18 de dez de 2014

Nenhum comentário

"Consciência Cristã" se consolida no meio evangélico brasileiro

Desde 1999, a cidade de Campina Grande, no interior da Paraíba, realiza um dos maiores eventos cristãos evangélicos na América Latina, o Encontro para a Consciência Cristã. Em 2015, será realizada a 17ª edição do evento, entre os dias 12 e 17 de fevereiro, no Parque do Povo, maior praça de eventos da cidade.

Organizado pela Visão Nacional para a Consciência Cristã (VINACC), o encontro aborda, de forma gratuita, temas importantes para edificação da Igreja de Cristo  - tudo isso com uma Visão Cristôcentrica, fundamenta nas Escrituras Sagradas.

O evento acontece há 16 anos no interior da Paraíba e, na sua primeira edição, teve a duração de quatro dias e contava com apenas dois preletores: Joaquim de Andrade (CREIA/SP) e Jorge Noda (ILEST/PB). O primeiro Encontro para a Consciência Cristã aconteceu no antigo Museu Vivo da Ciência e Tecnologia. Hoje, o evento ocorre no Parque do Povo, maior praça de eventos da cidade e que também abriga o chamado “Maior São João do Mundo” durante o mês de junho.

Nos seus primeiros anos, o Encontro para a Consciência Cristã não contava com uma representação legal para a sua realização. Somente em 2001 foi criada a VINACC – Visão Nacional para a Consciência Cristã, entidade que, desde então, tem sido a responsável pela realização do Encontro.

Ao longo desses 16 anos de história, completados em Fevereiro de 2014, a Consciência Cristã tem sido um modelo para a Igreja evangélica brasileira. Isso porque muitas pessoas são alcançadas pela Palavra de Deus e, através das inúmeras palestras e seminários oferecidos gratuitamente no evento, têm acesso a uma gama de conhecimentos importantes para o crescimento e fortalecimento espiritual do Corpo de Cristo.

Em 2014, na 16ª edição, o evento teve a importante presença de Paul Washer, um dos maiores pregadores cristãos da atualidade. Além de Washer, outros grandes nomes do estudo da fé cristã já participaram da Consciência Cristã. Nomes como Russell Shedd, Norman Geisler, Augustus Nicodemus, Hernandes Dias Lopes, Ronaldo Lidório, Heber Campos Jr., Jonas Madureira, Solano Portela, Franklin Ferreira, Mauro Meister, Adauto Lourenço, Paulo Cezar (líder do Grupo Logos), Aurivan Marinho,  entre outros.

A cada ano o evento tenta melhorar cada vez mais, seja na sua estrutura ou na escolha dos preletores. Para o próximo evento, 29 preletores estarão presentes na 17ª Consciência Cristã, dentre os quais alguns que nunca estiveram no encontro, como: Josh McDowell, Justin Peters, Paulo Junior, Elias Medeiros, Messias Anacleto, Simone Quaresma, Orebe Quaresma, Fabio Vedoato, Daniel Nunes e Calvino Rocha. Serão preletores nacionais e internacionais, com uma grande bagagem de conteúdo, que farão preleções em plenárias noturnas e matutinas e em dezenas de eventos paralelos. A parte da musical ficará a cargo do Grupo Logos, capitaneado pelo pastor Paulo Cezar, e do grupo pernambucano Embaixadores de Sião.

No quesito estrutura, a 17ª Consciência Cristã terá a 3ª Feira do Livro da Consciência Cristã, a FELICC, que mais uma vez contará com algumas das maiores editoras evangélicas do país; e o Restaurante Maná, que será montado, pelo segundo ano seguido, na parte inferior do Parque do Povo.

A participação na 17ª Consciência Cristã é gratuita, mas depende de inscrição prévia, que pode ser realizada no site oficial do evento (www.conscienciacrista.org.br).

Fonte: ASCOM VINACC

Leia mais

17 de dez de 2014

Nenhum comentário

Fragmentos de uma velha “igreja” que ama o legalismo, as heresias, e ainda é Gospel

Por Antognoni Misael

Primeiro eles pregavam sempre desmascarando a idolatria da Igreja Católica, #só que depois perceberam que havia também muitos ídolos no meio deles.

Depois, uma onda legalista tentou moldar a aparência da igreja, #só que Cristo não agia conforme a estética do homem - o mestre sempre ia no coração e nas intenções, então ir julgar pela aparência deu no que deu...

Mesmo assim eles disseram como era a forma correta de se vestir, #só que então perceberam que tudo acabava em vaidade.

Daí privaram as ‘irmãzinhas’ da maquiagem, corte de cabelo, brinco e calça comprida, #só que a vaidade proibida no vestir sempre era transferida para vícios como novelas, consumismo, senso de superioridade ou até mesmo, inveja.

O legalismo chegou a dizer que jogar futebol era pecado, #só que em época de Copa do Mundo, até o pastorzin proibicionista cantava “voa canarinho voa...”.

Depois eles proibiam alguém de ir a determinado local para não se contaminar com o mundo, #só que então perceberam que o mundo já estava dentro da igreja.

Depois eles baniram da pauta relacionamento e sexualidade a fim de que jovens fossem puros por mero desconhecimento, #só que então viram que a pornografia e o sexo há tempos se instalaram no meio deles.

Depois eles acusaram o rock como um estilo diabólico, #só que posteriormente, para nossa tristeza admitiram o bolero, o brega e por fim, até o pagode.

Depois eles disseram que cinema era do capeta, #só que a grande maioria hoje são cinéfilos e ainda possuem um telão flúor HD, uma Sky recheada de canais HBO, pipoca e muito guaraná.

Depois eles disseram que o vinho da Bíblia não tinha teor alcoólico (era um suco) a fim de proibir o uso pelos fiéis, #só que tempos depois se convenceram que era ‘vinho mesmo’ e voltaram atrás quando leram um trecho na Bíblia que dizia “não vos embriagueis com vinho”.

