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27/07 por: Antognoni Misael 7 Comentários

A fé e o pano de saco

Por Mikaella Campos

Sou um pouco implicante, confesso! E fico inquieta quando vejo interpretações erradas sobre passagens bíblicas. Logo, não posso deixar de implicar. E o engraçado é que quanto mais eu fujo de rituais místicos evangélicos, mais pessoas apresentando a proposta surgem ao meu redor. Será uma provação? Pode até ser. E uma dessas aparições que me tirou da graça foi o saco. Isso mesmo. O saco. Ou melhor, um pano de saco.

Ele chegou do nada. Logo depois do louvor, no grupo onde me reúno. Todos ali estavam querendo se quebrantar diante de Deus. Mas o que o saco tem a ver com isso? Pois é, até agora estou tentando entender também.

O momento de intercessão começou ao toque do shofar. Até aquele instante eu nem sabia o que isso significa. Ok, pensei eu. Vou deixar essa passar. Dei uma risada. Não queria ser debochada. Afinal, com a fé a gente não brinca. Apesar de termos o direito de contestar visões equivocadas sobre a Bíblia, deixei aquilo de lado e tentei entrar em comunhão com Deus, sem que o shofar me atrapalhasse na concentração.

Mas até que o pano de saco veio me desconcertar. A pessoa que estava ministrando a intercessão entregou para cada participante uma peça rústica, dessas usadas na limpeza da casa. A ideia seria mostrar para Deus que nós somos pó, um nada, insignificantes.

Para não agir com rebeldia, eu aceitei vestir o saco. Até porque mal não poderia me fazer, não é? Leigo engano. Além de não me abençoar, o pano me trouxe em segundos uma crise alérgica. Meu nariz entupiu, minha garganta começou a arranhar. E eu só pensava que queria sair daquela situação por um duplo motivo: primeiro por convicção de que aquilo não passava de uma bobagem e segundo para evitar que eu precisasse me entupir de remédios para curar meu desarranjo alérgico.

Aguentei o saco até o fim da ministração. Quando acabou, lavei meu rosto e logo fui para casa. Naquele dia, nosso encontro ocorreu até a meia-noite. Mesmo cansada, porque havia trabalhado o dia inteiro no jornal, cheguei no meu lar doce lar e fui pesquisar sobre aquilo que eu tinha visto ali. Eu não podia acreditar que tinha vivido e aceitado fazer algo fora dos meus princípios cristãos.

Logo nas primeiras pesquisas, encontrei de cara um significado para aquilo. O saco vem sendo usado por muitas igrejas evangélicas em rituais judaizantes, para lembrar o que o povo de Israel fazia para se arrepender do seu mau caminho. Meu sentimento ficou ainda pior porque eu já sentia que aquilo tudo era um engano doutrinário.

Hoje, muitos cristãos acreditam que precisam vestir sacos para mostrar que estão arrependidos pelos seus pecados. Mas onde entra Jesus nessa história? Desde pequena eu aprendi na Escola Bíblica Dominical que acreditar no Cristo, aceitá-lo em meu coração com meu salvador e confessar a ele os meu erros seriam ações o suficiente para ter meus pecados abonados. Afinal, Ele, o Messias, morreu na cruz pelos meus pecados.

No Velho Testamento, vemos muitas situações em que os judeus se vestiam com saco em demonstração de arrependimento. Mas você lembra dos fariseus? Pois é, eles também usavam panos de saco, ficavam se lamentando na porta do templo, para mostrar para o povo que estava sofrendo devido aos pecados da nação. Pura hipocrisia.

Então, veio Jesus. Um jovem revolucionário, que tirou das costas da população esse peso e mostrou um caminho da salvação. Qual é esse caminho? Ele mesmo, oras. Nada de saco, nada de shofar. Nada de ritual. É tudo uma questão de fé, de crer que Cristo é o Messias, o salvador, o redentor, Deus em carne que morreu, venceu a morte, ressuscitou, subiu aos céus e vai voltar.

Ao ler o capítulo 11 de Apocalipse nos deparamos com as duas testemunhas que vão atuar no fim dos tempos. Logo no verso 3, uma das características importante dessas duas pessoas são apresentadas: elas estão vestidas de saco. O que significa isso? De acordo com o comentário da Bíblia Nova Versão Internacional, o saco que eles usam é uma peça rústica feita de pelo de animal. A vestimenta simboliza o luto devido à tormenta que assolará a Terra. É também um sinal de humilhação, de arrependimento pelos pecados.

A pergunta que fica no ar, devo ou não usar o saco na hora das minhas orações já que até as duas testemunhas vão usar? Se quiser ter uma crise alérgica como eu, deve sim. Mas se quer apenas se arrepender dos seus pecados, basta dizer a Deus, pela intermediação de Jesus, que deixa de lado seus erros, seus desejos humanos para ter uma vida em comunhão com Deus.

