O Marketing Do Mal
E o Brasil? Ah! O Brasil eu deixo para vocês comentarem!
***
Danilo Fernandes é empresário, consultor de marketing e franchising e editor do blog Genizah
Igreja não satisfaz expectativas
Todos os dias o inimigo bombardeia o evangelho com sincretismo, idolatria, mercantilismo e tantas falsas doutrinas. Nós conhecemos os propósitos comerciais desta corja e sabemos as intenções de seu mestre, mas em certos casos, os absurdos cometidos são tão grandes que a dúvida nos alcança. Qual seria o propósito de uma heresia tão pouco sutil? Porque escrevem nas entrelinhas das Sagradas Escrituras quando o objetivo aparente parece ser apenas o de elucidar mistérios, ostentar revelações sobre questões deixadas ao conhecimento exclusivo de Deus? Qual o propósito de colocar a Bíblia, o conhecimento cientifico e a última abstração teórica produzida em Harvard em um molde, sob uma prensa hidráulica de 1000 toneladas? Aperta tudo. Levanta a prensa. Sai Salvação deste tijolo?
As razões, meus caros, são as mesmas de sempre. Mas nestes casos, não são apenas razões comerciais mais simplórias e objetivas. A idéia é atender a um aspecto importante do marketing do “evangelho produto”: Atrair clientes com necessidades superiores. E como fazem isto? A cartilha do marketing apresenta as necessidades do consumidor em grupos, entre as físicas, temos as fisiológicas e a segurança. Temos necessidades sociais, como relacionamento, amor, status. Temos necessidades relacionadas à auto-realização, que entre tantos aspectos, inclui o desejo de nos sentirmos completos, realizados em um sistema de valores que compreendemos. Esta é uma necessidade superior.
Um exemplo prático da exploração comercial desta necessidade é a chamada armadilha do acessório. Você compra um carro e se vê abrigado a ter as coisas que o complementam: Os opcionais. Compra um Ipod, mostra aos amigos, logo aparece alguém com uma capinha mais bonita que a sua, outro te mostra um carregador diferente, etc. No fim você quer comprar todas estas coisas, que sequer alteram o benefício principal do produto que é ouvir música. Não se trata apenas da necessidade social de status. De ter aquilo que o outro tem, ou ter melhor. Trata-se de auto-realização, desejo de ser completo.
As pessoas não querem coisas incompletas, parciais. Todas as expectativas devem ser satisfeitas. As pessoas querem resposta para tudo. Os novos convertidos (convencidos, na verdade) não satisfazem o seu intelecto com um evangelho onde haja mistérios. E o que fazem os profetas e apóstolos de plantão? Saem preenchendo os “espaços em branco” dando as explicações e esclarecimentos às questões que Nosso Senhor deixou em mistério. São como gerentes de produto, sempre pesquisando, sempre aprimorando a sua oferta buscando fidelizar seus clientes.
Parece incrível, mas se as razões comerciais são o motor principal, em outros casos o fazem por pura vaidade: – Eu tenho as respostas. Deus me usa. Foi o caso visto no artigo sobre Marcos Feliciano, o homem alçado ao momento da criação pelo próprio Jesus, dia destes, em Balneário Camboriú.
Esta heresia tem nome e endereço. Chama-se teologia da serpente. É artimanha do rabudo para desacreditar a Palavra de Deus. Coloca-se uma dúvida, depois outra e vocês conhecem o resultado, pois foi o que nos levou a este mundo perdido. Atentem para esta gente! Eles não são apenas parte da matilha, são os líderes.
Abundam mistérios, mas também certezas e promessas. Entre tantas, a maior delas: Uma afirmação de vida feita pelo Senhor Jesus em tantos momentos. A minha ocasião favorita é aquela em que Ele decreta VIDA, na mesma frase em que lembra a sentença de MORTE dada ao homem: Ao ouvirem isso, os discípulos ficaram perplexos e perguntaram: “Neste caso, quem pode ser salvo?” Jesus olhou para eles e respondeu: “Para o homem é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis”.
***
Danilo Fernandes é empresário, consultor de marketing e franchising e editor do blog cristão Genizah
Notas bibliográficas:
1) MARTINI, Carlo Maria; ECO, Umberto – Em A Igreja não satisfaz expectativas, celebra mistérios. Em que crêem os que não crêem, Editora Record, 1999.
2) RAMOS, Ariovaldo – Sermões em áudio, Entrando no mistério da ceia, Insights para transformação pessoal, Website SEPAL.
E AÍ, O QUE ACHOU? COMENTE!
Eu quero a religião show!
