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18/07 por: Leonardo Gonçalves 5 Comentários

A Graça In(Comum) e Algumas Questões

Por Jofre Garcia

A rotulada Graça Comum não pode ser usada como um mecanismo regulador de aceitação para adoração na Igreja (falo Igreja e não denominação) de qualquer expressão artística, produzida fora do que nos convém conceituar como “cristã”.

Também, os que são alvos da Incomum Graça ou Graça Especial, não podem se valer da misericórdia de Deus como um recurso para a demonização de tudo que se faz debaixo do sol, e que não se enquadra na definição “evangélica”.

É interessante que a discussão em torno da Graça Comum virou um entrincheiramento para posições antagônicas e que pouca reflexão, de fato, tem sido produzida, apenas o endurecimento das “teorias”.

Teorias? Sim!

Tendo em vista que levamos as discussões e os posicionamentos apenas para o fator das artes, e qualquer expositor da Palavra pode se ver “em maus lençóis” caso lhe convenha a citação de algum trecho literário, poético, musical, etc, que não seja de alguém que carrega a alcunha de evangélico. A questão fica apenas na arte, ninguém será questionado se utilizar dados científicos, tecnológicos, econômicos ou de qualquer outra natureza em seus sermões, até parece que a questão controversa da Graça Comum se dá em torno da malfadada capacidade humana de expressar sentimentos, pensamentos, emoções em forma artística.

Então…

Não se deveriam construir templos. Pois se usam métodos, cálculos e invenções que foram criados por “mundanos” que não visavam a glória de Deus, mas, apenas ganhar dinheiro. Não se deveriam usar o sistema bancário, e nem vou completar o comentário. Não se deveriam fazer uso dos automóveis, dos sistemas de som, dos métodos administrativos largamente usados nas igrejas. Não se deveria usar a bandeira Brasileira, pois esta carrega em si uma ostentação do ideal positivista de Augusto Comte: “Ordem e Progresso”. Não se poderiam cantar o Hino Nacional Brasileiro, nem a popularíssima “Parabéns pra você”. Ou o que é mais grave, não se poderia usar nem mesmo a seqüência das notas musicais, as quais são atribuídas ao monge católico Guido d’Arezzo, quando a Reforma Protestante ainda dormia o sono dos justos.

Mas, acontece algo interessante: nesses casos há um subterfúgio balizador: “tal objeto, agora, foi consagrado para ser usado para a glória do Senhor”.

Quem consagra?

Deus?

Poupem os meus cabelos brancos.

Todo talento, todo dom vem do Pai das Luzes.

Cansei de ver os ditos pregadores expositivos citarem mais os teólogos e suas posições, que na grande maioria dos casos basta-se a sua geração, do que citar os textos bíblicos. E o que vamos fazer para entender a mensagem do Novo Testamento se relegarmos ao limbo todo caldeirão cultural em que ele está inserido?

O que João combate ao escrever a sua narrativa do Evangelho e nas suas Cartas?

O que vamos dizer de Paulo, homem extremamente culto e que faz uso dos ganchos culturais existentes para apresentar o Evangelho de Cristo?

Durante o ministério de Cristo e na instalação da Igreja com o Livro de Atos e as diversas Cartas, não encontramos cerceamento da arte ou cultura em nenhum lugar, existe a premissa de que tudo seja para a glória de Deus.

E para a glória de Deus deve ser usado.

O que é a gloria de Deus?

Que glória possui o homem que dela Deus necessite? Ele é o Senhor da Glória!

Tudo o que fizermos deve ser voltado para o louvor do Nome do Senhor reconhecendo em cada coisa a sua glória. Ora, somente os que são alvo da Graça Especial é que possui tal entendimento, mas isso não indignifica quem reconhece no homem comum o talento artístico que o Senhor concedeu por sua graça. Ele, o artista, não usou esse dom com o devido propósito, mas, se algum pregador, escritor, teólogo usar tal citação, deve faze com tal propósito.

Alguns pontos nos Is:

Não se pode creditar o cristianismo exclusivamente ao simplismo. Ele não é uma revelação específica para os incultos, toda gente foi alvejada pela semeadura da Palavra, os mais simples responderam com uma maior aceitação, mas, cuidado!

O Evangelho não é uma apologia a estagnação, a acomodação nem a deseducação de um povo, pois quem tem fé caminha, progride, aprende, não para, segue sempre.

Muitos intelectuais se somaram ao cristianismo e contribuíram para que o próprio Novo Testamento pudesse ser construído literariamente (sabendo que Deus conduziu todo processo). Mas, cuidado! Tornar a mensagem cristã recheada de academismo é um pecado grotesco e que tem sido despejado do púlpito de muitas Igrejas.

Perceber, compreender, admirar a arte em nossa volta, mesmo que não seja “evangélica” é um dever nosso. Paulo asseverou: “Examinais todas as coisas, retendes o que é bom”. O que não se pode e criar uma atmosfera idolátrica em torno dos artistas em que reconhecemos um talento nato e admirável.

O temor do Senhor é o princípio da sabedoria. Portanto, com sabedoria, temor, amor e prudência, devemos construir a teologia de nossa geração, usando com cuidado citações, quando convier e dentro do contexto do louvo ao Nome do Senhor, reconhecendo a Sua glória.

