28/11/2014

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40 dias de jejum e oração


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Dicas a quem deseja "evangelizar" pelo facebook ou qualquer outra rede social

 

1. Não apenas reproduza/compartilhe imagens que você vê no Facebook, muitas delas são frases sem nenhum teor bíblico/teológico, pelo contrário, algumas atentam contra as sagradas escrituras. Você não é um papagaio... você é ser humano capacitado por Deus na Criação de inteligência e raciocínio. Faça uso disso.
2. O Evangelho é a própria Palavra de Deus, antes de compartilhar uma imagem bonitinha com uma frase engraçadinha que termina com "Deus te Abençoe", escreva um versículo. Visualmente ele é mais simples, mas a Palavra de Deus é eficaz e poderosa em todos os seus efeitos.
3. Compartilhe preferencialmente O SEU conhecimento da Palavra e AS SUAS percepções do Evangelho. Assim todos que te leem saberão no que você acredita, como acredita e porque acredita. Isso não significa que você irá postar revelações ou alucinações particulares da Palavra de Deus, mas o que Ela realmente é. SEU conhecimento e SUAS percepções não significam o que você "acha que Deus é", mas o que Ele realmente é revelado biblicamente e teologicamente. Cuidado, você está ensinando a Palavra de Deus... cuide para não ensinar errado.
4. Vale postar um texto de outra pessoa? Sim, mas desde que você o tenha lido antes e concorde plenamente com ele, pois você talvez tenha que explicá-lo a alguém. Mais uma vez, não seja apenas uma ave que sabe imitar uma pessoa que fala... seja um bípede pensante com polegar opositor e criado a imagem e semelhança do Criador.
5. Não se esconda atrás de sua denominação ou líder evangélico. Seja autêntico no que escreve. Você responde por você mesmo. Pouco importa se sua denominação diz uma coisa, a Palavra diz outra e você faz outra totalmente diferente. Ninguém se converterá com mentiras. Seja você o primeiro a viver a verdade que você prega.
6. Abandone os jargões e chavões igrejeiros. Eles não servem para absolutamente nada, exceto para talvez apontar como você é ridículo às vezes. E por favor! Por favor! Não "fale" em língua no Facebook... é no mínimo inadequado.
7. Você é preconceituoso... eu sou, todos somos de alguma forma... pregar o Evangelho não é criar um abismo entre os que são e os que não são, pregar o Evangelho é lançar uma ponte sobre o abismo que já existe. Seja sábio, não estúpido.
8. Seja coerente. Não com seus amigos ou com seus supostos amigos. Mas com a Palavra de Deus e a teologia que norteia sua vida. Se você não tem uma teologia definida nem conhece a Palavra, vá estudar antes de ensinar. Não seja um impostor. Nenhum professor se forma em 1 semestre, nem um missionário começa a pregar antes dos 6 anos de idade.
9. Não fale a respeito do que você não consegue explicar. Tens conhecimento profundo sobre oração? Fale sobre isso... não sabe nada sobre arrebatamento? Não cave para você mesmo um poço sem fundo.
10. Entenda claramente que evangelizar não é disseminar religião nem fazer promoção denominacional. É unicamente apontar ao homem a Cruz, o Arrependimento e a Ressurreição.
Soli Deo Gloria!
Daniel Clós Cesar... o eventual cooperador deste blog.

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25/11/2014

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Nós somos Igreja e nós não temos um mercado em potencial


Não muito tempo atrás, um pastor me perguntou o que eu achava de fazer uma pesquisa na região em torno da igreja para descobrir o que os vizinhos esperavam de uma instituição religiosa. O objetivo muito claro deste pastor era simples, ainda que não explicito: saber o que seus clientes em potencial queriam, para que pudesse lhes oferecer um serviço sob medida, para que então eles passassem a consumir o produto dele e não mais o da concorrência.

A ideia não é apenas perversa, ela também claramente aponta uma falta de confiança em Deus de que Ele dará o crescimento quando e como Ele desejar, uma falta de maturidade espiritual pois, delega a pessoas que não conhecem a Cristo e não são nascidas no Espírito para dizer a igreja como ela deve agir; e por fim, uma falta de compromisso com a Palavra, buscando um compromisso profundo com o homem.

Minha opinião na época foi de que, ir ao cemitério ouvir os mortos, não é uma prática cristã protestante.

