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22/01 por: Antognoni Misael 15 Comentários.

A síndrome do estrelismo gospel

Por Samuel Torralbo

Segue abaixo alguns dos sintomas que caracteriza alguém que possivelmente tenha sido contaminado pelo vírus da síndrome do estrelismo gospel:

1 – Necessidade de aparecer na mídia, inclusive a secular.

2 – Sensação de que, o culto não acontece sem a sua presença.

3 – Tristeza quando um crente não pede autografo.

4 – Não participa do culto, porque chega sempre na hora de se apresentar (pregar ou cantar).

5 – Fica ressentido quando é chamado de irmão, ao invés de reverendo, cantor, bispo ou pastor.

6 – No culto o seu assento precisa ter um lugar de destaque.

7 – Participa do evento somente quando o hotel é cinco estrelas, e a viagem é de primeira classe.

8 – Sucesso ministerial é sinônimo de vendas de Cds, Dvds, ou livros, como também, uma agenda cheia de compromissos.

9 – Para que um mero mortal consiga falar com ele (a), precisa passar pela secretaria.

10 – Comparece ao culto somente quando o cachê (que normalmente é exorbitante), já está pago ou previamente combinado.

O antídoto contra este veneno que tem se alastrado no tempo presente em muitos corações ávidos pelo “sucesso ministerial”, continua sendo aquele proposto por Paulo (o apóstolo): “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.” (Gálatas 6.14)

***

Samuel Torralbo é colunista do Púlpito Cristão, e contribui com a subversividade ao mundo Gospel.

Ainda sugiro, para complemento, o texto Dossiê do Astro Gospel.

30/03 por: João Rodrigo Weronka 4 Comentários.

A UNÇÃO DO MARKETING E O PODER DA MIDIA NA IGREJA

Por Samuel Torralbo

Caso, os profetas ou apóstolos bíblicos vivessem em nossos dias, detectariam uma sórdida e maligna realidade – a unção do marketing e o poder da mídia no ministério – onde algumas portas se abrem, e oportunidades surgem somente quando nos tornamos coniventes com um sistema religioso viciado e deturpado, financiado por uma cultura que valoriza o condicionamento e o espetáculo religioso.

Tenho consciência de que, muitos daqueles que se utilizam do poder da mídia e da unção do marketing, declaram que manifestações e expressões como deste artigo são provenientes de pessoas que queriam estar falando para as massas e por não conseguirem criticam e denunciam. Quero deixar claro primeiramente que, não sou contrário a utilização da mídia para a propagação do evangelho, porém, qualquer pessoa que deseje ter sucesso neste panteão de sincretismo e misticismo religioso vendido através da mídia, basta seguir o seguinte método – 1) abandone o temor do Senhor, 2) negocie a sua consciência para atingir seus objetivos egocêntricos, 3) esteja disposto a qualquer negócio para chegar onde desejar, 4) manipule a palavra de Deus e a fé das pessoas, que certamente, será um grande candidato para ser um showman religioso das massas ávidas pelo auto engano.

De modo que, é muito fácil se tornar um fenômeno religioso dentro de qualquer contexto, basta seguir as regrinhas básicas da dissimulação, picaretagem e malandragem. Sendo assim, logo cedo, os escoteiros da escola de Balaão, descobrem que precisam ter acesso a canais de televisão, negociar horários em determinados eventos “missionários”, ser conivente com o erro de lideres para viabilizarem a promoção e o sucesso ministerial.

É deplorável observar o povo financiando um sistema que manipula a fé, vende apetrechos místicos, trocam notas ungidas de R$ 5,00 por R$ 50,00, e que procuram fazer de Deus um garçom de bênçãos.

É triste encontrar lideres e pregadores que não se prostituiram com o espírito da avareza religiosa, padecendo necessidade, não encontrando oportunidades, e tendo suas vozes sufocadas pelos gritos e ruídos da apostasia.

