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03/05 por: Púlpito Cristão 3 Comentários

Insatisfaçao: Um bichinho que azucrina

Por Franklin Rosa

 

“Assim que, tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; porque, quem o fará voltar para ver o que será depois dele?” (Eclesiastes cap. 3 vs. 22)

O texto que lemos acima parece ser a resposta de quem encontrou a solução e explicação para o vazio que se sente quando não se sabe qual é o sentido da vida, mas na verdade, é o grito da alma que ainda clama por socorro em meio a crises de significado.

Dá pra conceber e conciliar, uma pessoa com um alto grau de realização pessoal como foi Salomão, com o sofrido enredo que agora sai das “penas” da sua angústia para as páginas da Escritura?!

Um cara bem sucedido financeiramente, arrojado politicamente, servido dos mais diversos amores, cercado pelos melhores prazeres que a vida podia lhe oferecer, reverenciado por seus pares e respeitado por seus díspares, herdeiro do monarca mais aclamado por toda nação, mas que numa viagem profunda de confronto entre suas realizações com suas percepções, chega a dolorosa e contraditória conclusão: “Vaidade de vaidades! diz o pregador, vaidade de vaidades! é tudo vaidade. Que vantagem tem o homem, de todo o seu trabalho que ele faz debaixo do sol?” Eclesiastes cap. 1 vs. 2 e 3

A alma humana parece mesmo ser irremediavelmente insaciável. Sempre na busca frenética e incessante de novidades que ocupem o lugar do que já se tornou obsoleto e antiquado, pela falta da sensação de: “Plenitude dos Sentidos”, um ídolo que ganhou altar de adoração no coração de tantos que em última análise, estão insatisfeitos consigo mesmo.

A insatisfação cronificada, asfixia e adoece o descontente que não consegue desfrutar do que já está posto como realidade, porque suas emoções estão inconscientemente frustradas pelas imcompletudes agregadas durante sua trajetória de vida.

O insatisfeito é escravizado pelo ciclo vicioso do queixume associado ao desgosto de desejos não realizados, ficando assim refém de um comportamento auto-destrutivo, que o limita a ter uma perspectiva amarga e sem brilho da vida, e de si próprio também.

Você já teve aquela estranha sensação de estar tudo bem em todas as áreas de sua vida, mas algo no seu íntimo dizer que ainda falta alguma coisa?

Pois é, muitos são os que não teriam razão alguma para se sentirem debitados e não recompensados pela vida, são pessoas que possuem um trabalho digno, uma família bem ajustada, uma casa razoável, um circulo de relacionamentos edificantes, no entanto são constantemente azucrinados pelo bichinho da insatisfação.

Não quero aqui entrar no mérito da discussão sobre “insatisfações legítimas” que são expressões do não conformismo com realidades injustas e não produtoras de tudo que é vida, e sim, trazer a tona a reflexão desse sentimento agonizante que incomoda e deforma o semblante do desgostoso, e que é subproduto de vãs aspirações do egocentrismo humano.

É por conta dessa fixação de futilidades que inocula o veneno da maldade, que neuroses, depressões, e vazios existenciais se instalam, e uma vez instalados geram todo tipo de desconstrução de valores que são bons e saudáveis para o espírito humano.

O que nos causa desconforto, é que buscamos motivações exteriores para nos sentirmos satisfeitos, e não nos damos conta ou nos esquecemos com extrema facilidade, que somos a imagem e semelhança do Criador e que, só encontraremos plenitude interior quando submetermos nossos sentimentos e projeções em um relacionamento de amizade, integridade e sub-missão à ELE!

Ao que me parece, Salomão depois de tanto divagar em suas meditações sobre o sentido de plenitude da vida divorciado da ótica Divina, felizmente chega a um porto seguro declarando o seguinte: “Lembra-te do teu Criador, nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos, dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento… De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever (e acrescentando eu: O PRAZER E SATISFAÇÃO) de todo o homem” Eclesiastes cap. 12 vs. 1 e 13.

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Franklin Rosa, plenamemnte satisfeito em Cristo, para o Púlpito Cristão

23/02 por: Púlpito Cristão 8 Comentários

É Preciso Saber Viver, É Preciso Saber Perder…

Por Franklin Rosa

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu… Tempo de buscar, e tempo de “PERDER”; tempo de guardar, e tempo de lançar fora…” Eclesiastes cap. 3 vs. 1 e 6

Desde muito cedo tive o privilégio de poder ver minha mãe que era extremamente extrovertida e cantava muito bem, entoar várias e várias vezes de maneira empolgada a música do Roberto e do Erasmo Carlos: “É Preciso Saber Viver”.

