
Por Avelar Junior
Em fins de novembro de 2009, a TV Verde Vale de Juazeiro do Norte noticiou um fato polêmico: a divulgação de uma fotografia em que a imagem de Padre Cícero aparece com batom e esmalte nas unhas. A fotografia apareceu no livreto de divulgação de uma exposição de arte LGBT, que estava ocorrendo no SESC em Barbalha.
Padre Cícero é uma figura religiosa do catolicismo caririense. Tido por santo porém ainda não canonizado, sua fama atrai romeiros e devotos de todo o país, que vêm a Juazeiro todos os anos em busca de proteção e em gratidão pelos milagres obtidos.
A polêmica envolvendo o desrespeito à imagem do santo causou indignação na região caririense, e a população não apoiou a alegada manifestação artística promovida pela GALOSC, entidade local do movimento LGBT.
A polêmica envolvendo o desrespeito à imagem do santo causou indignação na região caririense, e a população não apoiou a alegada manifestação artística promovida pela GALOSC, entidade local do movimento LGBT.
A igreja católica também manifestou-se contra, considerando um desrespeito ao sentimento religioso dos seus fiéis, mormente porque o ato foi feito por entidade que luta pelos direitos dos homo, bi e transexuais, ao mesmo tempo em que desrespeita o sentimento religioso e a própria imagem do Padre Cícero. A igreja não descartou a possibilidade de ação judicial em resposta.
Não é a primeira vez que algo assim ocorre. Recentemente, na Espanha, um calendário em que quadros de arte sacra conhecidos ganharam uma versão LGBT, com seus personagens representados por “drag queens”, travestis e transexuais, com roupas decoradas com preservativos e outros objetos, causaram revolta e críticas.
Diante de fatos assim, pergunta-se: quais são os limites éticos para a luta por direitos num regime democrático, em que os direitos de todos devem ser igualmente preservados? A resposta é muito simples e até clichê: meu direito termina onde o dos outros começa.
A atitude passa a ser ainda mais condenável e ilógica no momento em que utiliza da imagem de um ser humano de opinião presumivelmente contrária, falecido, e que é reverenciado e respeitado pela religiosidade popular (objeto de culto) e como figura política de importância, ignorando a ofensa causada no íntimo dos devotos. Como se pode exigir respeito quando não se respeita em primeiro lugar? Agindo assim, o movimento LGBT local terminou por dar um tiro no próprio pé.
Entendo que tal movimento, como qualquer outro, é formado por indivíduos bons e maus, éticos e antiéticos, porém jamais idênticos: opinião, bom-senso, respeito, princípios e ética variam de indivíduo para indivíduo, não havendo total uniformidade. Certamente, portanto, nem todo mundo que é LGBT compactuaria com o que foi feito, vez que há formas respeitosas de se fazer qualquer tipo de obra, compatíveis com a convivência harmônica dos indivíduos de uma democracia como sujeitos de direito e sujeitos ao direito.
Não sou católico romano, mas, deixando minha opinião sobre o ocorrido, considero um ato reprovável, abusivo e de extremo mau gosto, totalmente desnecessário. Há muitas maneiras legítimas e belas de se fazer arte e defender ideias, mas creio que, no mar do infinito de opções, mexer com o sentimento religioso do próximo e com seus direitos não é a melhor.
Eu jamais me sentiria confortável em me valer da imagem de algum ser humano de forma desrespeitosa e contrária à sua opinião. O que eu ganharia com isso? Respeito se conquista, se merece. Havendo como eticamente ganhar e merecer respeito, como posso agir de forma contrária e ofensiva e esperar compreensão e acatamento alheios?
Sinceramente, não creio que todos os homossexuais compactuem com atos assim, como também o povo não compactua com todos os atos de seus representantes eleitos, como grupos discordam de vez em quando de suas lideranças, portanto, não devem ser maltratados ou desprezados pelos erros de quem os afirma representar mas age mal.
Devido ao destaque dado ao fato pela mídia local, e diante da reação contrária da população caririense, o GALOSC emitiu uma Nota de Esclarecimento em que declarou que:
“Reiteramos que não somos contra o Padre Cícero, mas muito pelo contrário, sabemos de sua importância e seu valor social, afinal fomos criados sob sua influência histórico-cultural, inclusive criticamos o modo como a igreja católica o excluiu de suas hostes, especialmente em face de sua ligação com o povo, com a fé legítima e sincera dos que fizeram e fazem a maioria da população da nossa região, Estado e país.
“Convém lembrar ainda que “na cultura ocidental, as cores têm muitos significados e muitos estudiosos afirmam que podem provocar lembranças e sensações nas pessoas.” A cor vermelha foi utilizada pelo Império Romano, pelos nazistas, pelos comunistas, pelos cristãos, etc. Até hoje muitos artistas utilizaram-se do vermelho para retratar e provocar sensações, como, por exemplo, nas pinturas do Coração de Maria, nas mãos do Senhor Morto, no corpo ensangüentado de Cristo, enfim. São manifestações artísticas de fenômenos culturais que admitem diversos olhares.
“As unhas vermelhas, portanto, representam esse olhar diverso, aceso, a partir da cor da paixão, da força, da energia, do amor, da alegria, da fé, da revolução. Todavia, a apropriação da arte e sua leitura dependem do mundo, do imaginário de cada um.”
O homem, segundo a Bíblia, foi feito à imagem de Deus. Assim, sua dignidade merece ser preservada; bem como seus valores, suas crenças, seus sentimentos, seu íntimo, sua liberdade. O Estado de direito exige para garantir que tais direitos sejam igualmente assegurados a todos. No momento em que atentamos contra a dignidade de alguém, mostramos que não lhes valorizamos como seres humanos. E se ao mesmo tempo em que dizemos que lutamos por dignidade e direitos, calcamos aos pés os dos outros, lutamos por que mesmo?
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Postado por Avelar Jr, editor do Não, Obrigado! e colaborador do Púlpito Cristão












5 comentários:
Destesto o momumento feito ao coronel e padre Cícero, mas não apóio essa agressão aos católicos, pessoas que tem na imagem desse padre, de vida tão controversa, um exemplo de fé a ser seguido.
Está virando um vale tudo!
Muito boa sua defesa...A fé e opinião de todos devem ser respeitados. Se os homossexuais querem ser respeitados, pois merecem respeito, devem aprender a respeitarem nao é com agressao que se conquista as pessoas. Isso foi uma agreçao religiosa a varios católicos, arte nao agride, arte faz pensar...
O movimento homossexual só se importa com os direitos DELES. Só querem direitos, sem deveres em contrapartida.
Com certeza, mesmo um assassino de protestantes, incendiador de igrejas e coronel latifundiário merece respeito com relação a sua sexualidade.
Veja documentário que o doutor valdecy fez sobre Padre Cícero, após dois anos de filmagens. Intitulado: PADIM CIÇO, SANTOU OU CORONEL? Se gostar, comente, avalie e divulgue. Pode acessar através do blog: http://www.valdecyalves.blogspot.comvisualizar o recado inteirorecolher recado
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