Quando Jeosafá, rei de Judá, juntou-se a Acabe, rei de Israel, para enfrentar Ramote de Gileade, pediu ao rei de Israel que a Palavra fosse consultada, então foram chamados 400 profetas de Israel, e todos foram unânimes: “Sobe, porque Deus a entregará na mão do rei”. Jeosafá pede ao rei de Israel que traga um profeta verdadeiro do Senhor, afinal, profetas não profetizam benção, conforme ensinou Jeremias, profetizam guerras e destruição, mal e peste, não paz (Jeremias 28.8). Acabe, contrariado com o tal profeta que “nunca profetiza de mim o que é bom, senão sempre o mal” (2 Crônicas 18.7) manda vir o profeta Micaías, e esta é sua profecia:

“Vi a todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não têm pastor; e disse o SENHOR: Estes não têm senhor; torne cada um em paz para sua casa.” (2 Crônicas 18.16)

Acabe rejeitando as palavras do profeta o manda ao cárcere, segue para a batalha e lá é morto por uma flecha lançada a esmo.

O que você pode esperar de uma igreja onde seu pastor consulta os mortos? O que você pode esperar de uma congregação onde os homens e não Deus dizem como as coisas devem ser feitas, o que deve ser pregado, como deve ser pregado e como deve ser prestado o culto a Deus?

O cristianismo obteve uma grande vitória no século XVI com a Reforma Protestante. A constante reforma pregada pelos primeiros reformadores “ecclesia reformata, semper reformanda secundo verbum Dei” (“A igreja reformada, sendo sempre reformada de acordo com a Palavra de Deus”) é abandonada por um adágio do catolicismo romano medieval “semper idem” (“Sempre o mesmo”).

Se homens morreram para que o Evangelho fosse pregado em sua constante renovação que só é possível pela atuação sobrenatural do Espírito Santo, os pastores contemporâneos, em uma confusão que chamam de “renovação” ou “avivamento”, buscam seu suporte “teológico” nos cemitérios do mundo para “renovar” e “avivar” suas pregações, as mantendo sempre como a mesma coisa, comida fria e insípida para pessoas que não tem condições nem mesmo de comer, pois estão mortas em seus pecados e delitos.

Não há exposição da Palavra nas igrejas, a pregação segue o ritmo de declínio moral e espiritual secular. Pastores estão preocupados com a reunião para jovens solteiros, jantar para os casais, pipoca com cinema para os adolescentes e esquecem que a sua preocupação deveria ser passar horas e mais horas debruçados sobre a Palavra de Deus para quem sabe, apenas quem sabe, compreender o que Deus tem para a sua igreja no próximo sermão a ser pregado. E então, renovados pela Palavra, a expor para os ouvintes que, pelo ouvir a Palavra de Deus recebessem a Fé necessária para a Salvação.
 
No entanto, os pregadores amoldam a Palavra de Deus para disseminar seus conhecimentos, a Palavra não muda suas pregações, elas são sempre as mesmas, suas mentes não mudam pela Palavra, são absolutamente “semper idem”. Versículos são usados para ilustrar um ponto de vista, não para renovar mentes. E quando ocorre alguma “renovação”, trata-se apenas de uma inovação secular no meio da igreja, trata-se de uma secularização do culto, uma “atualização” descabida da liturgia que tem como único objetivo dar mais conforto e interatividade a pessoas de outro século, de outra época... o que esquecem esses pastores, é que os pecados deles são mesmos de Adão.

Não precisamos fazer pesquisas no bairro e perguntar a pessoas que não conhecem a Deus o que elas esperam de Deus. Não precisamos promover eventos que atraiam as pessoas a igreja como peixes em um cercado, para que então lancemos uma rede de “bençãos” que os deixaram num emaranhado de promessas que nunca serão cumpridas, isto é no mínimo desonestidade, e se formos mais severos na aplicação da Palavra, é passível de morte os que tais coisas praticam. Precisamos sim lançar uma rede onde os fios são a própria Palavra de Deus, e os nós que os unem são a verdade, o arrependimento e a conversão.

O Evangelho ultrapassou dois mil anos em pleno crescimento sem nenhuma necessidade de inovação humana. Todas as inovações mostraram-se tempos mais tarde ser um fracasso, tanto que foram abandonadas e substituídas por outras que alguém julgou ser melhor... todas elas sem exceção mostraram que apenas uma pregação simples, mas centrada unicamente na Palavra, expondo-a dia após dia, geraram ovelhas saudáveis e sadias, que geraram mais ovelhas, e mais ovelhas...

