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18/10 por: Antognoni Misael 11 Comentários

O MÚSICO, A PROFISSÃO E A IGREJA

Por Anderson Alcides

“A música (do grego μουσική τέχνη – musiké téchne, a arte das musas) é uma forma de arte que se constitui basicamente em combinar sons e silêncio seguindo uma pré-organização ao longo do tempo.

Há evidências de que a música é conhecida e praticada desde a pré-história. Provavelmente a observação dos sons da natureza tenha despertado no homem, através do sentido auditivo, a necessidade ou vontade de uma atividade que se baseasse na organização de sons. Embora nenhum critério científico permita estabelecer seu desenvolvimento de forma precisa, a história da música confunde-se, com a própria história do desenvolvimento da inteligência e da cultura humana.” [1]

A carreira profissional, seja de qualquer área, exige muita dedicação. A música, além de talento, requer também persistência. É preciso estudar, e muito.

Há muitos séculos atrás, esta classe de profissionais era muito mais valorizada. Para alguém mostrar que era bom, era necessário muito suor.

As pessoas comentavam sobre a obra do músico. A sociedade ficava na expectativa do que o músico iria “aprontar”. Por vezes, a obra não saia muito perfeita, era alvo de críticas. Gente das mais altas classes sociais, muitas vezes encomendavam ao músico uma sinfonia, uma música. Fosse para homenagear alguém, um evento e até guerras.

Por exemplo, a 9ª Sinfonia de Ludwig Van Beethoven (sem entrar muito nos detalhes) foi encomendada pela A Philharmonic Society of London (“Sociedade Filarmônica de Londres”), atual Royal Philharmonic Society (Real Sociedade Filarmônica), em 1817. Em 1824, Beethoven a concluiu. Sete anos de trabalho duro.

Música fala profundo à nossa alma. Ela cria marcas. Faz-nos lembrar de momentos alegres e infelizmente tristes. Quantas vezes não nos sentimos em nostalgia ao ouvir uma música, uma canção, uma sinfonia? Música é arte.

Os tempos mudaram, e como mudaram. Atualmente temos muitos grupos musicais, solistas, bandas. Alguns com competência musical singular, outros acham que a tem – digamos a verdade. Basta alguém montar acordes simples, colocar uma letra e voilá. Mas o músico sério, que trabalha sério, que quer ver seu trabalho honrado e reconhecido, que estuda música anos a fio, sabe que não é bem assim.

Atualmente temos reality shows com o intuito de promover músicos ao mercado. Parece que tá faltando gente boa – deve ser por isso que promovem estes programas. Também não é de se espantar que a concorrência é acirrada. É difícil alguém bom, aparecer do nada com uma bela composição. Alguns começam em barzinho, tocando bossa nova, mpb, sertanejo, até que um agente o descubra. Isto é bastante comum, principalmente no nosso Brasil varonil, em que há tanta gente diferente, com habilidades incríveis.

Não fechamos os olhos de que por trás de tudo isto, está o interesse monetário, mercadológico, e mercenário – tem gente que se presta a cada papel para “brilhar”, não é mesmo?!

Recentemente a Rede Globo de Televisão, fez a versão brasileira do reality show estadunidense, o programa The Voice.

Fiquei espantado (ou nem deveria ficar) com a quantidade de candidatos que disseram que começaram a carreira na igreja.

Já vi músicos que por se dedicarem ao ministério, a sua igreja local, procurando darem o melhor, buscando melhorar o serviço, não foram valorizados, e assim, acabaram deixando o ministério. Seja por falta de incentivo, seja por não conseguir conciliar trabalho, família, e ministério de música, e por fim, terem que optar pelo óbvio, sua sobrevivência.

Outros, que, por uma proposta da igreja local, com o desejo de eles se aperfeiçoassem, se dedicassem exclusivamente a esta área da igreja, não foram bem remunerados e tiveram que buscar trabalho em lugares, e que não seria muito coerente para um cristão.

Afinal, ser músico, também é profissão. Embora muitos parecem não entender. Já viu algum músico comentar que alguém perguntou para ele: “O que você faz?”, e ao responder que é músico, o outro retruca: “Ahh legal, mas você trabalha em quê?”.

Óbvio que há aqueles que fazem seu trabalho na igreja por prazer e não como profissão. Querem ajudar sua comunidade e família de fé, e por já terem também a sua profissão definida, querem apenas servir. Mas quero me ater aqueles que o fazem por profissão, ou seja, que são músicos de profissão (não amadores, mesmo que haja muitos com perfil profissional). Aqueles que estudam dias a fio, com a cara nos livros, com o instrumento em mãos, lendo partituras, tablaturas, cifras, estudando solfejos, técnicas vocais, etc.

