
Por Onir Prado
e Marcelo Gualberto
Entre uma denominação histórica (tradicional) e uma neopentecostal, onde me encaixo? Se o modelo antigo, com seu aparelho burocrático e engessado, não funciona mais e a nova proposta de "igreja" vem com um enorme vazio de Palavra e seriedade, o que fazer?
Vejamos o tamanho da crise:
Vejamos o tamanho da crise:
As igrejas de hoje têm inúmeros apóstolos, bispos e reverendos, mas pouquíssimos pastores. A coisa mais difícil é encontrar espaço na agenda do líder para um aconselhamento pastoral, afinal, os inúmeros compromissos com a televisão, rádio e os políticos de plantão não permitem que a ovelha perdida seja socorrida pelo seu "pastor", principalmente se essa ovelha tiver "pouca lã".
A liturgia do culto tradicional, sem vida e engessada, mais parece um cerimonial fúnebre onde todos estão mudos na presença de um morto que não ressuscitou.
O neoculto, por sua vez, é dividido em três partes: o louvor, composto de uma repetição sem fim dos chamados "cânticos espirituais", convida o público a "namorar" Jesus, a sentar no seu colo e sentir seu calor, num estado de quase transe emocional. O ofertório (imenso) é o momento de textos fora do contexto para justificar pedidos de polpudas ofertas com taxa de retorno maior que prometiam o pessoal do "Boi Gordo", com direito a uso de cartão de crédito e/ou débito. A palavra, sempre voltada a um evangelho triunfalista e reivindicatório que obriga Deus a atender todos os pedidos dos fiéis sob pena da não mais contribuir com o seu "reino aqui na Terra".
A música é outro ponto que merece destaque. Com o aumento da chamada população evangélica, o mercado de cd’s tornou-se verdadeira mina de dinheiro para um seleto grupo que tem construído verdadeiros impérios financeiros, produzindo música de questionável qualidade técnica, e duvidosa qualidade teológica. Esses grupos têm gravadoras, rádios, empresas de comunicação, editoras, agências de turismo, etc, tudo isso para "explorar" o emergente e ávido mercado dos irmãos.
Também merece atenção o lastimável envolvimento de denominações e de igrejas locais com o sistema político vigente, alguns chegando ao ponto de serem eleitos a fim de representar a Igreja de Cristo junto ao Estado como se o Deus Todo-Poderoso, que rege o universo, dependesse de um senador ou deputado para implantar Seu Reino na Terra.
Entre o "velho" e o "novo" existem ainda aquelas igrejas tradicionais que, com medo do êxodo dos poucos fiéis que lhe restam, tentam imitar as emergentes neopentecostais. Chega a ser ridículo. É como querer jogar tênis com as regras do frescobol. Embora existam semelhanças - duas raquetes, dois jogadores e uma bolinha - o jogo é completamente diferente.
Quanta tristeza e cansaço!
Creio que é chegada a hora da virada (seria uma reforma da reforma?). O velho modelo, gélido e sem vida, definha, enquanto o novo é vazio de conteúdo e coerência. Para onde ir? Parece que o chão da verdadeira Igreja sumiu e muitos estão sem rumo e desiludidos. É claro que, em ambos os lados, existem as exceções. Igrejas sérias que servem a Deus com temor e tremor. Muito pouco num Brasil continental. Por isso mesmo, quero convocar a todos os cristãos espalhados nas mais variadas denominações a uma cruzada de reflexão e ação onde a volta ao verdadeiro e simples evangelho seja o alvo de nossos esforços e orações.
Chega de engano e abuso espiritual. Pare, leia, questione, reflita. E que o Deus Todo Poderoso, Senhor da História e do Universo, tenha misericórdia dos cansados e confusos como eu.
Embora o texto esteja na primeira pessoa do singular, ele foi escrito a duas mãos. Mãos que se encontraram num caloroso aperto no inverno de 1995. De lá pra cá, nasceu uma amizade regada a boas conversas e grandes desabafos como esse que agora você acabou de ler.
***
Marcelo Gualberto é diretor nacional da Mocidade Para Cristo. Postado por Marco Finito, no Púlpito Cristão
A liturgia do culto tradicional, sem vida e engessada, mais parece um cerimonial fúnebre onde todos estão mudos na presença de um morto que não ressuscitou.
