quarta-feira, 9 de setembro de 2009



Por Márcio de Souza

Disciplina é um assunto raro nos meus artigos, deve ser porque não enxergo disciplina com os olhos da igreja, prefiro as lentes de Jesus.

Essas lentes filtram toda a crosta de pecado que há no ser humano e nos deixa de frente com o que resta do indivíduo, que é sua fragilidade em lidar com determinadas situações e a fagulha de Deus que existe em cada um de nós. Quando encaramos o outro dessa forma, entendemos porque tantos erros e tanta imaturidade. Mergulhamos na introspecção e recordamos do quanto somos parecidos. Talvez, os “delitos” sejam diferentes, mas como na ótica de Deus não existe tamanho de pecado, nem nível de gravidade, estamos todos no mesmo barco.

Quantas pessoas você conhece que foram levadas a julgamento e sentenciadas sumariamente dentro de nossas igrejas por intermédio de nossos sumo sacerdotes e juízes de plantão? Já vi inúmeros casos...

Certa vez uma mulher foi impedida de batizar-se por conta de uma pendência judicial, porque vivia maritalmente com alguém. A outra, uma menina foi impedida por conta de suas unhas negras e um piercing no nariz. Quanto legalismo...

Jesus jamais deixaria de fora de suas bodas gente desse tipo, que está sinceramente buscando andar com Deus, mas que é diferente no seu modo de vestir. Tampouco impediria uma mulher que vive maritalmente a anos de receber o batismo, visto que por muito menos já havia perdoado e intercedido por uma mulher adúltera e por prostitutas.

A verdade é que disciplina na igreja é como tratar caspa com decapitação, é como usar uma bomba atômica para demolir uma casa de cachorro. É por essas e outras que um pastor próximo disse certa vez: “A igreja é a única instituição que enterra os seus heróis vivos”. E ele tem razão, cada ocorrência é tratada como se o mundo estivesse acabando, com alarde, com desdém pela vida, com a explanação da vergonha do próximo e sem nenhum cuidado para reconduzir as pessoas envolvidas na comunidade da fé.

A perspectiva da igreja hoje é excludente, quando deveria ser segundo Jesus de inclusão no corpo. Em todo tempo que esteve encarnado, Jesus jamais excluiu ninguém da sua presença, pelo contrário, por onde passou foi conciliador, agente de paz e extremamente compromissado com os dramas da humanidade, a ponto de salvar um ladrão que havia vivido uma vida inteira na criminalidade, mas que agora, no último momento decidira experimentar a Cristo.

Que nosso moralismo sempre esteja abaixo de nossa compaixão. Que nosso senso de decência sempre esteja submetido ao amor de Cristo, para que não façamos como alguns que há anos vem matando gerações de jovens com seu discurso legalista e excludente, ao invés de cederem ao imensurável e incondicional amor de Deus.

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ensine a viver como irmãos!


***
Postado por Márcio de Souza, no Púlpito Cristão



7 comentários:

Renato Jr. disse...

Graça e Paz pr. Marcio,

Concordo em todos os aspectos contigo. Infelizmente na igreja que congrego, nesse fim de semana que passou, tivemos um absurdo em pleno culto no domingo a noite, com a igreja cheia de visitantes, o pastor levou a público o pecado sexual, de um jovem, fez o mesmo ir a frente e pedir perdão para a igreja.

Conversei com o pastor a respeito, e postei no meu blog algo a respeito.

Somos todo amor para dizer que JESUS perdoa os pecados do estrupador, do pedófilo, mais quando é nosso irmão que cai, atiramos a pedra.

Pecado deve sim ser corrigido, exortado, disciplinado, mais nos moldes de Jesus.

Fica aqui o meu desabafo.

Renato Jr.
http://blogrenatojr.blogspot.com/

Robson disse...

Tá bom, tudo bem. Mas eu acho que esse texto tá imcompleto porque dá a entender que os membros da igreja devem andar como quiserem.

Mas como vc pode conciliar todo o capítulo de 1Co 5 com esse texto?

Anônimo disse...

LEIA 1º CORINTIOS CAP. 5 , REALMENTE ALGUNS CASOS PRECISAM DE DICIPLINA PORQUE SENAO VIRA BADERNA, NAO QUE SEJA OS CASOS QUE VC ESCREVEU AI MAS ALGUNS COMO FORNICAÇÃO, ADULTERIO, ROUBO, TUDO AQUILO QUE LEVA ESCANDALO PARA A IGREJA DO SENHOR TEM QUE SER TRATADO COM DISCIPLINA, NAO CONFUNDA DISCIPLINA COM EXCLUSÃO ISSO JAMAIS TEMOS QUE FAZER COM A IGREJA , MAS TRATAR COMO O APOSTOLO PAULO TRATOU EM CORINTIOS ISSO SIM E ALGO QUE REALMENTE DEUS ACEITA , A NAO SER QUE VC ACHE QUE PAULO ESTAVA ERRADO EM MANDAR AQUELE JOVEM PARA SATANAS

LEIAM 1º CORINTIOS CAP 5

[C. R.] O Cristão Revoltado! disse...

"Matando gerações de jovens", buá, buá, que peninha! Eu cresci numa SEITA e tô vivo até hoje, graças a Deus. É claro que saí de lá. Os senhores reclamam de barriga cheia, não sabem o que é legalismo de verdade.

Márcio de Souza disse...

O pecador precisa ser exortado sim, ninguém disse o contrário. Mas não dá pra num texto rápido como esse fazer uma exegese de 1 Co 5...
Até porque esse não é objetivo do texto...combater a disciplina mal feita é o quer dizer...

Gláucia Carneiro disse...

Eu observei uma situação que aconteceu em uma igreja de um amigo.

Esse meu amigo era o pastor da igreja. Era casado e a sua esposa não andava lado a lado com ele, mas uma irmã, uma dessas crentes antigas, acompanhava o pastor pra todo lado.

O pastor ficava mais tempo na casa dela, que na casa dele.

A grande surpresa foi ele se separar da mulher, por ter arrumado uma jovem da igreja para namorar com ele.

A irmão pastora que o acompanhava ficou indignada.

Os membros irmãos da igreja ficaram revoltados. Em todo lugar que chegava era alguém falando mal dele.

Até o pastor que pregava unto com ele, saiu da igreja abrindo outra.

Ele, o meu amigo, ficou só, resolveu entregar o ministério e saiu da igreja.

O interessante nessa história é que todos aqueles que criticaram o pecado dele, caíram no mesmo.

Até o pastor que dividiu a igreja, traiu a esposa com a cunhada do meu amigo.

Foi um efeito dominó, todos, todos os que falaram do pecado dele: adultério; caíram no mesmo pecado: adulteraram.

Emerson Luís disse...

Concordo em parte, mas aponto o perigo de irmos ao outro extremo.

O legalismo farisaico com certeza é errado, mas o liberalismo do relativista moral também é.

Embora provavelmente não tenha sido a intenção, do jeito que está parece que o artigo está defendendo o "vale-tudo desde que diga amar Jesus".

Um "amor" sem princípios de sabedoria e de justiça não é amor, é sentimentalismo que só prejudica o alvo desse "amor".

Uma pessoa que não faz ajustes na sua forma de pensar e viver não se tornou discípulo de Jesus (palavra relacionada com "disciplina") e sim virou adepto de uma denominação. É por isso que as igrejas neopentecostais estão crescendo tanto.

O verdadeiro amor cristão não está em rasgar 1Co 5 da Bíblia e jogá-lo fora, mas justamente em colocá-lo em prática quando necessário para o bem do próprio errante.

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