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João Alexandre entrevista Paulo Cezar (Grupo Logos)
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Entrevista realizada no Programa Meia Hora recheada de conteúdo, história e musicalidade, apresentado por João Alexandre.
Confira e deixe seu comentário.
As maçãs do Éden
O ser humano é dogmático. Em qualquer esfera, gostamos de dogmas e verdades estabelecidas. Isto nos traz segurança e conforto. Na TV sempre aparece algum artista ou celebridade comentando sobre a vida pública. E para senso comum, pessoas que estão dispostas a ter vida pública não podem se queixar de perder a privacidade por causa da fama. Será? Na mídia existe o mito que de que quando alguém se expõe tem que se sujeitar passivamente a reação das pessoas. Sério? Quem estabeleceu estas verdades?
Desmaterialização da arte: Os artistas contemporâneos costumam derrubar este tipo de conclusão a golpes de martelo, abrindo espaço para questionamentos. John Cage, criou uma partitura, o trabalho 4’33″, instruindo o músico a ficar em silêncio e imóvel durante o tempo estipulado no título da obra. Em 1967, o norte americano Sol LeWitt publica “Parágrafos sobre Arte conceitual, onde atesta que a idéia é mais importante que a realização do trabalho. Enquanto isso, no Brasil , Helio Oiticica divulga no Museu de arte Moderna do Rio de Janeiro, um texto onde começa a surgir a noção de uma “arte desmaterializada”, onde o público, é o motor da obra e assume com sua negação à passividade uma posição crítica na dimensão ética e política. Falando a grosso modo: é o público que define o que será a obra de arte: uma partitura, uma obra de arte visual, um texto poético, ou outra proposta.
No mundinho gospel prevalece a mentalidade dogmática. Somos criados com ela e nos moldamos a ela. Somos ensinados a reafirmar dogmas. Não, as igrejas não ensinam a pensar, e embora o Criador nos tenha dado uma máquina de raciocinar fantástica, não há encorajamento para aqueles que se atrevem a levantar questionamentos. Elas funcionam em sua grande maioria como curso de memorização, de modo que você consegue encontrar vários cristãos que conseguem decorar enormes textos bíblicos, mas não conseguem aplicar aquelas verdades ao seu dia a dia. Nada contra memorizar textos, pelo contrário, seria lindo um momento de salmos onde os irmãos declamariam e interpretariam os salmos bíblicos e os que tem veia poética mais apurada poderiam criar seus salmos e jorrar palavra poética numa noite inesquecível, uma noite na varanda com amigos, simples, como as reuniões apostólicas da igreja primitiva. Memorizar não é um problema, é uma necessidade, mas é problema quando a palavra está na língua mas não está no coração.
Precisamos de discipuladores que lancem desafios na aula, como Jesus fazia. Jesus criava problemas e deixava os discípulos sem respostas por muito tempo para que tivessem tempo de meditar na palavra. Jesus exercia a função de provocador. O bom pastor alimentava as ovelhas como ninguém, mas não mastigava o alimento para elas.
Evangelho para consumo: o Evangelho está á venda. Para vender algo é preciso seduzir e agradar o consumidor, não podemos chocá-lo, provocá-lo, questioná-lo, fazê-lo pensar ou dar-lhe informações novas que o perturbem. Devemos dar-lhe mais do mesmo. O igual, com nova roupagem. O dogma é perfeito para isso, ele não assusta, não muda nada, não altera nada. Gostamos das coisas como são e queremos que tudo termine bem no final, como nas novelas e comédias românticas. Tudo já vem pronto e embalado para consumo. Só nos resta consumir. Tudo precisa ser reduzido aos padrões já estabelecidos, para não abalar nossas crenças e nossa confiança na realidade. Na mentalidade dogmática, verdadeiro e bom é o que não surpreende: é oque já se sabe, oque já se disse, oque já se fez. Mas no lugar de difundir e divulgar o Evangelho ou a cultura cristã, despertando interesse, isto torna o evangelho próprio para consumo, mas não o torna mais conhecido por isto.
