
Por Leonardo Gonçalves
A liberdade religiosa garantida pela nossa constituição e a facilidade de se criar uma nova denominação mediante registro em cartório, são fatores que contribuem para a multiplicação de novas agremiações religiosas autodenominadas evangélicas. Se por um lado essa facilidade tende a auxiliar na propagação do evangelho, por outro lado ela também pode causar transtornos, isso porque os novos grupos geralmente são dissidentes de alguma denominação histórica, e alguns acabam renunciando as doutrinas essenciais do cristianismo, trocando-as pelas novas teologias com ênfase na revelação subjetiva, misticismo, saúde e triunfalismo econômico.
Acontece que o aumento dessas novas comunidades têm levado a uma reação radical por parte das igrejas históricas, bem como pelo pentecostalismo clássico – representado no Brasil pincipalmente pela Assembléia de Deus. Alguns ministros, numa tentativa desesperada de não se contaminarem com os modismos pregados por essas denominações, são tão radicais em seu rechaço que acabam promovendo um ostracismo religioso, como se suas denominações fossem as únicas “corretas”. Nesse afã, acaba-se por falar daquilo que não se conhece. Já vi colegas rejeitarem por completo a doutrina de uma determinada denominação pelo simples motivo de o seu fundador não ter se filiado a nenhuma denominação histórica, ou “politicamente” correta. Eles não querem saber se o pastor "tal" prega a salvação pela fé, se ele tem a Bíblia como padrão, priorizando-a em sua vida pessoal e ensinando-a em sua congregação. Eles rejeitam de cara, pelo simples motivo de tratar-se de uma denominação nova.
A esse rechaço apriorístico por parte dos pastores antigos aos grupos novos, sem que haja ao menos o interesse de conhecer as crenças desse grupo, eu chamo de orgulho religioso. É a vã glória de quem se estriba na placa de uma igreja, defendendo com unhas e dentes um sistema politico com pretensões religiosas, crendo-se, talvez, a última Tubaína quente do deserto. É claro que tem havido muitos escândalos por parte dos novos grupos, mas não podemos esquecer que há exceções: E aqueles dissidentes que abandonaram suas denominações porque cansaram de pisar no sal grosso e de determinar bençãos aqui e ali, que cansaram da melodia simplória e das letras medíocres dos mantras gospels que se ocultam trás a alcunha de louvor? Acaso não vamos considerar esses? E o que dizer daqueles que cansaram dos modelos de liderança que priorizam os números mais que o crescimento espiritual, buscando encher seus mega templos a todo custo, ainda que para isso tenham que abandonar as escrituras e recorrer à metodos importados do mundo dos negócios? Acaso não consideraremos esses?
O orgulho denominacional é nocivo ao crente. Foi esse pecado que transformou os anjos em demônios. Ora, nós não fomos salvos pela Igreja Batista, Presbiteriana, Metodista ou Assembléia de Deus. Não foi Smith, Knox, Wesley ou Daniel Berg que morreu na cruz pela minha salvação. É preciso entender urgentemente que o cristianismo não é propriedade de uma denominação. Como diz sempre o pastor Serafim Isidoro: “Cristianismo é o Cristo!” Eu sei que há muitas heresias sendo propagadas pelos novos grupos, mas eu também sei que tem muita gente boa entendeu que a única maneira de permanecer pura era separando-se de um sistema organizacional corrupto a fim de congregar-se com a conciência tranquila. Não confundamos estes com aqueles. Não misturemos alhos com bugalhos.
Quem lê o Púlpito sabe que eu sou o primeiro a denunciar o erro. Mas eu ainda acho que a apologética, para ser válida, deve ser exercida de dentro para fora. Devemos ser intolerantes sim, mas começando por nós mesmos: intolerantes com nossos pecados, com a nossa mediocridade, e porque não dizer, com o nosso orgulho denominacional. Não sejamos como os heréticos que não sabem dar a razão da sua fé (ou da ausência dela). Não sejamos como os meninos de Corinto que peleavam por causa de Paulo, Apolo e Cefas. Se é para defender a verdade e denunciar o erro, então vamos levar isso às últimas consequências e denunciar toda politicagem, mentira e apostasia, mesmo que seja dentro da “nossa casa”. Vamos dizer a verdade sim, doa a quem doer, mas não vamos retroceder ainda que doa em nós mesmos. Como disse Petrarcca, devemos amar mais a verdade, e menos as agremiações religiosas. Defender a bandeira de uma denominação é burrice. Isso não é apologia, é meninice. É corintianizar. Lembre-se que o cristianismo não pode ser limitado à uma estrutura religiosa. Cristianismo não é denominacionismo; cristianismo é o Cristo!