Nestes dias, é mais do que necessário investirmos nesta área no contexto ministerial. Muitas canções, ditas evangélicas em nosso meio, infelizmente são tão mundanas quanto qualquer uma que não é entoada no ambiente do culto. Investir nesta área, é também cuidar da saúde espiritual da igreja de Cristo.

Conheço igrejas, que no departamento de música, há músicos profissionais, que atuam exclusivamente para o ministério. São remunerados por isso, afinal digno é o obreiro do seu salário.

Eles analisam letras de canções, se são bíblicas ou não, se a teologia de uma canção é sã, se ela realmente expressas verdades contidas nas Escrituras, se ela exalta a Cristo. Se o ritmo, o arranjo, a letra é de fácil compreensão na congregação.

O mercado gospel tem fabricado muitos cantores, e muitos sem compromisso com Cristo e seu Evangelho. Não são todos. Mas há. Por isso é importante olharmos para este lado da igreja.

Tudo isto me levou a refletir sobre algumas coisas e irei numerá-las:

1) Qual a motivação real de um músico ao iniciar sua vida ministerial na igreja?

2) Será que a liderança está valorizando a carreira musical dos músicos na igreja e com isso dando condições para se aperfeiçoarem?

3) Será que os músicos que começaram na igreja sabem o que é ministério, o que é profissão, suas particularidades, suas diferenças e semelhanças?

4) Nossos ministérios estão preparados para dar o suporte necessário, à pessoa que realmente estudou ou estuda música, para que ela possa se dedicar inteiramente a esta profissão e exercer plenamente na igreja?

5) Se temos condições, porque não investimos nestes irmãos músicos para que se dediquem inteiramente à música na igreja?

6) Será que sabemos ensinar os músicos cristãos a glorificar a Cristo em sua profissão, mesmo que esteja atuando no secular e não dentro da igreja? E muitas vezes tendo que recusar alguns trabalhos porque vão de encontro à sua fé!

Estes são poucos pontos, mas creio que pode nos dar um norte para começarmos a mudar alguns conceitos.
Sei que há muito mais para ser dito. Deixo aberto o espaço para comentários e opiniões. Creio que podemos aprender muito e realmente valorizar esta tão encantadora profissão.

Paz a todos,

Pr. Anderson Alcides.

[1] Wikipédia.

***

Anderson é um dos nossos colaboradores e edita o blog a voz no deserto.

11 respostas para “O MÚSICO, A PROFISSÃO E A IGREJA”

  1. a.cardoso disse:

    Nestes dias atribulados,falar de ministério musical nas igrejas é controverso.Principalmente num dos tópicos,sobre discernir entre ministério e profissão.Alguns tem talento natural e por isso devemos gastar as ofertas dos irmãos em ensino profissional?Um pastor que precisa de seminário,já decidiu o rumo de sua vida,mas um músico não.Quem garante que vai permanecer na igreja?Se sair, deve devolver os valores gastos com seu aprendizado? Deve ser feito um contrato,com multas em caso de desistência ou mudança?E tem também a questão do ministério musical.Isto existe mesmo?Porque nesse bonde cabe tudo,até berimbau.Chocalho,congas,agogô,queixada,enfim tudo passará a ser pretexto para morder um pouquinho da pouca verba para missões.É admissível porém,em igrejas ricas,muito ricas,que podem contribuir com todas as instâncias do evangelho,e ainda sobrar.Msa com tanta obra social,crianças viciadas em crack morrendo pelas ruas de Rio e SP,miséria gritando todo dia em nosso rosto,só o desejo de forjar um nicho para uma classe se estabelecer às custas da igreja ,não cheira muito bem não.Já querem dinheiro pelas músicas,pretextando direitos de manipulação.Se alguém gravar uma música em cd para ensaiar na igreja tem que pagar!E já há quem dizendo-se irmão ,é a favor de tal infâmia!É só procurar nos blogs evangélicos.Por causa disso,é melhor esperar um tempo mais propício para pleiteara institucionalização de tais benefícios.A paz!

