Poesia e Espiritualidade: o legado Musical de Jayrinho
Por Antognoni Misael
Jairo Trench Gonçalves, conhecido no meio evangélico como Jayrinho, foi um jovem talento musical das décadas de 70 e 80. Considerado como um dos grandes referenciais da música evangélica brasileira por muitos cristãos da avant garde musical. Sem a menor sombra de dúvida, quem gosta e se identifica com o trabalho do Grupo Logos com certeza se vislumbrará com as canções do artista que formou, ao lado de Paulo Cezar, no Grupo Elo.
Jairo foi o único filho homem em meio a quatro meninas. Filho de português, viveu em São Paulo e teve uma vida nobre, confortável, devido a estabilidade dos pais. Quando conheceu a Cristo nos idos de 1970, apressou-se em servir a Deus de forma exclusiva partindo para o Instituto Bíblico Palavra da Vida onde se preocupou em estudar teologia. Ao completar os estudos em 1974, conheceu Hélia, com quem se casou no início de 1975, em São Paulo.
O que era ser um jovem cristão na década de 70? Nada fácil. Enquanto o entretenimento era sacudido pelo Rock in Roll de bandas como The Beatles, Led Zeppelin, Rolling Stones, e tantos outros artistas e segmentos cujas mensagens eram contrárias aos princípios bíblicos, a igreja evangélica no Brasil dava ainda passos modestos tanto em questões culturais quanto na musicalidade própria – criação de melodias e elaboração de arranjos musicais de qualidade.
Jayrinho contribuiu bastante para formatação e inovação na música crista. A inovação aconteceu quando um grupo de oito pessoas escolhidas pelo maestro norte-americano Dick Torrans, missionário do Palavra da Vida, quebraram a tradição musical européia (“escandalizando” no bom sentido) e passaram a compor canções próprias – Jayrinho compôs “Nos montes eu vou, com Cristo eu estou, nos vales campinas, com meu Salvador…, etc.” e outras .
Como desbravar era uma missão desafiadora, Jayrinho junto com seu grupo, aprovados e capacitados por Deus, passaram a se apresentar nas praças, ginásios de esporte, pequenas e grandes igrejas, indo, indo, indo e sem nunca deixar fugir o sorriso dos lábios e o comprometimento com o Reino. É válido ressaltar que neste maravilhoso grupo também participavam o Paulo Cezar, juntamente com a Nilma, sua esposa, e Nancy, esposa do maestro Dick, também produtor e arranjador musical do grupo.
Jayrinho era um líder, idealizador, um sonhador “ambicioso”. Seu desejo era ampliar os espaços, enriquecer mais a música cristã e conhecer novos horizontes. Sensível e de grande musicalidade, era capaz de formular ideias, compor poesias simples, porém cheia de sofisticação. Relatou o músico Ivan Cláudio (parceiro de grupo ao lado de Jayrinho e Paulão) que este passava horas com seu violão, às vezes diante do piano cantarolando até que a melodia fluísse. Jayrinho utilizou de todos os recursos que possuía (instrumentos musicais, sintetizadores, etc.) perseguindo sempre a música de qualidade. Era um perfeccionista!
Num primeiro momento preferiu não ferir a tradição quanto a certos costumes da música, como a utilização da bateria (um pepino indigesto por parte da igreja) – enfrentada pelo grupo Vencedores Por Cristo, que naquela mesma época introduziu vários instrumentos censurados pela comunidade evangélica brasileira. Para comprovar isso basta ouvir o primeiro disco gravado por Jayrinho “Calmo, Sereno e Tranqüilo” – este tinha apenas o uso do violão e, quando muito, um contrabaixo.
Ao final do ano de 1975 foi formado o ‘Grupo Elo’, e a partir daí Jairo montou todo um aparato para gravação e impressão, que funcionava no mesmo prédio do Mapa Fiscal Editora, de propriedade de seu pai em Atibaia-SP. Enfrentando as censuras instrumentistas, comporam um arsenal de discos belíssimos:“Nova Jerusalém”, “Ouvi dizer…”, “Um dia”, “Calmo, sereno e tranqüilo”, “Nova Canção”, e em 2008, “O ensaio”, que é um registro único de momentos de ensaios, elaboração de arranjos e composições do Elo.
