Paulo, os poetas seculares e o irmão Faísca
Mas o caldo engrossou, quando chegaram os filósofos epicureus e estóicos. Espertos, trataram de tirar Paulo do ambiente religioso, e levá-lo para um ambiente secular, que, na opinião deles, não lhe era tão familiar. Com o apóstolo em desvantagem, eles poderiam “cantar de galo” em seu próprio terreno.
Levaram-no ao Areópago.
Quem ia à sinagoga, ia com a intenção de adorar ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó (pelo menos, em tese). Mas quem ia ao Areópago, ia em busca de novidades. O Areópago seria o equivalente à internet em nossos dias. Em outras palavras, ‘terra de ninguém’.
Imaginemos que Paulo estivesse acompanhado de um crente legalista, do tipo com que a gente se esbarra por aí. Daqueles que se escondem por trás de uma fachada de santidade, ou por trás de um perfil falso na internet (fake), com direito a pseudônimo e tudo.
Vamos chamá-lo carinhosamente de “irmão Faísca”, ou Faisquinha (sonhando em ser “labareda” um dia…).
Vendo Paulo em maus lençóis, ele pensa com seus botões:
- E agora, Paulo? Como você vai se sair dessa? Mandar bem na sinagoga é fácil, quero ver como vai se sair num ambiente secular…
O irmão Faísca imaginou que, a julgar pela maneira como falava lá na sinagoga, Paulo perderia as estribeiras, e detonaria aqueles idólatras. Mas para sua surpresa, Paulo se revelou um getleman.
- Homem atenienses, já vi que vocês são muito fervorosos em sua religiosidade. Com estas palavras, Paulo iniciou seu surpreendente discurso. E continuou:
- Passando por um dos santuários da cidade, dei de cara com um altar que tinha uma placa onde se lia: AO DEUS DESCONHECIDO. Querem saber de uma coisa? É sobre esse Deus que quero falar com vocês.
Imediatamente, o irmão Faísca deu um passo atrás, e cochichou para outros dois dos seus companheiros, o irmão Recalcado e o irmão Cabideiro:
- Aonde é que Paulo quer chegar? Que estória imbecil é esta? Quem disse que esse “deus desconhecido” é o Deus de Jesus Cristo? Paulo tá doido? Tá trocando as bolas!
O Recalcado, tomado por uma revolta nada santa, acrescentou:
- Será que ele não sabe como se originou este culto bizarro? Ninguém contou pra ele que este deus desconhecido é só mais um ídolo idiota? E se é ídolo, por trás dele tem um demônio. Quando esta gente se dobra perante este altar, está adorando o capeta. E como Paulo pode endossar isso?
Indiferente às críticas do Faisquinha e seus colegas, Paulo prosseguiu em seu discurso. Em vez de atacar os “idólatras”, Paulo os acalentava, e assim, conquistava sua simpatia, garantindo que ouvissem sua pregação.
Gradativamente, o apóstolo introduzia as verdades eternas do Evangelho da Graça, sem espantar, nem criticar ninguém.
Se na sinagoga Paulo tinha sempre um ‘pega pra capar’ com os crentes judeus, no Areópago, ele parecia brando, porém firme em suas convicções.
Em poucos minutos, falou-lhes sobre a graça e a soberania de Deus.
Durante esta etapa de seu discurso, Faisquinha já estava mais calmo. Percebeu que apesar de ter dado aquele furo no início, Paulo já havia voltado para os trilhos, e agora, apresentava-lhes o genuíno Evangelho (Era assim que ele imaginava).
De repente, em vez de citar passagens bíblicas, extraídas do Antigo Testamento, ou mesmo palavras atribuídas a Jesus, Paulo resolve citar filósofos gregos.
Não se segurando em si, o Cabideiro soltou entre os seus amigos:
- Que é isso, Paulo? Assim você vai estragar tudo! Esses caras não sabiam o que estavam falando. Eles eram tudo satanistas. Nunca parou pra ouvir suas canções? Seja mais bíblico, mais ortodoxo, senão, daqui há pouco a turma lá da sinagoga vai lhe taxar de herege.