Acontece que o aumento dessas novas comunidades têm levado a uma reação radical por parte das igrejas históricas, bem como pelo pentecostalismo clássico – representado no Brasil pincipalmente pela Assembléia de Deus. Alguns ministros, numa tentativa desesperada de não se contaminarem com os modismos pregados por essas denominações, são tão radicais em seu rechaço que acabam promovendo um ostracismo religioso, como se suas denominações fossem as únicas “corretas”. Nesse afã, acaba-se por falar daquilo que não se conhece. Já vi colegas rejeitarem por completo a doutrina de uma determinada denominação pelo simples motivo de o seu fundador não ter se filiado a nenhuma denominação histórica, ou “politicamente” correta. Eles não querem saber se o pastor "tal" prega a salvação pela fé, se ele tem a Bíblia como padrão, priorizando-a em sua vida pessoal e ensinando-a em sua congregação. Eles rejeitam de cara, pelo simples motivo de tratar-se de uma denominação nova.
A esse rechaço apriorístico por parte dos pastores antigos aos grupos novos, sem que haja ao menos o interesse de conhecer as crenças desse grupo, eu chamo de orgulho religioso. É a vã glória de quem se estriba na placa de uma igreja, defendendo com unhas e dentes um sistema politico com pretensões religiosas, crendo-se, talvez, a última Tubaína quente do deserto. É claro que tem havido muitos escândalos por parte dos novos grupos, mas não podemos esquecer que há exceções: E aqueles dissidentes que abandonaram suas denominações porque cansaram de pisar no sal grosso e de determinar bençãos aqui e ali, que cansaram da melodia simplória e das letras medíocres dos mantras gospels que se ocultam trás a alcunha de louvor? Acaso não vamos considerar esses? E o que dizer daqueles que cansaram dos modelos de liderança que priorizam os números mais que o crescimento espiritual, buscando encher seus mega templos a todo custo, ainda que para isso tenham que abandonar as escrituras e recorrer à metodos importados do mundo dos negócios? Acaso não consideraremos esses?
O orgulho denominacional é nocivo ao crente. Foi esse pecado que transformou os anjos em demônios. Ora, nós não fomos salvos pela Igreja Batista, Presbiteriana, Metodista ou Assembléia de Deus. Não foi Smith, Knox, Wesley ou Daniel Berg que morreu na cruz pela minha salvação. É preciso entender urgentemente que o cristianismo não é propriedade de uma denominação. Como diz sempre o pastor Serafim Isidoro: “Cristianismo é o Cristo!” Eu sei que há muitas heresias sendo propagadas pelos novos grupos, mas eu também sei que tem muita gente boa entendeu que a única maneira de permanecer pura era separando-se de um sistema organizacional corrupto a fim de congregar-se com a conciência tranquila. Não confundamos estes com aqueles. Não misturemos alhos com bugalhos.
Quem lê o Púlpito sabe que eu sou o primeiro a denunciar o erro. Mas eu ainda acho que a apologética, para ser válida, deve ser exercida de dentro para fora. Devemos ser intolerantes sim, mas começando por nós mesmos: intolerantes com nossos pecados, com a nossa mediocridade, e porque não dizer, com o nosso orgulho denominacional. Não sejamos como os heréticos que não sabem dar a razão da sua fé (ou da ausência dela). Não sejamos como os meninos de Corinto que peleavam por causa de Paulo, Apolo e Cefas. Se é para defender a verdade e denunciar o erro, então vamos levar isso às últimas consequências e denunciar toda politicagem, mentira e apostasia, mesmo que seja dentro da “nossa casa”. Vamos dizer a verdade sim, doa a quem doer, mas não vamos retroceder ainda que doa em nós mesmos. Como disse Petrarcca, devemos amar mais a verdade, e menos as agremiações religiosas. Defender a bandeira de uma denominação é burrice. Isso não é apologia, é meninice. É corintianizar. Lembre-se que o cristianismo não pode ser limitado à uma estrutura religiosa. Cristianismo não é denominacionismo; cristianismo é o Cristo!
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Postou Leonardo Gonçalves, mentor dessa doce subversão chamada Púlpito Cristão












11 comentários:
Apologética é valida, mas está muito banalizada. Ninguém convence ninguém, muito menos com a lógica. Pior que alguns deixam de pregar e se enfiam de cabeça nessa luta vã (qdo a desconectada do "envio do Espírito de Deus"). Parece-me que poucos ainda confiam/dependem na Soberania de Deus.
Desde que saí da comunidade em que congreguei por 1 ano e meio, ouço rumores que os líderes de lá continuam dizendo que estou em um profundo engano, que tudo é ilusão, e que não tarde voltarei como 'filha pródiga'. Só não enxergam a infinidade de heresias e denominacionalismo que pregam no púlpito levados pela visão megalomaniaca de um 'bispo'.