Sola Scriptura. Soli Deo Gloria.


Daniel Clós Cesar, colaborador eventual... muito eventual.

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24/11/2014

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Ana Paula Valadão revela sonho no início do seu casamento, reafirma maldição hereditária e quer libertar o Brasil de potestades

Por Antognoni Misael

"Quebrar influências malignas que nos acompanham de geração em geração", é isso que Ana Paula Valadão deseja inculcar na cabeça de suas congressistas. Ou seja, ela quer dar uma ajudinha a Cruz de Cristo, o qual nos prometeu que nem poderes, nem alturas, nem potestades, nem absolutamente nada poderá nos separar do amor de Deus (Rm 8.38,39), cuja vida e tudo que há nela fez novo, por sua Graça e Amor.

Sendo assim, os Congressos de Mulheres do DT tristemente continuam produzindo heresias. Observe, na"preleção" anexada no post, a Ana Paula ao discorrer sobre o início do seu casamento, fala que havia espíritos familiares (de uma bisavó que foi revelada num sonho e que morava num castelo) e que lhe tornavam uma mulher insubmissa. Ela atribui isso a uma maldição hereditária que precisou quebrar, e alerta as congressistas sobre esse mal - note, é como se a obra 'libertatória' de Cristo tivesse sido incompleta no campo espiritual e que necessitasse de uma espécie de penitência, sacrifício, disposição para vencer este mal.

Mais adiante, alertou-as Ana, sobre a idolatria a Maria e a suposta fundação do país em cima de bases "malditas" [sic] e africanas (observo que a malandragem, os genocídios sobre os indígenas e a roubalheira dos portugueses sempre serão sagradas, né?), e mais, que isso tem a ver com o "espírito de Jezabel nos lares", e que tal quebra de maldição determinará uma mudança na nação.

Ela ainda professa muita coisa desconexa, usa simbologias velho testamentárias, mas o que fica nítido é que a sua intenção não é má, muito pelo contrário. Porém, totalmente desprovida de uma cosmovisão bíblica, equilibrada e sob a ótica da soberania de Deus. 

Ana deseja libertar o Brasil nos aspectos geográfico, geopolítico, histórico e antropológico das supostas mãos de satanás. Ela vê laços de maldição em quase todas as áreas do viver, e profetiza uma conquista de Deus em várias áreas desta nação.
(...) todo o lugar de autoridade e de influência desta nação serão conquistadas [sic] pelo reino de Deus. Serão invadidas, serão tomadas ... (ver min 15:20)
Gente, quando eu penso que a Ana dá um passo pra frente, ela tem dado 10 para trás. Vamos continuar orando por ela, pedindo misericórdia a Deus. Pois, sabemos que só há uma forma de despertar a igreja do Senhor, é voltarmos as Escrituras Sagradas, amarmos a sua suficiência, trazermos a centralidade de Cristo nos nossos cultos, e nos deleitarmos na perfeita obra realizada na Cruz, que verdadeiramente no libertou!

Por fim, reafirmo que fico triste em ver tantas "mulheres" alimentando essas ideias "sonhísticas", visionárias, e sem base bíblica alguma. 

Uma rápida explanação bíblia por Augustus Nicodemus 

(...) O apóstolo Paulo nos esclarece que o escrito de dívida que nos era contrário, a maldição da lei, foi tornado sem qualquer efeito sobre nós: Jesus o anulou na cruz (Cl 2.13-15; Gl 3.13). Ou seja, toda e qualquer condenação que pesava sobre nós foi removida completamente quando Cristo pagou, de forma suficiente e eficaz, nossa culpa diante de Deus. Ora, se a obra de Cristo no Calvário em nosso favor foi poderosa o suficiente para remover de sobre nós a própria maldição da santa lei de Deus, quanto mais qualquer coisa que poderia ser usada por Satanás para reivindicar direitos sobre nós, inclusive pactos feitos com entidades malignas, por nós, ou por nossos pais, na nossa ignorância.