  2. Paulo Sales disse:

    Bem Pr. Anderson, eu discordo de todo o enfoque que senhor deu a esta questão. É previsivel que a maioria não vá concordar comigo, mas lhe digo que (eu) não suporto mais musica evangelica, gospel ou algo que o valha dentro da igreja. Raras, alias, rarissimas canções, assim mesmo as que se assemelham ao modo de orar, me fazem parar para ouvir.
    Ademais, a se seguir os passos que o senhor sugere vamos reinventar oficialmente nova categoria de levitas, e ficar trazendo para dentro do templo mais despesas, mais clubismo, mais vida social, mais atividade paralela extra função básica de uma igreja.
    No entanto não quero ignorar o fato da pessoa ser musico e cristão e precisar conciliar as duas coisas, aja vista que não são tantas as oportunidades que os musicos tem, principalmente os vocais de estarem em ambientes descentes, que não contenham boemia, bebida, eventualmente drogas e escarnecedores, é realmente um dilema, mas por outro lado fazer da igreja bote salva vidas neste contexto é complicado pois existem outras profissoões que sofrem igualmente de problemas desse tipo apesar de não necessáriamente estes, e não vamos nos esquecer que culto não precisa de musica, nem de ministro de louvor, nem de adoradores musicos.
    No entanto eu acredito que tudo depende do caminho que cada um se limita a passar, como que pessoas que se quer convive, com os nãos e os sins que se da baseado em limites sensatos de um cristão. Eu por vezes já meditei sobre minha profissão (que não é musico) e percebi que teria coisas que eu não me sentiria bem em fazer por ser cristão e não me sentira bem em me expor ou presenciar, ou seja, coloquei certo limite dentro do que tenho condições de entendimento, e independente do lado financeiro ou de ascenção profissional minha visão deve se manter assim. Me chama a atenção o fato do cristão em geral não deixar mais sua vida a cargo de Jesus. Eu já quis ser e fazer várias coisas que não deram em nada apesar da minha insistencia, até perceber para onde fluia a vontade de Deus e parar de pedir coisas do meu gosto, então seria correto entendermos uma atividade, uma profissão ou o desejo de exercê-la a partir primeiro de uma visão cristã.
    Sou a favor de que a igreja simplifique, trate primeiro e prioritáriamente a sua função essencial e tudo que for extra seja moderado e um mero acessorio sem nenhum valor agregado. Não quero que pense que minha forma de pensar seja conservadora, mas apenas realista.
    Que Deus abençoe seu ministério e sua caminhada como pastor.

  3. Não acho que seja controverso, mas sim polêmico, e necessário repensarmos sobre o ministério de música ou o departamento de música na igreja (como quiser chamar, quem seja). Se observamos nos questionamentos, creio que devemos realmente repensar a respeito das pessoas que atuam neste departamento.

    Será que um músico realmente não decidiu sobre sua vida?! Acho pretensão demais pensar que não.

    O ponto central é sobre a motivação do músico na igreja. Se ele atua como profissional fora da igreja, e quer ajudar na igreja, isto é um ponto. Se a igreja reconhece seu profissionalismo e quer usar seu talento na igreja, porque não investir na área de música também? Advogados cristãos não podem ser contratados por uma igreja?

    Também não é apologia deixar outras áreas importantes, como você disse, a saber crianças viciadas em crack, miséria. A proposta não é forjar uma classe, mas darmos uma atenção a pessoas que atuam com música na igreja, ou no secular sendo cristãs.

    De fato, ainda tem muito a se debater. O objetivo do texto é justamente abrir para debates e discussões a respeito.

    Pr. Anderson Alcides.

  4. a.cardoso disse:

    Certamente há uma confusão aí.quem falou sobre o músico não ter decidido a sua vida fui eu,não o Sales.Eu explico.Quando um pastor sai de uma igreja ,já tem outro com mesmo preparo(seminário batista,presbiteriano,congregacional,etc),para ingressar na função.Não é assim com o músico.Ele pode mudar de cidade a seu bel prazer,sem vínculo com a igreja.E com fica o investimento?Haveria necessidade de ter outro músico de igual envergadura para substituí-lo,como no caso do pastor.Um pastor sabe que está atrelado à igreja por tempo indeterminado,se sair deve providenciar outro pastor.Mas como fazer isto com um músico?Gastaria-se de novo outra verba para formar outro músico?Com que garantia?E a contribuição de aposentadoria?Haveria de ter mais de um músico ,um para cada instrumento,bateria,guitarra,teclado,baixo,vocal,vocal de apoio,operador de som;no mínimo 7pessoas.Os outros também iriam,e com razão,pleitear remuneração.Não seria justo pagar só para os instrumentistas.E teria que haver mais de um músico na igreja,pois os outros,mesmo sabendo tocar se recusariam ,vendo como favoritismo,sua exclusão de tal privilégio.E agora uma pergunta para os maduros.Com o pastorado se corrompendo como hoje,alguém acredita que os parentes do pastor não ocupariam estes cargos remunerados?E com ensino de graça? Estudar às custas da igreja e depois ter um emprego garantido na igreja do papai,não seria um ótimo negócio?Fala sério!!!