Obrigada por esse post, foi bastante edificante pra mim, e creio que também será para outros que passaram pelo mesmo!
Leonardo,
Seu texto é importante para estarmos mais dispostos ao exame e reflexão.
Contudo, creio que as dificuldades maiores encontradas para o aceitar o "novo grupo", pesa em como essas comunidades normalmente são fundadas.
Divisão na igreja, briga com pastor, contrariados com seu ministério na igreja local, discordia em pontos liturgicos, auto-imposição de mãos, enfim esse e outros motivos tem levado muitos a fundar "outros grupos".
Não quero considerar que todos os "novos grupos" tenham o histórico desenhado nas linhas atrás, entretanto, é dificil uma nova Igreja nascer sem as atitudes repudiantes supracitadas.
Um forte abraço,
Marcos Sampaio
Marcos Sampaio,
Estes são os bugalhos a que me refiro. Não os misturemos com os alhos.
Abraço,
Leonardo.
Olá,Leonardo!
Estive postando algo relativo em meu blog... O pastor Ciro até publicou o meu texto e deu pano pra manga!
Infelizmente estamos enfrentando sérios problemas... Placa de igreja agora salva, batiza e ta levando pro céu. Todo mundo quer achar defeito na denominação dos outros. Não por defesa apologética,mas por pura ignorância e detenção de meias verdades!
É mais fácil cada um interpretar a bíblia ao seu bel prazer e achar embasamento pro que lhe convém...
Tudo muito lamentável!
Puxa vida! Eu queria ter escrito isto.
Me comverti na Batista. As pessoas exclamam "Ah!" Com aprovação.
Congreguei na Nova Vida. Elas fazem cara de hummmmm. Com dúvidas.
Sou membro da Presbiteriana. De novo, aprovação.
Quanta bobagem.
Minha conversão foi em Cristo. Vivi um processo importantissimo de santificação e estudo da Palavra quando estava em Goiânia, na Nova Vida. Hoje, na Presbiteriana - morando em outra cidade - fico enojada com a arrogância (de alguns, é claro) e o orgulho com que dizem "Eu sou presbiteriano". Pois eu digo: Sou CRISTÃ!
E basta!
O problema está no modelo. O modelo está errado. As denominações estão pautadas em doutrinas e mais doutrinas, teologias e mais teologias. Jesus não é mais o modelo. O evangelho de Jesus não é interessante para muitos "criadores" de igrejas, comunidades, doutrinas e afins.
Não é interessante porque é simples de entender, as pessoas parecem não querer mais a essência da simplicidade.
Ao ler os evangelhos parece-me muito claro o que Jesus quis dizer. Não digo como alguém que consegue obedecer plenamente, gostaria de fazê-lo.
Não me parece que Jesus deixou margem para discussões acerca de sua mensagem principal.
O humano é que se perdeu no meio dessa confusão religiosa.
Léo
Eu convivo diariamente com um grupo específico de "ORGULHOSO denominacional" que se considera acima do bem e do mal, que não discute, não entra "em contendas" mas que é bem pior e chega a ser mais do que uma afronta com seu silêncio gritante e arrogante, sua pseudo-piedade, suas vestes, seu jeito morno, sua postura em cima do muro, suas performances carregadas de religiosidades.
Tem deles que nem ficam assim tão silenciosos (e até seria melhor nesse caso rss) pois chegam ao cúmulo de repetir disparates grotescos do tipo: "tenho orgulho de pertencer a tal denominação".
Deixam de adorar a Deus para se incharem em orgulhos e vaidades terrenas que os levam a ADORAR a Mãe-igreja.
É triste :(
Abs...
R.
Ai ai ai... como foi que "converti" saiu com M??? Digitando errado, é claro! Perdão língua portuguesa. Perdão leitores do blog.
Cristiane Carrillo,
Li seu texto no blog do Ciro, e concordo com as suas colocações. Só discordo daqueles que querem criar regras para os blogueiros, condenando o humor como ferramenta de comunicação e conscientização cristã.
Humor é uma questão que está bem enraizada na nossa cultura, e pode sim, ser usado por nós. Afinal, Jesus era divertido!
Um grande abraço!
Valéria,
Cristianismo está muito além da "placa". Mas reconheço que as vezes uma "igreja" se torna tão toxica, que é recomendável abandoná-la (Ex: IURD e IMPD).
Ah, e erro de digitação eu também cometo, e aos montes! Não se preocupe, rs
Abraço, maninha!
Pr. Leonardo:
Concordo com sua colocação de que algumas denominações tornaram-se toxicas.(ks) Neste ponto, concordamos com Carl Max, que religião (algumas) pode ser o ópio do povo. Neste silogismo, os "profetas" e "lideres" dessas religiões toxicas não se equipariam a traficantes de droga espiritual?
NandoGomes
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