22/10/2014

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Crer na Bíblia não é uma atitude irracional


Por Leonardo Gonçalves

Em nosso tempo, os teólogos e “novos pensadores” do cristianismo têm arvorado diversas bandeiras diferentes. O cenário teológico está cada vez mais conturbado, e movimentos estranhos surgem com uma rapidez nunca vista. As linhas que regem as crenças do “nova espiritualidade” são as mais diferentes possíveis, podendo variar do marxismo teológico à espiritualidade medieval, ou mesmo do neoliberalismo ao teísmo aberto. Contudo, parece haver um ponto em que os novos pensadores estão de acordo: Todos eles, em maior ou menor proporção, duvidam que toda a bíblia seja a Palavra de Deus inspirada, e alegam que o texto original foi modificado. Ao que parece, a tendência é conservar o elemento místico do cristianismo, sem contudo submeter-se à autoridade da Bíblia como regra de fé.

Na contramão deste movimento está o filósofo, teólogo e fundador do Southern Evangelical Seminary, dr. Norman L. Geisler. Em seu livro “Não tenho fé suficiente para ser ateu” (Ed. Vida), ele afirma que 99,9% do conteúdo do NT é livre de real preocupação, e que nenhuma doutrina central do cristianismo repousa sobre um texto duvidoso. J. B. Payne em sua obra “Enciclopédia de profecias bíblicas” apresenta 191 profecias relacionadas ao esperado Messias e Salvador judeu, e mostra como todas foram cumpridas literalmente na vida, morte, ressurreição e ascensão de Jesus de Nazaré. Também Josh McDowell, um dos mais importantes apologistas contemporâneos, fala de mais de 300 referências ao Messias contidas no Antigo Testamento, as quais se cumpriram em Jesus. Todos estes fatos somados compõem um forte argumento em favor da autoridade e inspiração das Escrituras.

Até mesmo o agnóstico e crítico do Novo Testamento, Barth Ehrman admite que “na verdade, a maioria das alterações encontradas no início de manuscritos cristãos nada tem a ver com teologia ou ideologia”. Segundo ele, tais alterações em muitos casos não passam de “erros ortográficos e acidentais”. Considerando que o NT possui cerca de 5.700 manuscritos, conclui-se que é possível reconstruir o texto à partir da comparação das cópias existentes, de modo a afirmar que o texto atual é bastante fiel ao que foi o texto original, descartando a hipótese de que o texto foi gravemente modificado para servir aos interesses da religião, teoria que quando avaliada à luz de argumentos sólidos mais se assemelha àquelas esdrúxulas teorias conspiratórias que circulam na internet.

Estas e tantas outras evidências que são apresentadas em favor do cristianismo são suficientes para dizer que o texto da bíblia conserva todas as idéias originais do cristianismo, sendo totalmente digno da nossa apreciação e crença. O argumento dos neoliberais brasileiros, no entanto, carece de confirmação e está baseado em falácias óbvias que já foram amplamente desmascaradas ao longo da história.

Por isso, e por muitos outros fatos que não caberiam neste breve artigo, afirmo sem nenhum receio minha crença na Bíblia. Não crer em tantas evidências seria o mesmo que pecar contra minha própria consciência.


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Leonardo Gonçalves é blogueiro, missionário em Piura - Peru, e editor do Púlpito Cristão


Nota: Em 2015, o apologista Josh McDowell, um dos maiores apologistas da atualidade, autor de dezenas de livros na área de teologia e apologética, entre eles "Evidencias que Exigem um Veredito I e II", e "Mais que um Carpinteiro" estará palestrando na VINACC, um dos maiores eventos cristãos de sã doutrina da América Latina. A conferencia será gratuita, como sempre! Clique no banner e saiba mais:

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A Rocha, de T.S.Eliot: a relação entre a cultura e a igreja


Por Gladir Cabral

Os críticos literários, de um modo geral, olham com suspeita para os escritores que se deixam converter por uma experiência religiosa, principalmente se for cristã, como se a conversão comprometesse o talento do artista e pusesse a perder a qualidade da sua obra. É o caso de autores famosos, como o nosso conhecido C.S. Lewis, o poeta W.H. Auden e o dramaturgo, poeta e crítico literário T.S. Eliot, que se converteu do ateísmo ao cristianismo anglicano com a idade de 39 anos.