Basta um estudo simples nas Escrituras, da linguagem usada para descrever nossa redenção, para que
não fique qualquer dúvida de que o crente, à semelhança de um escravo exposto à venda na praça, foi comprado por preço, e que, agora, passa a pertencer totalmente ao seu novo senhor. O antigo patrão não tem mais qualquer direito sobre ele, como rezava a legislação romana da época. Assim, Paulo diz que fomos comprados por preço (1 Co 6.20; agorazo, comprar, redimir, pagar um resgate — termo usado para o ato de comprar um escravo na praça, ou pagar seu resgate para libertá-lo), e que sendo agora livres, não devemos nos deixar outra vez escravizar (1 Co 7.23). Fomos resgatados (lutrou) pelo precioso sangue de Cristo (1 Pe 1.18; cf. Ap 5.9).

Em resumo: “se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas antigas passaram: eis que se fizeram novas”. Não há nenhuma maldição que Cristo já não tenha quebrado na cruz e que não tenha já sido desfeita na hora da conversão (novo nascimento). O que os crentes precisam é santificação, e não quebra de maldição, para crescerem mais em mais no conhecimento de Deus e no serviço dele.

***

Fonte: Arte de Chocar, via Púlpito Cristão.

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Série : Replantando hoje a igreja de amanhã - Parte 2


Uma das causas pela qual não encontramos pesquisas sobre a morte da igreja dá se pelo fato de que é mais fácil falar das vitórias do que das perdas, e da expansão do que da extinção. A questão é que não podemos ignorar os fatos, igrejas morreram durante a história. Assim, se queremos entender o ciclo de vida da igreja e a causa de sua morte, precisamos olhar para o passado sem fechar os olhos. Quero então destacar aqui, alguns teólogos que  defenderam a hipótese de que a perseguição da igreja é o que a leva à sua extinção não só ontem, mas hoje também. 

O historiador Philip Jenkins, por exemplo, nos ajuda a entender de forma detalhada em sua obra, The Lost History of Christianity, a morte da igreja local. Ele estuda o desaparecimento das igrejas em vários períodos, que vão da Idade Antiga até a Idade Média, em vários locais como o Oriente Médio, África e Ásia. Um dos argumentos gerais do livro é que a forma com a qual os historiadores têm contado a história da Igreja primitiva e medieval ressalta a expansão e crescimento das igrejas, mas em contrapartida, ignora as histórias do declínio e extinção de várias comunidades cristãs.[1]

Hampton Halley destaca em um de seus livros que no período da Igreja Primitiva podemos observar onze grandes perseguições enfrentada pela igreja o que em muitos casos levou a extinção de comunidades cristãs.[2] 

Nero. Em 64 d.C. Ocorreu o grande incêndio de Roma. O povo suspeitava de Nero; este, par desviar de si tal suspeita, acusou os cristãos e mandou que fossem punidos. Milhares foram mortos de maneiras crudelíssimas, entre eles, Paulo e, possivelmente, Pedro.

Domiciano. 96 d.C. Este organizou uma perseguição aos cristãos sob a acusação de se recusarem participar do culto do imperador. Muitos milhares foram mortos em Roma e na Itália.

Trajano, 98-117 d.C. Não procuravam cristãos, porém, quando estes eram acusados, sofriam castigo. Plínio, enviado pelo imperador, à Ásia Menor, onde os cristãos se haviam tornado tão numerosos que os templos pagãos quase ficaram desertos, e que fora mandado para castigar os que recusassem a amaldiçoar a Cristo.

Adriano, 117-138, perseguiu os cristãos, mas com moderação. Teléforo, pastor da igreja em Roma, e muitos outros, sofreram martírio.

Antonino, o Pio, 138-161. Este imperador de certo modo favoreceu os cristãos, mas sentia que devia manter a lei, havendo, por isso, muitos mártires, entre os quais Policarpo.

Marco Aurélio, 161-180. Foi cruel e bárbaro, o mais severo depois de Nero. Muitos milhares foram decapitados ou lançados às feras, entre os quais Justino, o Mártir.

Sétimo Severo, 193-211. Esta perseguição foi muito pesada, porém não generalizada. O Egito e o norte da África foram as regiões que mais sofreram. Em Alexandria “muitos mártires eram diariamente queimados, crucificados ou degolados”, entre os quais Leônidas, pai de Orígenes.

Maximiano, 235-238. Neste reinado, muitos líderes cristãos proeminentes foram mortos. Orígenes escapou, escondendo-se.

