É Preciso Saber Viver, É Preciso Saber Perder…
As imagens e doces lembranças dela cantando não me saem da memória. Com freqüência lá estava ela cantarolando com seu talento musical, que foi despertado em concursos de músicas na sua juventude:
Quem espera que a vida / Seja feita de ilusão / Pode até ficar maluco / Ou morrer na solidão /
É preciso ter cuidado / Prá mais tarde não sofrer / É preciso saber viver…Toda pedra no caminho / Você pode retirar / Numa flor que tem espinhos /
Você pode se arranhar / Se o bem e o mau existem / Você pode escolher / É preciso saber viver…É preciso saber viver! / É preciso saber viver! / É preciso saber viver! / Saber viver!… Saber viver
Mais tarde porém, depois que tive o dissabor de vê-la sofrendo de insuficiência renal crônica e conseqüente morte aos 57 anos, e de também ter de enfrentar a dor da perda do meu irmão mais novo de 30 anos em um trágico acidente de trânsito, pude lembrar das cenas da minha infância, adolescência e juventude, e entender que: Saber Viver, é Saber Perder também.
A vida tem se encarregado de me mostrar as mais diversas facetas da perda, em diversos níveis de intensidade e nos mais variados caminhos pelos quais ela se manifesta.
Vai desde simples coisas como objetos e projeções pessoais de pouco ou estimado valor, a expressões mais graves, como a perda de gente amada que se foi para a eternidade, deixando o vazio da saudade.
Dentro de nós reside um forte apelo de possessão, que é despertado todas as vezes que estamos diante de uma situação real ou imaginária de perda.
Esse sentimento nos consome, porque nossa inclinação almática que é fruto da natureza adâmica caída, não sabe lidar com os processos da vida que nos fazem sofrer o débito de coisas e valores com os quais amamos e nos apegamos, e que sem os quais consideramos que a vida não é viável.
É por esta razão, que as ansiedades e fobias latentes na nossa alma, entram em conflito com a proposta de descanso do Mestre que diz: “Não vos inquieteis”, “Basta a cada dia seu próprio mal”.
Essa deficiência instalada nas nossas emoções que nos assombra, é que nos faz ter um estilo de vida acelerado, frenético e fibrilante, que só contribui ainda mais para o desgaste da fé e confiança, e do projeto de simplicidade e descanso elaborado no Gênesis.
Verdade é, que alguns sentimentos são até autênticos e legítimos como conseqüência da nossa humanidade e sensibilidade, mas não estamos acostumados a subtração ou divisão, e quando estamos diante dos problemas e desafios da vida, temos a tendência de equacionar somente as percepções que resultem em adição e multiplicação, e nunca a possibilidade do débito, porque o nosso alvo é a tão sonhada “ilha da segurança”, blindada pela falsa idealização de imunidade atemporal.
A perda dói! A perda frustra! A perda desestimula!
A perda dói, porque leva consigo valores, sentimentos e aspirações que reputávamos como essenciais à vida, e que sem piedade nos faz sentir a dor da separação.
A perda frustra, porque revela a fragilidade e transitoriedade dos nossos castelos de areia, construídos na perspectiva do eterno e vitalício que são confrontados com o aqui e o agora.
A perda desestimula, porque a percepção que sobrevive em meio a decepção é: “Será que vale a pena tanto esforço e sacrifício sem a certeza de retorno, ou de continuidade daquilo a que tenho me dedicado?”.
Apesar de todos os transtornos causados pela perda, pode ser ela a alavanca e a força motriz para novas possibilidades e realidades, e que nos conduza a felicidade sem utopias, que foi amadurecida pela sabedoria adquirida de “Saber Viver e Saber Perder”.
Cabe a nós resignificá-la em Graça, procurando focar na pedagogia do que elas podem contribuir com o nosso crescimento como seres humanos, e como humanos que ajudem outros seres a crescer em meio às perdas que a vida proporciona.
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Franklin Rosa é colunista no Púlpito Cristão








Obrigada pelo texto irmão!
Acabei de fazer um post no blog – E Este texto veio complementar meus sentimentos…
Se puder ore pela "Sila"
Que a paz do Senhor esteja presente na sua vida.
È preciso sim saber viver, talvez os pastores evangélico estejam em falta em ensinar as suas ovelhas a aprenderem a viver, porém , pelo que vejo a maioria dos pastores ao contrário ensinam o povo a viver fora da realidade, sonhando com fábulas que nunca ou quase nunca irão se realizar.
Muito bom o texto!
De fato, todos temos uma imensa dificuldade em lidar com a perda.
Legal a maturidade da fé do apóstolo Paulo, que disse "Aprendi a viver bem em toda e qualquer situação".
O Stênio Marcius tem uma música, o tapeceiro, que sugere que as linhas tristes de nossas vidas irão compor uma beleza futura.
Lembro daquela versículo: " Tudo coopera para o bem dos que amam a Deus".
É por aí…
Abração!
Júlio Koenigkam
Muito legal a imagem do jogo de xadrez e a música é profunda mas saber perder é necessário muito hoje em dia. Muito mais do que cantar: "Quando se perde é que se ganha".
A paz do Senhor Jesus! Seu blog é uma benção e estou te seguindo. Se puder visite meu blog e nos siga também: http://jovensunindoforcas.blogspot.com . Que Deus te abençoe!
O dia da angústia chega a todos os mortais. Chorei por cinco anos, pela perda de um ente querido, até que o Senhor me falou: "Vou enchugar as tuas lágrimas". Quando passo pela data da morte deste ente querido, eu, literalmente, nem me lembro mais. Chorei copiosamente, por trê dias, pela perda de uma grande amiga e mulher de Deus. Deus tornou a enchugar as minhas lágrimas. Quando penso naqueles que não conhecem o nosso Amado Conforto e Bálsamo de nossas almas chamado Cristo – o meu coração doe. Com todo o sofrimento que venhamos passar, somos um povo mais que privilegiado – o nosso Socorro é Infalível. Abs. Mariom
Este vídeo que encontrei no iPródigo ilustra bem, ao meu ver, o texto acima:
http://vimeo.com/20297777
Profundo e filosófico o texto, que nos ensina a pisar o chão da vida com fé e lucidez.
Grata a Deus pelo feliz encontro com essas palavras!