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23/06 por: admin 8 Comentários

Graça profana e barro redimido

Leonardo Gonçalves

Quando conduzido ao pecado, me visto de pensamentos hipócritas. Culpo pessoas pelo erro que é meu e desejo beber de uma graça profana. Busco palavras em escritores pífios, desejo ler meus contos prediletos. Rejeito a priori aquele livro de capa negra que me abre a alma como um velcro, e me desnuda o ser quando desfere o corte.

Porque é que desejo ler Brennan Manning e não o Livro? Porque é que desejo tanto ler um capítulo de Phillip Yancey?

Sim, eu sei: É porque estou desesperado por graça; mas é de uma graça profana que não pune o erro. É porque desejo um Deus que me ame sempre, mas fujo do pastor que com cajado fere. É porque desejo ser abraçado como o pródigo, mas esqueço que há disciplina divina para quem erra.

Ainda bem que a Graça é soberana, e sem contemplar minhas preferências, age. Deixa-me ansioso, enche-me de temores, me confronta e humilha. Mas quando atua, toda culpa leva. E deixa a alma leve… Que a tua graça leve!

Ah, como é difícil ser barro! Que grande inimigo abrigo dentro de mim! A vontade é bigorna e o desejo, um martelo, que quando golpeia despedaça sonhos, sufoca o fogo, pisa a brasa, faz cessar o calor… Como está tudo mais frio agora!

E você, amigo leitor?

Oh, miserável homem: Quem te livrará deste corpo de morte?

Acaso pensas tu, oh fraco, que és forte?

Pois estás condenado a esta mesma sorte.

Mas a graça é graça! E se o homem peca, é porque é barro. E se a graça fere é porque é graça! E se o pai corrige, é porque ama.

Sim, sou barro! Mas o barro comprado por sangue…

Sim, sou barro! Mas barro lavado, projetado antes da fundação do mundo para ser um vaso de honra.

E embora temores a mente assole, e mesmo quando tambores anunciam a morte, nenhum pecado mudará minha sorte, pois não é maior que o Cordeiro, nem a Graça, a Promessa, a disciplina, o perdão ou o amor.

À Paulo, o mais profano dos apóstolos.

***

Leonardo Gonçalves, eternamente grato pela eterna graça, no Púlpito Cristao

8 comentários sobre “Graça profana e barro redimido”

  1. Márcia Gizella disse:

    "Amém"!

  2. Kika de Castro disse:

    Olá querido irmão, suas palavras fluiram com leveza, mesmo sendo um cutruco (exortação). E com certeza o problema não esta em querer ler Brennam ou qualquer autor que fale da graça,mas sim abrigar-se nele e não em Cristo,na linhas de um livro e não nas palavras vivas dO livro de capa negra, e tem também as rosas( rsrsrs). Porque ai de nós sem a graça, morreriamos amarrados ao "corpo desta morte" a nos consumir. E também é claro que não podemos usar desta graça, que nos torna livres, para outra vez nos submetermos a um jugo de escravidão.
    Mas o que queria dizer mesmo, ai de nós que somos pessoas de labios impuros e habitamos no meio de um povo de impuros labios e ainda assim fomos agraciados com o amor de DEus expresso em Cristo. " A tua graça me basta, pois o teu poder se aperfeiçoa em minhaas fraquezas" …Aleluia!!!!

  3. Leonardo Gonçalves disse:

    Oi Kika,

    Manning é brilhante em certos aspectos, e Yancei, excetuando suas ultimas mancadas, é um bom escritor. No entanto, o que pergunto é:

    "O que faz com que as pessoas busquem a Graça de Deus mais no Manning do que no apóstolo Paulo? Mais no Yancei do que em Pedro? Muito mais nos livros, que no Livro? Mais nos seus autores prediletos e menos em Jesus?"

    Mistérios… =)

    Grande abraço!

    Léo.

  4. Emerson Luís disse:

    Não conheço esses autores, mas compreendo esses sentimentos e concordo com seu raciocínio. Queremos o amor de Deus, mas não sua justiça e sabedoria. E eles são inseparáveis.

    * * *

  5. Clovis Cabalau disse:

    Nosso pecado jamais poderá apagar a maravilhosa Graça do Senhor Jesus. Manning e outros são bons, mas longe da sabedoria santa e sobrenaturalmente comissionada do apóstolo Paulo. Somos barro, sim, mas que bom saber que sempre podemos descer à sala do oleiro. Ele sempre nos quebra para fazer de nós vasos novos. Força sempre, O Senhor é contigo.

  6. Isaias disse:

    "É porque desejo ser abraçado como o pródigo, mas esqueço que há disciplina divina para quem erra".

    Engraçado… eu nunca li na Bíblia que o pai castigou o seu filho pródigo pelos erros que ele cometeu… Pelo contrário: ele foi recebido com festa por um pai humano (demasiado humano, na visão de certos religiosos), que o acolheu em seus braços, lhe vestiu com a melhor roupa, colocou um anel em seu dedo e sandálias nos seus pés.

    O castigo já é as próprias conseqüências negativas dos erros que praticamos, mas sem dicotomia, sem a relação de causa e efeito (erros X castigo). Toda ação errada que praticamos traz em si malefícios. Não existe um "castigo divino" posterior, pois já recebemos o prejuízo, digamos assim.

  7. Anonymous disse:

    Reflexão:
    Porque existe a graça?
    Existe por causa da lei, pela consciência divina de que ao homem é impossível se salvar, sendo fielmente cumpridor de toda lei no todo tempo e no espaço.
    E porque então existe a lei?
    Para confirmação da graça.
    Não como condição de salvação, mas como conjunto de regras éticas e disciplinares, cujo cumprimento por parte do homem, relevará a extensão e a intensidade do seu amor por Cristo.
    Só os que conheceram a graça salvadora de Cristo, é poderão verdadeiramente amá-lo, e somente o amando é que se tornará forte para exercer a liberdade advinda dessa graça, que o fará espontaneamente desprezar a tentação de violarmos as suas leis espirituais, morais, sociais e naturais.
    A liberdade da graça é:
    A livre consciência de recusar o pecado, mesmo tendo oportunidade de praticá-lo e a "permissão" pra praticá-lo.
    Quem acha que é livre para fazer tudo o que quer, é na verdade,escravo de seus próprios desejos.
    Fique na Paz, amém!
    Por fim, Meu Caro Pastor Leonardo.
    Afinal de contas, os caras (Maning e Yancei ) não são tão "desgraçados" assim, né (kkkkkkkk)
    Nando Gomes

  8. Leonardo Gonçalves disse:

    Isaías,

    A Bíblia diz que o Senhor nos disciplina porque nos ama (Hb 12:6). Quando o salvo peca, ele é disciplinado pelo Senhor, pois ele é filho. E nenhum pai que deveras ama deixa de disciplinar o filho.

    Esta disciplina pode ser ativa e passiva. Passiva, quando apenas colhemos as consequências de nossos erros. Ativa, quando o próprio Deus, em virtude da obstinaçao do pecador, usa seu poder para conduzí-lo ao arrependimento, muitas vezes em um processo doloroso.

    Seu comentário é PARCIAL. Deus nao disciplina pelo erro perdoado, mas disciplina para conduzir ao arrependimento e, consequentemente, o perdao.

    Nao me disciplinará quando eu me arrepender, mas disciplina para conduzir à reflexao e ao arrependimento.

    Paz e bem.

    Léo.

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