A peça dramática A Rocha contém 10 coros escritos para uma produção encenada em meados de 1934 na diocese de Londres. Inconformado com o crescente processo de secularização da sociedade britânica, que perdeu a chama da vida, a sabedoria e se perdeu no excesso de informação, Eliot lança seu protesto e seu apelo por uma mudança cultural. Muita informação e pouca sabedoria, “muita leitura e pouca Palavra de Deus”, “muita construção, mas não da Casa de Deus”.

Caminhando pelas ruas de Londres, o poeta ouve comentários de censura e rejeição: “Que os padres se aposentem. Os homens não precisam da Igreja [...] Na cidade, não precisamos de sinos”. E nos subúrbios também não há mais espaço para a Igreja, apenas para as indústrias e o lazer. Para o poeta, essa crise representa a morte da sociedade. Nestes tempos estranhos, o próprio núcleo familiar perde sua base de sustentação e sua unidade, pois “familiarizados com a estrada e sem paradeiro, nem a própria família anda junto”. As pessoas vivem agora dispersas “entre ruas que se engalham, e ninguém conhece ou se importa com seu vizinho, a não ser que ele o perturbe”.

A obra fala da crise da Igreja, que “tem de ser construída sempre, pois está sempre se corrompendo por dentro e sendo atacada por fora”. Há uma grande obra de restauração a ser feita, e trabalhadores são chamados com urgência, e todos são desafiados a participar, pois “[h]á muito que derrubar, há muito que construir, há muito que restaurar”. A obra está recheada de referências ao livro de Neemias e ao relato da reconstrução do templo de Jerusalém: “Lembrem-se das palavras de Neemias, o Profeta!”. E é preciso construir com o a ajuda do Eterno, pois “construímos em vão se o Senhor não construir conosco. Pode-se guardar a Cidade que o Senhor não protege?”. Evidentemente, há resistências, há oposição, mas a reforma é uma tarefa urgente e contínua.

A Rocha é figura central do poema, é o Filho do Homem, aquele que virá como Forasteiro, “Cristo Jesus Ele Próprio a principal pedra angular”. E ao encaminhar-se para o fim, com a obra de reconstrução sendo completada, “depois de muita luta e de muitos obstáculos”, o poema é cada vez mais invadido pela luz. “Ó Luz Invisível, nós te glorificamos!”.

Referências:
ELIOT, T.S. Obra Completa. Trad. Ivan Junqueira. São Paulo: Arx, 2004. Vol. I
ELIOT, T.S. Coros de “A Rocha”. Edição portuguesa.

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21/10/2014

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Pastor da Igreja Hillsong relativiza a bíblia em favor do casamento gay

Por Michael Paulson 

Pastor de uma das mega igrejas mundiais mais influentes declarou que sua igreja está com “uma conversa em andamento” sobre o casamento de mesmo sexo – dizendo que é adequado considerar as palavras da Bíblia junto com a mudança de cultura e da experiência das pessoas nos bancos.
Brian Houston é pastor sênior da Igreja Hillsong, que tem igrejas em uma dúzia de grandes cidades, incluindo Nova York. Os comentários de Brian Houston, pastor sênior da Hillsong, imediatamente atrairam uma preocupação da direita e aplausos da esquerda, com tantas denominações e congregações cristãs que estão fazendo um grande esforço em buscar uma forma de como responder à rápida expansão dos direitos dos homossexuais e da legalização do casamento homossexual.

A igreja do Sr. Houston, que está sediada na Austrália, é conhecida em grande parte como uma potência musical por causa da popularidade de suas gravações de músicas contemporâneas de adoração cristã, mas a sua congregação de jovens é grande – cerca de 100 mil adoradores semanais vão às igrejas em uma dezena de grandes cidades, incluindo Nova York e Los Angeles – e seu alcance cultural é amplo.

Os líderes da Hillsong tem evitado a condenação da homossexualidade, por algum tempo, e o pastor da igreja da Hillsong em Nova York, Carl Lentz, recusou-se a tomar uma posição pública sobre o casamento homossexual. Mas os comentários do Sr. Houston, feitas em uma entrevista coletiva nesta quinta-feira em Nova York, foram marcantes pela sua afirmação de que as igrejas cristãs têm causado sofrimento em alguns cristãos gays e pela sua sugestão de que a questão do casamento homossexual não está resolvida.“O mundo em que vivemos, quer gostemos ou não, está mudando ao redor e sobre nós”, disse ele. “O mundo está mudando, e queremos permanecer relevantes como igreja, então isso é uma coisa incômoda”.