Depois, para tentar expulsar o “mundanismo” já instalado na igreja, eles sacralizaram o lugar do culto (a igreja) ao afirmarem que Deus só operava naquelas quatro paredes, #só que depois se viram em crise quando leram que Deus não habita mais em templos feito por mãos, mas em gente.

Passada a polêmica do rock no culto, surgiu a ideia de hierarquizar os fiéis, daí para reconquistar, inventaram que os músicos eram levitas, #só que esqueceram que o porteiro também deveria ser, o zelador, etc. e tal...no final, até hoje eles levitam nessa ideia.

Depois de dado privilégios aos “levitas”, continuaram hierarquizando... surgiram os “ungidos”, sobretudo apóstolos, #só que eles não se deram conta de que ainda há gente que lê as escrituras, desmascara e expõe ao ridículo os pseudo-apóstolos -> isto até parece ser um ato de maldade, mas pelo contrário, faz bem e é bíblico!!

Então, se sentindo ameaçados, eles tiraram Cristo do centro do culto, desmotivaram a igreja a ler as Escrituras afirmando que a letra mata e a teologia enterra, #só que esqueceram de que Deus fala través das Escrituras e não das curas, milagres ou depoimentos pessoais.

Outros, já escrachadamente, esconderam a Bíblia, ocultaram Jesus, fizeram sua própria cartilha de fé e puseram uma foto enorme de si mesmos na frente da igreja vendendo curas e milagres, #só que esses vão pagar com a alma, vamos só aguardar o cumprir-se de Mateus 7.15-19.

O outro, bem mais esperto, e por pura persuasão passava (e ainda passa) os seis dias da semana usando a Bíblia nos seus discursos, ganhando espaço na mídia, defendendo a família, a moralidade, mas no sétimo dia trazia um impostor internacional pra liberar unção financeira e cobrar sua “indulgência”, #só que cuidado! esse é muito mala, a muitos enganará ainda...se possível até os escolhidos.

Então, já nos ditames do século XXI, eles transformaram a igreja tradicional em igreja gospel e o resultado foi um estrondo de adesões e “sucessos” nos cultos geridos por shows e manifestações de poder, #só que não perceberam que a “modernidade gospel” continuou expulsando Cristo e a suficiência das Escrituras em detrimento do homem e suas habilidades.

Então voltaram a tentar desembelezar a vida e a dizer que ouvir música do mundo era pecado, #só que onde se encontra a música de Marte, Vênus, Plutão? 

Por isso então eles reinterpretaram a vida entre Deus e o diabo, sagrado e profano, batalha espiritual, teísmo aberto, cobertura espiritual, maldição hereditária, lagoas, vales, sapos, vasos... #só que eles não conhecem a canção que diz “é que o sagrado se tornou hilário” (o resto deu preguiça de cantar...digita essa frase no youtube e escuta lá -> #FICADICA)

Daí, o mercado gospel fez com que a igreja ficasse feliz ao se ver lá na Globo, #só que eles não perceberam que a Globo não queria nem o Evangelho para si e nem tampouco para transmiti-lo ao mundo – aliás, eu ainda me pergunto: mas quando a Globo ouviu do Evangelho? Quem falou dele lá?

Então... a grande maioria continuou enganada (vida de gado, povo marcado, povo feliz...) e continua ainda dizendo que os “crentes” vão ganhar a nação para Cristo, #só que eles parecem idiotas ao ignorarem a lógica do reino, onde estreita é a porta que leva a salvação e onde poucos acertarão (sim, e Marina Silva perdeu  hein– registrado!).

Ainda no meio de tanta confusão, continuaram surgir mais “astros gospel” para fazer festa em meio ao caos e enriquecer em meio a miséria social, #só que livrar a “igreja” da depressão da irrelevância de só ‘inchar, inchar, inchar,’ tornou-se só mais um indício de que ela respira com ajuda de aparelhos – e quem desligará? (sugestões??)

Então meus amigos leitores....veja só, em meio a isso tudo, uma grande minoria ainda se levanta para denunciar todos equívocos, heresias, e irrelevâncias dessa “igreja” que por tantas fases estranhas passou (e ainda passa, por constantemente revisitar cada situação comentada), #só que ela infelizmente ainda ignora a preciosidade do Evangelho, uns por serem idólatras de fato, outros por serem iscas de ratos. Contudo, note, de lá se ouve as seguintes acusações em relação aos subversivos como eu e, quem sabe você:

- de serem divisores do reino

- de tocarem no ungido do Senhor

- de não entenderem que o movimento gospel é parte do avivamento da igreja

- de serem libertinos quanto à cultura

- de não entenderem o poder sobrenatural de Deus

- de serem céticos quanto a curas e milagres

- e, até de serem falsos profetas.

#só que eu não tô nem aí!

Vou continuar a denunciar e a conclamar a necessidade do retorno às Escrituras, a preciosidade do Cristo e a simplicidade do Evangelho. Se é pra rachar, que rache!! Pois o que rachar, não é Igreja, e não era Evangelho!!

***

Arte de Chocar.

Leia mais

15 de dez de 2014

Nenhum comentário

Série : Replantando hoje a igreja de amanhã - Parte 5

Observamos nos últimos capítulos dois movimentos com o mesmo objetivo, evitar o declínio e morte das igrejas. O Movimento de Crescimento de Igrejas buscou entender as pessoas por meio de pesquisas antropológicas e sociológicas, e pragmatizar as "ações evangelísticas" a fim de alcançar o maior número de indivíduos do lado de fora da igreja. Por sua vez, o Movimento de Crescimento Saudável da Igreja focou no ensino e edificação, não dos que estavam do lado de fora da igreja, mas de cristãos que precisavam amadurecer a fé. A questão é que esse objetivo, em sua totalidade, não foi alcançado como esperavam ambos os movimentos. 