  5. Paulo Sales e A. Cardoso,

    Um dos objetivos do texto, com itens elencados foi nos levar justamente a reflexões como a de vocês.

    Vamos continuar a pensar e discutir sobre este assunto. Como eu disse no final: “Sei que há muito mais para ser dito. Deixo aberto o espaço para comentários e opiniões. Creio que podemos aprender muito e realmente valorizar esta tão encantadora profissão.”

    Abraços e obrigado pelos votos de bênção no ministério.

  6. Paulo Sales disse:

    Advogados cristãos não podem ser contratados por uma igreja?

    Pode ser contratado, mas musicos para tocar no louvor tem que estar (do ponto de vista da igreja) em santidade. Se ele é musico profissional fora da igreja ele vai ter santidade em ambientes musicais? A maioria dos que tocam na igreja tem atividade secular. E é uma ilusão que a gente gosta de ter, pensar que o musico separa sua condição artistica da religiosa.
    Essa discussão é incipiente. tudo seria muito bom se a igreja mantive-se sobriedade na palavra. A igreja evangelica se entende auto suficiente quando cria situações onde reforça coisas sem importancia. A musica na igreja catolica a priori é discreta no contexto da missa, na igreja evangelica é um verdadeiro escandalo. Fico pensando que se a igreja catolica não fosse idolatra a evengelica já tinha falido. Igreja evangelica era bem mais feliz quando ocupava 7% da população e foi principalmente a musica que a elevou em popularidade, e hoje a maioria dos pastores não mandam mais nas suas igrejas pois o grupo de louvor é que predomina.
    eu não sei onde se quer chegar com tudo isso.

  7. ADILSON disse:

    Caro pastor Anderson, gostei muito do texto, pois nos leva a refletir a seguirmos os bons exemplos dos músicos. A dedicação, disciplina, rotina e a persistência são marcas principais. Porque na vida cristã muitos não são assim? Essa é prá pensar! Sou músico, e lenciono musica. A maior dificuldade, hoje em dia, é encontrar àqueles que querem estudar música.Parece que o verdadeiro músico já nasce inclinado para música. Agora, a respeito do músico ser remunerado pela igreja, acho difícil.
    Adilson

  8. JOHNNY BANDERAS disse:

    Falta as igrejas, SERIEDADE, ou seja, levar mais a sério seus músicos, investir pra valer, em seus talentos, incentivar dentro das congregações festivais de música, de artes em geral, para que se descubra as habilidades dos jovens, onde está a força da igreja, incentivá-los, até na parte financeira aos músicos existentes a estudarem música pra aprimorar mais o louvor em sua igreja, até mesmo na liturgia dos cultos, faltam muito espaço para os talentos individuais exercerem sua vocação, as igrejas tem deixado esvair toda a sua essência para música, hoje, com tristeza e pesar vejo aqui no Brasil, poucos corais musicais em atividade, eu mesmo já fiz parte de um coral, ainda quando novo convertido e sinto muita falta desta época de ouro, em que muitas igrejas haviam corais, bandas, e em outras até orquestras sinfônicas. As igrejas de hoje, lamentavelmente, tem focado tudo no lado financeiro e esquecido e posto de lado uma das suas maiores indumentárias, numa liturgia de culto: O louvor!

    • Paulo Sales disse:

      Johnny meu irmão, não concordo com seu entendimento e lhe digo porque.
      Na epoca de Jesus (e bem antes dele) as sinagogas prediminavam e tinham o mesmo valor cultural que nossas igrejas. Qualquer cidadezinha tinha sinagogas, Jerusalem tinha segundo conta 480 delas.
      O perfil das sinagogas era o seguinte

      A sinagoga pode ser considerada o elemento central da cultura e religião judaicas. Diversas atividades eram praticadas na sinagoga e não apenas o culto religioso. Segundo Flávio Josefo, historiador judeu, na sinagoga de Tiberíades, região situada às margens do mar da Galiléia (Jo 6.1), havia reuniões de natureza política. De fato, para melhor compreensão de algumas passagens do Novo Testamento, é importante saber o que é uma sinagoga judaica.