O Sr. Houston, como tem feito nos sermões, observou com tristeza a experiência de filhos homossexuais que crescem em igrejas cristãs, dizendo que alguns se sentem rejeitados por seus pastores de jovens ou até mesmo pelos seus pais e que, como resultado, alguns jovens “estão literalmente deprimidos, talvez até queiram se suicidar e, infelizmente, muitas vezes crescem para odiar a igreja, porque eles sentem que a igreja os rejeitou”. Ele disse que viveu “pelo que a Bíblia diz”, e seu porta-voz disse nesta sexta-feira que o pastor pessoalmente concordou com o ensino tradicional cristão sobre a sexualidade. Mas o Sr. Houston disse que não acha que seria construtivo delinear uma posição pública sobre o casamento homossexual.“É muito fácil de reduzir o que você pensa sobre a homossexualidade em apenas uma declaração pública e que iria manter um monte de gente feliz”, disse ele, “mas nós sentimos neste momento, que há uma conversa em andamento, de que os problemas reais na vida das pessoas são muito importante para nós, para apenas reduzi-la em uma resposta de sim ou não em um canal de mídia.

Por isso, nós estamos caminhando com isso”. Algumas das igrejas da Hillsong parecem estar abertas a gays e lésbicas. Josh Canfield e Reed Kelly, um casal gay que são destaque na atual temporada de “Survivor”; cultuam e cantam no coro da Hillsong de Nova York; o Sr. Canfield é um diretor do coro voluntário na igreja.

Os comentários do Sr. Houston foram bem recebidos por Matthew Vines, um jovem evangélico gay que está tentando convencer o mundo evangélico de que a fé na Bíblia não está em desacordo com a abertura a gays e lésbicas.“É a Hillsong influente principalmente pela doutrina e a teologia? Não, não é, mas a sua música é tão evangélica quanto se pode chegar, em termos de alcance e impacto, e isso é muito significativo “, disse Vines.Mas Andrew Walker, o diretor de estudos de políticas para a Ética e Comissão de Liberdade Religiosa da Convenção Batista do Sul, expressou preocupação sobre as declarações do Sr. Houston, ele escreveu no blog da revista “First Things”, “vamos deixar claro que esta não é a via da fidelidade”, e chamou a Hillsong de “uma igreja que está trocando a compaixão por covardia perante o concílio da cultura”.

As observações do Sr. Houston sobre o casamento homossexual foi um dos vários casos nesta semana em que ele e sua igreja se diferenciaram de outros segmentos do mundo evangélico.Sua esposa, Bobbie Houston, que também é pastora sênior da Hillsong, respondeu a uma pergunta sobre o papel das mulheres nas igrejas evangélicas, dizendo: “Realmente, a igreja precisa sair da infância, ocasionalmente, e tornar-se adulta”.

A Hillsong permite que as mulheres preguem e ensinem; muitas igrejas evangélicas não.E numa época em que muitos líderes religiosos estão na defensiva sobre a questão do abuso sexual do clero, o Sr. Houston ofereceu várias descrições dolorosas, às vezes auto-críticas, de como ele lidou com a descoberta há 15 anos, de que o seu próprio pai, que também é um pastor pentecostal, era um pedófilo. O episódio voltou aos olhos do público, porque na semana passada o Sr. Houston testemunhou sobre ele perante uma comissão real de investigação institucional em resposta ao abuso sexual de crianças na Austrália; em Nova York, ele falou com a imprensa sobre o assunto na quinta-feira e, em seguida, com 5.500 pessoas que estão participando de uma conferência da Hillsong na sexta-feira no Madison Square Garden.

Ele disse que acreditava que tinha feito a coisa certa, removendo o pai do ministério assim que tomou conhecimento de uma alegação de abuso. No entanto, disse ele, em retrospectiva, ele deveria ter informado a polícia no momento em que soube, apesar de a vítima lhe pedir para que não o fizesse.“Há uma diferença entre ser cheio de piedade e ser transparente”, disse ele na sexta-feira, explicando porque escolheu falar sobre o assunto. “A autenticidade sempre funciona, em qualquer situação”. 

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Artigo Original The New York Times, traduzido por Dionei em seu blog pessoal.

