
Por C. S. Lewis
Há um vício do qual nenhum ser humano está isento, que todos detestam quando identificam nos outros, e do qual quase ninguém se diz culpado. As pessoas admitem que têm mau gênio, ou que perdem a cabeça por mulheres ou bebida, ou até que são covardes, mas poucos são os que acusam a si próprios deste vício.
Refiro-me ao orgulho, à presunção. Foi pelo orgulho que o demônio se tornou demônio. O orgulho leva a todos os outros vícios; ele é o perfeito estado de espírito anti-religioso.
Se quisermos saber o quanto somos orgulhosos, perguntemos a nós próprios: “Até que ponto me desgosta que outras pessoas me humilhem, recusem-se a reparar em mim, me tratem com ar de superioridade ou procurem exibir-se?”. O fato é que o orgulho de cada um está em competição direta com o orgulho dos outros. O orgulho é essencialmente competitivo, ao passo que os outros vícios são apenas acidentalmente competitivos, por assim dizer.
O orgulho não vê prazer em se possuir algo, mas em possuir esse algo em maior quantidade do que o próximo. Dizemos que as pessoas se orgulham de ser ricas, inteligentes ou bonitas, mas não é bem assim. Elas se orgulham se der mais ricas, mais inteligentes, ou mais bonitas do que as outras. É a comparação que nos torna orgulhosos – o prazer de estar acima dos demais. Quase todos os males que se atribuem à cobiça ou ao egoísmo são, na realidade, muito mais o resultado do orgulho. [...]
Não imaginem que se encontrarem um homem realmente humilde, ele será o que a maioria das pessoas chamam de “humilde” hoje em dia. Em resumo, ele não será a espécie de pessoa que está sempre dizendo que, evidentemente, não é ninguém. Provavelmente só pensaremos que ele parece um indivíduo inteligente e bem disposto, e que tem um verdadeiro interesse pelo que nós dizemos a ele. Se não gostarmos dele, será porque sentimos uma certa inveja de alguém que parece apreciar a vida com facilidade. Ele não estará pensando em humildade. Ele não estará de modo algum pensando em si próprio.
Se alguém quiser compreender a humildade, acho que posso lhe dizer que passo dar. O primeiro passo é compreender que se é orgulhoso. É um grande passo. Nada mais pode ser feito antes disso. Pois quando alguém pensa que não é presunçoso, isso por si só denota uma grande presunção.
***
Citado em “O Homem em Três Tempos”, do Tácito da Gama Leite Filho, Ed. CPAD, 2ª Edição, pág 247. Extraído da revista Seleções, de Reader’s Digest. Título Original: O grande pecado.
Refiro-me ao orgulho, à presunção. Foi pelo orgulho que o demônio se tornou demônio. O orgulho leva a todos os outros vícios; ele é o perfeito estado de espírito anti-religioso.
Se quisermos saber o quanto somos orgulhosos, perguntemos a nós próprios: “Até que ponto me desgosta que outras pessoas me humilhem, recusem-se a reparar em mim, me tratem com ar de superioridade ou procurem exibir-se?”. O fato é que o orgulho de cada um está em competição direta com o orgulho dos outros. O orgulho é essencialmente competitivo, ao passo que os outros vícios são apenas acidentalmente competitivos, por assim dizer.
O orgulho não vê prazer em se possuir algo, mas em possuir esse algo em maior quantidade do que o próximo. Dizemos que as pessoas se orgulham de ser ricas, inteligentes ou bonitas, mas não é bem assim. Elas se orgulham se der mais ricas, mais inteligentes, ou mais bonitas do que as outras. É a comparação que nos torna orgulhosos – o prazer de estar acima dos demais. Quase todos os males que se atribuem à cobiça ou ao egoísmo são, na realidade, muito mais o resultado do orgulho. [...]
Não imaginem que se encontrarem um homem realmente humilde, ele será o que a maioria das pessoas chamam de “humilde” hoje em dia. Em resumo, ele não será a espécie de pessoa que está sempre dizendo que, evidentemente, não é ninguém. Provavelmente só pensaremos que ele parece um indivíduo inteligente e bem disposto, e que tem um verdadeiro interesse pelo que nós dizemos a ele. Se não gostarmos dele, será porque sentimos uma certa inveja de alguém que parece apreciar a vida com facilidade. Ele não estará pensando em humildade. Ele não estará de modo algum pensando em si próprio.
Se alguém quiser compreender a humildade, acho que posso lhe dizer que passo dar. O primeiro passo é compreender que se é orgulhoso. É um grande passo. Nada mais pode ser feito antes disso. Pois quando alguém pensa que não é presunçoso, isso por si só denota uma grande presunção.
***
Citado em “O Homem em Três Tempos”, do Tácito da Gama Leite Filho, Ed. CPAD, 2ª Edição, pág 247. Extraído da revista Seleções, de Reader’s Digest. Título Original: O grande pecado.












5 comentários:
É verdade...
E é justamente esse insaciável "eu sou mais do que fulano" que leva a uma busca desenfreada. E vã!
A meu ver, essa ânsia exacerbada está ligada a uma tremenda falta afetiva de quem quer chamar a atenção pra si. Em outras palavras, está dizendo "olhe pra mim, me ame". Aí voltamos ao clássico vazio existencial...
Enfim, de modo geral somos todos orgulhosos, uns mais outro menos, uns dissimulados outros agressivamente.
Somos tão orgulhosos que até quando recebemos alguém em casa, está ímplicito nosso orgulho em "receber bem". Já me peguei muito perguntando a mim mesma: eu me esmero em receber bem para o conforto do convidado ou para impressionar e receber elogios? Geralmente a resposta honesta seria: os dois!
Mas tem cura rss e o primeiro passo é admitir nosso orgulho.
E o interessante é que eu observo que esse texto está ligado ao anterior como se fosse uma complementação já que o mesmo fala da comparação que fatalmente culmina em competitividade nociva.
Ainda que não saiba a autoria, gosto de uma frase que li por aí...
"As palavras vaidade e o orgulho são frequentemente usadas como sinônimos, porém O orgulho se relaciona mais com a opinião que temos de nós mesmos, e a vaidade, com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós".
É isso!
Abs...
R.
Show de bola!
Adorei o texto
Obrigado por divulgar textos sempre tão atuais e relevantes.
O pior é que é a mais pura verdade, uma vez ouvi um grande pastor chamado Zezinho, cara bem simples, dele disse que todos nós nascemos com um "brinde": o orgulho.
Valeu Leonardo...
abraço
Paz
Valeu, gente! Obrigado mesmo... Prometo postar mais textos nessa linha. Assim a gente descansa um pouco do Valdemiro Somilagre, do Silas Malacheia, Rene Terravéia, Marco Heresiano e tantos outros vendilhões que sempre dão pauta gente! rs...
Bjo
Graça e paz Léo.
Excelente texto, vou postá-lo, valeu?
O Tácito foi pastor da minha mãe aqui em Teresópolis, só que na época ele estava na Convenção Batista Brasileira.
Fique na Paz!
Pr Silas
Postar um comentário
Comenta!