      Origem

      Por volta de 750 a.C., o reino foi dividido em dois: Israel, na região Norte, e Judá, na região Sul. Em 722 a.C., o reino do Norte foi devastado pelos assírios. Séculos depois, mais precisamente em 587 a.C., o reino do Sul foi conquistado pelos babilônios. Em 539 a.C., aqueles que regressaram à sua terra natal passaram, então, a ser chamados de judeus, por serem provenientes de Judá e da Judéia.

      Foi depois do regresso do exílio na Babilônia que a religião que hoje conhecemos como judaísmo começou a se desenvolver. O culto era realizado na sinagoga, um hábito adquirido na Babilônia, devido à inexistência de um templo. O lugar servia como ponto de encontro dos judeus para orações e leitura das Escrituras. O termo “sinagoga”, do grego sunagoge, tecnicamente, significa “casa” ou “lugar de reunião”, do hebraico bêt knesset. Alguns estudiosos creditam a Esdras a responsabilidade da criação da sinagoga no contexto judaico, durante o exílio babilônico.

      De acordo com recentes descobertas arqueológicas, a primeira sinagoga fundada nas Américas foi a Sinagoga Kahal Zur Israel, no Brasil, em 1637, cujas antigas ruínas se encontram cuidadosamente preservadas na cidade de Recife, no mesmo local onde foi, posteriormente, construído o Centro Cultural Judaico do Estado de Pernambuco.

      A sinagoga no Novo Testamento

      Champlim nos informa que “no tempo de Jesus havia sinagogas em qualquer vila. Em Jerusalém, existiam, aproximadamente, 480”. Jesus freqüentava, assiduamente, as sinagogas em Israel (Mt 4.23; 9.35; Lc 4.16-30; 13.10; Jo 6.59; 18.20, entre outros). Majoritariamente, a sinagoga era reservada às discussões voltadas ao judaísmo e, eventualmente, ainda que correndo alguns riscos, eram conferidas oportunidades para homilias livres: “E, depois da lição da lei e dos profetas, mandaram-lhes dizer os principais da sinagoga: Homens irmãos, se tendes alguma palavra de consolação para o povo, falai” (At 13.15).

      As sinagogas foram pontos estratégicos para a difusão do evangelho pelos primeiros missionários cristãos: “E logo [Paulo] nas sinagogas pregava a Cristo, que este é o Filho de Deus” (At 9.20. V. tb. 13.5,40-42; 17.1,10,17; 18.4,26). Inegavelmente, Paulo soube fazer uso das sinagogas existentes na Grécia e na Ásia Menor, onde aproveitou a ocasião para anunciar as boas-novas aos gentios: “E eles, saindo de Perge, chegaram a Antioquia, da Pisídia, e, entrando na sinagoga, num dia de sábado, assentaram-se” (At 13.14. V. tb. 14.1; 18.1,4).

      A sinagoga por dentro

      As sinagogas são de uma beleza impressionante. Contudo, essa não é uma grande preocupação de seus arquitetos. A despeito desse aspecto estético exterior, há três fatores essenciais que devem ser rigorosamente observados no que se refere às mobílias de uma sinagoga:

      Arca

      Esse componente é tido como o “sacrário da Torá”, ou seja, nela é guardada os rolos da Torá, os cinco primeiros livros de Moisés, onde se baseiam as leituras aos sábados.

      Bimá

      É uma espécie de tribuna onde o ministrante faz a leitura da Tora e dos Profetas e profere bênçãos (da Torá) sobre os presentes. Esdras, ao ensinar a Palavra de Deus ao povo de Israel, ministrou sobre um estrado, o que equivaleria a uma tribuna das sinagogas atuais: “E Esdras, o escriba, estava sobre um púlpito de madeira, que fizeram para aquele fim; e estava em pé junto a ele…” (Ne 8.4).

      Assentos

      O assento mais importante é o que a Bíblia chama de “cadeira de Moisés”: “Então falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos, dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus” (Mt 23.1,2). E era justamente nessa cadeira que se sentava o presidente da sinagoga. Segundo alguns, a distribuição dos assentos seguia uma ordem, uma organização. Por exemplo, os anciãos se sentavam próximo à Arca, de frente à platéia, os membros mais distintos à frente, os mais jovens atrás, e assim por diante.