O neoculto, por sua vez, é dividido em três partes: o louvor, composto de uma repetição sem fim dos chamados "cânticos espirituais", convida o público a "namorar" Jesus, a sentar no seu colo e sentir seu calor, num estado de quase transe emocional. O ofertório (imenso) é o momento de textos fora do contexto para justificar pedidos de polpudas ofertas com taxa de retorno maior que prometiam o pessoal do "Boi Gordo", com direito a uso de cartão de crédito e/ou débito. A palavra, sempre voltada a um evangelho triunfalista e reivindicatório que obriga Deus a atender todos os pedidos dos fiéis sob pena da não mais contribuir com o seu "reino aqui na Terra".
A música é outro ponto que merece destaque. Com o aumento da chamada população evangélica, o mercado de cd’s tornou-se verdadeira mina de dinheiro para um seleto grupo que tem construído verdadeiros impérios financeiros, produzindo música de questionável qualidade técnica, e duvidosa qualidade teológica. Esses grupos têm gravadoras, rádios, empresas de comunicação, editoras, agências de turismo, etc, tudo isso para "explorar" o emergente e ávido mercado dos irmãos.
Também merece atenção o lastimável envolvimento de denominações e de igrejas locais com o sistema político vigente, alguns chegando ao ponto de serem eleitos a fim de representar a Igreja de Cristo junto ao Estado como se o Deus Todo-Poderoso, que rege o universo, dependesse de um senador ou deputado para implantar Seu Reino na Terra.
Entre o "velho" e o "novo" existem ainda aquelas igrejas tradicionais que, com medo do êxodo dos poucos fiéis que lhe restam, tentam imitar as emergentes neopentecostais. Chega a ser ridículo. É como querer jogar tênis com as regras do frescobol. Embora existam semelhanças - duas raquetes, dois jogadores e uma bolinha - o jogo é completamente diferente.
Quanta tristeza e cansaço!
Creio que é chegada a hora da virada (seria uma reforma da reforma?). O velho modelo, gélido e sem vida, definha, enquanto o novo é vazio de conteúdo e coerência. Para onde ir? Parece que o chão da verdadeira Igreja sumiu e muitos estão sem rumo e desiludidos. É claro que, em ambos os lados, existem as exceções. Igrejas sérias que servem a Deus com temor e tremor. Muito pouco num Brasil continental. Por isso mesmo, quero convocar a todos os cristãos espalhados nas mais variadas denominações a uma cruzada de reflexão e ação onde a volta ao verdadeiro e simples evangelho seja o alvo de nossos esforços e orações.
Chega de engano e abuso espiritual. Pare, leia, questione, reflita. E que o Deus Todo Poderoso, Senhor da História e do Universo, tenha misericórdia dos cansados e confusos como eu.
Embora o texto esteja na primeira pessoa do singular, ele foi escrito a duas mãos. Mãos que se encontraram num caloroso aperto no inverno de 1995. De lá pra cá, nasceu uma amizade regada a boas conversas e grandes desabafos como esse que agora você acabou de ler.
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Marcelo Gualberto é diretor nacional da Mocidade Para Cristo. Postado por Marco Finito, no Púlpito Cristão












4 comentários:
Não tenho a menor cerimonia de pender para o tradicional, que não vejo como funebre e engessado, e sim como mais proximo do fazer tudo com decencia e ordem requisitado pela Biblia. Quando criança minha igreja tinha uma liturgia "comportada" e "coerente" sem nenhuma extravagancia, e eu podia ver meus pais profundamente alegres ao final do culto, porque estiveram na presença do Senhor. Eu os via sempre revigorados, com a fé mais fortalecida, gratos a Deus com o impacto de Sua Palavra. Hoje vejo com tristeza o quanto minha igreja mudou. Ainda não é como a maioria das Batistas corrompidas pela contemporização, mas já adotando uma liturgia "não engessada", já sem critérios quanto a avaliação do que se canta, onde os canticos egocentricos já começam a prevalecer. Eu prefiro estar engessado.
Sinistro esse perfil traçado acerca das instituições religiosas...