Claro, todos temos dogmas de fé. Há uma verdade que é Cristo. Mas a cultura da pedrada e a cultura do escárnio fazem parte do discurso de Jesus? Um dos um dos problemas do cristianismo atual é exatamente achar que há apenas uma doutrina válida, é querer mandar fogo do céu a quem pensa diferente. Temos arminianos, calvinistas, luteranos, reformados, pentecostais, neopentecostais, todos com suas pedras na mão afirmando serem os donos da verdade. Oque me lembra o romance de Umberto Eco, O nome da rosa. No livro, os monges morrem misteriosamente e todos com o mesmo sinal: a língua negra e dois dedos da mão direita cheios de veneno. O monge investigador descobre que as vítimas encontraram uma obra perdida de Aristóteles sobre a comédia e a importância do riso para a vida humana. Descobre também que o monge guardião da biblioteca julgara que o riso era pecado, pois em sua concepção religiosa, o homem estava na terra para pagar o pecado de Adão, portanto, alegria era blasfêmia. E por este motivo, assassinou por envenenamento os copistas que ousaram ler o livro e incendiou a biblioteca. Por esta “verdade”, o monge copista matou seres humanos e destruiu livros, pois para ele, a verdade revelada por Deus é a única que importa.
As maçãs do Éden: Quando observo as igrejas e a forma como passam a informação, me lembro de um episódio ocorrido lá no jardim do Éden, onde um homem ouviu uma revelação de Deus, e transmitiu a mensagem dogmaticamente para outra pessoa. A fim de que ela não se desviasse do conteúdo original da mensagem,acrescentou umas palavrinhas. Mas este excesso de zelo e de dogma não a fez meditar naquela realidade, para que aquele ensino fosse regado pelo Espírito Santo e criasse raízes. Quando veio a serpente, então a serpente a fez pensar. E assim o homem oficializou o dogma, acreditando que fazer pensar é um perigo. Criamos as “maçãs do Éden”. De onde surgiu a “maçã” ninguém sabe, não está no texto, mas também não se pode questionar. Séculos depois, continuamos cultivando maçãs.
Terapia divina: Ignoramos a didática de Jesus, ignoramos que Deus ensinou Jó a questionar, (sem apresentar respostas). Porque aprendemos que o tema central do livro de Jó é “porque o justo sofre?” ao invés de”a importância do questionamento”? Nossa capacidade dogmática se rompe quando começamos a levantar questionamentos, este foi o tratamento de Deus para Jó: sincero, reto e temente a Deus, Jó não conhecia o criador, mas tinha dogmas que seguia à risca. Deus curou Jó de seus dogmas para restaurar sua vida. Assim as pessoas hoje estão vivendo. Acreditam que é pecado questionar a Deus, ou as instituições e pessoas que “falam em nome de Deus”. Mas por não aprenderem a questionar também não aprendem a questionar os rudimentos e sofismas deste mundo e caem na conversa da serpente geração após geração.
Enquanto isso, o Todo-Poderoso continua dizendo: “Vinde e arrazoemos”.
Que Deus quebre nossos dogmas e fortaleça nossa fé.
Em Cristo,
Lya Alves.
Poesia e Espiritualidade: o legado Musical de Jayrinho
Por Antognoni Misael
Jairo Trench Gonçalves, conhecido no meio evangélico como Jayrinho, foi um jovem talento musical das décadas de 70 e 80. Considerado como um dos grandes referenciais da música evangélica brasileira por muitos cristãos da avant garde musical. Sem a menor sombra de dúvida, quem gosta e se identifica com o trabalho do Grupo Logos com certeza se vislumbrará com as canções do artista que formou, ao lado de Paulo Cezar, no Grupo Elo.
Jairo foi o único filho homem em meio a quatro meninas. Filho de português, viveu em São Paulo e teve uma vida nobre, confortável, devido a estabilidade dos pais. Quando conheceu a Cristo nos idos de 1970, apressou-se em servir a Deus de forma exclusiva partindo para o Instituto Bíblico Palavra da Vida onde se preocupou em estudar teologia. Ao completar os estudos em 1974, conheceu Hélia, com quem se casou no início de 1975, em São Paulo.