As imagens e doces lembranças dela cantando não me saem da memória. Com freqüência lá estava ela cantarolando com seu talento musical, que foi despertado em concursos de músicas na sua juventude:


Quem espera que a vida / Seja feita de ilusão / Pode até ficar maluco / Ou morrer na solidão /
É preciso ter cuidado / Prá mais tarde não sofrer / É preciso saber viver…

Toda pedra no caminho / Você pode retirar / Numa flor que tem espinhos /
Você pode se arranhar / Se o bem e o mau existem / Você pode escolher / É preciso saber viver…

É preciso saber viver! / É preciso saber viver! / É preciso saber viver! / Saber viver!… Saber viver

Mais tarde porém, depois que tive o dissabor de vê-la sofrendo de insuficiência renal crônica e conseqüente morte aos 57 anos, e de também ter de enfrentar a dor da perda do meu irmão mais novo de 30 anos em um trágico acidente de trânsito, pude lembrar das cenas da minha infância, adolescência e juventude, e entender que: Saber Viver, é Saber Perder também.

A vida tem se encarregado de me mostrar as mais diversas facetas da perda, em diversos níveis de intensidade e nos mais variados caminhos pelos quais ela se manifesta.

Vai desde simples coisas como objetos e projeções pessoais de pouco ou estimado valor, a expressões mais graves, como a perda de gente amada que se foi para a eternidade, deixando o vazio da saudade.

Dentro de nós reside um forte apelo de possessão, que é despertado todas as vezes que estamos diante de uma situação real ou imaginária de perda.

Esse sentimento nos consome, porque nossa inclinação almática que é fruto da natureza adâmica caída, não sabe lidar com os processos da vida que nos fazem sofrer o débito de coisas e valores com os quais amamos e nos apegamos, e que sem os quais consideramos que a vida não é viável.

É por esta razão, que as ansiedades e fobias latentes na nossa alma, entram em conflito com a proposta de descanso do Mestre que diz: “Não vos inquieteis”, “Basta a cada dia seu próprio mal”.

Essa deficiência instalada nas nossas emoções que nos assombra, é que nos faz ter um estilo de vida acelerado, frenético e fibrilante, que só contribui ainda mais para o desgaste da fé e confiança, e do projeto de simplicidade e descanso elaborado no Gênesis.

Verdade é, que alguns sentimentos são até autênticos e legítimos como conseqüência da nossa humanidade e sensibilidade, mas não estamos acostumados a subtração ou divisão, e quando estamos diante dos problemas e desafios da vida, temos a tendência de equacionar somente as percepções que resultem em adição e multiplicação, e nunca a possibilidade do débito, porque o nosso alvo é a tão sonhada “ilha da segurança”, blindada pela falsa idealização de imunidade atemporal.

A perda dói! A perda frustra! A perda desestimula!

A perda dói, porque leva consigo valores, sentimentos e aspirações que reputávamos como essenciais à vida, e que sem piedade nos faz sentir a dor da separação.

A perda frustra, porque revela a fragilidade e transitoriedade dos nossos castelos de areia, construídos na perspectiva do eterno e vitalício que são confrontados com o aqui e o agora.

A perda desestimula, porque a percepção que sobrevive em meio a decepção é: “Será que vale a pena tanto esforço e sacrifício sem a certeza de retorno, ou de continuidade daquilo a que tenho me dedicado?”.

Apesar de todos os transtornos causados pela perda, pode ser ela a alavanca e a força motriz para novas possibilidades e realidades, e que nos conduza a felicidade sem utopias, que foi amadurecida pela sabedoria adquirida de “Saber Viver e Saber Perder”.

Cabe a nós resignificá-la em Graça, procurando focar na pedagogia do que elas podem contribuir com o nosso crescimento como seres humanos, e como humanos que ajudem outros seres a crescer em meio às perdas que a vida proporciona.

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Franklin Rosa é colunista no Púlpito Cristão

08/02 por: Púlpito Cristão 14 Comentários

Fé demais não cheira bem

Por Franklin Rosa

Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio: ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica: assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento” Eclesiastes cap. 9 vs. 2.

Já acreditei, mas há muito tempo abandonei a utopia da “Espiritualidade de Proveta” fabricada nos laboratórios do heroísmo gospel barato, da “Performance Plastificada” de uma fé intocável e intangível pelas contingências existenciais.

Espiritualidade essa que não resiste aos enfrentamentos trágicos, de uma vida que não tem agenda fixa pré-estabelecida, e que se apresenta como anfitriã tanto de gostos como de desgostos, sabores e dissabores, afetos e desafetos aos mais diversos tipos de protagonistas da eternidade.

E para aqueles que já estão se armando precipitadamente neste terceiro parágrafo, para me carimbarem com a pecha de liberal ou relacional, deixe-me logo esclarecer uma coisa: “Creio Absurdamente na Verdade que os ensinadores da teologia sistematizada denominaram como “SOBERANIA DIVINA”, e ponto e pronto”!