Eles bem que queriam ter dito tudo isso diretamente a Paulo, em alto e bom som. Mas como não havia um perfil fake naquela época, sob o qual pudessem emitir qualquer opinião, sem ter que se expor, preferiram ficar calados.
Conhecedor da cultura secular, Paulo cita de cor o verso atribuído aos poetas gregos:
“Pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos. Como também alguns dos vossos poetas disseram: Somos também sua geração” (At.17:28).
Fico imaginando se isso houvesse acontecido hoje, quem seriam os poetas que Paulo citaria. Talvez citasse Cazuza, Renato Russo, Tom Jobim, sem se importar com o credo professado por eles.
O fato é que, ao final do seu discurso, vários se converteram à fé, inclusive o chefe do Areópago, chamado Dionísio (nome do deus do vinho).
Enquanto isso, o Faisquinha apagou, e seus amigos imaginários também, juntamente com o seu sonho de ser um dia uma labareda.
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Publicado no Genizah, endossado pelo Púlpito Cristão
Comentário de Leonardo Gonçalves:














Esse episódio do Areópago só nos faz entender uma coisa: que a "crentaiada" não pode ficar mais presa em seus currais, como cavalos chucros que temem a própria sombra (a exemplo de Bucéfalo, cavalo de Alexandre Magno), relinchando e batendo os cascos em sinal de que há algo vivo ali dentro. Também revela que não devemos nos limitar em nossos discursos ou em nosso intelecto, a ponto de renegar a busca por saber e conhecimento práticos que sejam úteis ao próprio servir a Deus. Paulo era versado e conhecedor das filosofias e sabedorias comuns para a cultura helenística da época.
Meninos com todo respeito devido; vcs são maiores do que essa conversinha.
Bora postar outras paródias, outras músicas do "mundo".
Coloquei em meu blog uma música do Tim Maia só pra mostrar que Deus fala quando damos ouvidos à Ele.Também em homenagem aos hereges citados, no caso, vcs.
O resto é como cantaria Maria Betania: "…São tantas coisinhas miudas…"
Quando vejo ódio em algum comentário de alguém que se diz ser cristão, dou trela não. "Só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder…"
Léo mano,paz!
Pelo visto o negócio vai longe,rsrs. Sabe,as vezes fico pensando que se eles fossem menos intransigentes, orgulhosos, surtados, pensando ser a "verdade"(pois eles nem mais defendem a "verdade", eles são a "verdade"), teria como nós termos um convívio harmonioso, mais infelizmente o significado da palavras respeito não foi assimilado por nenhum dos três. Uma pena, pois gostaria de ter a amizade dos três de verdade.
Sabe mano, não me iludo que você concorde comigo 100% no que escrevo, e sei que a recíproca é verdadeira, mais nós aprendemos a lidar com as diferenças e nos respeitamos e nos amamos de verdade em amor, pois o amor tudo suporta, até mesmo nossas divergências opinitivas. O problema é que esse "trio parada dura" é dura mesmo de se engolir.
Vamos continuar a orar por eles (e Deus sabe que oro por eles, não para que o mal sobrevenha a eles, mais para que eles possam copreender a palavra respeito e amor que tudo suporta)e que o Senhor dê sabedoria a eles e a nós.
Um beijo em seu coração.
PS:Sobre o texto, só posso dizer uma coisa:FATALITY,kkkkkk.
Cazuza não, por favor!!!
Muito pertinente, a historia mostra que a coisa vem piorando desde sempre ate chegar onde estamos hoje.
Continuo dizendo que mesmo com tudo de ruim que possa ter existido em povos cristaos de outras epocas, as nossa recentes geracoes e a atual ganha de lavada e hoje pra que a gente a mesma dificuldade que Paulo tinha pra falar do seu Deus pra aquele pessoal a gente tem pra fala com os ditos fanaticos, "chiitas" evangelicos, mentes preguicosas e obtusas.
Misericordia…