Décio, 249-251, decidiu-se, resolutamente, a exterminar o cristianismo. Sua perseguição estendeu-se por todo o império, e foi muito violenta; multidões pereceram sob as mais cruéis torturas, em Roma, norte da África, Egito, Ásia Menor. Cipriano disse: “O mundo inteiro está devastado.”

Valeriano, 253-260. Mais severo do que Décio, visava destruir completamente o cristianismo. Muitos líderes foram executados, entre eles Cipriano, bispo de Cartago.

Diocleciano, 284-305. Foi a última perseguição imperial e a mais severa; estendeu-se por todo império. Foi um esforço resoluto, determinado e sistemático por abolir o nome de cristão.

A oficialização do cristianismo como religião do império romano não pôs fim à perseguição, pois cristãos na Pérsia, depois de experimentarem anos de liberdade religiosa e possivelmente estarem no caminho para se tornarem a maior religião, foram perseguidos. Após a oficialização, mais de 190.000 cristãos foram martirizados na Pérsia, por mais de 40 anos.[3]

Isto ocorreu também na China, após o fim da dinastia de Tang, que dos anos de 618 até 907, permitiu a presença de cristão dando toda liberdade a estes que cresciam significativamente. Porém, com o fim desta dinastia, os cristãos desapareceram. Os cristão retomaram um crescimento durante o período de 1271 à 1368,  graças ao império Mongol, mas sofreu perseguição e teve seus líderes expulsos com o início da dinastia Ming.[4]

Com a chegada dos comerciantes portugueses no Japão, por volta de 1542, cresceu o número de cristãos, algo que se aproximava em torne de 300 mil no período de 50 anos, mas em meados de 1587 todos os estrangeiros foram expulsos do Japão.[5] A partir de 1614, os cristãos enfrentaram intensas perseguições, e isso resultou na morte de uma infinidade de igrejas. Isso foi constatado com a volta de missionários às terras japonesas em 1858.[6]

Após a oficialização do cristianismo, como religião do império romano, as perseguições diminuíram por um período de tempo, porem logo várias igrejas desapareceram pela força e “espada”. Jenkins mostra isso em seu livro e chega a reafirmar sua posição em uma entrevista a Christianity Today:

O que mata uma igreja é a perseguição. O que mata a igreja está armado, normalmente no interesse de outra religião ou uma ideologia antirreligiosa, e às vezes isso pode significar a destruição ou remoção de uma comunidade étnica que pratica o cristianismo. Então, igrejas morrem pela força. Eles são assassinadas.[7]

O movimento armado, que ficou responsável pela destruição e remoção de diversas comunidades cristãs, foi o islamismo ou que Halley chamou de maometismo:

Em 634 a Síria foi vencida; em 637, Jerusalém em 638, o Egito; em 640, a Pérsia; em 689, o norte da África; em 711, a Espanha. Assim, dentro de pouco tempo toda a Ásia Ocidental e o norte da África, berço do cristianismo, tornaram-se maometanos... na Ásia Menor 630.000 cristãos foram chacinados.[8]

Jenkins aponta alguns fatos importantes ao dizer que o núcleo inicial do movimento cristão era Jerusalém, com igrejas que iam do leste em direção ao que conhecemos hoje como Iraque e o Irã (Pérsia), a oeste em direção a Europa, e em direção ao sul da Etiópia. A igreja do Oriente tinha comunidades grandes e significativas, que chegavam na China, Tibete e Índia. Para o autor do movimento cristão, a perseguição foi enorme, na África e na Ásia, ao ponto que estes locais possivelmente foram os centros do movimento cristão em vez da Europa, especialmente no milênio de 400-1400. Porém, por conta das invasões muçulmanas nos século VII, estas duas regiões perderam as suas forças e morreram.[9]

Outros importantes pesquisadores[10], mesmo tendo publicado as suas obras há quase um século, destacam em seus livros a perseguição contra a igreja como motivo de extinção da mesma. Em 1898, Leonardo Ralph Holme, publicou um livro sobre a extinção de igrejas no Norte da África dizendo que a razão para tal extinção tinha como motivação o avanço dos "Vândalos" (439 d.C. – 533 d.C.) e reocupação bizantina (533 d.C. – 647 d.C.)juntamente com as incursões pelos invasores berberes durante os dois períodos o que preparou o palco para o rápido avanço das forças militares islâmicas árabes em meados do sétimo século o que resultou na extinção da igreja nesta região.[11]

A perseguição dos grandes impérios e a perseguição religiosa islâmica foram responsáveis pela extinção de comunidades cristãs e igrejas em várias partes do mundo por quase 1500 anos. Porem sabemos que o islamismo ou os grandes impérios não são os únicos responsáveis pela extinção da igreja em outros momentos da história, pois mesmo durante a Reforma Protestante, a perseguição não Cessou.