Em fim, vivamos como novas criaturas em Cristo, mesmo num mundo pavoroso que jaz no maligno, mas não caminhemos em paranóia como se Deus não permitisse ao homem comum, por sua graça comum, construir coisas belas. Façamos a Palavra habitar em nós ricamente e, assim, sermos capazes de discernir o mundo a nossa volta.

Por que glorificar (servir) a Deus pode ser fazer sapatos e vendê-los a um preço justo, como disse Lutero.

***

Jofre é teólogo, colunista do Púlpito Cristão e escreve para o Auxílio do Alto.

5 respostas para “A Graça In(Comum) e Algumas Questões”

  1. Caon disse:

    Ainda tem mais:

    Por esse raciocínio limítrofe que domina boa parte do cenário cristão, o simples ato de se celebrar o aniversário vinha da cultura grega, ainda que praticada apenas entre os elitistas da época.
    Semelhante modo, não poderiam sequer estudar matemática, pois os números começaram a ser trabalhados por babilônios e egípcios (os mesmos que sofreram com as 10 pragas antes dos hebreus saírem de lá).
    História? Nem pensar! Concebida por um grego pagão que viveu séculos antes de Cristo chamado Heródoto (que provavelmente escreveu sobre os israelitas em seus trabalhos).
    Geografia? Mesma coisa! O primeiro Mapa-Mundi do mundo conhecido foi concebido pelos cálculos do grego Ptolomeu.
    Medicina? Deveria ser expurgada também! Criada por outro grego pagão chamado Hipócrates, cujas idéias se tornaram juramento a quem se forma nessa profissão.
    Certamente deveriam adotar o hebraico como língua materna, e esquecer o português, considerando que o falamos graças à colonização de Portugal (país de maioria católica)e a língua nasceu da fragmentação do Latim (língua que os romanos falaram durante quase 1.100 anos, antes, durante e depois de se cristianizarem), que a Igreja Católica utiliza até hoje no Vaticano.
    Já que há tanta disposição em dicotomizar hábitos e elementos culturais, por quê não abandonarem então as chamadas “campanhas” e os “votos”? As primeiras em muito pouco diferem das novenas romanas e as últimas lembram facilmente o pagamento de promessas feitas a algum santo católico. E aí?
    Ah, lembrei de outra: abandonem o dinheiro, principalmente as moedas. As primeiras cunhadas surgiram na Grécia ou entre os Hititas (que vivam na Turquia contemporâneos de Abraão). Mas é claro que muitas dessas mesmas igrejas se apavorariam com tal sugestão, dado que os mesmos dicotomistas mal resistem à tentação de assistir BBB…

  2. MARVIM disse:

    O que noto e que as pessoas tem uma tendencia em tornar as coias meramente matearias em espirituais, como era feito na antiga aliança a onde havia por ex um templo material a onde era considerada a casa de DEUS, porem o filho de DEUS venho com outro mandamento a onde as coisas matérias e sacrifícios não valeriam de nada se a pessoa simplesmente não amasse a DEUS e a seu semelhante acima de tudo isso, fazendo menção a Lutero, o que ele quis dizer e que se de alguma forma não fores solidário com seu semelhante, não estarás louvando a DEUS, portanto qualquer esforço para louvar a DEUS onde não seja priorizado a solidariedade (amor) pode não passa de mera perda de tempo.

  3. MARVIM disse:

    Quando quiseram pegar o mésias pelo pé perguntaram a ele para quem deveria ser dada a cédula, e ele com toda sabedoria pergunto de quem e essa cara da cédula, e responderam e de cesa,então da a cesa o que de cesa e a DEUS O que de DEUS, dai por diante já da para entender que temos que da ao mundo o que e do mundo e a o espirito o que do espirito, A final de conta nos somos matéria e espirito, e ate por esse motivo que o filho DEUS teve que vim em matéria a alem do espirito para sofrer em nosso lugar, e o AP paulo comenta em suas epístolas que devemos nos afasta dos que se se dizendo seguidores da doutrina do filho de DEUS não o são, e não dos do mundo em geral.
    refiro-me, com isto, não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras; pois, neste caso, teríeis de sair do mundo.
    Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora? Não julgais vós os de dentro?
    13 Os de fora, porém, Deus os julgará. Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor.
    SO que percebo das pessoas, que por um homem esta diante de um cargo religioso em geral usam dessa aurela se dizendo ate ungido DEUS e fazem os mais tremendos absurdos em nome Deus, e asses na verdade e que devemos jugar, e ate se for o caso afasta-lo, poque no final quem que juga os de fora e exclusivamente DEUS, de outro lado Tiago nos diz que a verdadeira religião esta em ajuda ao necessitado e se afasta da corrupção do mundo, e não necessariamente se afasta do mundo.
    Tiago 1:27 “A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo.”

    • Amy disse:

      Caro Pedro,agora, sere1 necesse1rio que as emaprses tenham um profissional que fomente redes.Chame do jeito que quiser.O perfil:- Compreender redes humanas (RH);- Saber diagnosticar (RH);- Criar ae7f5es que facilitem que elas fluam.Ne3o existe um curso de formae7e3o para isso, tem que ser inventado.Ne3o, vc ne3o falou besteiro, trouxe questf5es intessantes, grato pela visita,Nepf4.

  4. marco ferreira disse:

    o crente pode beber vinho…..

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