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Deus não quer filhos perfeitos

Por Maurício Zagari

Esse rabisco do desenho ao lado sou eu. Pode ser que você não o ache muito parecido com a minha foto que ilustra este blog, mas creia: sou eu. Tenho provavelmente centenas de fotos minhas no computador e até mesmo desenhos: na parede em cima de minha cama há um retrato meu com minha esposa, pintado em Paris por um artista de rua, e até mesmo uma gravura em 3D de meu rosto feita a laser dentro de  cubo de acrílico. Mas preciso reconhecer que essas obras de arte não me enchem tanto os olhos: esse rabisco aí do lado é, de longe, a representação de minha pessoa que mais amo, tanto que a carrego sempre comigo na carteira. E há uma razão para isso: foi minha filha quem fez, pensando em mim, e me deu com todo o seu amor. Para quem não tem vínculos afetivos comigo ou com minha filhota, esse desenho pode não passar de um amontoado de rabiscos mal feitos, de péssima qualidade. Mas, para mim, a beleza artística e a perfeição do traço são o que menos importa: eu sou apaixonado por esse desenho, simplesmente porque foi alguém que amo quem fez de todo o coração e me ofertou com sinceridade e amor. Isso me leva a pensar naquilo que fazemos para nosso Pai celestial.


É óbvio que devemos fazer tudo para Deus da melhor forma possível. Nosso louvor tem de ser bem composto, ensaiado e entoado. Nosso culto deve ser organizado. Nossa adoração deve seguir certas diretrizes. As aulas de ensino bíblico e teológico devem ser muito bem preparadas. Enfim, tudo o que fazemos para o Pai necessariamente deve ter o nível máximo de excelência. Porém, muito mais do que uma forma adequada, Deus quer saber do conteúdo. De que adianta tudo ser impecável e nosso coração não estar entregue ao Senhor naquilo que fazemos? O livro de Amós mostra como Deus rejeitou o culto bem organizado que seu povo não prestava de todo coração, devido à contaminação de sua alma: “Aborreço, desprezo as vossas festas e com as vossas assembléias solenes não tenho nenhum prazer. E, ainda que me ofereçais holocaustos e vossas ofertas de manjares, não me agradarei deles, nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras” (Am 5.21-23).

Jesus disse: “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.24). Já ouvi muitas explicações teológicas sobre o que exatamente isso significa, mas, para mim, o que Jesus está dizendo é, em outras palavras: “Deus quer carregar na carteira desenhos que seus filhos fizeram dele com todo coração e em total amor”. 

Eu jamais serei perfeito. Acredito que meu Pai saiba disso. Embora ele estabeleça a perfeição como alvo para que nos aproximemos o máximo possível dela, o Onisciente tem certeza absoluta de que jamais a alcançaremos. O que ele espera de nós não é perfeição, é esforço máximo para atingir a perfeição. Mas, em nossa imperfeição, ele nos recebe e aceita, se nos aproximamos dele com total amor e sinceridade de alma. Meu louvor não é dos mais afinados, mas acredito que o Senhor o carrega na carteira. Minha oração é cheia de imperfeições e por vezes as palavras não são das mais bonitas, mas minhas lágrimas e meus gemidos de intercessão estão todos na carteira do Pai. Os livros que escrevo podem não ser extraordinários, mas Deus os carrega na carteira se cada pessoa que os lê é abençoada, edificada e transformada pelas minhas palavras.

Meu irmão, minha irmã, não importa se você não é perfeito. Bem que Deus queria que fosse, mas ele sabe que não é. Importa que os rabiscos da sua vida, embora tortos e de valor artístico duvidoso, sejam entregues em sinceridade de coração ao Pai – ou seja, “em verdade”, como disse Jesus.  Faça tudo para Deus com muito amor e sem hipocrisia. O Pai quer o seu melhor, mas, muito mais que isso, ele quer o seu coração.

Sabe… o Senhor não espera que você seja um Picasso ou  um Salvador Dalí. Mas, se as suas pinturas de vida forem desenhadas com o real objetivo de alegrar o coração de Deus, tudo o que você fizer o glorificará e, com isso, você fará brotar um largo sorriso no rosto de seu Pai amado.