Logo então surgiu um terceiro movimento, um grupo de pensadores que consideraram a igreja local como um organismo vivo que, inevitavelmente, passa por fases semelhantes as do ciclo de vida. As igrejas, por exemplo,  nascem, crescem e precisam reproduzir, se não se multiplicam não deixam descendentes. Para o movimento de Plantação de Igrejas o "problema" do declínio e morte da igreja poderia ser resolvido com a plantação de novas comunidades, pois ainda que algumas morram, novas igrejas plantadas equilibram os números.           

HISTÓRIA DO MOVIMENTO E SEUS PRINCÍPIOS

A plantação de igrejas pode ser definida como o estabelecimento de um novo grupo de crentes em um determinado local.[1] Malphurs, por sua vez, definiu a plantação de igrejas como: “um empreendimento cansativo, mas emocionante de fé que envolve o processo planejado de início e crescimento de novas igrejas locais, com base na promessa de Jesus e na obediência à sua Grande Comissão”.[2] Graig Ott diz que a plantação de igrejas é: “aquele ministério que através de evangelismo e discipulado estabelece comunidades do reino de crentes em Jesus Cristo que se reproduzem, e estão empenhados em cumprir propósitos bíblicos sob líderes espirituais locais”.[3]

O Movimento de Plantação de Igrejas, que chamarei aqui de MPI, iniciou-se, sem sombra de dúvida, já no primeiro século da era cristã. Paulo foi, entre os apóstolos, um dos maiores plantadores de igrejas durante o período da igreja primitiva. Suas viagens tinham como missão o estabelecimento de novos corpos locais de crentes, o treinamento da liderança (Atos 14:21-23) e posteriormente o acompanhamento dessas novas igrejas. Elas foram, inicialmente estabelecidas por Paulo, mas consequentemente estas igrejas foram responsáveis pela plantação de outras novas igrejas. Começaram a enviar plantadores de igreja por todo mundo dando continuidade a missão iniciada pelos apóstolos (1 Tessalonicenses 1:8) com um enorme senso de urgência. 

Quase dois mil anos após a plantação das primeiras igrejas, uma infinidade de igrejas foram plantadas em diversas partes do mundo. Na Inglaterra e Estados Unidos os grandes avivamentos auxiliaram a rápida multiplicação de igrejas, o que foi algo positivo, porém, reduziu naturalmente o senso de urgência de se plantar novas igrejas, já que elas estavam presentes em quase todo o território.

O foco e os esforços missionários passaram a ser os locais mais longínquos como a Ásia, América do Sul e África por meio das organizações missionárias. Ed Stetzer, por exemplo, em seu livro, Viral Churches, destacou um período, no qual os Estados Unidos experimentou uma espécie de Movimento de Plantação de Igrejas: 

O crescimento explosivo de novas igrejas, particularmente entre 1795 e 1810, é o único movimento de plantação de igreja verdadeira que ocorreu em solo, que é hoje os Estados Unidos. Durante estes quinze anos cerca de três mil igrejas foram iniciadas, de acordo com The Churching of America. [4]

Mesmo com um grande número de igrejas plantadas, verificou-se na década de 80 um declínio jamais esperado entre as igrejas nos Estados Unidos. Win Arn disse em seu livro, The Pastor’s Manual for Effective Ministry, que 85 por cento das igrejas estavam estagnadas ou declinando nos Estados Unidos.[5] 

Lyle Schaller destacou que: “um número estimado de 30.000 congregações deixaram de existir em algum momento durante os anos 80”.[6] De acordo com Jacquet entre 1965 e 1988 a Igreja Metodista tinha perdido dois milhões de membros, a Igreja Presbiteriana um milhão de membros, a Igreja Episcopal quase um milhão de membros.[7] 

O resultado deste declínio foi o surgimento de um novo movimento, que encontrou neste suposto problema uma grande razão para voltar a plantar igrejas confrontando o fato de que as igrejas estavam morrendo. A plantação de novas igrejas se tornou algo tão estudado que mesmo os líderes do MCI começaram a escrever sobre o assunto vendo na plantação um novo modelo de crescimento da igreja. Um bom exemplo disso foi Peter Wagner que chegou a dizer que a Plantação de Igrejas: “...é a metodologia evangelística mais eficaz debaixo do céu”.[8]
 
Peter Wagner ainda disse que:

Novas igrejas são um bom ponto chave para o evangelismo; novas igrejas crescem mais do que as antigas; novas igrejas oferecem opções aos que não têm igrejas; normalmente novas igrejas são necessárias; novas igrejas ajudam as denominações a sobreviverem e novas igrejas ajudam a suprir as necessidades dos cristãos.[9]

Mesmo a plantação de igreja não sendo algo novo, foi durante a crise do declínio e estagnação da igrejas, principalmente norte americanas que a plantação de igrejas tomou força e diversos livros foram publicados sobre o assunto. Entre estes livros podemos destacar as obras: Planting Growing Churches for the 21st Century, escrito em 1998 por Aubrey Malphurs; Church Planting Moviment, escrito por David Garrison em 2000; e Global Church Planting, escrito por Craig Ott e Wilson Gene em 2011. Estes autores apresentaram suas ideias tendo como fundamento a plantação de igrejas que de uma forma rápida se multiplicam.