      Autoridades da sinagoga

      Em uma sinagoga, há os oficiais que colaboram para o andamento satisfatório do agrupamento, e essa organização é de competência de pelo menos quatro representantes. São eles:

      Os chefes da sinagoga

      A ordem na sinagoga ficava sempre sob a responsabilidade do líder maior, o qual podemos designar de superintendente. A oração e a leitura da Torá ficavam sob a direção do chefe, que, caso quisesse, poderia escolher alguém para a explanação da ora (At 13.15).

      Os anciãos

      Obviamente, formavam uma assembléia sob a competência dos superintendentes. Eram, também, conhecidos como presbíteros (Lc 7.3).

      Assistente

      Quando Jesus concluiu a leitura de Isaías na sinagoga, devolveu o rolo das Escrituras ao assistente: “E [Jesus], cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro [assistente], assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos” (Lc 4.20,21) Ao assistente era delegado o trabalho de retirar os rolos escriturísticos e colocá-los em seus devidos lugares, além de outras atividades simples.

      Liturgia na sinagoga

      Como ocorre nas denominações religiosas atuais, o culto na sinagoga possuía uma liturgia basicamente assim:

      Porções da Lei eram lidas por certo número de pessoas, usualmente sete.

      Um discurso ou uma mensagem era pronunciado após a leitura dos profetas (Nebhim).

      A recitação do Shemá (Dt 6.4).

      A bênção, geralmente impetrada pelo superintendente da sinagoga.

      Assim como Jesus “entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga” (Lc 4.16), seus fiéis têm a oportunidade de adorar a Santa Trindade em seus respectivos templos. E devem se alegrar por isso, tal como disse Davi: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor” (Sl 122.1).

      fonte:http://www.icp.com.br/83contexto.asp

      Referências bibliográficas:

      COLEMAN, William L. Manual dos tempos e costumes bíblicos. Minas Gerais: Editora Betânia, 1991.
      KOLATCH, Alfred Jr. Livro judaico dos porquês. São Paulo: Editora e Livraria Sêfer, 2001.
      CHAMPLIN, R.N & BENTES, J.M. Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia. São Paulo: Editora Candeia, 1997.

      Sei que não somos judeus e estamos em 2012 d.C, mas ainda leio com certa surpresa afirmativas que o louvor musical da igreja tem função de destaque, maiores indumentárias inseridas na liturgia.
      O nosso modelo de igreja (procedimentos) são bastante fora de contexto, são alegoricos, excessivamente musicais e não democraticos quando faz com que uma pequena parcela se destaque como ‘santos’ sobre o altar e o restante sempre tentando subir na arvore para ver Jesus.
      Precisamos romper com este modelo, romper com essa ideias. O oomgregar de Paulo quase nada tem haver com o que fazemos hoje no que diz respeito a dinamica do culto.
      O modelo de sinagoga que Jesus tanto frequentou propiciava a ele condição de mostrar o evangelho para as pessoas, principalmente na fala livre citada no texto acima. Estamos terrivelmente equivocados no nosso entendimento quanto ao modelo de igreja que queremos e oferecemos.
      Vamos refletir sobre isso.

  9. raniel disse:

    gostei muito desse seu texto e de fato i que ocorre muito em nosso meio cristão é o não investimento nos musicos, e o digo como alguem que vive esta realidade ou, esse contraponto de musico secular e “de igreja”.oro a Deus para que o continue usando despertando alguns ministros do evangelho pra essa realidade dos nossos denomidados “levitas” as vezes sem nem mesmo entenderem o titulo!

  10. ROCHA disse:

    SOU MUSICO E ENTENDO QUE MUSICA NÃO É PROFISSÃO PORQUE A PROFISSÃO P/ SUSTENTENTO DO HOMEN P/GANHAR DINHEIRO SÓ FOI NESCESSARIA POR CAUSA DO PECADO E TODOS NÓ SABEMOS QUE MESMO ANTES DO MUNDO EXISTIR O MINISTERIO MUSICAL JÁ EXISTIA E SERÁ O UNICO MINISTERIO QUE EXISTIRÁ DEPOIS DO FIM DO MUNDO SE ALGUEM USA A MUSICA NO MEIO SECULAR Ñ É DE SE ADMIRAR POIS NOS DIAS DE HOJE ESTÃO PEGANDO AS COISAS DE DEUS E DIZENDO QUE É DO DIABO .NA MINHA OPNIÃO MUSICA É P/ LOUVAR E ADORAR AO SENHOR.

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