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Maurício Zagari é editor do blog Apenas

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Protestantes: Filhos da Rebeldia e Insurreição

Por Abel Garcia Garcia

América Latina adora governos controladores e ditatoriais. Nós gostamos mesmo é de ser dominados com mão forte e pisoteados por botas sujas de lama, de fazer testes de sobrevivência e de viver com salários paupérrimos. Por fora, desejamos a liberdade mas lá no fundo, nas profundezas do nosso coração, nós adoramos aos Chávez, Velascos, Fujimoris, Pinochets e Ortegas. Por isso que a versão do cristianismo que prioriza o controle prosperou em nossos países. O pentecostalismo, cheio de pastores estritos e exigências de submissão injustificáveis que o povo aceita de boa vontade, é um perfeito exemplo, quase ideal – apesar da “igualdade” que a democratização dos dons proporcionou. Seu crescimento continuará, porque sua proposta combina com o espírito latino, carente da figura paterna e abundante de deuses débeis e servis.

Todo esquema controlador é implantado por etapas, é suave no início, mas acaba por satanizar os seus críticos, enquanto venera as estruturas opressoras como se fossem um santuário incólume que deve se manter pelos séculos dos séculos! Os líderes tem características especiais, cada vez mais altas e mais próximas do “céu”. Os apóstolos de hoje são um claro exemplo: intocáveis, semi-onipotentes, movidos pelo desejo de controlar, razão pela qual desejam ter várias congregações. Um sinergismo perfeito onde todos – aparentemente – estão felizes. O problema é que estar feliz não significa estar bem.

Alguns de nós não enxergam essa estrutura como padrão do céu, antes, com certo temor, entendemos que a igreja assume um grande risco e pode pagar um alto preço por causa do modelo implantado. Cremos que uma relação vertical com o clero não faz bem aos leigos, desumaniza pessoas, não permite que os crentes se desenvolvam e os converte literalmente em rebanho. Contudo, entendemos que esta superação pode levar alguns anos mais. Não, muitos, mas alguns... A tecnologia e a facilidade de interligar pessoas pode acelerar essas transformações.

Enquanto as coisas vão mudando, outros apressam o processo, em aberta oposição ao status quo. É óbvio que a liderança reage, identificando seus oponentes como agentes de satanás. Eles tratam de proteger as estruturas eclesiásticas, proibindo toda crítica, acusando os dissidentes de viverem uma espiritualidade rasa, gente rebelde cujas palavras devem ser ignoradas. Nem quero pensar o que aconteceria se ainda estivessem vigentes os métodos de tortura da época da “santa” inquisição.

Rebeldia e insurreição são, no atual sistema eclesiástico, obscenidades anti-valores dignos de pessoas ímpias, ou de ateus que nada sabem acerca de Deus. Porém, o grande paradoxo é que, caso estas atitudes não tivessem existido na história da igreja, nós ainda estaríamos pagando por indulgências. Se não houvesse rebeldia e insurreição, Lutero jamais teria publicado suas 95 teses, Savonarola continuaria silencioso em seu mosteiro, passivo diante da degeneração dos Borgia, e Calvino nunca teria elaborado sua teologia. Sem rebeldia, nós – evangélicos – sequer existiríamos. Seríamos católicos, ou qualquer outra seita pseudo-cristã, que só em pensar dá calafrios. Se não houvesse revolta e enfrentamento contra o institucionalismo religioso, não existiria uma igreja evangélica. Somos, portanto, filhos da insurreição, e gostemos ou não, isso é o que nos faz diferentes dos outros grupos cristãos. Essa atitude de repaginar o cristianismo deve marcar o nosso caminhar. Logo, rebeldia não pode mais ser considerada uma palavra má.


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Abel Garcia é professor no Centro Evangelico de Misiologia Andino-Amazonico e editor do blog Teonomia.

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20/10/2014

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ARROCHA GOSPEL! #FUJAM



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Além da pobreza musical, poética, sinceramente...é ridículo ser o genérico do raso secular.

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Ex-obreira da IURD engravidou do diabo e deu a luz a 3 caveiras de plastico

Mentira pouca é bobagem: É cascata level hard isso aqui!



É incabível que um circo desses seja legitimado como igreja e acreditado como congregação evangélica legitima pela maioria dos crentes do nosso país, que logo aparecerão nos comentarios dizendo para "não julgar". Ah, vá!