O modelo para o pastor contemporâneo não é mais o profeta nem o pastor, é o executivo de corporação, o político ou, pior ainda, o apresentador de programas de “bate-papo” na televisão. A maioria das igrejas contemporâneas estão preocupadas com índices de audiência, pesquisas de popularidade, imagem corporativa, estatísticas de crescimento, lucro financeiro, pesquisas de opinião pública, gráficos populacionais, dados de recenseamento, tendências da moda, status das celebridades, a lista dos dez mais e outras questões pragmáticas. O que está desaparecendo é a paixão da igreja pela pureza e pela verdade. Ninguém parece se importar, desde que a reação das pessoas seja entusiástica.
Até que ponto a igreja irá em sua competição com Hollywood? Uma grande igreja do sudoeste dos Estados Unidos acaba de instalar um sistema de efeitos especiais, que custou meio milhão de dólares, capaz de produzir fumaça, fogo, faíscas e luzes de lazer no auditório. A igreja enviou alguns de seus membros para estudar, ao vivo, os efeitos especiais de Bally’s Casino, em Las Vegas. O pastor terminou um dos cultos sendo elevado ao “céu” por meio de fios invisíveis que o tiraram da vista do auditório, enquanto o coral e a orquestra adicionavam um toque musical à fumaça, ao fogo e ao jogo de luzes. Para aquele pastor, tudo não passou de um típico show dominical: Ele lota a sua igreja através desses artifícios especiais, tais como derrubar uma árvore com uma serra para ilustrar um ponto de sua mensagem… realizar o maior espetáculo de fogos do 4 de julho da cidade e um culto de Natal com um elefante, um canguru e uma zebra alugados. O Show de Natal apresenta 100 palhaços com presentes para as crianças da igreja.
Nas Escrituras, nada indica que a igreja deveria atrair as pessoas a virem a Cristo apenas por apresentarmos o Cristianismo como uma opção atrativa. Quanto ao evangelho, nada é opcional: “E não há salvação em nenhum outro; porque debaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4:12). Tampouco o evangelho tem o objetivo de ser atraente, no sentido do marketing moderno. Conforme já salientamos, freqüentemente a mensagem do evangelho é uma “pedra de tropeço e rocha de escândalo” (Romanos 9:33; 1Pedro 2:8). O evangelho é perturbador, chocante, transtornador, confrontador, produz convicção de pecado e é ofensivo ao orgulho humano. Não há como “fazer marketing” do evangelho bíblico. Aqueles que procuram remover a ofensa, ao torná-lo entretenedor, inevitavelmente corrompem e obscurecem os pontos cruciais da mensagem. A igreja precisa reconhecer que sua missão nunca foi a de relações públicas ou de vendas; fomos chamados a um viver santo, a declarar a inadulterada verdade de Deus – de forma amorosa, mas sem comprometê-la – a um mundo que não crê.
E quando, em cima disso, rockeiros punk, ventrílocos, palhaços, atiradores de facas, lutadores profissionais, levantadores de peso, comediantes, dançarinos, malabaristas de circo, artistas de rap, atores e celebridades do “Show Business” assumem o lugar do pregador, a mensagem do evangelho recebe um golpe catastrófico: “E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Romanos 10:14). Creio que podemos ser criativos e inovadores quanto à forma de apresentarmos o evangelho, mas precisamos ter o cuidado de harmonizar nossos métodos com as profundas verdades espirituais que estamos procurando transmitir. É muito fácil trivializarmos a mensagem sagrada. Precisamos fazer com que a mensagem, e não o veículo em si, seja o cerne daquilo que desejamos comunicar ao auditório.
***
(*) Reduzido e adaptado para publicação
E AÍ, O QUE ACHOU? COMENTE!
Churrascaria "Santuário dos Apóstolos", do Marco Feliciano
Para você que está agarrado na internet até agora, porque não tem lugar para ir nesse feriado, o blog Púlpito Cristão tem o (des)prazer de (des)indicar a churrascaria “Santuário dos Apóstolos”, do diletíssimo pastor Marco Feliciano, que tem como slogan: “melhor do que maná”.
Parabéns, caro pastor, por mais esse empreendimento!
(Bom, pelo menos o chopp é da Skol, hehe…)
***
Imagem no Genizah
E AÍ, O QUE ACHOU? COMENTE!
Aristeu: o evangélico honesto
O Aristeu deixa bem claro que ele é um “Evangélico Honesto”. Parece absurdo, mas hoje em dia, com esse monte de picaretas da fé, é preciso especificar!
E AÍ, O QUE ACHOU? COMENTE!
Marketing para igrejas: usurpando a glória de Deus
O amigo Danilo, em um comentário no blog da CNBC que acabou virando post aqui no blog, enfatiza a essência do evangelho, que é loucura para os homens. Paulo assim dizia: “nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos” (1Co 1.23). Esse é o nosso kerigma, o nosso evangelho, a nossa religião: Ela é escândalo e loucura, e mudar isso significa privar o evangelho daquilo que ele é, transformando-o em algo que ele não é. Como disse o Danilo, é mudar o produto!