Torna-se uma tarefa árdua detectar nesta babel de consumo religioso, o inicio deste financiamento profano. Seria o povo ou a liderança o propulsor deste sistema? Normalmente a liderança convive com a cobrança de atender as demandas do povo, enquanto que, os liderados esperam dos seus lideres decisões que viabilizem suas vidas. É comum ouvir líderes falarem – Se não fizermos assim (no sistema de sincretismo e misticismo), perdemos os membros, ao mesmo tempo em que, encontramos dois tipos de liderados – os ávidos pelo autoengano e os sedentos pela verdade, que buscam uma liderança que comunique o Evangelho puro e simples. De modo que, sempre nos depararemos com a seguinte questão – o povo é o que o líder ensina, ou o líder é o que o povo anseia?

Em busca desta resposta é interessante observar que na história do povo de Deus (Israel), o autoengano e o sincretismo religioso se manifestaram em consequência de algumas motivações – 1) apostasia da liderança em relação aos mandamentos divinos, 2) deturpação espiritual por causa de interesses pessoais egoístas, 3) influência negativa de culturas pagãs, 4) atrelamento do sagrado com o profano, 5) enrijecimento do coração do povo em relação a vontade divina, 6) Juízo divino – quanto Deus pune o povo deixando de enviar a sua palavra e seus profetas.

Deste modo, compreendemos que, enquanto o chamamento de Deus para a liderança é de extrema responsabilidade com a verdade, o conselho divino para o povo é que obedeçam a verdade. Porém, existindo a deturpação da verdade por parte de cada ou de ambos os lados (lideres e povo), no tempo oportuno, Deus sempre corrigiu os envolvidos e cumpriu a Sua vontade soberana.

Porém, mesmo sabendo de que tudo está no controle divino, ainda existe – 1) o lamento por detectar que nesta hora o financiamento do autoengano é maior, do que a divulgação do evangelho genuíno, 2) a dor em observar o aumento sistemático dos condicionamentos e adestramentos da fé, no objetivo de financiarem as vontades e propósitos de alguns setores religiosos, 3) a tristeza de ver homens e mulheres de Deus sendo isolados e rechaçados para não falarem a verdade, enquanto que, a palha é promovida, comercializada e viabilizada através de diversos veículos de comunicação.

De modo que, resta a dadivosa esperança que jamais calará – MARANATA – VEM SENHOR JESUS!

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Samuel Torralbo é pastor, pregador e colaborador no Púlpito Cristão .

28/03 por: João Rodrigo Weronka 3 Comentários.

ESTA FALTANDO HOMEM E SOBRANDO MENINO

Por Samuel Torralbo 

Segundo o sociólogo Zygmam Bauman o período da modernidade (iniciada no século XVIII) foi marcado pelo derretimento dos modelos e paradigmas que sempre pautaram a vida em sociedade, onde importantes emancipações e revoluções aconteceram, como por exemplo – a revolução feminista, revolução industrial, emancipação religiosa, etc. Sendo que, atualmente a pós-modernidade seria a ressaca (do período moderno) que embriagou e cambaleou a humanidade na ausência de significado e sentido para a vida.

De modo que, a sensação é de que, a vida contemporânea ao mesmo tempo em que sofre um processo de desconstrução, é vitima de novas adaptações abruptas que ganham forma a cada momento. Com isto, torna-se cada vez mais difícil o individuo contemporâneo entender seu papel no convívio social.

Parece que, esse turbilhão de novidades, informações, expectativas, angústias, e ansiedades tem gerado uma geração esquizofrênica, que busca se achar em meio a um inverso impetuoso e sombrio. Atualmente, é muito comum encontrarmos meninos em corpos de homens. Indivíduos que são gigantes nos seus negócios, mas nanicos nos seus relacionamentos, empreendedores de sucesso, mas fracassados no caráter, exímios construtores temporais e péssimos investidores na eternidade.