Muitos cristãos que pensavam que a oficialização do cristianismo, como religião oficial, daria fim a perseguição se decepcionaram. Com a Reforma Protestante a expectativa era a mesma e, consequentemente, a decepção entre os protestantes também. Um bom exemplo disso foi a Contrarreforma e a Inquisição, movimentos[12] da Igreja Católica Romana, que tinham a missão de neutralizar e reverter a crescente Reforma Protestante.[13]

Halley destacou alguns países que mais sofreram com estas perseguições.

Nos Países Baixos, a reforma foi logo aceita; luteranismo, e depois calvinismo; os anabatistas já eram numerosos. Em 1522 estabeleceu-se, aí, a Inquisição, que mandou queimar todos os escritos luteranos. Em 1535, decretou a “morte, pelo fogo”, dos anabatistas. Filipe II (1566-98), sucessor de Carlos V, tornou a expedir os editos de seu pai, e, com o auxílio dos jesuítas, levou adiante a perseguição com fúria ainda maior. Por uma sentença da Inquisição, toda a população foi condenada à morte, e sob Carlos V e Felipe II mais de 100.000 foram massacrados com brutalidade incrível.

Na França. Por volta de 1520 as doutrinas de Lutero penetravam na França. Em 1557, o papa urgiu o extermínio deles. O rei expediu decreto do massacre e mandou a todos os súditos leais que ajudassem a caçá-los. Os jesuítas percorreram a França, persuadindo seus fiéis a empunhar armas para destruí-los. Assim perseguidos pelos agentes do papa, como nos dias de Diocleciano, reuniam-se, ocultamente, muitos vezes em adegas, à meia-noite.

O massacre de São Bartolomeu. Catarina de Médicis, mãe do rei, romanista ardorosa e instrumento dócil do papa, deu a ordem, e, à noite de 24 de agosto de 1572, 70.000 huguenotes, inclusive a maioria dos seus líderes, foram trucidados. Houve grande regozijo em Roma.

As guerras huguenotes. Em seguimento ao massacre de São Bartolomeu, os huguenotes uniram-se e se armaram para a resistência, mas depois de anos de trabalho dos jesuítas, às ocultas, o Edito foi revogado em 1685 e 500.000 huguenotes fugiram para países protestantes.

A Revolução Francesa, cem anos mais adiante, 1789, foi uma das mais tremendas convulsões que a História registra. Levantou-se um reinado de terror e sangue, e aboliu o governo, fechou as igrejas, confiscou suas propriedades, tentando suprimir o cristianismo.[14]

Observamos que o exercício do poder despótico ao longo da História resultou no extermínio de várias igrejas no Oriente Médio, Ásia, África e Europa, todos continentes que no passado possuíam grandes comunidades cristãs. Porém, hoje, vivemos em tempo de paz e liberdade religiosa por várias partes do mundo, ainda assim a perseguição é algo presente em diversos países. Em alguns países como a Coreia do Norte é proibido até ser cristão. O presidente do país Kim Jong II determina que todos os cidadãos devem adorar somente a ele e, se negarem ou assumirem uma identidade cristã, por exemplo, são punidos com prisão ou morte.

A ONG internacional, Open Doors, por quase 60 anos atua em países onde existe algum tipo de restrição ou ameaça à vida das pessoas ou à sua liberdade de crer em Jesus Cristo realiza uma pesquisa, World Watch List, a cada ano a fim de descobrir os cinquenta países que mais perseguem a igreja. Destes, onze sofrem perseguições extremas: Coreia do Norte, Arábia Saudita, Afeganistão, Iraque, Somália, Maldivas, Mali, Irã, Lêmem, Eritreia e Síria. 