O que era ser um jovem cristão na década de 70? Nada fácil. Enquanto o entretenimento era sacudido pelo Rock in Roll de bandas como The Beatles, Led Zeppelin, Rolling Stones, e tantos outros artistas e segmentos cujas mensagens eram contrárias aos princípios bíblicos, a igreja evangélica no Brasil dava ainda passos modestos tanto em questões culturais quanto na musicalidade própria – criação de melodias e elaboração de arranjos musicais de qualidade.
Jayrinho contribuiu bastante para formatação e inovação na música crista. A inovação aconteceu quando um grupo de oito pessoas escolhidas pelo maestro norte-americano Dick Torrans, missionário do Palavra da Vida, quebraram a tradição musical européia (“escandalizando” no bom sentido) e passaram a compor canções próprias – Jayrinho compôs “Nos montes eu vou, com Cristo eu estou, nos vales campinas, com meu Salvador…, etc.” e outras .
Como desbravar era uma missão desafiadora, Jayrinho junto com seu grupo, aprovados e capacitados por Deus, passaram a se apresentar nas praças, ginásios de esporte, pequenas e grandes igrejas, indo, indo, indo e sem nunca deixar fugir o sorriso dos lábios e o comprometimento com o Reino. É válido ressaltar que neste maravilhoso grupo também participavam o Paulo Cezar, juntamente com a Nilma, sua esposa, e Nancy, esposa do maestro Dick, também produtor e arranjador musical do grupo.
Jayrinho era um líder, idealizador, um sonhador “ambicioso”. Seu desejo era ampliar os espaços, enriquecer mais a música cristã e conhecer novos horizontes. Sensível e de grande musicalidade, era capaz de formular ideias, compor poesias simples, porém cheia de sofisticação. Relatou o músico Ivan Cláudio (parceiro de grupo ao lado de Jayrinho e Paulão) que este passava horas com seu violão, às vezes diante do piano cantarolando até que a melodia fluísse. Jayrinho utilizou de todos os recursos que possuía (instrumentos musicais, sintetizadores, etc.) perseguindo sempre a música de qualidade. Era um perfeccionista!
Num primeiro momento preferiu não ferir a tradição quanto a certos costumes da música, como a utilização da bateria (um pepino indigesto por parte da igreja) – enfrentada pelo grupo Vencedores Por Cristo, que naquela mesma época introduziu vários instrumentos censurados pela comunidade evangélica brasileira. Para comprovar isso basta ouvir o primeiro disco gravado por Jayrinho “Calmo, Sereno e Tranqüilo” – este tinha apenas o uso do violão e, quando muito, um contrabaixo.
Ao final do ano de 1975 foi formado o ‘Grupo Elo’, e a partir daí Jairo montou todo um aparato para gravação e impressão, que funcionava no mesmo prédio do Mapa Fiscal Editora, de propriedade de seu pai em Atibaia-SP. Enfrentando as censuras instrumentistas, comporam um arsenal de discos belíssimos:“Nova Jerusalém”, “Ouvi dizer…”, “Um dia”, “Calmo, sereno e tranqüilo”, “Nova Canção”, e em 2008, “O ensaio”, que é um registro único de momentos de ensaios, elaboração de arranjos e composições do Elo.
Tudo estava à pleno vapor, quando em 1981 Jayrinho veio a falecer em um acidente de automóvel na estrada de Atibaia-SP. Morreram ele, sua esposa Hélia e seu filho mais novo, ainda bebê, André – Cristo os tomou para Si. A sua alegria, bom humor, espiritualidade, ficaram marcadas para nós como lembrança nas melodias e letras que nos legou. No mesmo ano de sua morte, o Grupo Elo, que tinha alcançado a venda de mais de 800.000 Lps e a Revista Elo, que tinha chegado a mais de 28.000 assinantes abrangendo o Brasil, Angola, Portugal, Moçambique e Espanha, se desfizeram.
