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14/09 por: Antognoni Misael 8 Comentários

Democracia é Mais do Que Isso

Por Jofre Garcia

“O temor do Senhor é o princípio do saber” Pv 1.3

Abomino qualquer tipo de ditadura, até mesmo aquelas que se fazem obtusas e recheadas de subterfúgios praticadas em muitas “igrejas” pelo Brasil. Desde cedo aprendi a desejar a democracia como bem inegociável do povo, a amá-la como parte fundamental da existência de uma nação e a defendê-la como uma conquista inerente e indispensável para a construção da cidadania.

Cidadania.

Palavra enigma que nos seduzia e nos fazia sonhar com nossa pátria sendo o estandarte de tão magnífica gente e terra: a nação cidadã, cujo bem entesourável é o seu povo, fundamento e base pelo qual se constitui significados e re-significados de símbolos pátrios e aplicabilidade de qualquer lei.

E assim suspirávamos naqueles anos em que a ditadura agonizava e nos ares, sentia-se “o cheiro de uma nova estação”. Junto com a locomotiva democrática seguia os vagões da liberdade de expressão, de uma sociedade mais justa, cooperativa e de amplas oportunidades. O mundo veria o renascimento de uma nação que foi destinada a desbravar ódios, rancores e preconceitos, pois nossa gente e nossa terra e “amiga de todas as nações”.

Democracia em si já é um termo difícil de conceituar empiricamente, porém, quem experimentou o esmagamento torturante de uma ditadura cruel, irá facilmente defini-la. Mas, em tese é complicado, embora a definição mais aceita seja a de um governo exercido pelo povo e tendo várias formas para que isso aconteça. No entanto, na real, democracia é mais do que uma simples forma de definir governos, ela é uma construção de vida (pelo menos deve ser), depende para isso de muitos fatores e o povo, em geral, precisa de conscientização que para construí-la é indispensável SER cidadão, e isso, implica direitos e DEVERES para todos.

Porém, tudo ficou um bocado triste!

É que estamos confundindo democracia com opinião pública, e erramos mais ainda quando a medimos apenas em ano eleitoral, ou quando há pesquisas de aprovação deste ou daquele gestor público e só.

E as eleições, outdoor de nossa democracia virou um jogo frustrante de muitas cartas marcadas. Praticamente não escolhemos os candidatos, é a competência da mídia e das empresas de marketing eleitoral que o fazem.

Assusta-me perceber que grandes conglomerados midiáticos estão nas mãos de grupos políticos e que facilmente inclina seu público para acatar seus objetivos, basta usar com um pouco de eficiência a PNL.

Por todos os rincões de nossa pátria as oligarquias se apossaram do poder que “para o povo deveria ser exercido”, mas ele, o povo, tem ficado ao largo das prioridades políticas, e a lei parece jamais alcançá-los.

Temos até a impressão que se tornaram inimputáveis.

Falta racionalidade, vamos para as urnas como quem vai assistir ao jogo de futebol, e a paixão partidária se confunde com o amor irrefletido aos clubes, enquanto nossas cidades se arrastam em atrasos e desmandos que desanimam até a alma mais progressista. O povo acaba contribuindo com esse quadro, quando deixamos de pensar como povo (um todo), para pensar egoisticamente e querer apenas “se dar bem”, o município que se lixe!

Certa vez ouvi de um eleitor a fatídica e irresponsável frase: “Não votei nele para administrar bem. Votei, para ele ganhar a eleição”.

Como é triste nossa democracia!

Nela, se escondem e se disfarçam muitas ditaduras.

Leis e trâmites incompreensíveis, acachapante carga tributária, corrupção jorrando como esgoto a céu aberto, criminalidade a solta e cidadãos presos, julgamentos intermináveis para crimes tão comuns, má administração como praga contagiante espalhando-se pela nação e a burocracia institucionalizada como marca brasileira emperrando o crescimento.

É até estranho que um dos princípios elementares do fortalecimento democrático, a alternância do poder, não funciona bem em nossos rincões, mas, fragiliza e encarece a administração pública, pois quando um é eleito, desmancha tudo que o outro fez e assim sucessivamente.

Mas, o povo canta nos arrastões e isso é só o que importa.

Ainda assim, prefiro a democracia a qualquer ditadura. Precisamos, é claro! Melhorar e aperfeiçoar o que conquistamos e nunca desprezar os triunfos do povo. A democracia só é possível com cidadania, que por sua vez é feita quando os acessos a saúde, educação e justiça tornam-se uma realidade palpável a qualquer um.

A democracia é feita de cidadãos livres, porém, jamais estáticos.

Isto serve também, para as “igrejas”, pois muitas delas são verdadeiros feudos anti-democráticos.

N’Ele, que tem o governo sobre os seus ombros.

***

Jofre Garcia é amigão e edita o Auxílio do Alto. Divulgação: Púlpito Cristão.