O Open Doors, mesmo auxiliando cristãos perseguidos, encara a perseguição de forma otimista. Fácil é entender tal otimismo da Open Doors quando analisamos algumas estatísticas. Países como o Irã e Afeganistão, de maioria muçulmana e que fazem parte dos países que mais perseguem os cristãos, vivenciam um crescimento acelerado do número de cristãos. No Irã por exemplo, a população cristã cresce a uma taxa de 19,6% por ano. Já no Afeganistão, a taxa é de 16,7%.[15]

Como explicar um crescimento no meio de tanta perseguição? Para Tertuliano, a perseguição era como um fermento para as igrejas. Ele chegou a dizer que: “Nós nos multiplicamos sempre que somos moídos por vocês; o sangue dos cristãos é a semente” (Apologeticus, 50). Jerônimo chegou a dizer algo semelhante: “A igreja de Cristo foi fundada pelo derramamento do sangue dele... As perseguições a fizeram crescer; os mártires a coroaram” (Carta 82). Joham Candelin explica essa realidade da seguinte forma:

Nem sempre a perseguição produz o crescimento da Igreja, ainda assim, alguma das maiores e mais crescentes igrejas do mundo enfrentam um aumento da perseguição, e estão localizadas em países onde não há liberdade religiosa.[16]

Por meio de tudo que observamos até agora, uma das causas da extinção da igreja local é a perseguição. Porem, mesmo a história nos mostrando que perseguição foi a causa da extinção de algumas igrejas no passado, como explicar o crescimento das igrejas em meio a hostilidade? Como explicar também a extinção de igrejas em locais onde o estado é laico e existe liberdade religiosa, principalmente no ocidente? Estas são  perguntas que ainda precisam ser respondidas. 

Confira o Capítulo 1

Notas

[1] Jenkins afirma que: “Teólogos raramente abordam as questões perturbadoras levantadas pela destruição de igrejas e das comunidades cristãs. O mais importante, e que temos que reconhecer que tais incidentes de declínio e desaparecimento são bastante frequentes, porém pouco se tem estudado e discutido. Descristianização é um dos aspectos menos estudados da história cristã.” Ver em, JENKINS, Philip. The Lost History of Christianity. New York: Harper Collins Pub., 2008, p.28-29
[2] HALLEY, H. H. Halley's Bible Handbook: An Abbreviated Bible Commentary. Grand Rapids: Zondervan, 1965, p. 635; 761-762
[3] THOMAS, Perry. Exploring Church History. Nashville, TN. World Publishing, 2005, p.16-17
[4] MOFFETT, Samuel. The History of Christianity in Asia: Beginnings to 1500. Vol 1.  Maryknoll, NY: Orbis Books, 1998, p. 288-314 & 471-475.
[5] JENKINS, Philip. The Lost History of Christianity. New York: Harper Collins Pub., 2008, p.36-37
[6] NEILL Stephen. A History of Christian Missions. Baltimore, Maryland: Penguin Books, 1964, p. 133-138.
[7] Disponível em: http://www.christianitytoday.com/ct/2009/march/24.52.html. Acesso em: 07 jan. 2014. 10:30:00
[8] HALLEY, H. H. Halley's Bible Handbook: An Abbreviated Bible Commentary. Grand Rapids: Zondervan, 1965, p. 768
[9] Jerkins diz que: “As estatísticas de declínio são preocupantes. Olhe, por exemplo, a região da Asia Menor,  que tantas vezes foi mencionada ao longo do Novo Testamento, onde encontramos esses nomes históricos como Icônio, Éfeso, Galácia, Bitínia e as sete cidades do livro de Apocalipse. Ainda em 1050, a região teve 373 bispados, e os de habitantes eram virtualmente todos cristãos, esmagadoramente membros da Igreja Ortodoxa. Quatrocentos anos depois, essa proporção de cristãos havia caído para 10 ou 15 por cento da população, e podia ser encontrados apenas três bispos. De acordo com uma estimativa, o número de cristãos asiáticos caiu, entre 1200 e 1500, passando de 21 milhões para 3.4 milhões. No mesmo período, a proporção de cristãos que viviam na África e Ásia, combinado, caiu de 34 por cento para apenas 6 por cento. Na verdade, a contração fora da Europa foi, provavelmente, mais dramática do que mesmo estes números sugerem.” Ver em, JENKINS, Philip. The Lost History of Christianity. New York: Harper Collins Pub., 2008, p.23-24
[10] Em 1933, Laurence Edward Browne publicou a obra intitulada: The Eclipse of Christianity in Asia, onde apontou o declínio e morte da igreja tendo como motivação a perseguição. (BROWNE, L.E. The Eclipse of Christianity in Asia: From the Time of Muhammad till the Fourteenth Century. Cambridge: Cambridge University Press, 1933). Outro importante historiador, Vryonis, escreveu um livro em sobre o assunto em 1971. (VRYONIS, Spiro. The Decline of Medieval Hellenism in Asia Minor and the Process of Islamization: From the Eleventh through the Fifteenth Century. Berkeley: University of California Press, 1971)
[11] HOLME L. R. The Extinction of the Christian Churches in  North Africa. New York: B. Franklin, 1969, p.131-135
[12] A inquisição foi estabelecida na Espanha por autorização papal em 1480 para fazer frente ao problema da heresia neste país. Sob Tomás Torquemada (1420-98), 10.000 pessoas foram executadas, e sob Ximenes, quase 2.000 foram mortas. A Contra-Reforma começou em 1560 e terminou em 1648 com a conclusão da Guerra dos Trinta Anos entre católicos e protestantes. Ver em, LUEBKE, David. The Counter-Reformation: The Essential Readings Malden, MA: Blackwell Publishers, Ltd., 1999
[13]Larroyo diz o seguinte: "Os progressos da Reforma obrigaram a Igreja Católica a tomar enérgicas medidas; tal obra de defesa e reorganização se chama a Contrarreforma. A Contrarreforma lança mão de três meios poderosos: confirma o estatuto que criou a Companhia de Jesus (1540); organiza na Espanha a Inquisição (1542), e reúne o Concílio de Trento (1545-1563). O Fundador da Companhia de Jesus foi Inácio de Loyola (1491-1556), que concebeu uma Ordem de tipo militar a serviço da Santa Sé e que opôs à ideia de independência do Protestantismo a da autoridade da Igreja. O Concílio de Trento determina com todo o rigor os dogmas da Igreja Católica, resistindo à elasticidade das convicções protestante; preocupasse em reformar o clero, mediante decretos educativos; dita uma série de medidas práticas para evitar a perda de mais províncias, e fortalece o poder do Papa. O terceiro expediente empregado pela Contrarreforma para combater o Protestantismo foi a Inquisição". LARROYO, Francisco. História Geral da Pedagogia. São Paulo: Mestre Jou, 1970, p. 351 
[14] HALLEY, H. H. Halley's Bible Handbook: An Abbreviated Bible Commentary. Grand Rapids: Zondervan, 1965, p. 635; 761-762
[15] MANDRYK  J. Operation World. Colorado Springs, CO: Biblica Publishing, 2010, p.916
[16].CANDELIN, Joseph. Persecution of Christians Today. In: Konrad-Adenauer-Stiftung (Hg.). Persecution of Christian Today: Christian Life in African, Asian, Near East and Latin American Countries. 16-24, 28 de outubro de 1999 em uma conferência em Berlim.