Tudo estava à pleno vapor, quando em 1981 Jayrinho veio a falecer em um acidente de automóvel na estrada de Atibaia-SP. Morreram ele, sua esposa Hélia e seu filho mais novo, ainda bebê, André – Cristo os tomou para Si. A sua alegria, bom humor, espiritualidade, ficaram marcadas para nós como lembrança nas melodias e letras que nos legou. No mesmo ano de sua morte, o Grupo Elo, que tinha alcançado a venda de mais de 800.000 Lps e a Revista Elo, que tinha chegado a mais de 28.000 assinantes abrangendo o Brasil, Angola, Portugal, Moçambique e Espanha, se desfizeram.
Resta-nos hoje só recontar a história deste que foi um dos maiores compositores e cantores da música cristã moderna. Meu desejo é que as gerações presentes, os grupos de louvor, os músicos e ministros da música, tenham a oportunidade e prazer de conhecê-lo assim como eu tive.
Louvo a Deus pela música cristã de qualidade!!









Que época de ouro! Grupo Elo, Vencedores por Cristo e seus herdeiros… Graças a Deus, são minhas referências musicais; fazem parte da minha história; me influenciam até hoje!
O período do final dos anos 70 e anos 80 foi rico no que se refere a musicalidade dos evangélicos, pois as composições eram verdadeiras obras de arte com conteúdo bíblico e espiritualidade sadia. Que tempos aqueles! E eu vivi isso e me emociono ao ouvir todas aquelas músicas que tanto me fortaleceram e me alegraram a alma. Ainda tenho a coleção de vários “LPs”, em vinil. Um tesouro que guardo com carinho.
Me entristece quando vejo a falta de sensibilidade de muitos que se dizem “ministros de louvor” e não correspondem ao mínimo no
Gente meu comentário está incompleto acima!
Só gostaria de concluir dizendo que fui contemporânea desses pioneiros de grupos de louvor que nos deixaram um legado de compromisso com o Deus que inspira a arte para o louvor da glória Dele.
Misael, segundo seu texto os caras transcrediram na epoca deles no que diz respeito a musica cristã, inserções de equipamentos etc. Hoje os caras transcridem em relalão as musicas cristã e inserem costumes e formas com rejeição equivalente.
Daqui 30 anos, alguém por gosto pessoal ou convicção equivalente a sau, vai estar reproduzindo um texto iqual o seu?
Acho q não são formas de rejeição equivalente nao. O contexto era outro. Quem censurava fazia por tradição, desconhecimento bíblico. Era proporcionalmente inverso ao que hoje ocorre.
COmo eu vejo o quadro: ANTES -> Música boa e crítica por ignorância HOJE -> Música ruim e crítica a ignorância!
É verdade! Hoje fazem música de baixa qualidade e são ignorantes o suficiente para se perceberem perante a crítica. Há raríssimas exceções, é claro , mas de modo geral, a qualidade da música evangélica hoje é muito baixa.
{…”Jairo foi o único filho homem em meio a quatro meninas. Filho de português, viveu em São Paulo e teve uma vida nobre, confortável,…”
“…passava horas com seu violão, às vezes diante do piano cantarolando até que a melodia fluísse. Jayrinho utilizou de todos os recursos que possuía (instrumentos musicais, sintetizadores, etc.)…”}
—> Humm! será que tem semelhança com este texto biblico??:
Ai dos que dormem em camas de marfim, e se estendem sobre os seus leitos, e comem os cordeiros do rebanho, e os bezerros do meio do curral.
Que cantam ao som da viola, e inventam para si instrumentos musicais, assim como Davi;
Amós 6:4-5
- Misael, acho que a ignorância permanece.
Ótimo post !
Quem busca qualidade nas musicas e em outras formas de expressão artística e cultural, sabe dar valor às músicas e composições do Grupo ELO/Logos, inclusive também de outros grupos e cantores da mesma época. Mesmo com restrições técnicas, comerciais ( distribuição/divulgação) o objetivo era alcançado. Pregar musicalmente a grandeza de Deus e a salvação em Jesus Cristo.
Não há como contestar que hoje, com muito mais recursos há uma “pobreza” de criação de letras, arranjos e compromisso único de pregar somente o verdadeiro evangelho.
Falta qualidade e objetividade para que se leve pesoas a conhecerem a verdade sobre o Reino de Deus.Vivemos uma mediocridade geral, tanto no mundo como no meio evangélico, infelizmente.