Resta-nos hoje só recontar a história deste que foi um dos maiores compositores e cantores da música cristã moderna. Meu desejo é que as gerações presentes, os grupos de louvor, os músicos e ministros da música, tenham a oportunidade e prazer de conhecê-lo assim como eu tive.
Louvo a Deus pela música cristã de qualidade!!
25 anos de legado de Sérgio Pimenta: músicas inspiradas na Palavra de Deus e repletas de poesia
Há exatamente 25 anos a música evangélica se despedia de um dos maiores compositores e intérpretes da nossa história, Sérgio Pimenta.
Tendo participado do projeto do grupo Vencedores por Cristo e do Grupo Sementes, Pimenta foi bastante atuante no meio evangélico durante os anos 80.
Tenho saudáveis lembranças de minha adolescência quando um amigo, nos cultos de domingo a noite, sempre cantava canções de Pimenta. Aquilo me chamava atenção e tocava profundamente o meu coração. Recordo-me também que consegui uma fita K7 e comecei a ouvir intensamente a obra de Pimenta e mesmo ainda aprendendo os primeiros acordes, já conseguia perceber uma diferenciação entre aquela música e o emergente cancioneiro gospel dos anos 90.
A sua voz de timbre grave inconfundível, e o estilo de tocar, cheio de leveza e arte, eternizaram músicas inspiradas na Palavra de Deus e repletas de sensível poesia.
(Abaixo o vídeo que conta um resumo da vida de Sérgio Pimenta)
Pimenta de fato tinha uma mente privilegiada e o coração ansioso pelo Senhor e dedicado ao Evangelho que abraçou. Seus contemporâneos dão fé disso.
No dia 12 de agosto de 1987, ele foi promovido aos céus, quando foi vitimado por um câncer agressivo e fulminante. Mesmo prematuro, apenas com 33 anos, deixou um legado tão extenso em tão pouco tempo de vida.
Sobre Pimenta, bem escreveu Nelson Bomilcar,um amigo desde os tempos do Grupo Sementes, e parceiro na canção “Quando se está só” (escrita por Pimenta quando encontrava-se no leito hospitalar nos últimos dias de vida): “Ele foi um dos maiores compositores da música cristã brasileira, senão o maior. Com mais de 500 músicas compostas, muitas ainda inéditas, consagrou-se como um dos principais autores do gênero”.
Certamente se tivéssemos ele por aqui ainda nossa música cristã brasileira seria muito mais rica. Entretanto, o que resta-nos é divulgar sua obra. A igreja brasileira, os novos convertidos, os músicos, pastores, podem ter a oportunidade de serem abençoados com as músicas e testemunho de Sérgio Pimenta. Eu particularmente sempre o ouço, e confesso, diante de tudo que já ouvi dele, como nos vídeos abaixo voz e violão, pouca coisa atualmente é tão verdadeiro e válido pra se ouvir, refletir e se edificar.
Que o Senhor nos abençoe.
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Vejo como uma necessidade urgente na área da música dentro da igreja, a relevância de conhecer o nosso passado. Por isso divulgo e tenho paixão em compartilhar. Fonte: Arte de Chocar.
Som da Graça: “Amor Incondicional” por Jorge Camargo
Há quem diga que o “amor não existe”, mas sim expressões de amor. Porém, se demasiado humanos, melhor é que da razão lógica fujamos para o abrigo da essência incomensurável do existir (Deus), assim deixaremos o próprio Amor suvenir no teatro da vida… Para que aprendamos, mesmo sem que por completo vivamos…o que é, realmente, o Amor.
O verdadeiro Amor conhecemos na abnegação de Cristo; um amor total, doador, expresso em movimentos e palavras. Em nossas vidas, infelizmente, por vezes lidamos à base da troca. É o chamado “amor na versão normal”, o amor condicional, que sistematiza reações de afeto e se devaneia em surtos de bondade.
Neste primeiro Som da Graça vale a pena se permitir a tirar cinco minutos desse mundo guloso e ser agraciado com esta obra de arte com Jorge Camargo.
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