Minha argumentação trafega na contra-mão do convencional: É ter a ousadia e a falta de pudor, não importando-se com a “sagrada reputação”, descobrir o quanto é bom, sensato, libertador e sobre tudo honesto (eu encorajo aqueles que se deram a insensatez de dividir comigo a autoria dessa reflexão pela leitura da mesma), romper (de peito aberto e coração compungido pela sensibilidade que se tem de enxergar a si mesmo e encarar as realidades da vida sem ufanismos) com os falsos rótulos que fazem propaganda enganosa de uma imagem que é fraudulenta: “A FÉ NA FÉ QUE RÉ-MOVE MONTANHAS”, porque assim sendo: “Fé Demais Não Cheira Bem!“.

Se fizermos uma sincera (sem cera) e honesta análise, sem pré-conceitos ou pré-disposições mentais, da transitoriedade volúvel dessa encarnação terrena, com suas muitas alegrias e, na mesma proporção muitos dissabores, iremos constatar que nem tudo sai como o projetado nas pranchetas da ilusão juvenil.

Não! Não! Não!… Não me carimbe agora com a pecha de azedo, mal humorado, pessimista e incrédulo!

Simplesmente não me dei ao luxo e a infantilidade, de achar que a vida é um conto inglês do tipo: “Alice no País das Maravilhas”, prefiro encará-la com as lentes da realidade sabendo dos prós e dos contras que ela me proporciona.

Mas você não tem sonhos, talvez esteja intrigado e irritado se perguntando?!

Eu te respondo: Yes! I Have a Dream!

Faço coro com Martin Luther King e o saudoso conjunto ABBA, tendo sim um sonho e uma canção para entoar: Sonho e canto na esperança de dias melhores, mas agora me ponho a gritar em “DÓ MAIOR” junto com a dor do meu pai que perdeu um filho com 30 anos de idade através de um acidente automobilístico absurdo, sonho e canto com a dor de um querido irmão em Cristo que perdeu seu filho repentinamente de um mal súbito, e agora pede explicações para os doutores da teologia “pragamática” da prosperidade, sonho e canto com a dor dos excluídos da religião e que transformaram-se em mendigos pela intransigência eclesiástica, sonho e canto com a dor dos abandonados nordestinos que precisam apelar para “Luciano Huck / Celso Portiolli / Gugu Liberato entre outros, para terem um pouco da sua dignidade restituída, sonho e canto com a dor de pais que perderam seus filhos para as drogas, sonho e canto com a dor dos haitianos, iraquianos, indonésios, africanos marginalizados pelo capitalismo ocidental homicida, sonho e canto com os desabrigados e enlutados da região serrana do Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e tantos outros lugares desse Brasil varonil que é fruto do descaso das autoridades políticas, sonho e canto com a dor do ser humano desumanizado pelo ser que se diz humano!

Sonho e canto com Gonzaguinha (… mas a vida, é bonita, é bonita e é bonita!), sonho e canto com Mercedes Sosa (Eu só peço a Deus que a dor não me seja indiferente… Eu só peço a Deus que a injustiça não me seja indiferente… Eu só peço a Deus que a guerra não me seja indiferente), sonho e canto com a mesma esperança da comunidade romana “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” Romanos cap. 8 vs. 38,39.

Sonho e canto optando por encarar minhas fragilidades e minhas realidades, não perdendo a sensibilidade de me alegrar no dia em que a felicidade quiser fazer festa e celebrar na pista do meu coração e de igualmente chorar no dia em que a tristeza assolar minhas emoções.

Quero me despojar da arrogância da auto-suficiência travestida dessa “espiritualidade narcotizante”, para ser possuído pela suficiência do Alto, me despindo dos super-poderes da fé na fé, pois só assim tenho a noção exata de quem sou: “Não sei ainda quem e o que sou!”

Prefiro encarar minhas fragilidades e realidades, pois quando não sei o que sou e quem sou, Deus sabe o que não sei e o que posso ser não sabendo nada, cantarolando bem baixinho em meu coração: “… A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza…”.

Encaro minhas fragilidades e realidades, identificando-me com todos aqueles que já não se sentem mais identificados, e que ousaram se despersonalizar do status de “Ungidos Intocáveis do Senhor”, dando-se a oportunidade de crescer na Vida, com a Vida e pela Vida, construindo assim sua própria história divorciada dos mitos da religião de tubo de ensaio…

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Franklin Rosa é alguém que cansou da religiosidade e agora só quer viver o cristianismo sem barganhas e crentices narcotizantes. Ele é colunista no Púlpito Cristão