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22/11/2014

1 Comentário

As "loucuras" dos pregadores que pensam "fora da caixa"


Tempos difíceis os nossos, em que pregadores que "pensam fora da caixa" apresentam falsas boas-novas, isto é, um tipo de evangelho que os pecadores querem ouvir, e não o Evangelho, o qual os pecadores precisam ouvir, mesmo que não o apreciem. Não é por acaso que a Palavra de Deus alerta: "virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências" (2 Tm 4.3).

Há algum tempo, um pregador "radical" que gosta de fazer "loucuras gospel" cheirou uma Bíblia como se estivesse usando cocaína. E agora tem outro pregador "radical" — aquele que cita passagens bíblicas de modo "free style", empregando palavrões e expressões chulas — dizendo que a Igreja, a Noiva do Cordeiro, é uma vagabunda.

O leitor quer um verdadeiro exemplo de pregador que fala a verdade com contundência e agrada a Deus? Olhe para a pregação e a conduta de Estêvão (At 6-7). Ele foi apedrejado não por ter tido uma conduta "radical" ou ter usado palavras humanas "impactantes" (cf. 1 Co 2.1-5), e sim por ter dito a verdade das Escrituras com autoridade.

Há pregadores e escritores evangélicos que se orgulham de pregar e escrever "fora da caixa". Eles apresentam um outro evangelho — muito diferente do que Jesus e os seus apóstolos pregaram — e ainda acham que são perseguidos por causa disso... Ora, Deus se agrada mesmo é dos pregadores e escritores que, assim como Paulo, pregam e escrevem sem sair da maravilhosa caixa chamada Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus (1 Co 11.23).

Ciro Sanches Zibordi

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