As agências de marketing igrejeiro, que já possuem ampla aceitação nos E.U.A., estão chegando por aqui também. Os pressupostos são os mesmos usados na outra américa: o velho pragmatismo. Não importa o método utilizado, e sim os resultados. Literalmente, vale tudo para atrair novos “fiéis” para a sua empresa, ops… digo, igreja.
O site da AMEN – Associação de Marketing Evangélico Nacional – é um vivo exemplo de como essas empresas trabalham, e de quais são as suas convicções: “Quem se diferenciar, não importa aonde, (eventos empolgantes, culto dinâmico, igreja atraente) com certeza irá ganhar com a migração e a conquista de muitos fiéis”. Destaque especial para palavra “migração”, que nada mais é do que o fluxo dos membros de uma igreja para a outra, a famosa pesca no aquario. Como se consegue a adesão desses fiéis? Com uma igreja atraente! Substitua a loucura do evangelho por pregações do tipo auto-ajuda; troque a velha e tradicional bandinha por um conjunto Pop; ofereça todo tipo de entretenimento possivel aos seus fiéis; nunca, e sob nenhuma hipótese, fale acerca do pecado ou enfatize a necessidade de arrependimento para a salvação; aliás, evite falar em salvação: essa palavra costuma escandalizar as pessoas…
Ainda no site da referida empresa, afirma-se que “o objetivo da igreja é converter pessoas. Para isso essas pessoas primeiro têm que ir até lá, se tornando necessário para as igrejas criar atrativos para isso”. Nem precisa ser teólogo para refutar isso. Esses caras estão negligenciando completamente o mandamento de IR por todo mundo e pregar o evangelho (Mc 16.15). Como nós mudamos a Grande Comissão! Jesus mandou que fossemos ao mundo, e nós queremos que o mundo venha à igreja. Aliás, deixe eu aclarar pela milhonésima vez que igreja não é templo, e sim o corpo místico de Nosso Senhor Jesus Cristo. Chamar os prédios onde nos reunimos para congregar, de templos e querer associá-los ao Templo do A.T. é uma heresia ridícula. O Templo do Senhor somos nós (1Co 6.19; 2Co 6.16), e não as paredes luxuosas algum edifício (At 7.48; 17.24). Jesus não ordenou que os pecadores venham a igreja (prédio), e sim que a igreja (nós) vá até os pecadores.
Por último, deixe-me falar acerca da salvação. A salvação, biblica e teologicamente, sempre foi um ato de Deus. Jesus disse: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último Dia” (Jo 6.44). É Deus quem atrai! E é mais: ninguém se converterá a Cristo, sem antes atender aos apelos do Espírito Santo em seu coração, pois é somente ele quem convence o homem do seu pecado (Jo 16.8). Sendo assim, seria uma ignorância muito grande dizer que alguém foi salvo graças às estratégias de marketing. Isso é usurpar a glória de Deus. O marketing igrejeiro pode até resultar na adesão de clientes, mas não na multiplicação de fiéis. A salvação pertence ao Senhor! (Jn 2.9).
Soli Deo Gloria
E AÍ, O QUE ACHOU? COMENTE!
O Evangelho como produto
Quem vende o “evangelho”, vende o que não tem. Fora das “aspas” propaga-se loucura! Loucura aos olhos humanos.
Sendo homem de marketing, certa vez ouvi de um pastor: Bom ter um cara como você aqui, que fez marketing para grandes empresas (Coca-Cola inclusive, risos). Vais dar muitos frutos para a nossa igreja. Eu perguntei: Como? Por conta da experiência com marketing? Sim, claro, respondeu o pastor. Amado, lhe disse, o que eu achei não se vende, apenas se propaga e espera-se pela ação de Espirito de Deus. Se eu fosse contratado para fazer o marketing plan de um “produto” assim, nem começava. Pensa bem: Meu produto é loucura, a entrega do principal é post mortem, meus clientes estão todos cegos, seus corações estão duros. O preço do produto é impagável: Santo Sangue de Jesus. Não há marketing possível: Preço não se mexe, Produto é loucura, Propaganda só para cegos e Entrega na eternidade. Sobra-nos a distribuição. Podemos abrir pontos de entrega – lojas, por assim dizer e esperar que loucos, cegos e mortos nos encontrem. Ou faz assim, ou muda o produto. [...] O pior é que andam mudando!
***
Danilo Fernandes é Bacharel Economia pela UFRJ e MBA em Marketing pela Louisiana State University.

















E AÍ, O QUE ACHOU? COMENTE!