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Púlpito Cristão

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Pastores, líderes e editoras: Precisamos de uma teologia apologética tupiniquim

Por Leonardo Gonçalves

A apologética cristã – um discurso em defesa das doutrinas cristas - é talvez um dos tópicos mais negligenciados pelos nossos estudiosos. Raramente consta no currículo de algum seminário e comumente se confunde com a heresiologia. No entanto, o atual quadro do cristianismo me faz pensar que poucas vezes ela foi tão necessária. Em tempos difíceis como os nossos, em que evangélicos estão dando as mãos aos católicos, espíritas e budistas em nome do “diálogo inter-religioso” e em que despontam novas espiritualidades, algumas estranhas e avessas ao evangelho de Jesus, é preciso que a liderança séria do nosso país se desperte para a necessidade de elaborarmos uma sólida apologética com a qual possamos combater as doutrinas modernas, geralmente diluídas entre filosofias ocas e relativizantes.

Uma das razoes porque defendo que a teologia brasileira deve ter ênfase apologética, vem do nosso contexto histórico-cultural. Os portugueses trouxeram o catolicismo romano. Os africanos arribaram suas crenças em espíritos orixás. Os nativos contribuíram com suas crenças animistas. Isso sem falar no êxodo que houve por ocasião das guerras mundiais, quando japoneses, italianos, poloneses, alemães aportaram por aqui, cada grupo trazendo sua própria cultura religiosa, a qual se misturaria com as crenças já diluídas dos brasileiros. A verdade é que vivemos em uma nação continental onde credos e raças se confundem e exercem influencia sobre a sociedade e a religião, demandando dos pastores e pesquisadores um constante raciocínio apologético.

A segunda razão porque defendo a tese de que a teologia brasileira deve ser apologética, é a nossa obstinação em importar tendências. Historicamente acostumados a toda sorte de crenças estrangeiras, o povo brasileiro tem como praxe a “tolerância”. Na verdade, a nossa cultura se parece mais com uma grande esponja, a qual tudo absorve e incorpora, e esta tendência também pode ser vista nas igrejas. Assim, em um mesmo segmento evangélico é possível encontrar conceitos que variam da Teologia da Prosperidade ao Teísmo Aberto, e do Neopentecostalismo ao Liberalismo Teológico. É necessário que a liderança séria do nosso país seja revestida de uma percepção apologética e através de meditação e submissão à Palavra, comece a separar os alhos dos bugalhos.

A terceira razão porque defendo a elaboração de uma teologia apologética nacional é que ninguém conhece melhor a igreja brasileira do que os crentes brasileiros. Obviamente que, como muito do que acontece no cenário teológico é um déjà vu de alguma teologia que surgiu lá fora, a produção de apologistas estrangeiros é de grande importância para nós. Não podemos, porém, negligenciar o fato de que nosso país tem uma problemática própria e muitas das nossas inquietudes não perturbam os grandes mestres da apologia internacional. Lá, fala-se muito em ateísmo e evidências da ressurreição, mas aqui no Brasil o numero de ateus e de pessoas que não crêem na ressurreição é consideravelmente menor, sendo este assunto, em certo sentido, menos relevante para nós. Por outro lado, o brasileiro convive com espiritismo, reencarnacionismo e ritos africanos que se misturam com crenças cristas, mas pouca gente lá fora está preocupada com isso. Assim, ao importar todos os livros de apologética estrangeira, memorizar seus jargões e despejar aquele “grande conhecimento” sobre nossos ouvintes, corremos o risco de ser supérfluos ao ponto de responder perguntas que ninguém está fazendo.

Creio que o momento é oportuno para implantar a apologética em nossas escolas teológicas, dando a ela não um papel secundário, mas essencial na formação dos nossos teólogos e líderes eclesiásticos. Também penso que as editoras evangélicas não perderiam em investir em apologistas nacionais tanto ou até mais do que investem na tradução de obras estrangeiras, pois o que percebo é uma grande carência de estudos especializados voltados para nossa realidade nacional. Penso ainda que a popularidade dos blogs e sites que se dedicam à defesa do cristianismo em um contexto tupiniquim é a prova cabal de que jamais houve momento melhor para se investir nos apologistas nacionais.

É tempo de investir numa teologia com sotaque nordestino, mineiro, paulista e paraibana; uma teologia verde-amarela, indigena, mameluca, curiboca, teologia mulata, robusta, com cara de Brasil.

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Leonardo Gonçalves é pastor, missionário, e escreve no Púlpito Cristão

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