Ah, esqueci de explicar o que é shofar. Quer saber mesmo? Vou te deixar curioso. Isso vai ficar para um novo post.

***

Mikaella Campos é amiga, jornalista, blogueira (que nunca mais vestirá pano de saco) e subversiva. Escreve para o Minha vida em Cristo sem heresias. Púlpito Cristão.

7 respostas para “A fé e o pano de saco”

  1. joao ferreira disse:

    Quando morava em Juiz de Fora _ MG, passei por algumas experiências quase desse tipo.
    Não vesti o referido vestuário, mas como se estivesse em uma daquelas igrejas onde o apóstolo é adepto do Kanabis Sativa, pensei que tudi faria parte do espetáculo.
    Com tempo fui amadurecendo espiritualmente e hoje entendo poruqe as igrejas em sua maioria perderam o rumo e se transformaram em casas de shows de horrores.
    Não estou pecando e memcoloco diante de Deus ao falar assim, pois nem Deus suporta brincadeiras que envolvem um lugar onde um dia fora consagrado para ele.
    Assim como Jesus chamou aqueles homens que praticavam bazar e casa de câmbio negro no templo de covil de ladrões.
    Pois foi ele que disse: – Sede meus imitadores.
    Não chego nem de perto na sua saliva, mas me coloco a sua disposição para combater a falta de Rivotril na vida de alguns lideres frenéticos…

  2. tito monteiro disse:

    Eu tenho algumas considerações a fazer.Shofar é um instrumento da cultura israelense,feito de chifre de carneiro.A cultura brasileira o instrumento cultural brasileiro é a percussão,somos filhos de africanos,e nossa música é o samba e letra feita pelos brasileiros,a nossa dança é o samba.Há preconceito contra o que é nosso,o que é nosso dizem que é do mundo,coisa do capeta, e cantamos músicas e letras da cultura americana e judaica sem entender o que estamos cantando.Isso é uma vergonha.Certa ocasião fui numa “santa ceia” a moda judaizante,comi carneiro assado,pão asmos e no lugar do vinho veio suco de uva,dançaram e gritavam o nome de Israel chamando-os de povo que Deus ama e portanto nós temos que amá-los tb.Não fui convencido e caí fora.E a festa continua.tito from brasília. Xô,xô,e xô.

  3. Regina Farias disse:

    A questão não é o uso de instrumentos musicais, seja shofar ou atabaque, címbalo sonoro ou címbalo retumbante. A grande questão é SEMPRE o louvor (adoração/gratidão) que deve vir do coração.

    O louvor a Deus é algo que flui naturalmente das pessoas. Quando louvar está atrelado a um dever, uma mera obrigação, inevitavelmente surge questionamento do tipo acima.(Aliás, questionamento é algo sempre saudável, pois que nos impulsiona a exercitar o senso crítico)

    Quando tais instrumentos são usados unicamente como instrumentos DE LOUVOR, então são agradáveis a Deus. Seja por meio de címbalos (os barulhentos pratos de bronze)ou pelo som mavioso das harpas e das flautas.

    “Todo ser que respira louve ao SENHOR”! Seja por meio de palavras ou de música.

    Já dizia o salmista…

  4. Janeia disse:

    Parei com essa de pano de saco, eita povo ignorante ou cheios de modinhas. Pano de saco significa humilhação, arrependimento, a pessoa está muito contrita e quebrantada, que está se esvaziando de si mesma e que está buscando a Deus. Hoje essas igrejas estão cheias de atos proféticos e superstições fugindo totalmente do que está na Palavra de Deus!

    • izabel de oliveira disse:

      respondendo ao seu comentario,Atos profeticos já é outra coisa…Eu estou a frente de uma igreja e faço ATO PROFETICO.Não usando pano de saco ou tocando shofar..mas dando lugar a Unção do momento dentro de uma realidade necessaria.Ex; Coloquei 10 cadeiras do lado de fora da igreja no hall de entrada e orei com os presentesdesafiando cada um buscar uma cdeira referente a alguem que queriam ver na presença de Deus antes da virada do ano,no QUAL eles iriam se empenhar para traze-los.Conclusão; Temos 10 novos cconvertidos.

  5. izabel de oliveira disse:

    concordo com a falta de entendimento de algunns e praticas religiosas, aqui temos alguns que passam meses vestidos de saco e descalços,ai depois voltam para as velhas praticas pecaminosas,vivem se culpando e se humilhando sem efeito nenhum.Uma coisa que gostaria de ouvir voce comentar é sobre o voto de raspar a cabeça…comum aqui tbem entre pastores e..pastoras.

  6. Mona disse:

    amada, vou orar para que Deus te de discernimento da palavra Dele…misericordia! O saco nao significa arrependimento, mas gratidão por uma benção, ou por algo que Deus fará ainda!

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