Malphurs escreve e ensina a partir de sua extensa experiência em a plantação de igrejas não só nos limites das fronteiras dos Estados Unidos, mas por meio de parcerias com organizações missionárias em todo o mundo. Para ele a plantação de igrejas repousa no que ele chama de, a promessa de Jesus, em Mateus 16:18: “E eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

Com base neste texto, Malphurs invoca repetidamente, nos primeiros capítulos de seu livro, que a promessa de Cristo em construir (ou crescer) a igreja é uma promessa para ser colocada em prática por meio da plantação. Como resultado desta promessa Malphurs diz que: “Não só a Igreja na América sobreviverá, como estamos no começo de uma onda (Movimento de Plantação) que está prestes a varrer toda a América em algum momento da primeira metade do século XXI”.[10]

A esperança levantada por Malphus em 1998 se tornou algo visível já em 2000, período que Garrison, outro propagador do MPI, divulgou suas pesquisas sobre o novo movimento. Esta pesquisa foi realizada durante os anos em que supervisionou trabalhos missionários em diversas partes do mundo como Índia, China, outros países da Ásia, África, Mundo Muçulmano, América Latina, Europa e América do Norte. Nestes países conheceu as realidades atuais do que está acontecendo em diversas nações, um novo tipo de movimento, chamado por ele de Movimento de Plantação de Igrejas.

Toda a sua experiência teve como fruto o livro, Church Planting Movement, uma obra que em tese diz que não basta apenas pregar o evangelho, é preciso ganhar grupos de pessoas que formem uma comunidade que se estabeleça, ou seja, uma igreja. Garrison defini o movimento da seguinte forma: “O Movimento de Plantação de Igrejas é um multiplicação rápida de igrejas autóctones que plantam igrejas dentro de um determinado povo ou segmento da população.” [11] 

Em 2011, Graig Ott e Gene Wilson, publicaram o livro, Global Church Planting, onde avaliaram os últimos 40 anos do MPI. Nesta obra Ott e Gene destacaram algo importante a ser analisado se queremos encontrar neste movimento uma saída para a morte da igreja:

Uma das ênfases deste livro é a expansão das comunidades do Reino (de Deus)em todo o mundo. A verdade é que as igrejas dão à luz a outras igrejas. Os seres vivos que são saudáveis ​​reproduzem naturalmente, como parte de seu ciclo de vida. Igrejas muitas vezes não o fazem. Eles podem crescer até a maturidade, tornar-se numericamente expressivas, mas continuam a ser estéreis. A reprodução deve ser intencional, se a igreja local quiser realizar o pleno propósito para o qual ela foi chamada e criada. Por esta razão, enfatizamos a necessidade de plantar igrejas que têm potencial de multiplicação em seu DNA, que estressa o orgânico, em vez de valores organizacionais.[12]

O princípio base da plantação de novas igrejas parece estar relacionado ao ciclo de vida, mais especificadamente na fase da reprodução. Aubrey Malphurs exemplificou isso ao dizer: “Eventualmente, os agricultores atingem um ponto em que é hora de iniciar o processo de plantio. Isso envolve a semeadura da semente, rega, adubação, e proteção da safra”.[13] 

Stuart Murray, um dos estudiosos sobre a plantação de igrejas, deixou claro algo semelhante em um de seus livros:

A prática de plantação de igrejas pode encorajar a conclusão de que a reprodução é uma característica tão fundamental da igreja assim como é dos organismos biológicos. Uma igreja saudável não apenas se desenvolve internamente e expande em tamanho e impacto social, mas expressa naturalmente a sua vida em novas formas e estruturas.[14]

Murray tratou do ciclo de vida da igreja dizendo que:

“Talvez seria melhor considerar reprodução de igrejas, através de plantação, como normal, e a sobrevivência de estruturas eclesiásticas por mais de algumas gerações como anormal e problemático.”[15]

Ellis e Mitchell abordaram em um livro sobre plantação de igreja que se a igreja não: "espera ou antecipa que a (reprodução) é o negócio natural do crescimento, então é (uma igreja) realmente estéril.”[16]

PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS
 
O maior ponto positivo do MPI nos últimos anos foi o surgimento de novas igrejas por todo o mundo, o que permitiu o cumprimento da Grande Comissão em locais onde o evangelho ainda não havia chegado, como também o equilíbrio dos dados estatísticos que não mais só relatavam um crescente número de igrejas mortas, mas também um crescente número de novas igrejas.

A plantação de igrejas com uma rápida multiplicação de novas igrejas, foi algo positivo até para renovar e revitalizar aquelas igrejas em declínio. Rick Warren chegou a dizer que:

Não há melhor maneira de alcançar, ensinar, treinar e enviar discípulos pelo mundo do que por meio de igrejas que são plantadas com a intenção de plantar outras. E para igrejas ou denominações que estão estabilizadas ou em declínio, plantação de igrejas é uma indispensável ingrediente para a renovação e revitalização. É a maneira mais rápida para infundir nova vida e novas pessoas em uma comunhão atrofiada.[17]

Claro que vários advogaram contrários a essa multiplicação rápida de igrejas, pois qual é o sentido de se plantar novas igrejas se existem centenas de outras que precisam de ajuda? A oposição aumentou quando os próprios estudiosos, antes a favor da plantação de igrejas, começaram a repensar o próprio MPI. Isso, pois a reprodução de novas igrejas aumentou o número de igrejas em declínio ou mortas.

Rubens Muzio, autor do livro, O DNA da Igreja disse que:

Há diferentes tipos de crescimento: demográfico, biológico, emocional, psicológico, cultural, econômico, social, institucional, e assim por diante. E dentro de cada um desses aspectos existem as qualidades de crescimento: positivo ou negativo, bom ou ruim, saudável ou patológico. Na verdade, o organismo pode enfrentar toda sorte de perigo que causa deformação no seu crescimento e que pode levá-lo fatalmente à morte. O risco da erva daninha, do joio no meio do trigo da deformação, do hediondo, do canceroso, está sempre rondando a igreja.[18]

Martin Robinson, Diretor Nacional de Together in Mission, uma organização que conecta denominações, redes e agências para eclesiásticas em torno do tema de plantação de igrejas realizou severas críticas à sua própria obra sobre plantação de igrejas ao dizer:

Eu originalmente escrevi um livro sobre plantação de igrejas chamado Planting Tomorrow’s Church Today com coautoria de Stuart Christine. Este livro foi escrito entre 1990 e 1991 e publicado para um grande congresso de plantação de igrejas na Grã-Betanhã em 1992. Este livro está agora esgotada (com a sua edição), a solicitação original era revisar o livro substancialmente para que pudesse ser republicado. Ao analisar o livro que eu vim a perceber que não era realmente possível rever o livro como ele ficou ... Minha maior crítica ao livro é que ele é extremamente mecânico em (seu) estilo. Parece que sugerem que há um valor fixo ou um método que podem empregar o que leva a uma igreja de sucesso.[19]

Robinson diz  também que:

Já em 1996 , havia sinais de que muitas das tentativas de plantação de igreja pareciam perder energia e simplesmente pararam. Isto não foi verdadeiramente uniforme em todas as denominações e correntes, mas em termos do que poderia ter sido visto como o início de um amplo movimento, o impulso foi perdido.

Uma análise da experiência de um dos grupos que encararam os objetivos de forma mais séria ajuda-nos a entender por que a energia acabou. As Assembleias de Deus se comprometeram com a plantação de 1.000 congregações até o ano de 2000. Isso representou mais do que uma duplicação do número de congregações que eles já tinham. Um bom começo foi feito e, ao final de três anos, cerca de 200 congregações já tinham sido iniciadas. Por qualquer padrão, uma vez que tinha levado quase 70 anos para começar as primeiras 600 congregações esta foi uma conquista surpreendente. Neste ponto, eles estavam claramente no alvo para alcançar seu objetivo de 600 plantações de igreja. Mas, então, a plantação parou. Pior ainda, algumas das novas tentativas de plantação fecharam e a maioria das outras novas congregações não continuaram a crescer e de fato mostrou sinais do mesmo tipo de problemas que muitas das congregações mais velhas tiveram e que  a plantação de igrejas foram destinadas a superar.[20]

As igrejas focaram na plantação de novas igrejas nos anos 90, porém enfrentaram os mesmos problemas uma década depois. Murray chama a atenção dos plantadores para algo maior do que a própria plantação dizendo que: “Plantação de igrejas não é um fim em si mesmo, mas um aspecto da missão de Deus que as igrejas têm o privilégio de participar”.[21]
 
De acordo com Win Arn: “No ciclo de vida normal de igrejas, há nascimento, e com o tempo, a morte. Muitas igrejas começam um platô e (entram num) programa de redução em torno de seu décimo quinto ao décimo oitavo ano”.[22]Ou seja, até para os mais otimistas plantadores a morte é algo inevitável com o tempo por conta das outras fases do ciclo de vida da igreja que não podem ser ignoradas. 

Nos últimos 50 anos vários movimentos apontaram as mais diversas justificativas a fim de entender a estagnação, declínio e até a morte das igrejas. Todos apresentam várias soluções para evitar este crescente declínio e morte das igrejas locais em tempo de liberdade religiosa, porém o suposto problema ainda continua perturbando a muitos. Será que a morte é realmente algo inevitável? O que é o ciclo de vida da igreja, apontado por Win Arn, tem para nos ensinar?










Notas 

[1] “O plantio de igrejas é a forma mais eficiente, autossustentável e duradoura de comunicar o evangelho dentro de um perímetro local”. Ver em: LIDÓRIO, Ronaldo. Plantado igrejas. São Paulo: Cultura Cristã, 2000, p. 17
[2] MALPHURS, Aubrey. Planting Growing Churches for the 21st Century: A Comprehensive Guide for New Churches and Those Desiring Renewal. Baker Books, 1998, p.19
[3] OTT, Craig & GENE, Wilson. Global Church Planting: Biblical Principles and Best Practices for Multiplication. Grand Rapids, MI: Baker Academic, 2011, p.8
[4]STETZER, Ed.; WARREN, Bird. Viral Churches: Helping Church Planters Become Movement Makers. 2010, San Francisco: Jossey-Bass, p. 51
[5]WIN Arn, The Pastor’s Manual for Effective Ministry. Monrovia, CA, Church Growth, 1988, p.43
[6]SCHALLER, Lyle. 1991, p.17
[7]JACQUET, The Yearbook of American and Canadian Churches. 1989, p.261
[8]WAGNER, Peter. Church Planting for Greater Harvest: A Comprehensive Guide. California: Regal Books, 1991,  p.5
[9]WAGNER, Peter C. Estratégias para o crescimento da igreja. São Paulo: Editora Sepal, 1991.
p. 27-40.
[10]MALPHURS, Aubrey. Planting Growing Churches for the 21st Century: A Comprehensive Guide for New Churches and Those Desiring Renewal. Baker Books, 1998, p. 28
[11]GARRISON, David. Church Planting Movements: How God is Redeeming a Lost World. Midlothian, VA: WIGTake Resources, 2004, p. 22
[12]OTT, Craig & GENE, Wilson. Global Church Planting: Biblical Principles and Best Practices for Multiplication. Grand Rapids, MI: Baker Academic, 2011, p.65
[13]MALPHURS, Aubrey. Planting Growing Churches for the 21st Century: A Comprehensive Guide for New Churches and Those Desiring Renewal. Baker Books, 1998, p. 72-73
[14]MURRAY, Stuart: Church Planting, Laying foundations. Milton Keyness: Paternoster Press 1998, p.57-58
[15] MURRAY, Stuart: Church Planting, Laying foundations. Milton Keyness: Paternoster Press 1998, p.59
[16]ELLIS, Roger & MITCHELL Roger: Radical Church Planting. Cambridge: Crossway, 1992, p.73
[17]STETZER, Ed.; WARREN, Bird. Viral Churches: Helping Church Planters Become Movement Makers. 2010, San Francisco: Jossey-Bass, p. xi
[18]Disponível em: http://www.cristianismohoje.com.br/artigos/lideranca/o-aumento-do-numero-de-evangelicos-e-termometro-para-atuacao-de-deus-no-brasil. Acesso em: 07 jan. 2014. 10:30:00
[19] MARTIN, Robison. Planting Mission-Shaped Churches Today Oxford: Monarch Books, 2006, p. 7-8
[20] MARTIN, Robison. Planting Mission-Shaped Churches Today Oxford: Monarch Books, 2006, p. 27-8
[21] MURRAY, Stuart: Church Planting, Laying foundations. Milton Keyness: Paternoster Press 1998, p.39
[22] WIN ARN, The Pastor’s Manual for Effective Ministry Monrovia, CA: Church Growth, Inc., 1988, p. 43

