Série Arte no Púlpito 2: A arte secular de Jesus, as catacumbas e as galerias de hoje

Por Antognoni Misael
Há quem continue pensando que a arte seja um assunto secundário na vida cristã por achar que a Bíblia ignora este aspecto representativo. Lembremos que o Novo Testamento ratifica a primeira obra de arte da história da humanidade vista em Gênesis 1: “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3).
Obra de arte também foram as invenções de Jesus, homem que cotidianamente fazia uso das técnicas e lapidações para alcançar um resultado bonito e satisfatório para seus clientes. Ora, Jesus era carpinteiro, não esqueçamos. Mas, será se o nazareno só fabricava utensílios cristãos? É óbvio que não. Jesus não pensava como muitos crentes de hoje que dicotomizam as coisas por pura religiosidade equivocada.
Vendo por esse prisma, aqui temos um paralelo entre o humano e o divino, apontando para o eterno. Deus sendo glorificado pela Sua obra, a criação; e Jesus, trabalhando com a matéria-prima de sua morte: prego, martelo e madeira, onde desde pequeno já lidava com seu projeto de redenção, a Cruz!
O Pai (criador) e o Filho (redentor) eram artistas. Nós herdeiros, também somos e precisamos ratificar essa sensibilidade!
O que me angustia é notar que muitos cristãos ainda são viciados em mediocridade. Estes retiram as artes do itinerário por acharem que ela milita diretamente contra a fé, aí caem nas garras de uma indústria cultural evangélica pobre de conteúdo onde produtos “espirituais” são oferecidos como complemento de suas religiosidades. Frases como: “Essa música tem unção porque me arrepia, aquela não”!, “Na minha casa não entre CD do mundo”, “Esse utensílio é do capeta”, “Este livro é de um autor ateu, jogue fora”, são comuns entre os descrentes da arte.
É nesta roda viva que entra o velho debate da pobreza musical e da carência de outros ramos da arte no meio cristão como a pintura, poesia, literatura, etc. – coisa que muitos blog’s criticam e com razão -, contudo devemos não só criticar, mas iniciar uma verdadeira campanha de divulgação arte cristã de qualidade. Ela existe, cabe-nos irmos até ela. Sendo assim nós do Púlpito Cristão, em parceria com o Arte de Chocar convidamos os subversivos a reverberar esta Nota!
Voltando a história, lembremos-nos da igreja primitiva que sofreu forte perseguição dos romanos. Escondidos, os cristãos se reuniam nas catacumbas para aprender mais sobre Cristo e produzirem suas obras. Desenhos, acrósticos, textos, enfim, tudo era produto da criatividade da igreja e que demonstrava uma perspectiva de arte como representação da realidade e cosmovisão – tudo a ver com a arte dos mega shows, mercado, fama e grana não é?!
Contudo, observando para as circunstancias da igreja primitiva, penso: precisamos aprender com ela! Precisamos fazer com que nossas igrejas locais dialoguem de forma franca com a arte do seu tempo, sem abrir mão da cosmovisão cristã sobre as coisas.
Que se abra em cada igreja local uma galeria de artes. Exponha-se a criatividade desse povo que diz ter a mente de Cristo. Transforme-se a sociedade pela renovação do pensar de cada salvo. E que arte e fé caminhem como nos tempos de outrora, lado a lado!
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Na série Arte Sã 3 trataremos um pouco da arte na Reforma Protestante dialogando com nosso tempo. Antognoni Misael, inflamando arte no Púlpito Cristão.
5 Comentários
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sem falar que Jubal filho de Caim foi o Pai dos que tocam harpas e órgão (Gn 4:21) já pensou se partisse dessa premissa, os evangélicos jamais usariam instrumentos musicais, pois foi o filho de Caim que começou com essa “pecaminosidade” sou apreciador da arte, filmes, musicas, etc… e o artigo esta ótimo parabéns!
Ah, meu caro Antognoni, voce vai levar algumas pedradas (se e’ que ja nao as sentiu), por esse pensamento “mundano”. E’ doentia e chegou a se transformar numa especie de cultura essa maneira de pensar dos crentes de hoje. O artista “goxpel”, pode fazer show no templo, cobrando alto, diga-se de passagem, sem pagar o aluguel que pagaria no teatro e ainda reclamando dos que nao o aben$$oaram, comprando seus produtos, ou do pastor que nao colaborou fazendo mais propaganda. Criou-se uma geracao cega quanto a cultura que nao seja a do chiqueirinho onde vive (usei a palava chiqueiro, posto que somos rebanho). Tudo o mais que estiver do lado de fora e que nao tiver o cheiro da minha turma e’ do diabo.Lamentavel, porque jamais iremos pregar o evangelho, como ordenou Jesus, pelo exemplo. Os impios jamais terao chance de ver em nos coisas dignas de serem imitadas, nao e’ mesmo? Mantenha essa visao e essa bandeira, meu querido irmao, nunca perca isso, em nome de Jesus. Nele!
Eu creio que arte é arte, mas permita-me discordar em 1 item, musica. É verdade que existem musicas, que são muito bonitas e que não falam necessariamente de Deus, mas se colocarmos num filtro bem ralo, vamos ver que a GRANDE maioria , não passaria pelo menor controle de qualidade. letras que não edificam, não divertem e pelo contrario deprimem ou denigrem o ser humano. Letras horriveis e em um CD por exemplo com 16, 17 musicas achamos 1 ou 2 musicas ouviveis. ou seje tenho de ouvir 15 coisas ruins pra acha 1 que valha a pena? Apesar que ultimamente , tem muita musica ruim na igreja tambem…
Excelente texto. Mais… e as esculturas?
Gostaria de falar então das imagens católicas, tão atacadas no meio protestante. Tenho amigos católicos que afirmam categoricamente que não adoram tais imagens (logo, não há idolatria), mas as têm como “biografias” dos heróis da fé, com foco em seus exemplos de vida, utilizando a arte para divulgar os valores cristãos (inclusive, justificando tal fato a partir da arte cristã dos primeiros séculos). Talvez seja um bom momento para entender o posicionamento desses nossos irmãos em Cristo.
geraldofelipe2@gmail.com
Geraldofelipe2@blogspot.com.br
Antes de entrar no foco da discussão, permitam-me fazer uma breve observação. Carpintaria não é o mesmo que marcenaria. O carpinteiro tem o seu ofício no trabalho com telhados e o marceneiro, na fabricação de móveis. Ademais, não era comum o uso de extenso mobiliário na palestina na época de Jesus.
Então, basear suas afirmações acerca do período na vida de Jesus no trabalho secular é apenas especulação, embora eu creio que ele fosse instruído na arte de José.
Quanto à questão da arte em si, concordo. Não podemos viver bitolados. Mas no que diz respeito às músicas, me lembro que fui confrontado por um secretário de cultura “cristão” que me disse que a bíblia não condena ouvir ou cantar musicas ditas mundanas.Os olhos dos não crentes fixaram-se em mim. Bem, respondi: – voce está certo, não há uma referencia clara acerca de ouvirmos ou não estas músicas. Mas me permita lhe dizer algo. Em I Co 6:12 e 10:23 a bíblia nos diz que todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me edificam, Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas. Se não edificam ao que a bíblia em II Co5:17 chama de nova criatura, porque eu vou fazer uso de algo que não serve para a edificação de minha alma? Então caro blogueiro, este é o motivo porque ouço apenas – e apenas – material sério que louve à Deus, sem desvios teológicos desta industria de entretenimento gospiiiil, irresponsável, que tem levado o nosso povo ao erro.
Abraços.
Na paz do Senhor Jesus.