A escassez de homens com a fé de Abraão, liderança de Moises, caráter de José e consciência cristã de Paulo, é notável através da fartura de meninos em corpos de adultos que são superficiais, inconstantes, vulneráveis, e inconsequentes.

O perfil bíblico e histórico de um autêntico homem (gênero masculino como feminino) sempre foi caracterizado por um individuo sensato, de palavra, cumpridor dos seus deveres, honesto, respeitador, equilibrado, pacificador, coerente e sóbrio em suas decisões. No entanto, no mundo contemporâneo o aumento de pessoas que ludibriam para atingir seus objetivos; burlam para cumprir suas metas, negociam caráter para crescer em seu contexto, abandonam filhos, sacrificam família, e mudam de opinião como mudamos de roupa é alarmante, evidenciando uma crise de valores e significados.

Este fenômeno, infelizmente acaba atingindo o contexto socio-religioso, onde cada vez mais é comum líderes evangélicos, faltar com a verdade em suas palavras, aplicar calotes financeiros, se envolver em escândalos sexuais, relativizar o caráter cristão, descaracterizando assim o perfil do homem segundo o coração de Deus, enquanto que, promovem o perfil do ministro reprovado por Deus (menino).

Em tempos de relativização, liberalismo teológico, sincretismo religioso e aumento de heresias e modismos, a igreja precisa de homens que ame o evangelho da cruz, e não de meninos que promovam shows em nome da fé. De modo que, é próprio dos homens: 1) cumprir com sua palavra, 2) respeitar o semelhante, 3)lutar pela verdade, 4) valorizar sua família, 5) manter-se sóbrio em tempos de embriaguez existencial, 6) confiar na soberania divina, 7) exercitar-se na humildade, 8)amar sem reservas, 9)e buscar o caráter de Cristo.

Observando o processo histórico humano, parece que, sempre a demanda por homens de valor enfrentou a problemática da escassez dos mesmos – “E busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro, e estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; porém a ninguém achei.” (Ez. 22.30)

Em momentos de crise moral, existencial e espiritual, é comum o aumento de indivíduos sem lastro e aliança com a verdade, ao mesmo tempo em que, urge a necessidade por homens que não barganhem com a consciência e a fé em Deus. Não precisamos neste momento de indivíduos da estirpe de Geazi, mas necessitamos de homens com o caráter do profeta Elizeu.

Sendo assim, a necessidade de manter-se firme no caráter de Cristo e na consciência do Evangelho é essencialmente importante para aqueles não desejam fazer parte da diluição de valores característico do nosso tempo, que objetiva sistematicamente a relativização da verdade eterna de Deus.

De modo que, em tempos onde faltam homens e sobejam meninos ávidos por brinquedinhos pós moderno, o convite de Cristo continua sendo o mesmo –“Segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus mortos.” (Mt. 8.22)

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Samuel Torralbo é pastor, pregador e colaborador no  Púlpito Cristão .

12/03 por: Leonardo Gonçalves 8 Comentários.

CASO DE POLÍCIA

Por Samuel Torralbo

Acabei de assistir um vídeo na internet (www.youtube.com/watch?v=AYU6SdORe5A), que resume literalmente os inúmeros pseudo profetas bandidos, mentirosos, e enganadores que ludibriam o povo com ilusões.

No Antigo Testamento, quando a profecia não se cumpria, comumente o profeta era morto. É aterrorizante assistir esses enganadores, amantes de si mesmos, profetizarem em nome de Deus, ao mesmo tempo, em que, é triste detectar que existe um povo que ainda acredita neste tipo de ladroagem.

É fato que esses ladrões encontram-se mortos nos seus delitos e pecados, mas no antigo testamento seriam literalmente mortos. De modo que, atualmente segundo as leis estabelecidas em nosso estado de direito, esses bandidos deveriam no mínimo serem presos, porque a pratica deles é de estelionatos em nome da fé.