Leia mais

10 de dez de 2014

Nenhum comentário

A Lógica da Internet Religiosa

***

Púlpito Cristão

Leia mais

8 de dez de 2014

Nenhum comentário

Série : Replantando hoje a igreja de amanhã - Parte 4

                                                                                                 

                                                                                                              Por Alessandro Miranda Brito 

Diante dos ditames do pragmatismo, uma infinidade de igrejas cresceram, e ainda crescem, mas o que esse crescimento quer dizer? Para o Movimento de Crescimento Saudável da Igreja, MCSI, nem todo crescimento é algo positivo e em alguns casos não passa de um "inchaço"?. Assim o problema enfrentado pelas igrejas em declínio não está simplesmente relacionado a falta de crescimento numérico, mas ligado a falta de integridade doutrinária em que muitas igrejas se encontram hoje. Uma igreja enferma espiritualmente, pode até crescer por um tempo, entretanto, consequentemente declina e fatalmente morre quando se torna sincrética ou liberal. Em ambos os casos a Escritura ou sofre subtrações ou adições que alteram a verdade. 

Apesar dos esforços do Movimento de Crescimento de Igrejas a sua influencia começou a diminuir por conta de uma infinidade de críticas que surgiram contra o movimento, principalmente em relação a ênfase no crescimento numérico ao invés de um crescimento "espiritual".[1] 

HISTÓRIA DO MOVIMENTO E SEUS PRINCÍPIOS 

Em meados dos anos 90, vários líderes que haviam sido, de certa forma, influenciados por Donald McGavran, insatisfeitos com os resultados do pragmatismo do MCI, apresentaram um nova explicação para a morte da igreja e defenderam uma forma de se evitar a estagnação, declínio e morte da igreja. Para este grupo, igrejas que não são saudáveis morrem, assim o problema para estes não está do lado de fora, mas sim do lado de dentro da igreja. Todo o evangelismo e esforço para alcançar os que estavam do lado de fora da igreja resultaria em um acréscimo numérico, mas enfermo. [2]

Uma Igreja com Propósito  

Em 1995, por exemplo, Rick Warren, um seguidor dos princípios de McGavran[3], publicou o conhecido livro, The Purpose Driven Church, dizendo que:

O problema de muitas igrejas é que começam com a pergunta errada. Eles perguntam: O que fará a nossa igreja crescer? É um mau começo. A certa é: O que está impedindo o crescimento de nossa igreja? Quais barreiras estão bloqueando as ondas que Deus está colocando em nosso caminho? Quais obstáculos e empecilhos que não permitem que o crescimento aconteça?... Todas as coisas vivas crescem, não sendo necessário um trabalho especial para fazer com que isso ocorra. É um processo natural em seres vivos saudáveis. Não preciso mandar meus três filhos crescerem, por exemplo. Eles crescem naturalmente. Desde que eu tire certos obstáculos, como má alimentação ou ambientes inadequados, o crescimento deles será automático.... O crescimento de uma igreja é o resultado natural de sua saúde. Uma igreja somente pode ser sadia quando sua mensagem é bíblica e sua missão equilibrada. [4] 

McIntosh diz que alguns dos percussores do MCSI, diferente de Rick Warren, a fim de não se assemelharem ao MCI, realizaram críticas mais severas, porém ainda assim seguiam vários de seus princípios:

Como o movimento de crescimento da igreja entrou no vigésimo primeiro século, os princípios de crescimento da igreja de McGavran tinha sido enxertado no pensamento da maioria das igrejas e denominações protestante norte-americana. Princípios de crescimento da igreja são valorizados, respeitados e amplamente ensinada em teologia pastoral e cursos de missiologia. Infelizmente, a confusão continua a surgir sobre o Crescimento da Igreja, como ilustrado em um livro, best-seller, de 1997, Fresh Wind, Fresh Fire, por Jim Cymbala. Cymbala faz crítica em seu livro sobre Crescimento da Igreja, mas os leitores vão descobrir que ele está realmente seguindo muitos princípios do Crescimento da Igreja, como a oração, espiritualidade apaixonada, compromisso com a autoridade das Escrituras, e relevância cultural, em sua igreja, mesmo não reconhecendo-os como princípios de crescimento da igreja.[5]

Desenvolvimento Natural da Igreja

Surgiu na Alemanha, Christian Schawrz, talvez um dos maiores críticos do MCI que em 1996 publicou uma obra em uma clara oposição ao pragmatismo. Para Schawrz os princípios de crescimento deviam seguir as leis de Deus na natureza e não modelos mecânicos e sem “espiritualidade” do MCI: 

Princípios são valores universais que estão presentes em toda a Igreja de Cristo, independente da localização geográfica, ou qualquer outro fator, enquanto que modelo, e um molde arbitrário de valores convencionados e não divinos, que se deva seguir, é uma imitação dos procedimentos, quando princípios, se baseiam nos valores.[6]

Sua pesquisa foi bastante extensa e exaustiva a fim de não repetir o erro cíclico de se analisar apenas um local, extrair um modelo e querer inserir uma realidade local em outro. Segundo Schwarz os seus dez anos de pesquisas em mais de 1.000 igrejas espalhadas em 32 países funcionavam realmente, ao contrário do Movimento de Crescimento da Igreja, pois a igreja cresce naturalmente quando implantada sob condições e qualidades necessárias.[7] Ele deixa isso claro ao dizer:

Muitos cristãos que têm um desejo profundo por crescimento, cujos corações estão ardendo pelos perdidos e que estão dispostos a avaliar criticamente a sua própria forma de trabalho, nunca se identificam com o movimento do crescimento de igreja. Eles têm a impressão de que nesse movimento sempre são apresentadas receitas simples que, na prática, não funcionam.[8]

Nove Marcas de uma Igreja Saudável

Uma outra oposição ao MCI foi realizado por Mark Dever e Matt Schmucker da Capitol Hill Baptist Church, em Washington, DC. Ambos tinham estado em uma congregação em declínio durante várias décadas, quando Dever e Schmucker começaram a “reformá-la” (termo utilizado por eles) no início de 1990 eles não seguiram a convencional literatura do MCI, mas focaram na edificação bíblica da igreja.[9] Dever posteriormente escreveu um livro intitulado, 9 Marcas de uma Igreja Saudável, onde destaca nove características chaves de uma igreja saudável.[10]
 
Este livro representou um contraste em relação aos livros que surgiram na década de 90 sobre o tema da saúde da igreja, com destaque para o livro, Uma Igreja com Propósitos. Mesmo o livro de Warren afirmando ter como tema a saúde da igrejas, acabou tendo como foco o crescimento. No livro 9 Marcas, Mark Denver foi capaz de separar a saúde do crescimento, e os princípios dos modelos. O foco foi sobre como “ser” igreja ao invés de se “fazer” igreja, tendo uma preocupação com a santidade da igreja acima dos números ou relevância cultural. Nesta obra, Denver revela uma sua profunda preocupação com a enfermidade vivida pelas igrejas e propõe nove princípios, ou como o autor chama, marcas: “...abordar algumas marcas que distinguem as igrejas saudáveis de igrejas verdadeiras, porém enfermas...”.[11]

PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS

De acordo com McIntosh, mesmo Schawarz sendo uma clara oposição ao movimento de Crescimento da Igreja muitos de seus princípios já eram estudados e disseminados por todo mundo muito antes das pesquisas desenvolvidas pelo Desenvolvimento Natural da Igreja. Ele diz o seguinte:

Outro caso interessante é o uso recente do termo igreja saudável, em vez de crescimento da igreja. Pessoas em alguns círculos têm ido em direção a aceitação da nova terminologia e o novo paradigma da saúde da igreja. O mais popular livro do movimento igreja saudável é o livro Desenvolvimento Natural da Igreja por Christian Schwartz. A posição do autor em seu livro é uma rejeição ao Crescimento da Igreja, mas depois vai apresentando as conclusões a partir do que é relatado ser o maior estudo das igrejas já concluídos. Para leitores conhecedores ​​da literatura do Crescimento da Igreja, as oito qualidades essenciais de Schwartz da igreja saudável são simplesmente afirmações dos resultados dos estudos anteriores do Crescimento da Igreja apresentados no anos 70 e 80. Um crítico escreveu: ‘Na minha opinião, se os líderes da igreja abraçarem o Desenvolvimento Natural da Igreja, adotarão o coração de Donald McGavran sobre o pensamento sobre o crescimento da igreja.’ Curiosamente, a maioria dos pastores e líderes denominacionais que adotaram Desenvolvimento Natural da Igreja acham que têm rejeitado o pensamento do Crescimento da Igreja e adotado pensamento da igreja saudável. Princípios de crescimento da igreja tornaram-se tão profundamente arraigados que os líderes não percebem que eles estão realmente usando ideias de crescimento da igreja! [12]

O MCSI, foi de suma importância para evitar a morte da igreja local durante os últimos 40 anos. Várias obras surgiram sob a influencia destes movimentos. A Revitalização de Igrejas é um bom exemplo dos benefícios que surgiram, a partir da influencia do MCSI, pois restaurar a saúde espiritual da igreja é o foco principal da revitalização, diz um de seus principais líderes, Harry Reeder, em seu livro, From Embers to a Flame:

O que acontece quando uma igreja não progride mais, está estagnada, morrendo ou declinando? Ou, que problemas você deve evitar para impedir que a igreja caia em ineficácia e desapontamento? É claro que uma queda na frequência aos cultos e na arrecadação geralmente é sinal de enfermidade. Porem, há outros sinais, menos óbvios, que observei em igrejas que precisam de um ministério de revitalização...O conceito de ‘recuperação’ é usado na área da medicina, o que o torna apropriado à revitalização de igrejas, pois nosso objetivo deve ser uma igreja saudável... O objetivo não deve ser o crescimento da igreja, mas a saúde da igreja, pois o crescimento deve proceder da saúde.[13]

Livros publicados no Brasil sobre revitalização de igrejas expressam a mesma opinião: “A igreja é um organismo vivo. Ela cresce naturalmente. Se não cresce é porque está doente e, se está doente, precisa ser revitalizada. Uma igreja pode adoecer e até morrer”, disse Hernandes Dias Lopes.[14] Existe até mesmo um curso de Pós-Graduação em revitalização de igrejas no Brasil oferecido pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. O curso visa especializar pessoas com vistas à condução do processo de revitalizar igrejas estagnadas ou em declínio.[15]

O que não pode deixar de ser pontuado é que este movimento, mesmo com uma série de resultados positivos, não foi capazes de atingir 100 por cento de seus objetivos iniciais, pois continuamos a ver igrejas em declínio. Aubrey Malphurs publicou um livro em 1994, Vision  America, dizendo o seguinte: “O problema da igreja na década de 1980 transitou para a década de 1990. A igreja como um todo continua a experimentar declínio e o aumento de pessoas sem igreja.”[16]

