jesus é a perfeita expressão do Pai, e nele não encontramos ecos dessa erotização da adoração que vem sendo popularizada por certos cantores e compositores gospel.

Então, eu vejo essa “conjugização” de Deus por parte de indivíduos como ultrapassar o sinal amarelo, exibicionismo de “espiritualidade” e falta de reverência (para não falar que o objetivo de algumas dessas músicas é, simplesmente, que sejam tocadas em rádios seculares, porque por vezes você não distingue se o cantor fala de Deus ou de sua namorada). Pois Deus, na Bíblia, trata, figurativamente, como cônjuge:

a) o povo de Israel (uma coletividade);
b) Jerusalém e a Nova Jerusalém (uma cidade, uma coletividade);
c) e a igreja (uma comunidade).

Também merecem menção aqueles “íntimos” que dão ordens a Deus como se ele fosse seu cachorro: “Eu determino que você...”, “Eu decreto que...” ...E Deus é que tem que obedecer aos caprichos deles! Isso não é de modo algum intimidade, isso é irracionalidade e pecado.

E tem aqueles... que agem como se tivessem uma procuração em branco de Deus para entregar profetadas de sua própria vontade, conceder e pregar unções que não existem e negociar pedaços do céu; os que imitam animais como se Deus nos quisesse para bestas e não para seres humanos feitos à sua perfeita imagem; os birrentos e dengosos que veem Deus como o pai babaca que adora ver filhos chorões e imaturos fazendo birra nos corredores dos supermercados ao pedir algo...

Assim, o ideal é que a nossa forma de nos relacionarmos com o Senhor dos Exércitos e o Rei em nossa vida, no nosso culto diário e congregacional, tenham a reverência devida, a sabedoria e a inteligência de sabermos com quem estamos lidando e o que ele espera de nós; mas sem a perda do carinho e do amor pelo nosso Salvador, Amigo e Pai, em quem devemos nos espelhar.

Respeito para quem merece respeito não diminui nossa intimidade, é uma obrigação. E o amor a Deus e ao nosso próximo é sempre devido. Intimidades, porém, são coisas particulares, privadas, e é até bom que permaneçam assim.


***
Postou Avelar Jr., no Não, Obrigado! e no Púlpito Cristão

5 Menino pastor no xadrez!

[Clique para ampliar]

***
Enviado por Izidro, cartunista e blogueiro, editor do Karapuça

0 PEPE: Educando para a vida e para a eternidade [missões no Peru]


Nos dias 26, 27 e 28 de janeiro estivemos fazendo as matrículas dos novos alunos do PEPE – Programa de Educação Pré-Escolar, um programa educacional cristão mantido pela Iglesia Bautista Misionera e por colaboradores (mediante apadrinhamento), que visa levar educação secular e cristã, e inclusão social às crianças carentes, e plantar a semente do evangelho em seus corações.

Nosso PEPE se chama “La buena tierra”, e fica no bairro La Península, em Piura, no Peru. Nele recebemos cerca de 30 crianças entre 04 e 06 anos, que estudam Comunicação, Matemática, Ciências, Educação Religiosa e Inglês. Graças ao sistema de apadrinhamento, conseguimos dar a estas crianças um café da manhã e almoço nutritivo, o que muito lhes ajuda no desenvolvimento.

[Dia de matrícula no PEPE "La buena tierra", La Península - Piura]

Por ser um programa cristão, também tratamos de ensinar valores morais e levá-las a um compromisso devocional com Deus, sempre confiando na Escritura que diz: “Ensina ao menino o caminho que deve seguir, e assim, mesmo quando for velho não se afastará dele” (Provérbios 22.6). Os pais também são alcançados pelo programa, sendo auxiliados e evangelizados por nossas missionárias educadoras, professoras voluntárias que trabalham no PEPE.

Nossa estrutura é bastante rústica: Um barracão feito de compensado coberto com um telhado de zinco. As demais casas do bairro são feitas com estrutura semelhante. É nosso desejo construir em breve neste local duas salas de aulas, uma pequena cozinha e banheiros.

Nossa missão é levar a palavra de Deus ao coração das crianças e dos seus pais. Educar para a vida e para a eternidade. Este é o nosso lema!

[Preparativos para o ano letivo 2010. Na foto está o Farid, nosso futuro Pepito]

Para adotar uma criança do programa, pedimos uma colaboração de 50 reais mensais que será convertida em material escolar e alimentação. Nossas professoras são missionárias voluntárias do programa, e também podem ser adotadas.

Se você ou sua igreja deseja apadrinhar uma ou mais crianças, entre em contato conosco pelo e-mail jonarajo@gmail.com, e te daremos todas as informações necessárias.

Se não puder apadrinhar uma criança durante todo o ano, mas mesmo assim quiser enviar uma oferta esporádica, comunique-se conosco pelo e-mail jonarajo@gmail.com, e te daremos todas as informações sobre o programa e de como ajudar.

Que Deus te abençoe!

Para visualizar a lista de apadrinhamento, clique na imagem:


***
Postam Leonardo e Jonara Gonçalves, missionários em Piura – Peru, e coordenadores do PEPE “La Buena tierra”.

 

© Copyright - Púlpito Cristão | Design por Paulo Estevão - Códigos Blog | Modificado por Vinny Oliveira