Onde estão os políticos evangélicos comprometidos com o evangelho de Cristo para reagirem e criarem leis que inibam e punam esses bandidos que se auto denominam pastor, bispo, ou apostolo?

Todo “profeta” que prometendo em seu próprio nome ou em nome de Deus, alguma coisa para qualquer individuo (recebendo em troca algum tipo de oferta ou gratificação, ainda que seja para o “senhor”), caso não cumpra a promessa, deveria ser preso, porque é um enganador e mentiroso.

Espero que, toda liderança comprometida com a palavra de Deus se levante, identifique e não tenha medo de apontar os falsos profetas que procuram enganar o povo neste momento.

Mantenho também a esperança de que, o povo se converterá genuinamente a palavra de Deus e ao espírito do evangelho de Cristo, impedindo assim, cada vez mais, a presença desses lobos vestidos de ovelha.

Caso, a liderança e o povo de Deus, não se posicionem contra esses falsos profetas, veremos cada vez mais, o amento do engano e das aberrações produzidas em nome de uma fé deformada e sem fundamento bíblico.

Que neste momento de grande confusão, em que até as torres de Babel são confundidas como obra santificada a Deus, a a misericórdia do Senhor esteja sobre o seu povo – “Senhor, tem misericórdia de nós, por ti temos esperado; sê tu o nosso braço cada manhã, como também a nossa salvação no tempo da tribulação”. (Is. 33.2)

24/02 por: Leonardo Gonçalves 24 Comentários.

FORA DO ESQUEMA

Por Samuel Torralbo

Acho que estou ficando velho ou definitivamente fora do novo esquema que cada vez mais se instala no meio eclesiástico evangélico. Reconheço que estamos em momento de transição, sendo importante a contextualização para o prosseguimento da Igreja de Cristo Jesus.

Confesso que atualmente tenho feito um grande esforço para tentar compreender esse novo formato de liderança evangélica, porém, todas as vezes que, me proponho a perscrutar o significado e motivações que habitam esses lideres, sinto-me mais incomodado e fora do esquema.

Em primeira analise as atitudes dessa nova liderança parece ser insignificante e casual, o que me faz perguntar: Será que o problema está comigo? Será que não estaria pegando pesado demais? Será que eu deveria tentar me enquadrar neste novo esquema? Minhas duvidas resistem até o momento em que me deparo novamente com os modus operandis dessa nova liderança, e outra vez, renasce a certeza de que – eu não nasci pra isso!

Literamente não consigo me encaixar nesta nova ordem, que:

1. Faz do culto um SPA ou uma academia ao ego e demandas do homem capitalista.

2. Que no púlpito ficam acessando os seus iphones, lendo email ou twittando.

3. Que no púlpito resolvem os seus problemas pessoais atendendo ligação no celular.

4. Que parecem mais com gerentes de bancos, do que, com profetas de Deus.

5. Que fazem cara de maus amigos quando alguém prega nos seus púlpitos contra o pecado, necessidade de arrependimento, ou realidade da vida segundo o espírito do evangelho.

6. Que desenvolvem suas pregações à la Augusto Cury, Lair Ribeiro e outros gurus de auto ajuda.

7. Que falam de tudo nos seus púlpitos, desde a necessidade de contribuir com a oferta até a leitura de receita de bolo que a esposa recomendou, menos o Evangelho de Cristo.

8. Que profissionalizam a vocação ministerial.

9. Que se fecham em seus mundinhos, tornando-se míopes e retardados na urgência do amor e no serviço ao próximo.

10. Que trocam o valor da primogenitura pelos pacotes modernos de lentilha.

Definitivamente, estou fora deste esquema, sabendo das implicações que isto me custará, mas enquanto puder, lutarei para manter minha consciência tranquila e fundamentada no evangelho e na esperança em Cristo.

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Samuel Torralbo é pastor, pregador e colaborador no Púlpito Cristão

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