E o mais dramático (e nauseante) é o que se insinua entre o velho e o novo modelo, no qual "aquelas igrejas tradicionais que, com medo do êxodo dos poucos fiéis que lhe restam, tentam imitar as emergentes neopentecostais. Chega a ser ridículo". (Daí a clássica "coluna do meio" não funcionar aqui rsss <-riso amarelo)
É por essas e outras que do velho não quero nem o endereço, afinal Deus é solene mas não é sisudo.
Do novo, fujo léguas -como diria minha vó - até porque O PASTOR nem tem problemas de ego nem muito menos determina local a fim de negociar com a ovelha em um momento emocional promovido estrategicamente por uma instituição em seus fascinantes espaços físicos.
Por isso concordo que é URGENTE a chamada a essa reflexão.
Infelizmente nem toda ovelha está disposta a sair da mesmice que a acomodou ali naquele local que habituou-se a chamar de templo, igreja, comunidade cristã...
Porém eu creio que ao dar o primeiro passo nessa cruzada interior, inicia-se naturalmente um processo de maturidade.
Ora, Deus quer adoração em tempo integral.
O mais é acréscimo de homens.
A História que o diga!
Concordo com o Josue e em parte com a Regina, fui alcancado, ha muitos anos atraz, por um evangelho "engessado" mas eficiente, que nao esquecia suas viuvas e necessitados, que nao olhava a cor da pele ou o saldo bancario, que nao deixava de buscar (ate encontrar) a ovelha que se desgarrava. O que mudou de la pra ca Josue', foram os lideres, a mudanca da igreja foi uma consequencia dessa substituicao dos velhos (lideres) pelos novos. Conheco algumas igrejas que ainda estao sob o comando de alguns daqueles "velhos" e as ovelhas estao bem e nada tem a reclamar deles ou de Deus.
A visao moderna, o neopentecostalismo, o evangelho progressista, o "qualquer coisa vale" para atrair o pecador pra dentro da igreja, a oportunidade de grandes ganhos com negocios faceis no meio cristao e' que deu a afinacao satanica a toda essa orquestracao de prosperidade, anjos esvoacantes, grupos de danca (quase mambembe) nos palcos dos "teatros" que outrora se chamava de santuarios e etc...etc...etc...
Por isso nao ha maturidade, nao ha conhecimento, nao ha comunhao com Deus, nao ha compromisso, nao ha... nao ha uma porcao de coisas, mas principalmente, nao houve conversao de verdade, porque, enganados que foram, pensavam estar aceitando Jesus, mas nao estavam, estavam aceitando um sistema... como fazer parte de um clube ou coisa parecida.
E' por isso que precisamos, nao de uma reforma, mas, de uma reconstrucao... e' deixar Ele re-generar o sistema falido.
A Ele gloria!
Percebo nestes dias um empobrecimento de ensino e testemunho cristão. Um crescimento exagerado e nem sei até que ponto real e verdadeiro dos que se chamam "evangélicos"; Já observaram na galeria de vídeos as mensagens de Paul Washer? Nossa! É de uma coragem tremenda suas colocações, e causam um impacto tremendo a uma mente equilibrada e racional. Os modismos tem deturpado a visão do evangelho e as brigas, as divisões mais e mais tem contribuido para o enfraquecimento da fé de muitos. tenho acompanhado os textos aqui publicados e são de uma coerência e verdade gritante e necessária nestes dias de "contos de fábulas". Claro que muitos resistem, se assustam, criticam... mas a grande verdade é que os relativismos e pragmatismos e outros "ismos" presentes tem assolado as mentes e corações de muitos do nossos manos na fé; Conheci a palavra de Deus e o deus da palavra em uma pequena igreja, com um Pastor que tinha uma visão conservadora, mas firme...cânticos simples com arranjos simples, que seriam considerados "ridículos" ao evangeliquês dos dias de hoje...Mas como sinto falta desta simplicidade; verdade é que não podemos ficar isolados nas cavernas, nos guetos espirituais vendo apenas sombras; temos que estar prontos para o Novo de Deus e não o novo do homem, que passa, que se corrompe.
Como diria Bóris... "Isso é uma Vergonha!"
Paz amados... e Léo, que Deus o abençoe Rica e Abundantemente a cada dia.
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