8 respostas para “Democracia é Mais do Que Isso”

  1. joao ferreira disse:

    Isso aí não é mais um plano de introdução de politica dentro de um lugar que deveria servir para a pregação da palavra de Deus, ou seria???
    Porque sinto meu voto confiscado por vendedores de mentiras, a balburdia que se faz por dinheiro fácil e ilícto nas igrejas e nos palanques.
    Vamos deixar o cinismo de lado e vamos votar sem que qualquer cafetão da fé nos diga o nome do mensaleiro que molhou a mão do pastor.
    Isso sim é democracia…

    • tito monteiro disse:

      ” Isso sim é democracia”, tb João Ferreira.Agora deixe eu te fazer uma pergunta,posso? Será que Jesus Cristo não se interessa por política? Ele ignorou a política do Seu tempo? Confere nas Escrituras.
      Não está sobre Ele o governo do universo?(Isaías 53) E isto não se chama poder político? A nossa visão cosmo-política é igual a zero,não damos a devida importância,e então vem pauleira porque não sabemos usar o poder do voto, tá? Nós ‘evangélicos’ não somos ligados históricamente a política,e ficamos então “pregando a Palavra” oca e sem o poder político
      que existe e nós ignoramos, tá?
      tito from brasília.Nota: Os muçulmanos juntaram o poder político com o poder religioso e estão no topo de algumas nações da terra e querem dominar o mundo, será?

  2. Joao Florentino DaSilva disse:

    Lixo… Gente que nao faz a menor ideia do que seja uma ditadura, nao pode falar como se a conhecesse. E se tinhamos uma ditadura, esta foi simplesmente trocada por “lotes” de ditadura que dividiram o pais em varios feudos.

    • Jofre Garcia disse:

      A Graça e a Paz, mano!

      Não compreendi sua crítica (sempre bem vinda), porém, compreendo sua indignação pelo cenário feudal e carrasco que se tornou nossa democracia e nosso ambiente evangélico. Na questão histórica da última ditadura em vivemos, foi real, não cabe um “se”. Conheço muito bem o que ele foi e o trauma que legou a minha geração. Faça uma pequena pesquisa jornalista e você encontrará recortes da década de 80, quando em meu Estado, em minha cidade, havia um grupo de extermínio oficial, e eram meus vizinhos. Vivíamos um clima de terror e conviví com muitos que foram presos e torturados pelo sistema, alguns já faleceram, outros chegaram a receber prêmios internacionais pela luta por direitos humanos.
      Sei muito bem o que é uma ditadura e não desejo nenhuma. Infelizmente, existem (você acertou em cheio), muitas pelo Brasil travestida de democracia.

      Obrigado pelo comentário.
      Fica na Paz.

  3. André Persil disse:

    Igreja e política para mim é uma fórmula perigosa demais para dar certo e humana demais para estar nos planos de Deus.

    Deixo minha opinião no último artigo do meu (embrionário) blog: http://www.fesimples.com.br/2012/09/17/politica/

    • Jofre Garcia disse:

      A Paz de Senhor, mano André!

      Obrigado pelo comentário. Se você me permitir vou usar a tua afirmação na construção de um breve artigo: “Igreja e política, uma forma perigosa”.
      Visitei o teu blog, está ficando muito bom. Fica uma dica, leia um pouco mais sobre o Evangelho Integral para amadurecer ainda mais tua cosmovisão de sociedade – política – igreja.

      Deus te abençoe!

      • André Persil disse:

        A Paz do Senhor!

        Jofre, fique a vontade para citar qualquer coisa que eu escrevo, quer seja para apoiar ou criticar. É assim que crescemos, juntos, suportando e exortando uns aos outros.

        Agradeço a dica de tema para leitura e com certeza entrará na minha lista de temas.

        Fique com Deus! :)

  4. Paulo disse:

    Concordo plenamente com o autor do texto. Sabe, sou um desses que ama o progresso e que gostaria de ver isso acontecendo em minha cidade, estado e país, independente de bandeira, de partido político. Já fui um otimista, mas agora não mais, pois vendo que depois de 3 décadas de democracia estamos, e muito, a merce de conchavos, barganhas, maracutaias e muita corrupção envolvendo os homens públicos desse país. Sempre condenei o coronelismo e a gestão familiar na administração pública, pois não é que em minha cidade isto ocorre a quatro administrações. Tudo começou quando o candidato a reeleição faleceu, daí para o “partido e família” não entregarem o governo (poder) aos adversários dentro e fora do partido, estes candidataram um sobrinho, que por sua vez nunca havia sido político, era sim candidato na mesma eleição que o tio tentaria novo mandato, no impedimento do filho (por não ter se afastado da Adm. Pública em tempo hábil) escolheu-se o primo, que fora eleito esmagadoramente sobre seu oponente devido a grande comoção pelo falecido. Dai em diante a prefeitura tem passado do sobrinho do falecido pro filho, pro sobrinho …. não sei onde vai parar isso. Não estou levantando a bandeira de nenhum partido, mas a desculpa muitas vezes para não votar nos oponentes vai desde a ausência na cidade (sendo que neste caso os candidatos ou eram deputados e deveriam estar em suas casa legislativas), até a falta de experiência (lembram do sobrinho eleito sem a mínima em memória do morto). Muitos dizem não votar em um ou outro candidato, ora pela falta de simpatia, ora por que acreditam que não ganhariam mesmo. Como assim? O povo reclama que político só lembra dele em ano de eleição, e quando o cara é simples e não age com cinismo reclamam. Reclamam da falta de experiência do candidato, mas votam por conveniência em outro. Votam em candidatos reconhecidamente devedores da Lei. Então, como cristão acredito que devo fazer minha parte escolhendo com cuidado, observando a conduta política e social do candidato, bem como partido, arranjos, “amigos”, administrações (caso já tenha sido eleito). Mas também não me envolvendo nesse jogo político, onde o que realmente importa (pelo menos pra grande maioria ou quase totalidade) é o poder. É sim, permanecer no comando estendendo seus tentáculos nos locais que administram (que sugam), com seus parceiros, fazendo seus arranjos.

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