Dottie Escobedo-Frank analisa a revitalização da seguinte forma:

Algumas igrejas ainda estão vivas, mas declinando rapidamente. Algumas estão próximas da morte, agarradas naquilo que foi a esperança de um futuro. Como resultado de uma óbvia experiência de morte da congregação, estruturas denominacionais estão buscando caminhos para “revitalizar” igrejas. Revitalização significa pegar algo que existe e torná-lo vivo novamente. Tende a usar a liderança corrente, compreensões correntes do que significa ser uma igreja, localização corrente e estilos de adoração correntes. Revitalização faz a suposição de que o que é já foi vital antes e, pode ser vital outra vez, se fizermos o mesmo, só que melhor. Então, igrejas aumentam programas, dólares gastos e fórmulas adotadas, a fim de trazer a re, em revitalização. O prefixo re, significa "de volta ao lugar de origem." Revitalização implica voltar no tempo para recuperar um período em que o papel da Igreja na sociedade era vital. A busca de revitalização da igreja normalmente não faz muito mais do que o mesmo, mas de uma forma mais empolgada.[17]

As setes igrejas da Ásia, mencionadas no capítulo 2 e 3 do livro de Apocalipse, receberam consultoria do maior especialista sobre a saúde da igreja. Jesus Cristo mostrou claramente que existia enfermidades sérias dentro das igrejas. Entre as sete igrejas, podemos destacar a igreja de Laodiceia, uma igreja ortodoxa, ou seja, com a doutrina equilibrada, mas que mesmo assim recebeu a maior censura por parte de Jesus. Uma igreja ética e sem problemas morais, mas que ainda assim não resistiu ao tempo, pois todas as sete igrejas morreram e o que resta hoje são ruínas que relembram um passado de glória. A antiga Ásia Menor, hoje a região da Turquia possui pouco mais de 1% da população composta por cristãos.

Concluímos este capítulo dizendo que a busca por um crescimento saudável é absolutamente necessário, assim como a revitalização de igrejas também é fundamental. Porém observamos, hoje, segundo os últimos relatórios estatísticos, que mesmo com todo o trabalho de se implantar um processo de edificação saudável, ou um processo de revitalização de igrejas saudáveis, ainda não se evitou o declínio ou morte de várias igrejas. E quanto às sete igrejas da Ásia, será que se negaram a realizar as mudanças propostas por Jesus? Qual seria o problema e consequentemente a solução para o declínio e morte da igreja então? 











Notas

[1] WILBERT, S. R. Write the Vision. Valley Forge: Trinity Press International, 1995, p.43
[2]Karl Barth anos antes do surgimento do movimento dizia: “Um crescimento que é meramente abstratamente extenso não é o crescimento [da comunidade] como a communio sanctorum. Assim, ele nunca pode ser saudável se a Igreja pretende crescer apenas ou predominantemente neste sentido horizontal, com vista a um maior número de adeptos”. Ver em: BARTH, Karl. Church Dogmatics. Edinburgh: T. & T. Clark, 1957
[3]WARREN, Rick. The Purpose Driven Church: Growth Without Compromising Your Message & Mission, Michigan: Zondervan, 2004 p.29
[4]WARREN, Rick. The Purpose Driven Church: Growth Without Compromising Your Message & Mission, Michigan: Zondervan, 1995, p.49
[5] McINTOSH, G. L. Evaluating the Church Growth Movement: 5 Views.Michigan: Zondervan, 2004 p.22
[6]SHWARZ, Cristian A. O Desenvolvimento Natural da Igreja. Curitiba: Editora Evangélica Brasileira 1996, p.15-17
[7] O desenvolvimento natural da igreja de Shwarz baseou-se em princípios universais onde oito marcas foram  destacadas. Marca número 1. Liderança capacitadora; 2. Ministérios orientados pelos dons; 3. Espiritualidade contagiante; 4. Estruturas funcionais; 5. Culto Inspirador; 6. Grupos familiares; 7. Evangelização orientada para as necessidades; 8: Relacionamentos marcados pelo amor fraternal. A pesquisa mostrou que existe uma correspondência altíssima entre a capacidade de amar de uma igreja e o seu potencial de crescimento. Isso implica em tempo de relacionamento fora das programações da igreja. Ver em: SHWARZ, Cristian A. O Desenvolvimento Natural da Igreja. Curitiba: Editora Evangélica Brasileira 1996
[8]Ibid, p.6
[9] Disponível em:  http://www.9marks.org/about/who-9marks/.  Acesso em: 07 jan. 2014. 10:30:00
[10] As marcas de uma Igreja Saudável segundo Denver são: 1. Pregação expositiva; 2. Teologia bíblica; 3. Compreensão bíblica do Evangelho; 4. Compreensão bíblica da conversão; 5. Compreensão bíblica da evangelização; 6. Compreensão bíblica da membrazia; 7. Disciplina bíblica da igreja; 8. Promoção do discipulado; e 9. Uma compreensão bíblica da liderança da igreja. Ver em: DEVER, Mark & PLATT, David. Nine Marks of a Healthy Church Crossway, 1997
[11] Ibid, P.24
[12] Ibid, p. 22
[13] REEDER III, Harry L.: A Revitalização da sua Igreja segundo Deus. São Paulo, SP: Cultura Cristã, 2011, p.12, 38
[14] LOPES, H. D. & CASIMIRO D. A., Revitalizando a igreja: Na busca por uma igreja viva, santa e operosa. São Paulo: Hagnos, 2012, p. 11
[15] Disponível em: http://www.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/swf/index.html#. Acesso em: 07 jan. 2014. 10:30:00
[16] AUBREY Malphurs. Vision America: A Strategy for Reaching a Nation. Grand Rapids: Baker Books, 1994, p. 62
[17] ESCOBEDO-FRANK, Dottie. Restart Your Church. Nashville: Abigdon Press, 2012, p.6

Leia mais